Oi pessoal, como estão? Como eu percebi que vocês gostaram do meu último texto, resolvi fazer algo diferente novamente. Dessa vez vou falar sobre um gênero do qual não li nenhum livro, pelo menos nenhum que possa ser considerado um deles.


Literatura em Movimento: coluna que consiste em apresentar, argumentar e discutir de forma opinativa sobre os mais variados gêneros e movimentos literários existentes. 
Será ofertada mensalmente pela Rafa.


Ilustração de ''A Culpa é das Estrelas'', escrito por John Green.

Pra quem gosta de ler – e tenta se manter informado com as notícias da literatura – não deve ser nenhuma novidade que recentemente passaram a considerar o Sick Lit um novo gênero literário. Tal gênero costuma ser protagonizado por jovens que sofrem algum tipo de enfermidade, são vítimas de bullying, sofrem de depressão ou anorexia, ou tem tendências suicidas, além de outros temas que possam ser considerados melancólicos. Daí o nome Sick, que pode ser traduzido como: doente, enfermo, nauseado, enjoado, aborrecido, fatigado. Alguns exemplos: As Vantagens de ser Invisível; A Culpa é das Estrelas; Um Amor para Recordar (esse eu li!); Garotas de Vidro; Marina; Os Treze Porquês; A Guardiã da Minha Irmã; dentre outros.

Para mim, a notícia de que esse gênero passou a ser intitulado como Sick Lit foi uma enorme surpresa. Mas por quê? Porque é fato que ultimamente enredos com tais temáticas melancólicas estão vendendo mais (e com cada vez mais publicações, obviamente). No entanto, eu nunca achei a proposta inovadora. Livros como Romeu e Julieta, Os Sofrimentos do Jovem Werther e As Virgens Suicidas, que abordam sobre suicídio, estão sendo publicados por aí faz tempos. Um Amor para Recordar foi publicado em 1999, inclusive (aliás, eu não tenho certeza se Um Amor para Recordar é considerado Sick lit ou não. Se não for, por favor, me corrijam).

Um fator muito importante a se considerar sobre o Sick Lit é que grande parte das histórias são protagonizadas por jovens. Isso faz do público alvo os próprios jovens, onde a leitura acaba sendo estimulada entre os mesmos. Quem me conhece sabe o quanto eu acho importante que os jovens leiam, não só porque eu também sou jovem, mas também para que eles pensem e possam formar opiniões próprias. Pelas resenhas que li por aí, os Sick Lits são livros que são escritos para refletir sobre os acontecimentos cotidianos, e para mim não há forma melhor formador de opiniões.

Contudo, há um fator sobre os Sick lits que me preocupa, que é o modismo, assim como foi com as distopias, e com os sobrenaturais. Me parece que muitos jovens estão lendo os livros apenas para estarem na moda, ou só porque todo mundo está lendo, sem se preocupar com a importância do que o autor está tentando passar para os leitores. Eu não vejo problema quando as pessoas passam a ler mais só por causa de determinado modismo (milhares de jovens passaram a ler por causa de Crepúsculo, Harry Potter e afins), mas enquanto algumas pessoas são incentivadas desde criança, outras precisam ler algo que esteja na moda para começar a ler. Outra coisa ruim que eu posso ressaltar sobre esse modismo, é que muitos ''autores'' podem começar a escrever algo totalmente ''raso'' e intitular de Sick-lit só pra lucrar.

No mais, enquanto eu me preocupo com o modismo do Sick Lit, outras pessoas se preocupam com a influência que o gênero pode causar nos jovens, como no caso dos livros que falam sobre suicídio, principalmente nos jovens mais ''vulneráveis''. Apesar de ser uma questão muito importante e que precisa ser levada a sério, eu não consigo ver como um livro pode influenciar uma pessoa a tal ato (tudo bem, eu sei que quando Os Sofrimentos do Jovem Werther foi publicado, houve muitos casos de suicídio, mas será que essas pessoas se suicidaram só porque leram o livro? Ou porque muito provavelmente elas já tinham tendências suicidas? Eu acho que o segundo caso é o mais provável. É o mesmo que ver pessoas tentando culpar os vídeo-games por causa de assassinatos violentos...).

Uma pessoa pode até cometer um assassinato/suicídio se baseando em algum game ou livro, mas creio que as pessoas que fazem isso já sofram de algum distúrbio mental, e dizer que ela fez isso só porque teve alguma influência é uma mera tentativa de tirar a culpa dela para culpabilizar um autor ou uma franquia. Enfim... enquanto acontecem casos isolados de jovens que nunca leram um Sick Lit, milhares de jovens leram livros assim e continuam vivendo muito bem.

E vocês, já leram algum Sick Lit? Tem algum para me indicar? 
Comentem, e até o mês que vem. :)


Rafaela Lopes

Foi pensando no incentivo a leitura e no reconhecimento da importância que os livros possuem na sociedade, que o Dia Mundial do Livro foi criado. A data, definida pela UNESCO em 1995, também homenageia dois grandes nomes da literatura ocidental: o espanhol Miguel de Cervantes, e o inglês William Shakespeare.
 
 
 
''O que é um livro se não o abrimos? Simplesmente um cubo de papel e couro, 
com folhas; mas se o lemos, acontece algo especial: creio que muda a cada vez.''
Jorge Luis Borges
 
 
Para marcar o dia de um modo diferente, trouxe um trecho de um texto brilhante escrito pela dramaturga Guiomar de Grammont. Provavelmente muitos de vocês já devem ter lido isso, mas o propósito hoje é retomar a reflexão acerca de uma questão tão importante, mas que para muitos não possui o devido valor. Vejamos...

''Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade. [...] 
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. 
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil. 
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.''

Referência bibliográfica do texto: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). 
A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp.71-73.


E como diria a própria Grammont, ''ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem''. Doce ironia.

 
Feliz dia mundial do livro!

Adaptações Literárias: Fiéis ou Sofríveis? Essa será a nossa temática de hoje! Periodicamente, traremos a nossa opinião acerca de algumas obras que foram adaptadas para os cinemas, e contamos com a sua interação para o dinamismo da postagem. Confiram...


Roger: Então, venho aqui mostrar meu descontentamento em relação a adaptação de "Eu Sou o Número 4". Lembro que tinha gostado bastante da premissa do filme, tanto foi por isso que comprei o livro, e o trailer do mesmo chamava bastante a atenção - apesar de ter o dedo do Michael Bay ali no meio. Eis que consegui ler o livro a tempo da estréia da película, e quando vou ao cinema... decepção. Alguns detalhes na história foram modificados de forma descarada, e a cada 20 minutos de filme eu ficava: "Gente, como assim?". Depois que parei para ler resenhas sobre o longa, descobri a razão da minha frustração: o script do filme foi escrito baseado apenas na sinopse do livro, pois os estúdios se interessaram pela obra na mesma época em que o livro ainda estava sendo escrito. Os dois foram construídos ao mesmo tempo, com a mesma base, sem a produção ler o manuscrito.

Lua: Dificilmente eu encaro um adaptação cinematográfica de algum livro como coisa boa. Sou cinéfila, amo ver filmes, e me encanto com a arte. Mas, quando se trata de livros, 'o buraco é mais embaixo'. Eu (e creio que boa parte dos leitores, se não todos) já leio imaginando os personagens, e montando características e meu próprio cast de filme. Então, às vezes a decepção começa antes mesmo de entrar na sala do cinema. Mas, ''Um Dia'' foi uma grata surpresa! Eu tinha lido a sinopse do livro num dia aleatório, na livraria, e adicionei mentalmente a minha lista de 'quero ler', só que não guardei o nome. Semanas depois, acabei descobrindo que o filme estava para estrear, com a Anne (MUSA) Hathaway no papel de Emma. Comprei o livro e o li. E sofri, chorei, sorri, me diverti muito... desejei ter um Dexter. Pouco tempo depois do filme lançado, lá fui eu. Grata surpresa, pois AMEI o filme! Claro que se comparado ao livro, é outra coisa. Muitas histórias diferentes (positiva e negativamente), outros ganchos e um desfecho pouco diferente, mas, acredito que a essência da história não foi perdida. Anne e Tom desempenharam muito bem os papeis. Minha frase favorita do livro, por exemplo (''I love you, Dexter. I just don't like you anymore.''), foi muito bem interpretada, e me deixou feliz.

Rafa: Quando soube que o primeiro livro da série ''Percy Jackson'' estava sendo adaptado eu fiquei super animada. Mas aí veio o trailer e a minha decepção foi indescritível. Pra começar, Annabeth é loira no livro, algo que eu acho muito importante para a percepção criativa do leitor, mas até aí eu poderia perdoar. Só que tanto Annabeth quanto Percy no primeiro livro tem 12 anos, e no filme eles já tem 18. Ainda assim eu fui ver o filme... só que, enfim, meu descontentamento com a adaptação não poderia ter sido pior. Retiraram partes extremamente importantes dos livros e acrescentaram cenas extremamente desnecessárias, além de terem distorcido a mitologia grega em muita coisa. No entanto, eu gostei do filme em si, não como uma adaptação, porque apesar de ter sido péssima, o filme é legal. Não é nenhuma super-produção, mas ele cumpre o seu papel que é entreter.

Fran: Uma 'adaptação' não é uma reprodução fiel do início ao fim, como já diz o próprio nome. Por isso, eu não costumo assistir uma adaptação transbordando de expectativas. Inclusive, acredito que esse é o motivo para nos decepcionarmos tanto na maioria das vezes. O problema é quando isso é feito de modo inadequado... quando estragam um enredo que tanto apreciamos. [...] No caso de  ''O Caçador de Pipas'', eu não acho que a produção tenha sido extremamente ruim, mas comparado ao livro eu confesso ter me sentido bem frustrada na época. O que salvou mais foi o cenário e a produção em si (e existem de fato passagens muito boas), mas no geral eu achei algumas cenas meio vagas devido as modificações e a troca bruta de fatos. A impressão que tive é que são coisas bem distintas, por isso, para mim, não se compara com a belíssima história criada por Hossein. O jeito foi evitar fazer comparações e aproveitar o filme... ér.


E você, gostaria de compartilhar conosco alguma adaptação que 
te marcou (seja positiva ou negativamente)?

O mês de abril trás um autor em destaque super especial. Saiba mais sobre a vida do escritor John Green, e compartilhem conosco quais foram as leituras do autor já realizadas por você!

Destaques do Mês: uma coluna referente à proeminência de autores, lançamentos e obras aclamadas que possuem em comum um direcionamento temático. Dada à ênfase, esta será ofertada eventualmente quando necessário.

Autor destaque:

John Michael Green nasceu em 24 de agosto de 1977 em Indianapolis, Indiana, Estados Unidos. John é um vlogger e autor de livros para jovens adultos. Green cresceu em Orlando, Flórida, antes de entrar na Indian Springs School, um internato e externato fora de Birmingham, Alabama. Ele se formou em Kenyon College no ano de 2000, com uma dupla especialização em Estudos Ingleses e Religiosos.

Depois de sair da faculdade, Green passou cinco meses trabalhando como capelão, enquanto estudava em um hospital infantil. Inclusive, foram suas experiências de trabalho com crianças enfermas que o inspirou a escrever mais tarde A Culpa é das Estrelas. John viveu por vários anos em Chicago, onde trabalhou para o Review Journal Booklist como assistente editorial e editor de produção. Nesse mesmo tempo, escreveu sei famoso livro 'Quem é Você, Alasca?'. Enquanto esteve em Chicago, ele analisou centenas de livros de ficção particularmente literários, e livros sobre o Islã ou gêmeos siameses. O autor também fazia crítica sobre os livros revisados do New York Times Book, e escrevia para a Rádio Pública Nacional All Things Considered e WBEZ, estação de Chicago em uma rádio pública. Green viveu em Nova York por dois anos, enquanto sua esposa frequentou a escola de pós-graduação.

John Green reside atualmente em Indianapolis, Indiana, com sua esposa, Sarah (também conhecido como "O Yeti" em blogs, cunhado devido ao seu pedido de não ser vista em vídeo), seu filho Henry, e seu cachorro, um West Highland Terrier , chamado Willy.


Lançamento atual:

Em O Teorema de Katherine, Colin Singleton, após seu mais recente e traumático pé na bunda - o décimo nono de sua ainda jovem vida, todos perpetrados por namoradas de nome Katherine -, resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-criança prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam. Uma descoberta que vai entrar para a história vai vingar séculos de injusta e vantagem entre Terminantes e Terminados e, enfim, elevará Colin Singleton diretamente ao distinto posto de gênio da humanidade. Também, é claro, vai ajudá-lo a reconquistar sua garota. Ou, pelo menos, é isso o que ele espera.


Uma das obras mais aclamadas:

Em Quem é Você, Alasca? Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras — e está cansado de sua vidinha segura e sem graça em casa. Vai para uma nova escola à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o ''Grande Talvez''. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young. Inteligente, engraçada, problemática e extremamente sensual, Alasca levará Miles para o seu labirinto e o catapultará em direção ao Grande Talvez. Quem é você, Alasca? narra de forma brilhante o impacto indelével que uma vida pode ter sobre outra. Este livro incrível marca a chegada de John Green como uma voz importante na ficção contemporânea.