Blogueiros e leitores assíduos, olá!

Para quem ainda não sabe, no último dia 26 de maio a Saraiva MegaStores de Aracaju foi palco do primeiro encontro oficial do Clube do Livro Saraiva/SE. O evento centrou na trilogia Cinquenta Tons de Cinza, escrita pela autora britânica  E.L. James, e foi organizado especialmente pela Fabiana Lima, do blog Adoro Romances de Aracaju, Ana Caroline, do Nosso Clube do Livro e Ronaldo Gomes, do Livro Sobre Livro, contando ainda com a minha ajuda para divulgação e propagação da iniciativa. Por fim, recebemos total apoio da Saraiva para a realização dos próximos eventos, e como uma das organizadoras, não poderia deixar de compartilhar essa alegria com vocês.

Nossa mesa ilustrada e recheada de brindes.

Eu, Ana Caroline, Ronaldo Gomes e Fabiana Lima.

O nosso primeiro evento foi um sucesso! Como bem disse a Ana em seus agradecimentos, ''plantamos uma sementinha em todos os leitores que apareceram por lá para nos prestigiar'', e a sensação foi incrível. Tivemos a participação de colegas que acompanharam todo o esforço que tivemos ao longo desses meses; contamos ainda com a presença de leitores que frequentavam a livraria no momento do encontro, além da psicóloga Alessandra Lôbo, que deu um show em seus comentários minuciosos sobre a série e os seus personagens. Tivemos também debates, brincadeiras, sorteios e um bate-papo maravilhoso.

Drº Alessandra em análise psicológica da série em livros.

Amigos leitores aprovaram a iniciativa.

Momentos de descontração.

As dificuldades de se fazer coisas desse tipo aqui em Aracaju são desanimadoras. A falta de apoio, incentivo e comprometimento se unem de modo entristecedor, mas conseguimos com muito custo solidificar essa ideia tão bacana que fazemos por puro prazer e em prol da disseminação de ideias. Esperamos que os próximos eventos integrem ainda mais leitores, e que juntos possamos impulsionar a importância que a leitura tem para a nossa sociedade. 

Portanto, agradeço a todos que se fizeram presentes. O próximo evento do Clube do Livro Saraiva em Aracaju já tem data marcada (e chegou mesmo para ficar): 05.07.13 – Guerra dos Tronos. Em breve mais informações.


Apesar da falta de motivação e de programas de incentivo à leitura,
Aracaju se mostra rica no que diz respeito ao hábito de redes literárias.


Aracajuanos optam por leitura em livrarias da capital. (Foto: Francielle Couto)


O Brasil é um país carente de leitores frequentes. É o que confirma a 3ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil realizado pelo Instituto Pró-Livro em parceria com a Ibope Inteligência. Foram 5 mil entrevistados em 315 municípios do país, medido entre crianças e adolescentes. Embora os dados apontem que o brasileiro lê em média 4 livros por ano, Aracaju possui um público amplo de leitores assíduos que acreditam no poder do incentivo e da disseminação de ideias.

A ausência do hábito da leitura é um problema decorrente de inúmeros fatores. Para muitos bibliotecários e escritores, o costume deve partir da infância, quando as crianças devem ser apresentadas desde cedo a histórias. Nesse momento, os pais e educadores se tornam seus principais mentores, mas na prática isso nem sempre acontece. Como na maioria dos casos o incentivo que deveria ser dado em casa não é frequente, resta à escola a dura tarefa de cultivar entre os alunos o gosto pela leitura.

Além disso, é difícil encontrar na cidade de Aracaju programas que centrem no incentivo. Porém, apesar da carência de eventos e mostras literárias que proporcionem momentos de lazer e informação aos leitores aracajuanos, existem pessoas que se propõem a mudar essa realidade. É o que acontece com um grupo de amigos que, unidos pela mesma paixão, se reúne pelo menos uma vez por mês no Parque Augusto Franco, localizado na zona sul da cidade. O encontro tem como objetivo compartilhar experiências de leitura e discutir sobre os assuntos literários mais atuais, como lançamentos, questões biográficas, livros mais comentados na blogosfera literária, e muito mais.

Unidos pela mesma paixão: a leitura. (Foto: Francielle Couto)

Fabiana Lima, de 28 anos, crê que em todos os lugares existem bons leitores, mas que no geral ainda falta motivação. A leitora acredita que esse é o principal motivo para o baixo índice de leitura no país, e que sem isso as pessoas não serão capazes de se descobrirem como leitores. Para ela, é mais fácil encontrar pessoas interagindo sobre novela ou futebol, mas raramente sobre obras da literatura. ''A leitura infelizmente é considerada por muitos uma cultura inútil, mas nada é inútil'', afirma. ''Tudo é aproveitado em algum momento da nossa vida. Eu mesma adquiro muito conhecimento através dos livros, coisas que em uma escola tradicional eu não aprenderia'', diz Fabiana.

Além desta, existe outra roda de leitores que se reúne frequentemente com um intuito específico. Unidos graças ao projeto criado pela escritora nacional Renata Ventura, o grupo intitulado ''Potterheads Arretados'' tem como ideia principal reunir voluntários que se disponham a visitar os orfanatos da cidade. O objetivo é propagar a leitura e mostrar que ela tem um poder transformador.

Potterheads em tarde de leitura. (Foto: Arquivo pessoal)

Para o desenvolvimento do projeto os jovens precisam contar com a colaboração de profissionais qualificados que façam o acompanhamento e saibam lidar com as crianças, além de parcerias que contribuam com a ação. O comprometimento e a participação dos interessados para que as visitas se deem de forma organizada e atinjam o ponto alvo também são essenciais. Mas os Potterheads Arretados encontraram alguns problemas na efetivação da iniciativa.

Rafaela Lopes, uma das organizadoras da campanha, afirma não ter obtido nenhuma resposta da Secretaria Municipal de Assistência Social, e sem a autorização as visitas não podem ser realizadas. Graças a isso, tudo que foi arrecadado pelo grupo, como livros infantis, será doado para outro projeto cultural. No entanto, a possibilidade de concretizar a ideia que uniu o grupo não se desfez. ''Para mim, além de conhecer novos amigos, os encontros são importantes para conhecermos outras obras da literatura, e também para entender a opinião de outras pessoas sobre um mesmo livro'', declara Rafaela. A permanência da roda de leitura motiva os integrantes às demais leituras existentes, e está aberta a novos membros. Ela também atua em um grupo específico no facebook, onde são feitas discussões e conversas dos mais variados tipos.

Os grupos existentes creem no poder da comunicação. O intuito deles é mostrar aos demais que ler é o que realmente faz a diferença no mundo, independente do que seja.


O papel das livrarias no incentivo à leitura

As livrarias da cidade tornaram-se ótimos pontos de leitura para crianças, jovens, adultos e até dosos. São livros de todos os tipos para todos os gostos, e a procura, que não é apenas comercial, faz delas verdadeiros points de apoio.


Livrarias como ponto de encontro. (Foto: Francielle Couto)

Gilvan Santos, supervisor de vendas da livraria Escariz e que trabalha no local há mais de 10 anos, assegura que em todo esse tempo já viu pessoas frequentarem o local desde pequenos. Para ele, o intuito principal não é permitir que o público venha somente com a intenção de comprar, mas sim para ter um contato direto com os livros. ''A partir do momento que é criado um local como esse, o pensamento principal é fazer com que sejam formados novos cidadãos. Por isso, não é só uma questão comercial, é de incentivo também'', esclarece. ''Esse é um ambiente em que podemos adquirir conhecimento, e isso não tem preço'', conclui Gilvan.


Blogosfera literária em Sergipe

A blogosfera literária tem se mostrado cada vez mais eficaz para a divulgação e estímulo à leitura. Em Sergipe é possível encontrar pessoas que estão à frente desse trabalho, como o blogueiro Ronaldo Gomes, de 17 anos, que assegura a importância de um blog, mas também enfatiza a responsabilidade que o mesmo traz. ''Uma resenha, por exemplo, precisa ser honesta, tendo como base o ponto de vista da pessoa como leitor. Não adianta dizer apenas que gostou, é preciso dizer o porquê. Só assim teremos pessoas de opinião própria'', declara.

A leitora Anna Beatriz Fernandes, 18 anos, confirma essa teoria ao afirmar que cada um tem uma preferência, e que por isso há leituras feitas de modos diferentes. Para a estudante, isso promove debates entre opiniões às vezes divergentes com a do blogueiro. ''Em alguns casos saímos com vontade de adquirir aquele livro que está sendo resenhado, talvez por curiosidade, ou interesse na temática da obra'', diz. ''Acho toda a divulgação da blogosfera bem motivadora. Um modo diferente e eficaz de incentivo à leitura'', completa.



Redes de relacionamento como ferramentas de divulgação da leitura

Semelhante às redes sociais mais tradicionais, os sites literários são de fácil e rápido acesso, gratuitos e bastante atrativos aos olhos dos usuários. Os mais conhecidos são 'O Livreiro' e o 'Skoob'. Em ambos é possível partilhar opiniões sobre qualquer livro através de notas ou resenhas, formando assim uma legítima estante virtual carregada de críticas e comentários.

Para a leitora Ana Caroline dos Santos, de 27 anos, o uso do skoob permite organizar melhor sua vida literária. Ela acredita na capacidade de incentivo que a rede social possui. ''Já que hoje as pessoas vivem conectadas, essas redes ajudam-nas a conhecerem o que há de novo na literatura. Além disso, é possível conhecer pessoas, e trocar ideias sobre livros e personagens'', afirma.

Mas o estímulo não é característica somente de sites literários. Redes sociais mais tradicionais, como o facebook, também contam com inúmeras páginas que são usadas por leitores para discutir sobre nomes e obras renomadas da literatura, além da troca de expectativas acerca dos lançamentos mais atuais. São destaques também assuntos sobre filmes adaptados de livros e a descoberta de jovens autores. Desafios literários e campanhas também são promovidos, assim como a avaliação de livros e o relato do conhecimento adquirido através da leitura realizada. É uma notória propagação e disseminação de ideias.


Confira alguns dados da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil feita em 2011. A pesquisa feita com 5 mil pessoas em 315 municípios traça um panorama da leitura no país.



Fonte: Instituto Pró-Livro


Reportagem: Francielle Couto St.
Edição: Leonardo Vasconcelos

Publicado originalmente em Jornal Contexto On-line

Percebemos que a grande maioria dos nossos leitores assíduos curtiu bastante o nosso Drops Literário, por isso estamos de volta com mais uma edição da coluna. Para quem ainda não sabe, o Drops surgiu para integrar toda a equipe Universo com a ideia de promover uma interação entre todos nós.

O Drops Literário, inspirado no Book Blogger Hop das meninas do Murphy's Library, é uma conversa de caráter transparente que tem como objetivo dinamizar as discussões que andam tomando conta da blogosfera. A intenção é fazer com que toda a equipe do Universo Literário interaja 
com o seu público leitor. Sem periodicidade definida.



A conversa de hoje está centrada naquilo que tem sido pautado por muitos sites literários ultimamente. A leitura dinâmica, que se constitui de vários métodos que buscam aumentar a velocidade da leitura, mantendo o entendimento e a retenção de informações, foi a nossa escolha para a discussão deste mês. Confira abaixo nossas respectivas opiniões, e compartilhe conosco o que você acha da ideia que promete facilitar a "varredura" dos olhos.


Fran: Vi que o assunto instiga alguns a falarem sobre, mas isso ainda tem estado um pouco recluso. Eu, particularmente, não tenho nada contra. A possibilidade de ler mais rápido – e finalizar logo uma leitura – é algo realmente empolgante (eu mesma não gosto de passar muito tempo com o mesmo livro), mas só é eficaz quando o entendimento de fato acontece. No meu caso não seria todo tipo de leitura que eu realizaria deste modo. As mais complexas, por exemplo, devem ser feitas de acordo com o meu ritmo, que passa a ser mais lento para que eu possa compreender com exatidão o que está sendo passado.

Roger: Em certo ponto eu concordo com você, Fran. Tudo depende do entendimento do que você tá lendo. Não adianta acelerar a leitura se você não estiver absorvendo, compreendendo, o que está lendo. Mas eu confesso que não vejo uma necessidade, como posso dizer, obrigatória da leitura dinâmica. Claro que existirão certas exceções, como, por exemplo, empregos. Se tiver empregos que exigem isso como pré-requisito, então, para estar preparado para esse tipo de mercado você terá que possuir essa habilidade.

Rafa: Eu acho a ideia de leitura dinâmica muito boa, já que também não gosto de passar muito tempo com um mesmo livro, e eu sou bem lentinha para ler (minha média é de 5 páginas por hora, mais ou menos)... enfim, a ideia em si é muito boa, tanto é que eu estou pesquisando sobre leitura dinâmica no momento. Inclusive, baixei até uma apostila aqui, mas também creio que esse tipo de leitura só vai valer a pena a depender do livro que eu estiver lendo. Se for um livro que por ele mesmo já seja mais fácil de entender, ou uma leitura mais simples, seria muito melhor ler mais rápido que o normal. Mas tem alguns livros (em especial os clássicos) que são cheios de metáforas, e que não sei se seria legal ler eles assim, tão depressa (apesar de que eu li em algum lugar que os leitores dinâmicos conseguem assimilar contextos e palavras com muito mais facilidade que um leitor comum), mas eu ainda tenho um "pé atrás" em relação a isso.

Fran: Acho que cada um é perfeitamente capaz de se auto avaliar e ver se uma leitura do tipo se faz necessário naquele momento, se vale a pena, se será proveitoso tanto no que diz respeito a tempo quanto a entendimento... enfim.

Lua: Eu sou super a favor da leitura dinâmica, e faço uso, às vezes mesmo sem perceber. Leio muito rápido, e consigo identificar as frases num curto espaço devido à técnica. Eu não costumo demorar mais que uma semana com um livro. Creio que a leitura dinâmica tem de ser aplicada de diferentes formas, pois nenhum texto é igual. Podemos usar num capítulo que sabemos que não tem nada técnico, por exemplo. E ler com mais cautela os que assim necessitarem de.

E você, o que acha da evolução da leitura dinâmica?

Depois de um longo período, aqui estou eu de volta. Peço perdão pela ausência, mas ela foi necessária. Para suprir tal defeito, trago hoje para vocês um dos melhores filmes que vi lá em 2011 e que há tempos queria poder falar dele por aqui: O Abrigo (Take Shelter).
 
 
O Adaptações Literárias consiste em apresentar, discutir e argumentar
sobre filmes que deveriam ganhar vida nas páginas físicas dos livros.
Coluna ofertada uma vez por mês pelo Roger.
 
 
 
Título: O Abrigo (Take Shelter)
Escrito e Dirigigo por: Jeff Nichols
Elenco: Michael Shannon como Curtis LaForche;
Jessica Chastain como Samantha;
Tova Stewart como Hannah.
 
O filme segue a história do pai de família Curtis LaForche. Ele leva uma vida normal, tem uma esposa que o ama, e uma filha  que o adora, que possui uma deficiência auditiva; tem amigos e um emprego que garante o pão de cada dia. O casal trabalha pesado para poder suprir as necessidades da filha e, apesar de todo o esforço, são muito felizes. O filme segue numa narrativa tranquila, mas sempre com aquele clima de que algo a mais está por vir. Quase que um suspense. E então a história tem sua reviravolta.

Curtis começa a ter pesadelos com uma tempestade apocalíptica. Ele vê nada além de destruição: raios, trovões, nuvens negras, pássaros migrando loucamente... sempre desconfiado, Curtis acredita que não é nada demais. Pesadelos, como quaisquer outros. Até que eles se tornam constantes e a preocupação do nosso protagonista se exagera ao ponto de ele ficar obsessivo com a ideia de construir um abrigo. Ele se informa com amigos e conhecidos, que acham a atitude dele estranha, sobre o custeio do material. Não demora muito, Curtis começa a montar o tal abrigo.
 
Só que as coisas vão piorando. Os pesadelos continuam, cada vez mais "agressivos", os vizinhos - e a própria família - começam a se preocupar com o estado mental de Curtis (que tem uma mãe esquizofrênica) e aqui sua sanidade é questionada. Teria Curtis herdado a loucura da mãe, ou o rapaz estaria mesmo vivenciando um presságio?
 
Escolhi falar de Take Shelter porque ele é um daqueles filmes que você demora para esquecer. Não só pelo fator atemporal, como pela história em si que ele retrata. O suspense do filme é algo agoniante. Você não sabe se acredita ou não em Curtis. Você acaba "enlouquecendo" junto a ele por não ter certeza do que o futuro reserva. Um livro do filme super daria certo, fora a carga emocional-dramática que ele apresenta quando Curtis se encontra em um estado absolutamente de choque pelo o que está passando com a família. E o final... Aaaaah, o final... apenas surpreendente. Deixo aqui a dica.
 
Espero que vocês tenham curtido. Até em breve, pessoal.
 
 
Rogério Gerson