Blogueiros e leitores assíduos, olá!

Como vocês sabem, é de costume publicarmos entrevistas com os nossos autores nacionais, mas desta vez eu resolvi fazer diferente. Em vez de um escritor, por que não um blogueiro? Aquele que entende o nosso cotidiano e o trabalho árduo e prazeroso que realizamos na blogosfera. Isso mesmo! Vamos mudar um pouco o foco da conversa dessa vez... vocês passam a conhecer agora nossa querida Lorena Rocco, do blog Mil Alices.


Lorena Correia, conhecida na blogosfera como Lorena Rocco, nasceu em Salvador no ano de 1993, mas há 11 anos reside em Aracaju. Atualmente faz faculdade de Administração na Universidade Federal Sergipe, mas pretende cursar Jornalismo em breve. Lê muito, está sempre rascunhando e tem mil projetos anotados por ai. Deseja ser voluntária na África, não é muito musical e curte cinema. Coleciona cartões postais, escreve cartas, é blogueira, resenhista do It Cultura, desenvolve fanfics e trabalha em um livro.

Universo Literário: Lorena, conte-se um pouco sobre o Mil Alices. Como surgiu a ideia de criar um blog?
Lorena Rocco: O Mil Alices começou no fim de 2009 e deve ser meu quarto ou quinto blog. Conheci a blogsfera em uma aula de redação, e por que não tentar? Sempre escrevi diários e achei que seria uma forma legal de falar com as pessoas. A ideia sempre foi mostrar coisas legais, inspirar e conhecer gente nova. Estou tentando trabalhar em uma linha cultural, por isso falo sobre tudo, para um público jovem feminino e masculino.

UL: Qual a maior dificuldade para um blogueiro hoje?  Você acredita que manter um blog pessoal que é destinado a um público alvo, como o seu, por exemplo, passa a ser uma obrigação a partir de um certo tempo?
LR: Tenho sete anos de blogsfera, acompanhei a maioria das mudanças da plataforma e eu também mudei bastante. A minha maior dificuldade, hoje, é conciliar vida online e vida off-line, principalmente por que não gosto de misturar as duas. Outra coisa chata é que com o BOOM dos blogs e redes sociais, fica complicado estar no meio de tantos sites, com conteúdo muito semelhante e apoio de inúmeras empresas. A plataforma tem se profissionalizado e quem ainda gosta do modelo antigo (como o meu) fica difícil competir.
Por outro lado, o diferencial dos à moda antiga é que tem leitores fieis que acreditam no que você produz, sem necessidade de mil sorteios. Não que eu reprove isso, o Alices já teve publieditorial e tem anúncios, a diferença é que isso não é tudo que o blog oferece.
Eu tento não me obrigar a escrever. Se eu não estou afim hoje, não posto e pronto. Tenho em mente, que quando se tornar uma obrigação, eu vou acabar perdendo a conexão com o leitor.

UL: Recentemente você passou por um problema de plágio que felizmente foi resolvido antes mesmo da tomada de medidas sérias. Como foi lidar com essa situação?
LR: Grande parte do que eu posto é conteúdo original e a gente despende muito por aquilo. Só aconteceu, que eu saiba, uma vez comigo e foi um dia muito louco. Felizmente é bem difícil que espaços que começam com plágio sigam adiante. Os leitores procuram conteúdo original: por que vou acessar a página x se posso ver isso na y?

UL: O Mil Alices possui publicações peculiares de caráter pessoal. Como é feita a escolha da temática da postagem da vez?
LR: É a primeira vez que penso a esse respeito. Simplesmente por que não há um método. Eu posto sobre o que ''dá na telha'', acho que o caráter pessoal do blog é isso. Lá tem o que eu vejo todos os dias. A única censura que tenho me imposto recentemente é tentar escrever para o público em geral, já que até pouco tempo o blog era muito voltado para mulheres.

UL: Você tem trabalhado em um livro na qual o intitulou de ''Coragem'', que também diz respeito aos protagonistas do enredo. Algo a inspirou no momento da criação? Quando você percebeu que a história poderia tornar-se um livro?
LR: Minha relação com fanfics, especificamente escrever fanfic, me mostrou que eu podia escrever algo mais longo que crônicas e contos. No último Janeiro estava de Férias em Salvador, era a primeira vez de uma amiga na cidade e ela notava coisas simples da mesma que para mim passavam despercebidas. Foi legal ver a animação dela com aquilo e eu quis mostrar a minha cidade para todo mundo, de uma forma diferente do que os guias turísticos mostram. Coragem junta um monte de coisas cotidianas, pessoas que você pode encontrar na fila da padaria e situações que eu vivi, me contaram ou assisti em um filme. É quase uma reunião de memórias.

UL: Além do Projeto Mil Alices, há algum outro plano futuro para o blog?
LR: Sempre me perguntam isso. Eu deveria dizer algo como: Tornar o Mil Alices o blog mais badalado em língua portuguesa ou ter um layout e hospedagem superprofissional, mas não faço planos. Tenho até medo que o blog cresça demais e passe a ser obrigação.

UL: O que o Mil Alices trouxe de mais gratificante para a sua vida?
LR: Pessoas, reconhecimento e incentivo. As pessoas incríveis que eu conheci e o reconhecimento ao meu trabalho como escritora, ainda que iniciante. E sempre que eu quero começar e terminar um projeto eu coloco no blog, os leitores me cobram sobre aquilo e eu tenho mais força de vontade para terminar. Tem sido assim com Coragem, com o Projeto Postcard e espero que seja assim com a Tanzânia.




Perguntas rápidas: 

Um livro: Um dia do David Nicholls, eu me identifico muito com a Emma Morley.
Um autor: Martin Page. Adoro o sarcasmo e o humor ácido dele.
Um filme: Dois? Cidade de Deus, que me influenciou muito em Coragem e O Senhor dos Anéis, por causa de O Hobbit que está para estrear.
Uma cor: Depende do meu humor
Um sonho: Conhecer o mundo.
Um refúgio: Fazenda, meio da tarde, deitada na rede com um bom livro.
Sua maior característica: Querer abraçar o mundo com as mãos. Faço mil coisas ao mesmo tempo e fico meio louca com isso. Mas, gosto da adrenalina de ''será que vai dá tempo, vai dá certo?''. (Bem, eu falo demais também).
Com o que pretende trabalhar: Complicado. Eu não faço ideia. Quero lançar meu livro e isso é fato, estou na metade do meu curso de ADM e vou terminar, mas não sei o que vai ser depois. Jornalismo? Muito provável.


UL: Gostaria de deixar alguma mensagem para os leitores do blog?
LR: Eu estou muito inspirada no ''Termine tudo que você começou'' e ''paciência''. Sou péssima nos dois e fico repetindo isso sempre que as coisas ameaçam sair do controle. ''Um passo de cada vez'' e ''tentar outra vez'' não funciona comigo, mas procure ter um objetivo e anotar isso em um lugar bem visível. Tudo fica mais fácil quando você tem um motivo para levantar da cama. O meu é publicar Coragem, Terminar a Faculdade e Ser voluntária na Tanzânia. Qual o seu?


Contatos:
http://www.milalices.com.br/
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https://twitter.com/milalices
http://milalices.tumblr.com/

O Top 5 está de volta em sua segunda postagem e/ou retrospectiva literária. Gostaria de lembrá-los que essa publicação diz respeito as minhas leituras do ano, bem como o meu gosto e o meu ponto de vista acerca das obras, ok? Vamos tratar hoje da literatura nacional atual, que com certeza fez parte das minhas leituras neste ano de modo notório.  (:



O Livro da Bruxa, por Roberto Lopes

Este livro foi uma surpresa para mim! Acredito que deva ter sido porque eu esperava por algo totalmente diferente. Certamente não é do tipo que agrada geral, por tratar-se de um enredo emaranhado de reflexões e ensinamentos sobre a vida e suas diferentes vertentes. Mas, não, eu não o considero como um livro de autoajuda. O Livro da Bruxa é especial, carregado de experiências da sábia Bruxa que tanto inspira a quem se propõe a ler. É especial, diferente, breve... mas inesquecível.


Agnus Dei, por Julianna Costa

Taí outra surpresa bacana. Quando eu encarei a leitura, confesso que esperava por mais um enredo clichê e enfadonho que trata sobre vampiros. A temática está um pouco batida, e caso o autor não saiba reinventar, terá seu livro apenas como mais um entre tantos. Mas a nossa querida Ju foi além. Suas pesquisas e todo o trabalho para com a obra valeram a pena, pois além de diferente, adulta e densa, a trilogia Agnus Dei é instigante e rica em detalhes que atiçam a curiosidade. Para quem curte vale muito a pena!


72 Horas Para Morrer, por Ricardo Ragazzo

Apesar de alguns pequenos pontos que não me agradaram – como o desfecho da trama, por exemplo – este livro é muito bacana. A escrita é instigante e muito bem conduzida, fazendo com que o enredo flua de modo natural. Verossímeis também são os personagens, que por mais irritantes que sejam não são diferentes a tudo que vemos em nosso cotidiano. Tem seus altos e baixos, mas vale muito a pena ser conferida... principalmente para quem gosta de um bom thriller policial.


A Gente Ama, A Gente Sonha, por Fabiane Ribeiro


Um livro diferente, que trata sobre o futuro da humanidade de um modo especial e reflexivo. Publiquei recentemente a resenha deste livro, como muitos de vocês devem lembrar, mas não poderia deixar de citá-lo em meu top 5. Gostei dos fatos imprevisíveis, das situações e da criatividade da autora posta de um modo tão singular, pois até nos pontos mais mornos da trama ela soube fazer com que o leitor prosseguisse sem o menor receio. Uma distopia, pode-se dizer. Com certeza esta é uma leitura muito válida. Recomendo!


O Príncipe Gato e a Ampulheta do Tempo, por Bento de Luca

Li esse enredo sem grandes expectativas, e me surpreendi com a criatividade dos autores. Outra coisa curiosa é o modo como eles souberam levar a trama... convenhamos que para duas pessoas escreverem a mesmo história, e fazê-la dar certo, não é um trabalho fácil. É interativo, diferente, entretém e de fácil trato. Surreal e engraçado também o definem. Vale a pena por sua peculiaridade, e por seus personagens característicos, como o maravilhoso Eleanor, que eu tanto adorei conhecer. Muito legal!

Olá, caros leitores! Como vão todos?

A postagem de hoje, apenas de caráter informativo, tem o objetivo de lembrá-los e estimulá-los a participarem de eventos bacanas que envolvam livros e literatura. É o caso da 14ª edição da Festa do Livro da USP, o tradicional evento que une livros de qualidade a preços mais baixos do que são cobrados pelas livrarias. A feira dá início hoje e finaliza na sexta-feira, dia 14.


São 150 editoras, e todos os livros devem ter, no mínimo, 50% de desconto. É importante frisar também que embora ocorra na USP e tenha os livros acadêmicos como um de seus pontos fortes, o evento deseja atrair o público geral, portanto, se você tem essa oportunidade, não perca a chance de passar por lá e conferir o que eles têm a oferecer.

A festa acontece na Escola Politécnica da USP, prédios da Mecânica, Civil e do Biênio, e as visitações poderão ser feitas das 9hs às 21hs. Aqui vai a dica! E quem for, depois me diz o que achou?  (:

Existem enredos marcantes. Mas também existem livros marcantes, com muitos quotes e passagem maravilhosas, que decidimos guardar e levar conosco para a vida toda. Em ''Guerreiros da Esperança'' há vários fragmentos bacanas que dizem respeito a história, e que nos fazem pensar sobre a temática de um modo especial. Trago a vocês, portanto, alguns que selecionei para hoje pois eles merecem estar aqui. Gostaria de aproveitar a oportunidade ainda para recomendar a obra mais uma vez. Vale muito a pena!


''O rosto de Bu Mus estava vermelho de tanto conter as lágrimas. Eu entendia como ela se sentia, pois sua esperança de ensinar era tão grande quanto a nossa de aprender.''
Pág. 9


''[...] E, nos anos seguintes, tudo o que ele escrevesse seria fruto de uma mente brilhante e cada frase que pronunciasse seria como um raio de luz. Com o passar dos anos, aquele menino pobre do litoral venceria a nuvem carregada que por tanto tempo encobrira nossa escola e se tornaria a pessoa mais brilhante que já conheci em toda a minha vida.''
Pág. 16


''[...] No entanto, quando pegava o livro, sua mente fugia pelas fendas das periclitantes paredes de casca de árvore. Estudar era o lazer que fazia com que o menino se esquecesse das agruras da vida. Para ele, os livros eram como água de um poço sagrado na mesquita de Meca, renovando suas energias para pedalar contra o vento todos os dias. Mergulhava em cada frase que lia. Era seduzido pela escrita eloquente dos acadêmicos. Reconhecia o significado oculto em fórmulas que outros não registravam.''
Pág. 55