Título: É Melhor Não Saber (Cortesia cedida pela Editora Arqueiro)
Autor: Chevy Stevens
Edição: 1
Editora: Arqueiro
Páginas: 320
ISBN: 9788580411218
Nota: 4 de 5
SINOPSE: Sara Gallagher nunca sentiu que pertencesse de verdade à sua família de criação. Embora sua mãe seja amorosa e gentil e ela se dê bem com sua irmã Lauren, a relação com o pai e a irmã caçula, Melanie, sempre foi complicada. Às vésperas de se casar, Sara decide que está pronta para investigar o passado e descobrir suas origens. Mas a verdade é muito mais aterrorizante do que ela poderia imaginar. Sara é fruto de um estupro, filha do Assassino do Acampamento, um famoso serial killer. Toda a sua paz acaba quando essa história é divulgada na internet e o pai que ela anteriormente queria conhecer resolve entrar em sua vida de forma avassaladora. Eufórico com a descoberta de que tem uma filha, John vê nela sua única chance de redenção. E, para criar um vínculo com Sara, ele está disposto a tudo, até a voltar a matar. Ao mesmo tempo, a polícia acredita que essa é sua única chance de prender o assassino e resolve usá-la como isca. Então Sara se vê numa caçada alucinante, lutando para preservar sua vida e a de sua filha.
Comentários:
Quando Chevy Stevens adverte no título da sua mais nova trama que É Melhor Não Saber, é porque de fato alguns segredos deveriam continuar ocultos. A curiosidade e esperança de Sara se tornaram as suas maiores burradas, e trouxeram para a sua vida um pesadelo de difícil trato e dissolução. Mas e você, caro leitor, no lugar da nossa protagonista, permaneceria na dúvida sobre quem são seus pais verdadeiros, ou buscaria a qualquer custo as verdades camufladas sobre sua origem?
Sara, apesar de amar sua mãe de criação, sempre se sentiu excluída por parte de sua família adotiva. Isso certamente incitou a vontade que ela sempre teve de conhecer sua verdadeira história. Para ela, o que importa a princípio é saber o porquê de ter sido dada para adoção, e quem são hoje as pessoas que a colocara no mundo um dia. Farta dessas dúvidas que a atormentam desde menina, Sara resolve ir à procura de seus pais biológicos. Mas o pesadelo começa quando ela, ao conseguir encontrar o paradeiro de sua mãe, se vê rejeitada e desprezada pela mesma. Sem entender os motivos de tanto rancor, busca pistas que levam ao seu pai, e descobre que o mesmo é o temido Assassino do Acampamento, aquele que todo verão após abusar de sua vítima, a mata sem o menor pudor.
Com todos os seus segredos divulgados misteriosamente na internet, Sara acaba vivendo um pesadelo terrível, pois, ao descobrir que tem uma filha, John passa a entrar em contato com ela e a querer fazer parte de sua vida. É deste modo que a polícia entra em ação a pondo como isca para a captura do assassino, mas, para isso, ela precisa manter a cabeça fria e colaborar, mantendo segredo dessas ações para os seus familiares, e colocando todos ao mesmo tempo em perigo.
Os capítulos do livro, na verdade, são divididos em vinte e quatro sessões de psicoterapia que a Sara faz ao decorrer dos acontecimentos. Sentindo-se desequilibrada, ela sente que precisa ter a ajuda da médica para conseguir lidar com a situação. Mas a doutora, apesar de estar presente todo o momento, não possui voz na narrativa, pois a história acaba sendo narrada apenas por Sara, que nos remete aos fatos e nos leva às cenas de forma sutil. É como se ela estivesse conversando com o leitor, e essa é uma característica própria de Chevy Stevens, que fez o mesmo em seu primeiro livro, o Identidade Roubada. No meu ponto de vista essa é uma façanha positiva, pois ela sabe como contar o presente nos levando para o passado de um modo diferente e totalmente instigante. É como se a autora quisesse nos colocar na posição da profissional que está lidando com a paciente para trabalhar em cima dessa perspectiva.
Os personagens mais presentes no enredo, além do John, são os policiais encarregados do caso, Sandy e Bill, e a filha e o noivo de Sara, Ally e Evan, respectivamente. A linguagem da trama é bastante acessível, direta e vívida. Muitas das cenas são fáceis de ser visualizadas, e a autora faz questão de nos colocar diante de pequenos enigmas, de nos encher de perguntas que parecem óbvias (mas nem sempre são), e de deixar com que sejamos capazes de saborear os fatos, sem correria e sem embromação ao mesmo tempo.
Chevy, além de mostrar o dia-a-dia da protagonista e os conflitos que ela passa com os seus semelhantes, nos coloca diante de alguns eventos que ocorreram com ela ainda quando criança – provavelmente na tentativa de explicar o porquê do comportamento da mesma. Sara se mostra frágil, repleta de dúvidas e com temor das proporções que sua curiosidade causou. Ela se questiona e se deixa envolver, decepciona-se várias vezes e magoa pessoas que ela tanto ama. Uma personagem totalmente típica, que ao invés de nos sentirmos enjoados no ato da leitura, passamos a tentar entender a situação nos colocando mediante a ela.
Algumas coisas, entretanto, não me agradaram tanto dessa vez. Pequenos episódios se tornaram frequentes, e alguns clichês mergulharam com tudo na trama. A autora soube conduzir os fatos sem perder a intensidade, mas acabou utilizando caminhos bobos para explicar no final certas pontas que por pouco não ficaram soltas. Apesar disso, recomendo o livro com muito prazer. Chevy Stevens é uma autora com uma escrita envolvente e bastante sólida, e isso, neste caso, recompensa qualquer pequeno deslize cometido. Para quem curte a temática, este é com certeza um prato cheio.
Ah! Só um conselho: não se engane, pois quando você pensar que tudo está acabado, não, não estará.
''Mas ultimamente tenho sentido muito cansaço. Não do tipo que dá sono, mas que me deixa tensa e nervosa. Quase todas as noites vou de janela em janela esperando o telefone tocar. Era onde eu estava quando John enfim telefonou de novo, na segunda-feira: em pé, à janela do meu quarto no andar de cima, vendo Moose e Ally correrem um atrás do outro no quintal, pensando em como eles pareciam felizes e me lembrando do quanto eu costumava ser feliz.''
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