Título: Quando Você Voltar (Cortesia cedida pela Editora Arqueiro)
Autor: Kristin Hannah
Edição: 1
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
ISBN: 9788580411584
Nota: 5 de 5

SINOPSE: Como tantos casais, Michael e Jolene não resistiram às pressões do dia a dia, e agora estão vendo seu relacionamento de doze anos simplesmente desmoronar. Alheio à vida familiar, Michael está sempre mergulhado no trabalho, não dá atenção às duas filhas e não faz a mínima questão de apoiar a carreira militar da esposa. Como era de se esperar, Jolene é convocada para a guerra. Ela sabe que tem um dever a cumprir, mesmo angustiada por se afastar de casa.
É deste modo que Jolene deixa para o marido a missão de cuidar das meninas, e segue em missão para o Iraque. No front, ela depara com a dura realidade, e precisa, mais do que nunca, recorrer à sua força e inteligência para se tornar uma heroína em meio ao caos. Em suas mensagens para casa, ela retrata um mundo cor-de-rosa, minimizando os horrores que vivencia com o objetivo de proteger todos do sofrimento. Mas toda guerra tem um preço, e ela acaba se vendo protagonista de uma tragédia. Agora, Michael precisa encarar seus medos mais profundos e travar uma batalha em nome da família. Essa experiência, com certeza, mudará para sempre a vida de todos, de uma forma que ninguém poderia prever


Comentários:

Kristin Hannah tem se tornado destaque no âmbito literário por suas obras dramáticas, chocantes e de conteúdo verossímil. Minha primeira experiência com a autora foi em Jardim de Inverno, publicado recentemente pela editora Novo Conceito. Desta vez, graças a Editora Arqueiro, eu tive a oportunidade de vivenciar mais uma excelente história, cuja a obra foi intitulada de Quando Você Voltar. Sem dúvidas, incrível!

Michael e Jolene são casados há doze anos. Desse amor nasceram Betsy – que tem vivido os conflitos da mocidade – e Lulu – uma pequenina meiga e cativante. Eles compõem uma família feliz, estruturada e em processo de desenvolvimento. Isso até o pai de Michael falecer e ele depositar todas as suas (poucas) energias no trabalho. Jolene, deste modo, passa a ser a única voz da família, tendo que lidar praticamente sozinha com a casa, com as meninas e com suas inquietações pessoais.

Quando pequena, Jolene sofreu muito com os pais, ficando órfã ainda muito jovem. Depois disso decidiu entrar para o exército com o intuito de buscar um novo rumo e sentido para a vida. Foi nessa nova empreitada que ela conheceu Tami, formando assim amizade que permaneceu mesmo após ambas terem construído vidas diferentes, levando o vínculo e o solidificando além dos laços profissionais. Mas elas acabaram sendo escaladas para a guerra, e o fato de terem que passar um ano longe de todos acabou abalando toda a estrutura que elas construíram para si. Além de terem que ficar longe daqueles que tanto amam, Jolene e Tami passaram a contar com a sorte para manter uma comunicação frequente com a família, e para voltarem sãs e salvas para casa.

Isso foi o estopim para o casamento de Michael e Jolene, que se despede do marido ouvindo dele um 'eu não te amo mais'. Como poderia deixar tudo para servir seu país diante de uma situação dessas? Mas o dever e a promessa de defender a nação são coisas que não podem ser ignoradas quando se está vivendo em meio a guerra. 

Kristin tem uma forma de narrar bastante característica; bem singular. Ela consegue descrever os fatos na medida certa, permitindo que o leitor seja capaz de visualizar em sua mente a cena em ação, exatamente como ela é. A história cria vida, como se você fosse o narrador observador. Possui ainda uma linguagem simples e fácil de ser lida, fluindo instantaneamente.  É composta por duas partes, com capítulos não muito extensos, e, no geral, com ótimos ganchos para as acontecimentos que se seguem.

A princípio fiquei com receio de a autora acabar se distanciando de uma das direções propostas, deixando o enredo com pontas soltas, mas Kristin conseguiu me surpreender mais uma vez. É por isso que Quando Você Voltar é um livro difícil de ser resenhado, pois são várias as dimensões, os conflitos, os fatos, as particularidades. Ela mescla os problemas conjugais de Michael e Jolene com as dificuldades interpessoais de ambos, além de unir nesta única história um caso aleatório em que ele (Michael é advogado) está defendendo no trabalho (mas que no fim acaba fazendo todo o sentido na trama); com a guerra que ela precisa enfrentar e com os medos providos disso; com os progressos e dificuldades de Betsy e Lulu em casa e/ou na escola, ainda mais agora sem a mãe por perto; com a perda do pai dele; com a cumplicidade dela com a melhor amiga; com erros, mágoas, conquistas e superação. E é disso que a obra se trata, do amor e de suas infinitas extensões. Sim, Kristin consegue falar sobre tudo isso da forma mais envolvente possível. É impressionante!

A autora mostra mais uma vez a face do ser humano diante de suas maiores fraquezas, apresentando de uma forma admirável, por vezes emocionante, o quanto somos capazes de evoluir, mesmo mediante ao erro. Ela nos faz ver – na pele desses queridos personagens – como a vida pode ser cruel, mas que com determinação nossos desejos poderão ser atingidos, de um jeito ou de outro. É um drama gostoso de ser lido, reflexivo mesmo nas ações mais simples, triste, carregado de saudade, e peculiar de uma forma encantadora. 

Quando Você Voltar é uma leitura digna de ser realizada. Se você gosta da temática e busca algo diferente, esta é uma ótima opção. Mas se você não possui afeição por esse tipo de história, não se preocupe, pois o livro pautado não é dotado de exageros. Este é um drama nada surreal, e vívido justamente para ser refletido. Trata-se de uma trama natural sobre amor, família, amigos, trabalho, socialização com o próximo, confiança, falhas, reconstrução do homem como tal e do lar em que vive... ou seja, tudo que compõe a nossa vida. Recomendo sem medo de errar!

Kristin Hannah possui outro livro publicado pela Editora Arqueiro, chamado O Caminho Para Casa. Quero poder ter a chance de lê-lo, ainda mais porque não é sempre que encontramos dramas tão particulares; tão bons (e depois desse mar de histórias nobres, claro, não deixarei essa leitura passar batida. Aproveito a oportunidade para indicar também a leitura de Jardim de Inverno (é maravilhoso!). E você, já se aventurou por algum enredo da Kristin?


''Honra. Dever. Lealdade. Eram mais do que apenas palavras para Jolene; eram parte dela. Sempre fora duas mulheres, uma mãe e uma militar, e esse destacamento a dilacerava, deixando um corte aberto, sangrento.''

Pág. 62 




O dia do escritor foi criado na década de 60, através de João Peregrino Júnior e Jorge Amado, quando realizaram o I Festival do Escritor Brasileiro, organizado pela União Brasileira de Escritores, a que os dois eram presidente e vice-presidente, respectivamente. A importância da data veio como uma forma de valorizar o trabalho árduo do profissional da escrita, que ao longo do tempo vem enfrentando muitas dificuldades, principalmente no que diz respeito à publicação de suas obras se considerarmos os avanços tecnológicos que propagaram culturalmente o mundo virtual nas vida de crianças, jovens e adultos. 

O grande desafio, hoje, é ofertar ao público leitor uma narrativa consistente, que se sobressaia diante do número incontável de obras existentes no mercado editorial. Em entrevista ao blog do sebo Estante Virtual, o escritor Flávio Carneiro disse que o grande segredo de um escritor está na paciência. Ele diz: ''É preciso ter paciência. Muita paciência. O processo de escrever um livro é demorado, exige dedicação e calma. É preciso reescrever muito mais do escrever. E seu texto só está pronto quando você puder olhar pra ele e dizer, com sinceridade: se esse texto fosse um livro, de outro autor, eu gostaria muito de lê-lo. Só então, é hora de se preocupar em publicar''. Portado, aqui vai a dica para aqueles que querem fazer parte desse universo. Percebe-se, todavia, que o caminho é longo, e requer, além da paciência, muita dedicação.

E aos que já são escritores - alguns consagrados por suas riquezas literárias, outros ainda na luta pelo status de formador de histórias -, um parabéns todo especial! E não apenas pela data (simbólica, uma mera formalidade), mas pela perseverança em não desistir do sonho de ser reconhecido por suas palavras; por seu texto íntimo; por sua capacidade de ensinar, emocionar e entreter. Todos vocês são guerreiros estimáveis, e cada um possui um valor singular na formação, não somente do leitor como tal, mas também de caráter da sociedade, seja lá qual for o gênero que você escreva. Nosso muito obrigada por formar uma parcela da nação (porque infelizmente não podemos falar universalmente) de modo pensante, tornando as pessoas donas das suas próprias ideologias, e questionadoras do mundo. E já dizia Carlos Drummond de Andrade... ''Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira.''

Não há palavras para definir a importância de vocês. [...]
Parabéns pelo seu dia, querido escritor! 

Faz tempo que eu não posto o BBHop para comentarmos. Vi que as criadoras da tag atualizaram o selo, aí bateu saudade. Não ficou lindo?  *-*  Prometo sempre que possível trazer a coluna para compartilharmos nossas opiniões, gostos e até acabarmos realizando algumas recomendações internas... enfim. Vamos lá?




O Book Blogger Hop é um meme criado pelas meninas do Murphy's Library. Toda semana elas lançam uma pergunta sobre o universo dos livros, e cabe à nós, blogueiros, responder a mesma de forma clara, expressando nossa opinião acerca do assunto discutido.



A pergunta que eu escolhi para hoje, é:
''Você já leu um livro que achou que ia odiar? Se sim, você odiou mesmo, ou gostou do livro? Ou você jamais leria?''

Odiar é uma palavra muito forte...
Digamos que, antes de me aventurar no enredo criado pela autora nacional Julianna Costa, o Agnus Dei da trilogia A Idade do Sangue, não achei que teria as expectativas superadas. Para ser bem sincera, na época, a temática nem chamava mais tanto a minha atenção, por isso eu acabei o levando para o lado ''leitura avaliativa''. Queria saber melhor sobre qual seria o desdobramento, mas estava totalmente com o pé atrás. Provavelmente receio de ler o mesmo do mesmo, entende?
Mas a Ju foi tão maravilhosa comigo, que eu não poderia deixar a oportunidade passar, ainda mais porque sou uma das que apoiam os escritores brasileiros com afeição. E ainda bem que isso aconteceu; que eu me dei a oportunidade. Agnus Dei foi uma surpresa muito boa... uma leitura difícil de ser esquecida, com características próprias, e uma narrativa criativa e muito instigante. Um prato cheio para os amantes da temática que procuram por algo novo...

Confira a postagem original deste BBHop clicando AQUI.


Gostaria de saber qual seria a sua respostas para essa pergunta. Que tal?
Até logo! 

Oi pessoal, como vocês estão? Mês passado minha coluna não foi publicada porque eu andei muito ocupada (gincana da escola, provas, vestibular...), com um monte de coisas de fim de semestre. Então, primeiramente, eu quero pedir desculpas e dizer que senti falta dos comentários de vocês. Esse mês eu volto com um gênero que, assim como a literatura infantil, pode abranger vários outros gêneros, e que provavelmente todos já devem ter lido algum livro dele, que é o Youg Adult.


Literatura em Movimento: coluna que consiste em apresentar, argumentar e discutir de forma opinativa sobre os mais variados gêneros e movimentos literários existentes. 
Será ofertada mensalmente pela Rafa.



Como o próprio nome sugere, os livros Youg Adults têm como público alvo os jovens adultos, mais especificamente pessoas que tem entre 15 e 29 anos. Dentro do Youg Adult pode ter suspense, romance, sick lit, sobrenatural, policial, chick-lit. De uma forma geral, este livros podem ser de qualquer temática, depende da imaginação e estilo do autor, mas o que todos eles têm em comum são os protagonistas, que estão sempre entre a adolescência e o início da fase adulta, e na maioria das vezes estão tentando enfrentar essa fase taxadas de mais importante e provavelmente a mais difícil da vida.

A principal fórmula dos YAs, além de ter um jovem como protagonista, é a de que eles sempre estão passando por algum problema, só que esses problemas, assim como a temática, variam muito. Estes problemas podem ser um namorado vampiro, ou um amor proibido, a pobreza/miséria, a descoberta que um dos pais pode ser um deus, divórcio dos pais ou até mesmo a morte de algum deles, mudança de um lugar para o outro, ter sido vítima de abuso sexual (tema esse que eu considero um dos mais delicados), entre outros. Muitas vezes o protagonista carrega vários problemas de uma vez só. 

Outro ponto comum nos YAs é que no livro geralmente há um mistério (talvez a palavra certa aqui seja segredo, mas vamos lá), e isso está relacionado com o problema que o protagonista enfrenta/vai enfrentar, tendendo a se estender por alguns capítulos. No entanto, raramente eles se prolongam por mais da metade da história, e em alguns o leitor até sabe do que se trata desde o início, mas precisa saber quando todos vão descobrir, ou o protagonista. Esse fator é o acho mais interessante (não só nos YA books, mas em qualquer livro),k porque o mistério prende o leitor, fazendo com que ele não largue o livro até saber do que se trata, ou o que vai acontecer depois que ele é descoberto.

Abaixo alguns livros YAs conhecidos, ou que eu gosto:
Just Listen: Um dos meus livros favoritos é Just Listen, que conta a história de Annabel, uma garota que tinha a vida perfeita até ser encontrada com o namorado da melhor amiga. Só que ninguém sabe a verdade do que realmente aconteceu naquela noite. Just Listen é definitivamente um livro emocionante, delicado e ao mesmo tempo simples. Super recomendo!
Jogos Vorazes: Entrando também no gênero distopia, Jogos Vorazes conta a história de Katniss, uma adolescente que se oferece para os Jogos no lugar da irmã mais nova. Os problemas enfrentados por Katniss vão da miséria a um sistema opressor. O mistério fica por conta de como os Jogos vão acabar,  e Katniss tem que enfrentar ainda os típicos problemas de adolescentes, como amor, por exemplo.
Soul Love – A Noite o Céu é Perfeito: Li esse livro recentemente e gostei muito! A escrita da autora é simples e lida com dois temas super delicados, cada um a sua maneira. Mas delicados dependendo da perspectiva de cada um. É um livro leve, mas é definitivamente realista e ótimo para se refletir.
Ninguém Como Você: Foi uma das minhas últimas leituras, e embora eu não tenha gostado muito (provavelmente por causa do meu estado emocional), é um livro muito bom. A autora aborda temas como a sexualidade, a amizade e, principalmente, sobre os sentimentos de como um jovem se sente confuso após ficar órfão; de como tudo muda de uma hora pra outra e como é difícil lidar com uma situação dessas.
Crepúsculo: Outro livro/saga que se encaixa em outro gênero, nesse caso os sobrenaturais. Uma das séries de maior sucesso nos últimos anos. Fala de Bella, uma adolescente que precisa lidar com o novo casamento da mãe, além de uma mudança para um lugar que ela odeia, e de quebra se apaixona por um vampiro (mas disso ela nunca se queixou).

Uma coisa muito interessante que eu percebi enquanto pesquisava sobre YA books, foi à quantidade de livros desse gênero que vem sendo lançados nos últimos anos. Provavelmente é o gênero que mais é publicado ultimamente... acho que sendo assim podemos afirmar que os jovens estão lendo mais, o que é uma coisa boa. Outra coisa importante que percebi é que tem livros que podem se encaixar tanto no gênero infanto-juvenil como no Youg Adult, como Harry Potter e Percy Jackson, embora eu sempre tenha considerado essas sagas como infanto-juvenil, mas dá sim para considera-las Youg Adults depois de certo ponto.

E você, já leu algum YA que gostaria de compartilhar comigo?
Até mês que vem, pessoal!


Rafaela Lopes