Em parceria com a Arqueiro, aqui vai mais uma resenha fresquinha para vocês. Apreciem!
Título: Guerreiros da Esperança
Autor: Andrea Hirata
Edição: 1
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
ISBN: 9788580410679
Autor: Andrea Hirata
Edição: 1
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
ISBN: 9788580410679
Nota: 4,5 de 5
Diferente, impressionante e carregado de esperança. Não há definições melhores que estas para o livro de Andrea Hirata, que, através de uma escrita primorosa e de um enredo singular, conseguiu me arrancar inúmeros suspiros. Os Guerreiros da Esperança são verdadeiros exemplos em meio a uma sociedade onde a educação, infelizmente, ainda não tem o valor que merece.
SINOPSE: ''A ilha de Belitung, na Indonésia, é riquíssima em recursos naturais, mas abriga contrastes sociais gritantes: de um lado, a grande empresa de extração de estanho, com suas modernas instalações e seus ricos executivos; de outro, o povo nativo que vive numa miséria indescritível. É nesse cenário que a jovem professora Bu Mus e o diretor Pak Harfan tentam garantir a seus dez alunos o direito inalienável à educação. Eles têm que lutar contra as mais diversas dificuldades, como o estado decrépito do casebre em que as aulas acontecem, as constantes ameaças do superintendente escolar e as gigantescas escavadeiras, prontas para explorar o solo em seu terreno. Porém, o maior de todos os desafios é insuflar naquelas crianças a dignidade e a autoconfiança. E nisso os professores são bem-sucedidos. Juntos, seus alunos aprendem o valor dos amigos, conseguem descobrir o que há de melhor em cada um e conquistam feitos inéditos para sua pequena escola de aldeia.''
Narrado pela pessoa de Ikal – um dos alunos –, Guerreiros da Esperança mais parece ser um diário com relatos vivos de onze crianças que enfrentaram inúmeras dificuldades em prol do aprendizado. E o conhecimento é o que eles mais sonhavam e almejavam para o futuro, mesmo que tudo ao redor os levassem para o caminho contrário. A pobreza, a distância, a falta de recursos, e o pouco cuidado com os mais carentes são enfatizados com frequência, assim como a coragem, a força de vontade e a determinação, que são impressionantes de serem avaliados na pele desses personagens, uma vez que partem de crianças guerreiras, de verdadeiros modelos.
Com capítulos relativamente curtos, passagens marcantes e cenas que impressionam (e chocam), a obra sabe como agradar devido ao seu grau de verossimilhança. Ela nos remete a uma sociedade viva, descrevendo seus preceitos cultuais, sociais e políticos. Além disso, ela nos informa e apresenta uma nação maravilhosa, com pessoas de caráter, mas que infelizmente, como em todas as outras, sofre com o preconceito, com a pobreza e com a falta de perspectiva de muitos.
Se tem uma coisa que aprendi com este livro (e que levarei comigo até o fim dos meus dias) é que somos nós os donos do nosso próprio destino, e que não devemos desistir daquilo que acreditamos que é correto. Bu Mus, a professora dos nossos pequenos guerreiros, traçou seu acaso segundo suas vontades, seguindo o seu sonho de acordo com o seu coração, e lutou até o fim por aquilo que sempre acreditou ser importante para a vida: a educação. É chocante saber que, em pleno século XXI, o aprendizado ainda é algo tão sem valor; tão sem importância. As pessoas se contentam com pouco, e acabam se acomodando com o que tem... claro, sabemos que nem tudo é simples, e que as dificuldades estão aí, mas se elas não existissem, não daríamos o verdadeiro valor àquilo que tanto corremos atrás para conquistar. E o livro se torna especial justamente por isso, pela luta incansável, pregando a ideia de que nunca devemos desistir, por mais que as dificuldades inundem a nossa vida.
Nos momentos finais da obra, Ikal diz que a escola não precisa ser um meio para se chegar ao próximo nível da vida, tampouco é o único meio capaz de moldar o caráter de alguém, mas que infelizmente ela representa uma parte do plano capitalista para se obter poder. É com esse pensamento que eu finalizo minha resenha... peço a vocês, queridos leitores, que reflitam sobre isso. Será mesmo que a educação é somente um meio para se conquistar algo? Será mesmo que é apenas para isso que ela serve?
Indico a obra a todos! A história é bastante especial, entretanto, o mais encantador mesmo é a questão pautada em meio ao enredo, que se torna ainda mais interessante de ser avaliada a partir do pressuposto ofertado pela autora. Gostaria de acrescentar ainda que vivenciar e aprender o que ela quer transmitir só será capaz no ato da leitura... é engraçado porque a temática parece boba, mas há um fundo de seriedade sem igual. No entanto, lembre-se, é um livro diferente, portanto, leia quando estiver preparado para refletir sobre questões morais, tanto socialmente, como pessoalmente falando.
''Usando palavras humildes, poderosas como pingos de chuva, ela nos transmitia a essência da correção da vida simples. Inspirava-nos a estudar e nos deslumbrava com seu conselho de que jamais cedêssemos frente às dificuldades. A primeira lição que Pak Harfan nos deu foi sobre buscarmos nossos sonhos com vontade e convicção. Ele nos convenceu de que a vida podia ser feliz mesmo na pobreza, desde que se tivesse a coragem de, em vez de receber, dar o máximo possível.''
Pág. 22


















