Título: Matéria Escura*
Autor: Blake Crouch
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 352
ISBN: 9788551001226
Nota: 4,5 de 5

SINOPSE: Raptado por um homem mascarado, Jason Dessen é levado para uma usina abandonada e deixado inconsciente. Quando acorda, um estranho sorri para ele, dizendo: “Bem-vindo de volta, amigo.” Neste novo mundo, Jason leva outra vida. Sua esposa não é sua esposa, seu filho nunca nasceu e, em vez de professor numa universidade mediana, ele é um gênio da física quântica que conseguiu um feito inimaginável. Algo impossível. Será que é este seu mundo, e o outro é apenas um sonho? E, se esta não for a vida que ele sempre levou, como voltar para sua família e tudo que ele conhece?

Comentários:

Eu amo ficção-científica, mas tenho sérios problemas com leituras cheias de termos técnicos e de difícil compreensão para leigos no assunto, como eu. Por isso, acabo preferindo séries de TV e filmes do gênero, mais do que os livros, porque o recurso visual me ajuda em certos aspectos. Sem contar que quase sempre são menos complicados e entediantes.

Ainda assim, optei por encarar a leitura de Matéria Escura, porque inicialmente eu tive a impressão que, para além da ficcção, questões humanas trariam leveza à narrativa. Inclusive, a proposta é que a trama seja instigante e curiosa para os leitores do gênero, seja qual for o nível de entendimento dele. E é exatamente o que acontece. Blake Crouch não só cumpre sua ideia, facilitando para o leitor, como também deixa uma mensagem poética incrivelmente emocionante.

A trama é narrada pelo professor universitário de física quântica, Jason Dessen. Jason tem uma vida normal, relativamente boa e confortável. Mas isso só existe porque ele e sua esposa, Daniela, abdicaram do prestígio social para criarem um lar e se dedicarem à família. Esse foi o caminho que eles decidiram seguir após a descoberta de uma gravidez não programada, mas vale salientar que a história se passa quando a criança, na verdade, já é um adolescente.

Enquanto Jason tinha tudo para ser um físico renomado, Daniela poderia se tornar uma brilhante artista. Como seriam suas vidas se isso tivesse acontecido é uma dúvida que permeia sobre eles, mesmo após tantos anos. É através desse contexto que o autor insere a ficção científica à narrativa, pautando as teorias de física quântica que abrangem os multiuniversos, também conhecidos por universos paralelos.

Após ser raptado, Jason acorda em uma nova realidade, onde ele não é mais um professor, mas sim um gênio da física quântica que revolucionou a ciência. Lá ele também não é casado com Daniela, não tem filho, e não possui nenhum familiar por perto. O que aconteceu para sua realidade ter sido alterada você só vai descobrir conferindo essa narrativa eletrizante, de leitura fácil, concisa, cheia de conceitos intrigantes e repleta de reviravoltas.

Apesar dos capítulos serem maiores que o convencional, a leitura tem um ritmo frenético, assim como a viagem alucinógena que o protagonista é levado a vivenciar por conta da ganância e arrogância de um Jason que ele próprio até então desconhecia. Enfim, o enredo é brilhante e não deixa pontas soltas. Já os cenários e os personagens são bem construídos e muito verossímeis.

Somado a isso, há situações que nos fazem refletir sobre as nossas escolhas, sobre as incertezas que elas nos impõe, sobre as nuances da vida profissional e pessoal, dentre outras coisas que nos deixam à flor da pele. Portanto, recomendo demais esse thriller sci-fi. Ele faz o irreal se tornar real a ponto de te emocionar. É de superar todas as expectativas possíveis, pode acreditar.

*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca. 


Título: Nada Mais a Perder*
Autor: Jojo Moyes
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 400
ISBN: 9788580579703
Nota: 4 de 5

SINOPSE: Na juventude, Henri Lachapelle foi um cavaleiro de raro talento, entre os poucos admitidos na academia de elite do hipismo francês, o Le Cadre Noir. Contudo, reviravoltas da vida o levaram da França a Londres. Sem nunca abandonar o amor pela antiga carreira, aos trancos e barrancos, Henri ensina a neta, Sarah, a montar o cavalo Boo, na esperança de que o talento da dupla seja o passaporte para uma vida melhor e mais digna para todos. Mas novos rumos mudam mais uma vez os planos de Henri Lachapelle, e Sarah se vê entregue à própria sorte, lutando para, além de sobreviver, cuidar de Boo e manter os treinamentos.
Em paralelo temos Natasha, uma advogada especializada em representar crianças e adolescentes envolvidos com crimes ou em situação de risco. Abalada emocionalmente e em dúvidas quanto a seu futuro profissional depois de um caso terrível, Natasha ainda tem de lidar com as feridas do fim de seu casamento. Um fim, diga-se de passagem, bem inusitado, já que ela se vê forçada a morar com o charmoso futuro ex-marido enquanto esperam a venda da casa da família.
Quando Sarah cruza o caminho de Natasha, a advogada vê na menina a oportunidade de colocar a vida de volta nos trilhos e decide abrigar a adolescente sob o próprio teto. O que ela não sabe é que Sarah guarda um grande segredo que lhes trará sérias consequências.

Comentários:

O desenrolar de romances conturbados parece ser uma das especialidades de Jojo Moyes. Além disso, é comum encontrarmos em seus livros a junção de histórias paralelas, cenários diferentes e muitas reviravoltas intrigantes. Pelo menos é isso que ocorre em Nada Mais a Perder, que entra para o hall das temáticas peculiares e reflexivas propostos pela autora.  

Diferente do que nos conta a sinopse, Natasha não vê em Sarah a oportunidade de colocar a vida nos trilhos. Influenciada pelo ex-marido, Mac, ela somente é levada a ajudar a menina, num acaso. Só para você entender, Sarah aparece na vida deles acidentalmente, em um momento muito difícil de sua vida: seu avô e único parente, Henri Lachapelle, está hospitalizado em situação grave.

Mas a vida de Natasha também não está nada confortável. Mac está de volta para acelerar o processo de separação, o que significa que a casa que eles construíram juntos precisa ser vendida, para que haja a repartição dos bens. Só que essa é a mesma casa que Natasha mora atualmente. Como ele está na cidade, ela se vê obrigada a dividir o ambiente com ele até que tudo esteja resolvido.

Sarah e Natasha são o centro da história. Apesar de estarem em posições diferentes, especialmente por conta da idade, ambas têm muitos obstáculos a enfrentar. Involuntariamente, e mesmo não se entendendo muito bem, uma vai dando a outra novas situações e perspectivas que contribuem muito para a superação de seus respectivos problemas. Assim, notamos a construção do amadurecimento que elas precisam. Isso é uma consequência do difícil convívio cotidiano dessas personagens.

Além delas, Mac e Lachapelle também são extremamente importantes para a trama. Mac traz leveza no relacionamento delas, ao mesmo tempo em que precisa lidar com sentimentos constantes em relação ao divórcio; e Lachapelle contribui com sua linda história de afeto com a cavalaria, além de sua intensa vida amorosa e as consequências que isso trouxe para a sua vida. Em geral, os personagens são muito bem construídos, com personalidades bem acentuadas. São pessoas reais e críveis.

O livro tem inicialmente um ritmo lento. Além disso, existem muitas coisas sobre o universo da cavalaria que provavelmente, pra alguns, sejam irrelevantes. Sobre o ritmo, creio que a autora optou por nos preparar para uma cadência maior, já que a sequência de acontecimentos acelera bastante com o passar dos capítulos. Quanto ao excesso de informações, talvez a intenção tenha sido a de transportar o leitor para esse âmbito que é desconhecido por muitos. Até o que não faz muito sentido acaba sendo compreensível.

Vale destacar também a capacidade que a autora tem de nos dar meios de abrir a mente para entender a conduta descabida dos personagens. Após sentir certo desconforto com algumas situações, somos levados a entender os motivos, a estar no lugar daquela pessoa, a pensar como ela. Inclusive, as personalidades de Jojo tem erros e acertos como todo bom ser humano, e sentir isso através de suas palavras é ainda mais incrível - devido a realidade que ela nos impõe.

Recomendo o livro para os fã da autora. A linguagem é no padrão Jojo Moyes: precisa e visual. 
Vale a pena!

*Cortesia enviada pela Editora Intrínseca. 


Título: As Cores da Vida
Autor: Kristin Hannah
Edição: 1
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
ISBN: 9788580415957
Nota: 3,5 de 5

SINOPSE: Uma arrebatadora história sobre irmãs, rivalidade, perdão e, em última análise, o que significa ser uma família. As irmãs Winona, Aurora e Vivi Ann perderam a mãe cedo e foram criadas por um pai frio e distante. Por isso, o amor que elas conhecem vem do laço que criaram entre si. Embora tenham personalidades bastante diferentes, na verdade são inseparáveis. Winona, a mais velha e porto seguro das irmãs, nunca se sentiu em casa no rancho da família e sabe que não tem as qualidades que o pai valoriza. Mas, sendo a melhor advogada da cidade, ela está determinada a lhe provar seu valor. Aurora, a irmã do meio, é a pacificadora. Ela acalma as tensões familiares e se desdobra pela felicidade de todos – ainda que esconda os próprios problemas. E Vivi Ann é a estrela entre as três. Linda e sonhadora, tem o coração grande e indomável e é adorada por todos. Parece que em sua vida tudo dá certo. Até que um forasteiro chega à cidade... Então tudo muda. De uma hora para a outra, a lealdade que as irmãs sempre deram por certa é posta à prova. E quando segredos dolorosos são revelados e um crime abala a cidade, elas se veem em lados opostos da mesma verdade.

Comentários: 

Iniciar minhas leituras anuais com Kristin Hannah sempre foi sinônimo de começar o ano com o pé direito (esse é o terceiro ano consecutivo que faço isso). E todo mundo já está careca de saber que, graças a tantas experiências positivas, ela se tornou minha autora contemporânea favorita. E ainda é, apesar de não ter sentido a mesma vibração de sempre com a leitura de As Cores da Vida.

A história nos apresenta três protagonistas irmãs: Winona, Aurora e Vivi Ann. Elas perderam a mãe muito cedo, e por isso precisam manter-se unidas para que o convívio familiar seja levado adiante (o pai delas em nada contribui para isso). Só que o fato de possuírem personalidades extremamente diferentes gera uma série de atritos que só enfraquecem a amizade e o laço entre elas.

Winona é uma importante advogada conhecida por sua inteligência e proatividade. Porém, possui sérios problemas de autoestima por se achar desinteressante, feia e gorda. Vivi Ann é a inconsequente que sempre age por impulso, conseguindo facilmente tudo - e todos - que deseja. Aurora, por sua vez, não tem a personalidade acentuada na trama, servindo quase sempre para intermediar o relacionamento das irmãs. Mas vale frisar que sua vida é um limbo de conformismo com seu marido (desinteressante) e filhos, acreditando, assim, ter uma vida feliz.

É muito difícil resumir uma história que se desenrola durante vários anos, pois temos aqui uma gama de acontecimentos importantes, além do envolvimento de vários personagens paralelos. Ainda assim, é possível adiantar que a trama trata, especialmente, da relação das irmãs em meio a vários conflitos - traições, um triângulo amoroso, e um assassinato que envolve a família são apenas alguns deles.

O livro é narrado em terceira pessoa por meio de uma escrita detalhada e envolvente. Os personagens são bem construídos e reais. No geral, a narrativa é equilibrada e nos dá mensagens importantes sobre o real significado de ter uma família, de amar e de perdoar. Essa é a base para suportar as dificuldades da vida, e essas são lições que temos do início ao fim em As Cores da Vida, de um jeito ou de outro.

A veracidade essa é uma característica da autora. Kristin Hannah adora pautar o desenvolvimento pessoal construído a partir dos diferentes defeitos do ser humano, mostrando ainda o que o tempo pode fazer conosco através do que escolhemos para a nossa vida. Isso é muito bom, porque somos levados a uma realidade por vezes difícil de enxergar no meio em que vivemos.

Apenas senti falta da emoção e da intensidade de sempre, talvez por conta do excesso de acontecimentos clichês. O que também comprometeu minha experiência de leitura foi a falta de empatia com as personagens. A inveja, a imaturidade e a autopiedade em determinadas situações foram coisas difíceis de engolir.

Gosto de personagens femininas fortes, que tentam, de alguma forma, mudar tudo aquilo que não está funcionando em suas vidas... mas aqui as meninas fazem o contrário. Além disso, elas não são unidas, embora na cabeça delas a cumplicidade do trio seja imbatível. Neste caso as ações falam mais altos, e a vida parece colocá-las em prova a todo instante.

As Cores da Vida não é um dos melhores livros de Kristin Hannah, mas cumpre o papel de entreter ao mesmo tempo em que propõe grandes reflexões. Creio que irá agradar a quem curte ler os dramas e infortúnios da vida. Recomendo!


Título: O Som do Amor*
Autor: Jojo Moyes
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 304
ISBN: 9788551000663
Nota: 4 de 5

SINOPSE: Matt e Laura McCarthy são obcecados pela ideia de herdar a Casa Espanhola — uma construção malcuidada e quase em ruínas no condado de Norfolk, interior da Inglaterra, que tem um valor simbólico para os moradores locais. Para atingir esse objetivo, Laura, a mando do marido, faz todas as vontades do velho Sr. Pottisworth, o proprietário. Entretanto, como o homem nunca deixou nada por escrito, quem acaba por herdar a casa é uma parente distante, Isabel Delancey.
Primeiro violino na Orquestra Sinfônica Municipal, em Londres, Isabel tinha uma vida tranquila com seus dois filhos e o marido, mas tudo virou de cabeça para baixo quando ele morreu em um acidente de carro e deixou uma grande dívida. Sua única oportunidade de recomeço é fincar moradia na Casa Espanhola — algo que o casal McCarthy vai tentar impedir a qualquer custo.

Comentários:

O Som do Amor, escrito por Jojo Moyes, é um romance sobre obsessão e manipulação. Apesar do estilo inconfundível da autora, desta vez ela apresenta uma trama que desperta repulsa do início ao fim, ao mesmo tempo em que suscita questionamentos sobre a capacidade que o ser humano tem em se autossabotar.

A Casa Espanhola, do qual classifico como um dos personagens centrais da história, é um antigo casarão cobiçado por Matt e Laura McCarthy. O casal acreditava que o Sr. Pottisworth, dono da propriedade, deixaria tudo para eles ao morrer — uma vez que eles cuidavam e faziam de tudo para o velho ranzinza (não faziam por caridade; faziam por interesse). Mas, sem um testamento, a casa acaba indo para as mãos de Isabel Delancey, parente mais próxima, que está viúva, cheia de dívidas, e com dois filhos para criar.

Vale ressaltar que a fissura de Matt pela casa nasceu quando ele ainda era muito jovem, na época em que sua família trabalhava por lá. Ele é um cara ambicioso, infiel e capaz de qualquer coisa pelo que deseja, embora finja ser um amoroso pai de família. Laura, sua esposa, preza pelas aparências e por isso acaba se tornando uma mulher submissa, tendo que aturar os maus tratos constantes do marido.

Quando Isabel chega à casa, ela se depara com uma série de problemas estruturais que precisam ser resolvidos com certa urgência. Contudo, ela não tem muito dinheiro e não sabe a quem recorrer. É assim que Matt coloca um novo plano em ação; um plano cheio de segundas intenções que podem levar Isabel ainda mais ao fundo do poço.

E por falar em Isabel, ela é a personagem ociosa que parece não ter noção das coisas. Na realidade, sua vida sempre girou em torno de suas vontades, o que agora acaba por dificultar a vida de seus filhos. Aliás, é a sua filha mais velha, Kitty, uma adolescente, que precisa tomar as rédeas de tudo, e isso inclui a vida financeira da família. Essas atitudes rendem cenas muito conflitantes e interessantes de serem observadas.

Além das personalidades já citadas, não posso deixar de mencionar os moradores da região. Eles são colocados na trama como aqueles que sabem o que está acontecendo de errado com a Isabel e a casa, mas que se limitam a alertá-la, tampouco a ajudar. Isso resulta em fatos previsíveis, mas que ajudam Isabel a ir acordando para a vida de modo que ela repense em quem confiar e no que é melhor para sua família.

O Som do Amor nos mostra dois grandes problemas da conduta humana: o fato de que o ser humano é capaz de se corromper para alcançar um objetivo, e isso pode significar passar por cima de tudo e todos se for preciso; e o quanto somos aptos a atribuir a felicidade a metas talvez inalcançáveis, como se nossa felicidade dependesse de algo exclusivamente do futuro. São assuntos que merecem ser (re)pensados.

A obra, narrada em terceira pessoa pelo ponto de vista de praticamente todos os personagens, é cheia de reviravoltas e transita do previsível ao imprevisível. A leitura é fluída, mas causa mau estar diante de tantas traições e egoísmos. E as personalidades, que não são muito cativantes (exceto a Kitty), refletem muitas imperfeições e egocentrismo.

Outras questões como o luto e o crescimento pessoal são abordadas pontualmente, ainda que de forma tímida. Mesmo que não tenha trazido nada de novo, isso deu um toc especial à narrativa, complementando-a em vários sentidos. Além disso, esses pontos contribuíram para um desfecho transformador sobre o que realmente importa em nossa vida; sobre a conduta que queremos ter para nós mesmos; e sobre o que queremos cultivar em nossos corações. Recomendo! 

*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca. 


Título: Misery
Autor: Stephen King
Edição: 1
Editora: Suma de Letras
Páginas: 326
ISBN: 9788581052144
Nota: 4,5 de 5

SINOPSE: Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca. Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho.
A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo.

Comentários:

Misery, escrito pelo mestre Stephen King, foi a minha (brilhante) escolha para o mês do horror, conforme o desafio dos 12 livros para 2016. Após a leitura, pude concluir duas coisas: a primeira é que eu geralmente só leio King em outubro; e a segunda é que eu tenho que parar de ler King só em outubro. King merece ser lido sempre!

Na trama, Paul Sheldon é um famoso e aclamado escritor. Grande parte desse sucesso vem de Misery, sua série literária que se tornou um fenômeno de vendas no mundo todo. Vale ressaltar que Misery também é o nome da personagem principal do enredo, que acaba morta no último livro da série escrito pelo autor.

Um dia, após sair de uma bela farra com muita bebida, Paul enfrenta uma nevasca e acaba sofrendo um acidente de carro. Felizmente (ou não), ele é salvo por uma enfermeira chamada Annie Wilkes, que, coincidentemente, é sua fã número. Ela tem uma grande admiração por Misery e não se conforma com o fato dela ter morrido.

Com o inesperado resgate, Annie vê a oportunidade de aprisionar Paul e fazer com que ele escreva uma nova história sobre Misery exclusivamente para ela. Assim, Paul é levado para a casa de Annie com as duas pernas fraturas e muitas dores, e ainda assim precisa ter inspiração para escrever. Em troca ele será tratado (ok, mais ou menos tratado) e continuará vivo.

A trama se desenvolve em torno das torturas físicas e psicológicas que Paul é sujeito a passar para atender os caprichos de Annie, enquanto vamos acompanhando o desenvolvimento do seu novo livro. É fácil sentir certa pena dos dois, pois, se por um lado ele é levado ao inferno por estar ferido e sofrendo maus tratos, por outro, nota-se que ela possui uma mente conturbada e depressão.

Ambos os personagens são muito bem desenvolvidos e descritos, bem como suas emoções, sensações e pensamentos (muitas vezes de delírio). As cenas são muito reais (e fortes), a ponto de você imaginar tudo com grande facilidade. E a escrita, como sempre, maravilhosa e instigante. A leitura te envolve tanto, que te inquieta e te angustia. É difícil saber como tudo irá acabar.

Tinha em mente que Misery seria um livro bom, diante de tanto comentários positivos, mas definitivamente superou todas as minhas expectativas. Me fez pensar no porquê eu não leio Stephen King com frequência, se suas narrativas são tão boas. Tá certo que quase sempre me causam uma boa aflição, mas merecem muita atenção, sem dúvidas. Portanto, fica aqui a recomendação!

Indico Misery para quem gosta de muito suspense, de uma história sangrenta, para quem gosta de Stephen King, ou para quem ainda não conferiu nada do autor. Vale muito a pena!


Título: A Lista de Brett
Autor: Lori Nelson Spielman
Edição: 1
Editora: Verus
Páginas: 364
ISBN: 9788576862390
Nota: 3,5 de 5

SINOPSE: Brett Bohlinger parece ter tudo na vida — um ótimo emprego como executiva de publicidade, um namorado lindo e um loft moderno e espaçoso. Até que sua adorada mãe morre e deixa no testamento uma ordem: para receber sua parte na gorda herança, Brett precisa completar a lista de sonhos que escreveu quando era uma ingênua adolescente.
Deprimida e de luto, Brett não consegue entender a decisão de sua mãe — seus desejos adolescentes não têm nada a ver com suas ambições de agora, aos trinta e quatro anos. Alguns itens da lista exigiriam que ela reinventasse sua vida inteira. Outros parecem mesmo impossíveis. Mesmo com relutância, Brett embarca numa jornada emocionante em busca de seus sonhos de adolescência. E vai descobrir que, às vezes, os melhores presentes da vida se encontram nos lugares mais inesperados.

Comentários:

A Lista de Brett, escrito por Lori Nelson Spielman, é o tipo de livro que te diverte, te distrai e te enche de esperança e pensamentos construtivos — reflexões sobre os seus reais desejos para se ter verdadeiras realizações pessoais, exatamente como a trama como um todo propõe.

Brett perdeu a mãe, vítima de câncer, e agora precisa saber a lidar com o luto. Mas aparentemente ela não tem muito tempo para isso, pois, após a leitura do testamento, ela descobre que vai precisar correr atrás de cumprir uma lista com cerca de dez 'metas de vida' escritas por ela mesma quando ainda era muito jovem. Detalhe: ela tem o prazo de um ano, caso contrário não receberá sua herança.

Esse foi o último desejo da mãe de Brett. Ela quer que a filha seja feliz e que se senta realizada tanto pessoalmente quanto profissionalmente. E mais: quer que Brett  se disponha a ''viver'' e a aproveitar novas oportunidades; que descubra quem ela é de fato e o que deseja ter para a sua vida.

Mas Brett não compreende o que a mãe quer ao lhe impor o cumprimento de uma lista que, para ela, não faz sentido algum. Ter um cavalo, ser professora, ser mãe, se reconciliar com seu pai (morto e do qual ela nunca se deu bem) etc... nada disso continua fazendo parte dos seus planos. Sem contar que isso — e muito mais — parece impossível de ser realizado apenas em um ano. Ainda assim, Brett encara o desafio, mesmo sem esperanças, na tentativa de saber onde tudo isso irá levá-la.

A trama traz uma mensagem bem bacana quando mostra que uma vida aparentemente perfeita pode não ser a ideal. Brett tinha um namorado que acreditava amar e um excelente emprego, mas tudo isso, na verdade, eram frutos do comodismo dela. Para Brett sua vida era perfeita somente por ter estabilidade e tranquilidade junto a alguém. No entanto, ela não se sentia verdadeiramente realizada, e no fundo sua mãe sabia disso.

Alguns podem achar a ideia clichê, mas foi bem gostoso de ler a descobertas de Brett enquanto cumpria as metas que ela própria se desafiara quando jovem. No fim, era ela quem queria tudo aquilo, não sua mãe. Aos poucos ela vai entendendo isso, deixando sua vida guiá-la enquanto realiza seus desejos sem aquele ar de obrigação, ou somente para ganhar a herança.

A leituras às vezes é um pouco repetitiva e tem coisas até desnecessárias, mas a linguagem é ótima e eu considero o livro fácil e rápido de ser lido. Além disso, é bastante sensível e trata a temática com leveza. Minha avaliação se deve pelo fato de que, para mim, a história não soou arrebatadora ou incrível. Mas, definitivamente, é um livro bom de ler. Logo nos sentimos presos na torcida por Brett e por sua felicidade.

A Lista de Brett, em linhas gerais, mostra que o amadurecimento às vezes nos leva a abandonar os nossos sonhos. Especialmente porque toda grande mudança gera medo. Mas se realmente quisermos dar um verdadeiro sentido a nossa vida, devemos enfrentar o desconhecido e seguir em frente com a certeza de que, pelo menos, estamos fazendo de tudo pela nossa felicidade. 

Se você quer receber beber desse chá de esperança e motivação, essa leitura não pode faltar! Recomendo!


Título: As Mil Noites*
Autor: E. K. Johnston
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
ISBN: 9788580579819
Nota: 3 de 5

SINOPSE: Clássico da literatura universal, as histórias de As mil e uma noites estão no imaginário de todos — do Oriente ao Ocidente. É impossível que alguém nunca tenha ouvido falar sobre Ali Babá e seus quarenta ladrões, ou sobre Aladim e o gênio da lâmpada. Ou sobre Sherazade, a mulher sagaz e inteligente que se casou com um homem cruel, e, por mil e uma noites, driblou a morte narrando contos de amor e ódio, medo e paixão, capazes de dobrar até mesmo um rei. Em As mil noites, a história se repete, mas com algumas diferenças… 
Quando Lo-Melkhiin chega àquela aldeia — após ter matado trezentas noivas —, a garota sabe que o rei desejará desposar a menina mais bela: sua irmã. Desesperada para salvar a irmã da morte certa, ela faz de tudo para ser levada para o palácio em seu lugar. A corte de Lo-Melkhiin é um local perigoso e cheio de beleza: intricadas estátuas com olhos assombrados habitam os jardins e fios da mais fina seda são usados para tecer vestidos elegantes. Mas a morte está à espreita, e ela olha para tudo como se fosse a última vez. Porém, uma estranha magia parece fluir entre a garota e o rei, e noite após noite Lo-Melkhiin vai até seu quarto para ouvir suas histórias; e dia após dia, ela continua viva. Encontrando poder nas histórias que conta todas as noites, suas palavras parecem ganhar vida própria. Coisas pequenas, a princípio: um vestido de seu lar, uma visão de sua irmã. Logo, ela sonha com uma magia muito mais terrível, poderosa o suficiente para salvar um rei...

Comentários:

As Mil Noites, apesar de ser mais uma releitura dos clássicos contos das mil e uma noites, traz uma trama em prosa bem diferente de sua referência, com elementos fantástico e muito mistério. E para ser ainda mais intensa, E. K. Johnston, autora da obra, apostou em descrições reais de um reino dominador, transportando o leitor para uma realidade completamente nova e até assustadora.

O rei Lo-Melkhiin teve sua essência roubada após voltar de uma caça, quando um demônio se apoderou dele para alimentar-se de sua alma. Por esse motivo, Lo-Melkhiin matou cerca de trezentas garotas antes de chegar à nossa protagonista, uma moça cujo nome não sabemos. Ela, a fim de salvar sua irmã da morte (que por sinal era a mais bonita e desejada daquele lugar), se veste de modo sensual quando o rei chega em sua aldeia, para conquistá-lo. E não é que o plano dá certo?

Assim como a trama original, a moça não morre após a primeira noite de núpcias. Um dos motivos é uma história não finalizada que ela conta ao rei de propósito... então, curioso para saber o que está por vir, ele permite que ela continue viva. E é assim que ele vai conhecendo inúmeras histórias do deserto, da família dela, da tenda de seu pai, sobre sua irmã, dentre várias outras coisas que vão da ficção à realidade.

A forma como a história é contada é muito peculiar, com características, costumes e uma linguagem bem diferente de nossa (causa certa estranheza, mas nada que comprometa nosso entendimento). Trata-se, sobre tudo, de coragem e redenção. Portanto, não espere por um romance arrebatador ou apaixonante... isso transparece de forma mínima e sem emoção alguma. E para muita gente isso pode ser frustrante.

Além disso, confesso que em alguns momentos eu me senti meio perdida na narrativa, preza à repetições que me deixavam um pouco confusa. Talvez porque o enredo, como um todo, demora um pouco a engatar; e o desfecho, em contrapartida, muito apressado. Isso foi o que mais me incomodou.

Ainda assim, gostei muito dos personagens (a principal é um pouco entediante, mas ok), especialmente de Lo-Melkhiin. Apesar de aparecer narrando o livro em poucas partes, suas descrições breve são suficientes para fazer o leitor se apegar a história dele até entender o que aconteceu afinal, e o que irá acontecer. Engraçado como às vezes tendemos a torcer pelo vilão, não é mesmo!?

Recomendo a obra para quem curte releituras originais, livros com uma cultura diferente, ou até mesmo para quem é fã de fantasia. Apesar das ressalvas citadas, me surpreendi muito com a qualidade do livro como um todo. Vale frisar ainda que a Editora fez um excelente trabalho, tanto na tradução como na diagramação e design. Maravilhoso!

*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca.


Título: O Navio das Noivas*
Autor: Jojo Moyes
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 384
ISBN: 9788580579956
Nota: 5 de 5

SINOPSE: Austrália, 1946. É terminada a Segunda Guerra Mundial, chega o momento de retomar a vida e apostar novamente no amor. Mais de seiscentas mulheres embarcam em um navio com destino a Inglaterra para encontrar os soldados ingleses com quem se casaram durante o conflito. 
Em Sydney, Austrália, quatro mulheres com personalidades fortes embarcam em uma extraordinária viagem a bordo do HMS Victoria, um porta-aviões que as levará, junto de outras noivas, armas, aeronaves e mil oficiais da Marinha, até a distante Inglaterra. As regras no navio são rígidas, mas o destino que reuniu todos ali, homens e mulheres atravessando mares, será implacável ao entrelaçar e modificar para sempre suas vidas. 
Enquanto desbravam oceanos, os antigos amores e as promessas do passado parecem memórias distantes. Ao longo da viagem de seis semanas — apesar de permeada por medos, incertezas e esperanças — amizades são formadas, mistérios são revelados, destinos são selados e o felizes para sempre de outrora não é mais a garantia do futuro que foi planejado.
Com personagens únicas e uma narrativa tocante, Jojo Moyes conta uma história inesquecível que captura perfeitamente o espírito romântico e de aventura desse período da História, destacando a bravura de inúmeras mulheres que arriscaram tudo em busca de um sonho.

Comentários:

O Navio das Noivas, de Jojo Moyes, não foi apenas inspirado na história real de sua avó. Ele também é dedicado dedicado a todas as esposas que tiveram coragem suficiente para enfrentar um oceano de incertezas, na esperança de encontrarem um futuro de plenitude ao lado de seus maridos.

Segundo a autora, a Marinha Real entrou na última etapa do repatriamento das mulheres casadas com oficiais ingleses no pós-guerra, mais precisamente em 1946. Em 2 de julho daquele ano, cerca de 655 esposas australianas embarcaram para uma viagem em um  porta-aviões chamado de HMS Victorius, para encontrar seus maridos. Elas tiveram a companhia de mais de 1.100 homens, além de 19 aviões, em uma viagem que durou quase seis semanas. E é exatamente nesse cenário que conhecemos as personagens fictícias de Jojo. Elas são: Maggie, Avice, Jean e Frances.

Maggie é uma jovem que vive em uma fazenda com o pai e seus irmãos. Ela está grávida e precisa ir ao encontro do marido, Joe, mas o receio da viagem e de deixar sua família é uma preocupação inevitável. Avice é uma moça ambiciosa que faz parte da alta sociedade, e, para realizar os seus caprichos, casou-se rapidamente com o oficial Ian. Já Jean, de apenas 16 anos, ainda não tem malícia suficiente para sobreviver em um mundo onde seu papel é ser esposa de um soldado. E, por fim, Frances, uma enfermeira extremamente discreta que guarda muitos segredos.

O livro, dividido em três partes, é narrado em terceira pessoa pelo ponto de vista das quatro noivas e de alguns fuzileiros. Apesar de dividir o foco para vários personagens, na terceira parte da trama nós descobrimos de quem realmente é a história toda. Foi um verdadeiro mistério criado por Jojo, que aliás me enganou muito bem, ao mesmo tempo em que me surpreendeu muito positivamente.

A escrita é real e cativante (mesmo que a história se desenrole devagar), e nos leva diretamente para o cotidiano dessas moças, seus medos, incertezas e esperanças. Suscita assuntos como o papel da mulher na sociedade, injustiças, honestidade, julgamento alheio, e uma série de coisas que nos fazem sentir raiva, tristeza e alegria. É uma trama de preencher o coração; de nos fazer refletir.

Até onde você iria por amor, ou até mesmo por um recomeço? Acho que esse é o maior questionamento que Jojo Moyes faz aos seus leitores através de O Navio das Noivas. E as respostas para essa pergunta são dadas de formas diferentes, por meio de personalidades distintas; algumas mais cativantes que outras, mas todas igualmente fortes.

Gostei muito do livro por diferentes motivos, mas especialmente pelo fato de trazer um pós-guerra pouco explorado na literatura estrangeira. O que prova que com esse assunto é possível criar diversas histórias especiais, comoventes e, sobretudo, impressionantes. Recomendo!

*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca.


Título: Pecados no Inverno
Autor: Lisa Kleypas
Edição: 1
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
ISBN: 9788580415872
Nota: 5 de 5

SINOPSE: Agora é a vez de Evangeline Jenner, a Wallflower mais tímida que também será a mais rica quando receber sua herança. Mas primeiro ela tem que escapar das garras de seus ambiciosos parentes, Evie recorre a Sebastian, visconde de St Vincent, com uma proposta incrível: que se case com ela!
A fama de Sebastian é tão perigosa que trinta segundos a sós com ele arruínam o bom nome de qualquer donzela. Mesmo assim, esta cativante jovenzinha se apresenta em sua casa, sem acompanhante, para lhe oferecer sua mão.
Mas a proposta impõe uma condição: depois da noite da lua-de-mel, o casal não voltará a ter relações íntimas. Evie não deseja torna-se apenas mais uma que Sebastian descarta sem piedade, o que significa que Sebastian simplesmente tem que trabalhar mais duro na sua sedução... ou, talvez entregar seu coração pela primeira vez em nome do verdadeiro amor.

Comentários:

Pecados no Inverno provavelmente foi o livro mais aguardado da série As Quatro Estações do Amor, e olha que ela ainda nem acabou de ser lançada. Isso porque Lisa Kleypas, autora das histórias, optou por apresentar nessa trama uma mocinha tímida, que, como se não bastasse, se torna reclusa da sociedade por conta da família. E se tratando de romances de época isso soa incrivelmente instigante. 

Evangeline Jenner, ou simplesmente Evie, vive sob a custódia dos tios que só estão interessados em sua herança. Na realidade, ela não sabe o que é viver, já que sofre constantes maus tratos e não possui sequer o direito de ser cortejada. Só que as coisas ficam piores de verdade quando ela descobre que seu pai está prestes a morrer. Seu desejo, obviamente, é poder estar ao lado dele nesse momento.

Mas para isso Evie precisa ser livre. E para ser livre ela precisa se casar. Por isso ela recorre a única pessoa que toparia um casamento por conveniência, às pressas e sem amor: o visconde de St Vincent, um libertino desesperado por dinheiro. É assim que Evie começa a viver a liberdade que sempre sonhara, embora uma série de percalços (nem sempre positivos) tenham acontecido para transformar de vez a sua vida.

Esse livro me chamou muita a atenção porque, diferente dos outros, ele tem um tom mais sério. Até os acontecimentos causam uma maior tensão, deixando o leitor apreensivo a todo momento. Por se tratar de um romance de época é de esperar um final feliz e cheio de amor, fator previsível mas que faz parte do gênero. Só que este livro chega a causar certas dúvidas nesse sentido.

Desta vez também não temos a presença das Flores Secas (amigas de Evie) com tanta frequência, coisa que acontece nos livros passados. Apesar de ainda apresentar certa leveza, a obra conta com um tom melancólico por trás da difícil história de Evie, que desencadeiam fatos muito dificultosos para a personagem após seu casamento. E é justamente isso que contribui para o nascimento de um romance que, antes, era só um negócio.

Aos poucos, Evie percebe que St Vicent se sensibiliza com a história dela, e por isso vai tomando as rédeas em diversas situações, defendendo-a e se importando a ponto de dar a vida por ela. Por outro lado, St Vicent vai assimilando aos poucos que Evie suscita sentimentos que ele jamais foi capaz de vivenciar; levando-o a fazer coisas que ele nunca fora capaz de fazer por ninguém. Mas fez, por ela. Por eles.

E assim nós temos um romance que vai se construindo por trás de situações inusitadas, de perdas, de sentimentos ocultos, de perdão, dentre vários outros elementos. E em meio a tudo isso nós temos a maravilhosa escrita da autora, que nos envolve e nos transporta para o livro de um modo que só ela sabe fazer. Isso sem contar nos personagens, que são marcantes e muito característicos. Certamente, todos esse fatores contribuem para uma leitura de sucesso.

Recomendo o livro especialmente para quem já acompanha a série. Este volume começa exatamente após o desfecho do antecessor... por isso, existem algumas coisas que se tornam mais claras se a leitura anterior já tiver sido realizada. Vale muito a pena!


Confira as resenhas dos livros anteriores da série:
Segredos de Uma Noite de Verão
Era Uma Vez no Outono


No primeiro dia oficial da ação dedicada à Jojo Moyes, eu decidi adaptar a pauta de hoje e repostar um trecho de todas as resenhas que escrevi referente aos livros dela. Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de conferir todos que já foram lançados aqui no Brasil, mas garanto que já estou a caminho de concluir essas leituras.


A primeira resenha publicada por aqui foi em janeiro de 2014, onde falei minhas impressões sobre A Última Carta de Amor. Aliás, eu acho que esse é o meu livro favorito da autora. No texto eu menciono o seguinte: "O que mais me agradou na trama foi a temporalidade. A ideia de alternar do passado ao presente sem uma fórmula, ou um padrão já conhecido, me chamou a atenção. Isso ocorria sempre que a escritora achava necessário, e tudo foi apresentado sem confusão. Outro ponto positivo que associo ao quebra-cabeça temporal é a forma como as histórias são contadas. No geral nada foi ''mastigado'', mas tudo foi muito bem contado, sem deixar a impressão que algo ficou para trás. Jojo apostou na capacidade de percepção do leitor, e utilizou do imprevisível para surpreender.''



Em abril de 2014 eu escrevi sobre o incrível Como Eu Era Antes de Você. Esse livro causou uma comoção sem igual, e não é pra menos. Lembro de ter sentido uma angústia que persistiu dias e dias após a leitura. Na resenha eu cito o seguinte: "Um elemento que eu gostei bastante foi a forma como ambos os personagens principais, ao longo da trama, se empenharam em fazer bem para o outro, mostrando como as dificuldades podem ser enfrentadas, assim como os desejos pessoais podem ser concretizados. Toda o enredo trás uma evolução muito bacana, repleta de descobertas, sonhos e projetos, coisas que a princípio não faziam sentido para nenhum dos dois. Mas não se enganem, pois a autora consegue sair do clichê de uma forma bem particular. Portanto, espere por qualquer coisa. Esse é o tipo de história que trás várias reviravoltas à tona... um verdadeiro exemplo do que é a vida."


Passado algum tempo eu li A Garota Que Você Deixou Para Trás, que possui uma história comovente com um mistério que intriga o leitor até as últimas páginas. Na resenha, publicada em fevereiro de 2015, eu digo o seguinte: "Jojo escreve de um modo especial, envolvente, e com excelentes atribuições e passagens que te levam adiante até nas partes mais mornas da trama. A capitulação segue na medida, e a leitura flui de acordo com as necessidades do leitor. É difícil fazer medições, mas com certeza você não terá pressa em meio a pressa... irá saborear ao seu modo, como eu fiz. E não irá se arrepender!"


O livro Um Mais Um não foi resenhado por aqui, mas foi citado em dois posts de indicações de leitura. Em um deles eu comento: "A escrita da autora é maravilhosa, e isso nos permite digerir a história do início ao fim. Esse é o tipo de livro para ser lido sem muita expectativa, apesar da temática séria. Ao invés de realizar a leitura com uma carga pesada de concentração, achando que teria um enorme drama envolvido, percebi que seria melhor aproveitar o tempo para ir conhecendo os personagens (que, aliás, não são muito afetuosos), e a forma como eles reconstroem as suas vidas, mesmo quando não há esperança. Indico!"


Em março de 2016 quem apareceu por aqui foi o temido Depois de Você. Temido porque surgiram muitas dúvidas em relação a necessidade desse livro existir (ou não). Na resenha eu falo o seguinte: "Talvez eu tenha me surpreendido demais com o que aconteceu, e por isso a impressão que tive de algumas coisas não foi muito boa. [...] Depois de Você é um livro bom, escrito por uma autora competente que eu muito admiro. Sua escrita continua impecável e ela sabe como agradar mesmo quando tudo pode dar errado. Agora cabe a nós sermos capazes de nos adaptar com esta nova experiência e aceitá-la mesmo com alguns desagrados."


Por último eu escrevi sobre Baía da Esperança, o livro de menor ritmo que li da autora até então. Na resenha, publicada em maio deste ano, eu digo o seguinte: "[...] a escrita de Jojo é sempre muito intensa. E o enredo, de forma geral, é cheio de momentos marcantes e não deixa a desejar. As partes finais, por exemplo, são excepcionais, embora um pouco angustiantes. Ainda assim, tem certa leveza, reflete as diversas faces do amor, e mostra que podemos seguir em frente, mesmo que às vezes alguns traumas demorem a curar."


Uau, quantos livros resenhados!! E vem mais por aí... aguarde!
Até amanhã!


Título: Surpreendente*
Autor: Maurício Gomyde
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 272
ISBN: 9788580578089
Nota: 3 de 5

SINOPSE: Aos 25 anos, recém-formado, Pedro está convencido de que é um sujeito muito especial, e que tem a missão de usar o cinema como instrumento para melhorar o mundo. Diagnosticado na adolescência com uma doença degenerativa que o condenaria à cegueira, ele contraria a lógica da medicina quando a perda de sua visão estaciona de forma inexplicável. Enquanto comanda o último cineclube de São Paulo e trabalha em uma videolocadora na periferia, Pedro planeja seu próximo filme - a obra que vai consagrá-lo. E, para animar as coisas, conhece a intrigante Cristal, uma ruivinha decidida, garçonete e estudante de física nuclear, que mexe com seu coração.
A perspectiva idealista de Pedro, porém, sofre sérios abalos. Atormentado por um segredo, ele parte com os amigos Fit, Mayla e Cristal numa longa viagem até Pirenópolis, Goiás, a bordo de um Opala envenenado. Com câmeras nas mãos e espírito de aventura, a equipe técnica improvisada está disposta a usar toda a sua criatividade na filmagem, feita na estrada ao sabor de encontros inesperados e de sentimentos imprevisíveis. E o jovem cineasta descobre que, quando o destino foge do script, nada supera o apoio de grandes amigos.

Comentários:

Surpreendente é o sexto romance publicado pelo autor paulista Maurício Gomyde. O livro foi lançado em 2015 pela Editora Intrínseca, e trouxe consigo muitas expectativas positivas por se tratar de uma trama jovem, com muitas referências à cultura pop, e por ter uma história aparentemente empolgante. Mas fica apenas no ‘aparentemente’ mesmo.

Nosso personagem principal é o Pedro, um rapaz de 25 anos, recém-formado em audiovisual, que sonha ganhar o maior prêmio do cinema brasileiro, o Cacau de Ouro. Enquanto esse dia não chega, ele se ocupa trabalhando em roteiros para seus futuros filmes, além de comandar o último cineclube de São Paulo e uma videolocadora localizada na periferia.

Por conta de um acidente, Pedro descobre que seu problema de visão, que até então havia estacionado, começa a se agravar de repente. Isso o deixa deprimido e bastante inseguro em relação aos seus sonhos, fazendo-o entrar numa crise que o afasta de seus amigos, de seus pais (que, aliás, estão se separando), e de todo o resto, como se nada fizesse mais sentido em sua vida.

Por insistência dos amigos, que tentam tirar Pedro dessa deprê a qualquer custo, ele resolve sair em viagem rumo a Goiás para filmar, sem compromisso, coisas que aparecem pelo caminho. Seria uma viagem para espairecer… até ele descobrir um segredo de família que o deixa ainda mais transtornado, especialmente por ter relação com a sua identidade e origem.

Maurício Gomyde escreve muito bem, o que faz a leitura ser extremamente fluida. Além disso, o livro traz inúmeras referências a músicas e filmes, o que torna tudo mais agradável. Porém, todo o resto é muito fraco: personagens sem personalidade; narrativa com vários elementos não muito bem desenvolvidos; dramatização constante e exagerada; e relacionamento adulto infantilizado. Isso sem contar que muita coisa é previsível e clichê.

Outro ponto negativo é a forma como o autor decidiu apresentar seus personagens, principalmente o Pedro. Durante toda a leitura a impressão que tive é que ele era um pré-adolescente, e não um homem de 25 anos. Tudo bem que idade não é sinônimo de maturidade, mas suas atitudes e reações me irritaram constantemente (seja em relação a cegueira, seja no relacionamento com seus amigos, seja frente ao segredo que ele descobre). Isso não me fez criar ligação alguma com ele. Aliás, por nenhum dos jovens dessa história.

De modo geral, confesso que eu esperava bem mais. Há tantos temas interessantes pincelados, mas a abordagem realmente não me agradou. O que faz Surpreendente não ser exatamente surpreendente. É apenas um entretenimento que irá despertar no leitor certos pensamentos sobre algumas questões da vida – mas essa reflexão fica por conta de cada um, pois a obra não se apropria disso. Ou ainda, um passatempo vez ou outra divertido, de leitura rápida e dinâmica.

Ainda assim, tenho a curiosidade de conferir outra trama idealizada por Gomyde. Para quem ainda não sabe, ele também escreveu Dias Melhores pra Sempre, O Mundo de Vidro, Ainda Não te Disse Nada, O Rosto que Precede o Sonho, e A Máquina de Contar Histórias. Quem quiser conferir mais sobre o seu trabalho, basta acessar www.mauriciogomyde.com.

*Resenha publicada originalmente no Portal Andar de Cima


Título: O Árabe do Futuro 2*
Autor: Riad Sattouf
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 160
ISBN: 9788580578805
Nota: 4 de 5

SINOPSE: No primeiro volume da trilogia O Árabe do Futuro, o pequeno Riad, filho de pai sírio e mãe bretã, passou os primeiros anos de sua vida dividido entre a Líbia, a Bretanha e a Síria. Nesta sequência, ele narra os choques de seu primeiro ano como aluno de uma escola síria, onde enfim aprende a ler e escrever em árabe enquanto enfrenta um ambiente rígido e violento. Ele também conhece mais a fundo a família paterna e, apesar dos cabelos louros e das semanas de férias na França com a mãe, faz todo o possível para se tornar um verdadeiro sírio e encher o pai de orgulho.
A vida no campo, a escola no pequeno vilarejo de Ter Maaleh, as incursões ao mercado negro na cidade grande, os jantares luxuosos com o parente que era general e as caminhadas nas ruínas áridas da antiga cidade de Palmira, conforme retratados no livro, são um impactante mergulho na realidade da então ditadura de Hafez Al-Assad na Síria.

Comentários:

O Árabe do Futuro, de Riad Sattouf, nada mais é do que o autorretrato de uma criança cuja infância se torna plural devido ao contato com diferentes culturas e costumes. Era para ser uma HQ divertida de ser apreciada. E até seria, se ele não mexesse tanto com o emocional do leitor.

No primeiro volume da trilogia – já resenhado por aqui – Riad ainda é muito pequeno e por isso não consegue compreender muito bem o porquê de vivenciar tradições tão desiguais, tampouco o contexto político que sei pai tanto faz questão de mencionar.

Já no segundo livro a jornada continua exatamente de onde parou, mas, no meu ponto de vista, ganha mais solidez e aborda questões mais sérias. Nele, toda a família se instala de uma vez na Síria (a trama se passa nos anos de 1984 e 1985), e assim nós iremos presenciando, junto a eles, as péssimas condições do país naquela época (aliás, hoje continua mais ou menos a mesma coisa).

Até quem tem uma noção mínima sobre a realidade do lugar não escapa de impressionar-se com os costumes, com a desigualdade, com a pobreza, com educação, com a (in)segurança, e com várias outras questões abordadas. E é com tudo isso que Riad precisa lidar, especialmente agora que ele passa a frequentar a escola para enfim começar sua alfabetização.

Vale destacar que a escola que Riad está matriculado preocupa-se mais em ensinar o Corão e o hino da Síria através de castigos muitas vezes sem motivos, do que de fato a educar os alunos orientando-os a ler e escrever. Somado a isso, o pai de Riad enfim passa a ver que seu status de doutor não tem valor algum para aquele lugar.

Não vou me alongar no contexto da trama, porque a sinopse já se encarrega de ser bem precisa nesse sentido. Mas gostaria de citar algo que se destaca fortemente aqui: o papel da mulher dentro dessa sociedade. Muita coisa interessante e problemática é explanada. A mãe de Riad, por exemplo, embora não seja oprimida pelo marido, precisa aturar certas condições que, aos poucos, vão desagradando-a. Até ela chegar ao ponto de fazer certas exigências ao marido.

Ademais, as contradições do pai frente a política e aos costumes da Síria continua sendo abordado. Ele percebe as dificuldades, mas permanece se negando a reconhecer os problemas de seu país. Tudo isso, claro, é mostrado sob o olhar de um menino, deixando tudo ainda mais interessante.

Gostei bastante da HQ como um todo, principalmente porque as questões sérias são contatas com certo humor, por um ponto de vista tecnicamente indiferente. A história vai tomando um percurso mais realista, bastante verossímil, o que é muito atrativo. As ilustrações permanecem com a mesma qualidade: traços simples, mas que nos dão uma noção bem verdadeira dos lugares.

É sempre difícil e cruel ler questões voltadas para a desigualdade, injustiça e miséria. Mas recomendo demais esse quadrinho para todos que curtem saber mais sobre outras nações, tradições e costumes de modo generalizado. Apesar de difícil, ele nos gratifica com reflexões bem interessantes.

*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca.


Título: O Árabe do Futuro*
Autor: Riad Sattouf
Edição: 2015
Editora: Intrínseca
Páginas: 160
ISBN: 9788580576931
Nota: 3,5 de 5

SINOPSE: No volume 1, Riad Sattouf, filho de pai sírio e mãe bretã, viveu uma infância peculiar. Ele tinha apenas três anos quando o pai recebeu um convite para lecionar em uma universidade da Líbia. Em Trípoli, o menino entrou em contato com uma cultura completamente distinta e precisou superar o estranhamento diante de novos costumes — experiência que se repetiria pouco depois na Síria, quando o pai foi trabalhar lá. Com o olhar inocente de uma criança, Riad oferece um importante relato sobre os contrastes entre a vida plácida na França socialista de Mitterrand e os regimes autoritários na Líbia de Kadafi e na Síria de Hafez al-Assad. A partir de suas próprias lembranças e sensações, o autor descreve como foi adaptar-se a realidades tão díspares e mostra detalhes de sua vida em família e da relação com outras crianças.

Comentários:

O relato literário em forma de graphic novel de Riad Sattouf é característico por seus traços simples, pela narrativa fluida e descontraída, e pela análise antropológica de diferentes culturas e ideologias. Trata-se de O Árabe do Futuro, uma trama divida em três volumes que veio para nos dar uma experiência de leitura descontraída e, ao mesmo tempo, desconfortante. 

A narrativa autobiográfica do autor começa em 1978 (o primeiro livro termina em 1984). Nessa época ele estava entre o segundo e o terceiro ano de idade. Antes mesmo da narrativa propriamente dita começar, Raid nos conta como seus pais se conheceram, ainda na faculdade. Ele é fruto de uma uma francesa com um sírio.

Vale destacar que o pai de Riad foi para a Europa à procura de melhores condições de estudo, já que seu sonho era se tornar doutor e, com isso, poder lecionar. Apesar disso, ele sempre se mostrara idealista e defensor da nação árabe, inclusive da educação, o que faz esse homem ser constantemente contraditório frente aos seus ideias. Detalhe que isso ocorre durante toda a história.

Assim que finalizou o doutorado o pai de Riad passou a buscar uma vaga de professor em diversas universidades... até ser aceito na Líbia como docente substituto. É assim que toda a família vai morar em outro país. Na realidade, essa é só a primeira parada, já que todos estão constantemente sujeitos à mudanças por conta do pai.

Em linhas gerais, o livro traz a visão de uma criança sobre a política, a cultura e os costumes de diferentes lugares, tudo contado com certo humor e veracidade. O menino não tem muita noção de certas coisas, como o porquê de vivenciar tradições tão desiguais. Mesmo assim ele é apático e obedece tudo que sei pai diz, e não apenas por ser uma criança, mas porque o pai é o seu herói. 

Minha nota implicou no fato de que existem muitas pinceladas políticas, e esse é o tipo de assunto que eu particularmente não me interesso tanto. Não que não seja interessante conhecer outros contextos políticos, independente da época, mas, neste caso, o fator 'gosto' falou mais alto. Para pessoas que não curtem discutir o assunto essa leitura pode soar por vezes enfadonha. 

Por outro lado, eu gostei bastante do humor ácido, das contradições, dos cenários, e, principalmente, por nos levar para uma realidade tão diferente da nossa a ponto de nos fazer refletir sobre o nosso país e a situação que estamos vivendo (quem em nada se compara a certos lugares).

Quanto as ilustrações, eu não sou uma leitora assídua de HQs e por isso não tenho tanta propriedade para comentar a respeito. Porém, eu gostei muito de tudo que vi, e achei que os traços não só se assemelham com ideia de infância como nos dão uma noção bem real dos lugares.

Recomendo aos fãs de quadrinhos, aos que curtem histórias que pautam outras nações, e a quem adora tramas sérias narradas com bom humor. Através do olhar do pequeno Riad nós iremos acompanhar uma realidade que não é comum de ser vista entre os best-sellers da vida.

*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca.


Título: Além da Esperança
Autor: Kristin Hannah
Edição: Sabrina 1579
Editora: Nova Cultural
Páginas: 157
ISBN: 0
Nota: 4 de 5

SINOPSE: Abalada após o divórcio, Joy Candellaro embarca, para uma cidadezinha rural, na esperança de que alguns dias num lugar remoto e pacato a ajudem a recuperar o equilíbrio emocional. Mas seus planos são frustrados quando o avião cai numa floresta, no meio da noite. Milagrosamente, Joy sobrevive e consegue se afastar a tempo, antes de o avião explodir. E ali, perdida entre árvores gigantescas e seculares, ela toma a decisão desesperada de alcançar seu destino a pé.
Recentemente viúvo, Daniel O'Shea tem de lidar com a falta que seu filho de oito anos sente da mãe, e Bobby dificulta as coisas fechando-se em seu mundo, cercando-se de amigos imaginários. Quando Joy e Bobby se conhecem, um vínculo imediato se cria entre ambos, mas o atraente pai do garoto parece ignorá-la. Então, uma dramática reviravolta nos acontecimentos coloca Joy frente a frente com uma verdade assustadora, obrigando-a a decidir: em meio a sonhos impossíveis e oportunidades inesperadas, ela conseguirá reunir a fé necessária para conquistar o amor que encontrou, e uma nova vida na qual somente ela acredita?

Comentários:

Além da Esperança – cujo título original é Comfort and Joy (publicado originalmente em 2005) – não é umas das primeiras obras de Kristin Hannah, mas certamente é uma das mais simples. E essa afirmação em nada tem a ver com o fato de que o livro veio ao Brasil em formato de bolso/banca, mas sim pelas sutilezas e clichês.

Joy está 'duplamente' abalada com o fim do casamento, afinal seu marido a traiu com a própria irmã (isso não é um spoiler). Por isso, ela decide fazer uma viajar para um lugar pacato com o intuito de manter a distância de tudo e todos. Mas seus planos mudam de rumo após um trágico acidente, que a deixa perdida numa floresta em um lugar totalmente desconhecido.

É assim que a vida de Joy se cruza com as de Bobby e Daniel O'Shea. Bobby perdeu a mãe e por isso vive recluso em um mundo onde só ele e seus amigos imaginários existem, e Daniel tenta lidar com o luto do filho (ambos vivem em um pequeno chalé, digamos assim). Porém, as coisas parecem mudar com a presença de Joy, que aos poucos vai aproximando pai e filho.

Uma coisa curiosa em boa parte da trama, que se passa durante a vivência dos três, é que Daniel vive ignorando Joy e os possíveis sentimentos que ela vai cultivando por aquela família. Enquanto isso, Bobby continua sendo repreendido por sua imaginação. Por que será? Bem, não é preciso ser um grande adivinho para imaginar o que está acontecendo ali.

Pela primeira vez minha autora favorita não me surpreendeu. Mas há tanta simplicidade e comoção, que é fácil se emocionar. Talvez pela melancolia da época (a história se passa próximo ao natal); talvez por abordar conflitos familiares sob uma perspectiva intensa e reflexiva; talvez por trazer um romance que chega a ser sobrenatural (esse não é o foco do livro, vale destacar).

Apesar de um pouco previsível e clichê, em alguns pontos, os capítulos finais nos deixam a mercê de como as coisas vão se desenrolar. Eu gostei muito disso. Por outro lado, achei as coisas meio corridas; algumas até improváveis. Ainda assim, são emocionantes e nos dão muitas lições legais sobre os relacionamentos que cultivamos para as nossas vidas.

Recomendo o livro para os fãs da autora. Vale super a pena conhecer as diferentes abordagens literárias de Kristin Hannah (e se emocionar com todas elas). Indico também para os que gostam de histórias melancólicas e romances paranormais. De quebra você ainda conhecerá uma escrita sensível e rica em reflexões até nos pequenos detalhes. 


Título: Sono
Autor: Haruki Murakami
Edição: 1
Editora: Alfaguara
Páginas: 120
ISBN: 9788579623752
Nota: 4 de 5

SINOPSE: "É o décimo sétimo dia que não consigo dormir." 
Ela era uma mulher com uma vida normal. Tinha um marido normal. Um filho normal. Ela até podia detectar algumas fissuras nessa vida aparentemente perfeita, mas nunca chegou a pensar seriamente nelas. Até o dia em que deixou de dormir. Então, o mundo se revelou. Um mundo duplo de sombras e silêncio; um mundo onde nada é o que parece. E onde ela não pode mais fechar os olhos.

Comentários:

Atualmente, Haruki Murakami é considerado um dos maiores fenômenos literários do mundo. Uma das suas mais notórias características é mesclar o surrealismo e a fantasia em tramas de suspense, por vezes psicológico, que podem não ter um começo ou fim. Sono é exatamente desta forma.

Em formato de conto, a narrativa nos conta a breve história de uma mulher (do qual não sabemos o nome) que não consegue pregar os olhos há vários dias. Ela é uma dona de casa, esposa e mãe. No geral, não possui uma vida extraordinário, tampouco vazia. Talvez confortável seria a palavra certa. Exceto para a nossa protagonista.

Perceber a insatisfação acerca de algumas coisas em sua vida foi o pontapé para uma jornada insone, onde ela aproveita para fazer o que geralmente não pode, como ler e pensar. É assim que acompanhamos suas noites em claro na companhia de Anna Karenina, de Tolstói – isso quando ela não se desloca da realidade e dedica-se aos seus devaneios e fluxos de pensamento.

O final é interessante, mas fica em aberto. É uma característica do autor, como eu já disse. Isso pode agradar ou não, depende muito do nível de exigência e gosto de cada leitor. Confesso que se não fosse por esse fato, que causa certa estranheza, eu teria dado nota máxima. Murakami escreve brilhantemente; tem o dom de nos inserir em sua narrativa e de nos prender do início ao fim.

Além disso, a obra conta com ilustrações da artista berlinense Kat Menschik, o que deixa tudo mais dinâmico e atrativo. Aliás, todo o livro é muito bonito: capa dura, imagens e folhas de qualidade, boa diagramação. A editora caprichou!

Ademais, Sono é uma história reflexiva, que aborda as nossas escolhas, realizações, satisfações e frustrações, sonhos... é sobre pelo que de fato vale a pena viver e/ou morrer. Passa rápido, por ser uma história curta, mas causa um grande impacto em nossa mente.

Portanto, recomendo para quem curte tramas rápidas de cunho psicológico... e para quem não é muito exigente quanto a início, meio e fim. Vale a pena conferir.


Título: Noah Foge de Casa
Autor: John Boyne
Edição: 1
Editora: Cia. das Letras
Páginas: 200
ISBN: 9788535919493
Nota: 4 de 5

SINOPSE: Noah tem oito anos e acha que a maneira mais fácil de lidar com seus problemas é não pensar neles. Quando se vê cara a cara com uma situação muito maior do que ele próprio, o menino foge de casa e aventura-se sozinho pela floresta desconhecida. Logo, Noah chega a uma loja mágica de brinquedos, com um dono bastante peculiar. Ele tem uma história para contar, uma história cheia de aventuras que termina com uma promessa quebrada, uma história que vai levar o fabricante de brinquedos a pensar sobre o seu passado e Noah a pensar sobre aquilo que deixou para trás.

Comentários:

Noah Foge de Casa é o primeiro livro juvenil escrito por John Boyne desde o best-seller O Menino do Pijama Listrado.  Apesar de ambos serem igualmente narrados por uma criança, o autor conseguiu criar histórias, especialmente ritmadas, de formas completamente diferentes. Aqui, a narrativa é um pouco mais cansativa, por exemplo, mesmo sendo curta e repleta de mensagens importantes.

Noah é um garoto de oito anos que, após refletir sobre sua vida, decide fugir de casa. Seus principais motivos são a frustração, por nunca ter se destacado em nada na vida, e as estranhas atitudes de sua mãe, que indica que algo ruim está prestes a acontecer. Para o menino, fugir e estar longe de todos é a melhor forma de lidar com esses problemas sem soluções aparentes.

Sua caminhada é cheia de surpresas e aventuras. Antes de chegar em uma incrível loja de brinquedos, onde teremos as principais cenas da trama, Noah percorre cidadezinhas e florestas bem estranhas. E nesse tour tão diversificado, ele se depara com coisas do qual jamais poderia imaginar, como um cachorro falante, portas que andam, um burro faminto e até um relógio tímido.

Até aí o livro é repleto de descrições. Talvez porque autor quis apresentar aos leitores o mundo criado por ele, onde contos de fadas e problemas reais, do cotidiano, existem de igual maneira. E não é que deu certo? Apesar de ser um pouco cansativo inicialmente, logo é possível se sentir prezo à narrativa graças ao mistério que norteia todo o livro. Afinal, por que Noah fugiu de casa?

É na loja de brinquedos, em meio às conversas do menino com o dono do lugar, que aos poucos iremos juntando as peças acerca das razões para ele ter fugido. E, para mostrar a Noah como o passado poderá para sempre persegui-lo, o livreiro narra para ele uma grande aventura que termina com uma promessa quebrada (e isso tem muito a ver com a história principal, já que a mãe de Noah lhe faz uma promessa pouco antes dele fugir). 

O livro contém ilustrações, mistura fábulas com consequências (principalmente as que resultam das nossas fugas frente aos problemas que temos), e tem uma linguagem maravilhosa. Noah não é tão cativante a princípio, mas aos poucos iremos descobrindo uma doçura por trás de seus medos e incertezas. E isso me faz pensar que o livro, a final de contas, não é tão infantil assim.

O desfecho é lindo e, ao mesmo tempo, de partir o coração. Todos irão se emocionar, com certeza. Ainda assim, recomendo o livro em especial aos fãs de John Boyne. Ou até para os que curtem fantasia e/ou contos de fadas. Talvez isso implique diretamente em sua percepção de leitura.