Nós e o Relicário propomos anteriormente uma pesquisa que trás como análise as principais motivações que levam leitores brasileiros ao consumo de blogs literários. As questões que nortearam essa pesquisa se voltaram principalmente à compreensão dos critérios de decisão do receptor, e as satisfações gratificadas.

Blogosfera literária como uma importante ferramenta de comunicação.

No processo de codificação, os dados (colhidos a partir de um questionário virtual repassado aos que se dispuseram a participar deste diagnóstico) foram examinados e rotulados em categorias com base nas informações interpretadas. Vale salientar que dos 20 entrevistados, 3 estão cursando o ensino médio, 12 estão no ensino superior e 3 já são graduados. No total, 15 possuem blogs literários.

Com a análise, apurou-se que a maioria dos leitores busca a opinião dos blogueiros sobre livros que sejam do seu interesse, motivo a que intitulamos de aprendizagem e aconselhamento. Este é realizado por meio de resenhas ou textos críticos, que sinalizam se o livro pautado merece ou não ser lido, e o porquê. A partir daí surge outro motivo notório, rotulado como integração opinativa, em que os leitores procuram trocar ideias, opiniões e conceitos sobre o que está sendo tratado. Isso geralmente é feio por meio de comentários dentro das próprias publicações, e o receptor é livre para falar o que achar que deve. 

Outro fator predominante é a busca por informações literárias, como lançamentos, indicações, curiosidades sobre gêneros e autores, e eventos ocasionais. A este, demos o nome de vigilância de conteúdo. Já os caçadores de recompensas se referem àqueles que estão sempre buscando participar de promoções para satisfazerem seus desejos de obtenção de um determinado livro, e esta é uma motivação que, embora apareça nos questionários de forma tímida, não poderia deixar de ser observada.

Temos ainda a valorização de imagem, ao qual centra na ideia de que blogs de excelente aparência merecem ser lidos. Nessa categoria levou-se em consideração o fato de que muitos dos leitores buscam personalidade e um caráter próprio, tanto em termos visuais como de conteúdo. E, por último, se comparada com as motivações já assinaladas, passatempo e fuga do tédio mostraram ser as menores em evidência, pois são poucos os que se aparentaram motivados a ler esses blogs apenas por estarem enfadados de suas demais atividades.

Após a exposição dos meios, as gratificações obtidas resultam em duas principais determinantes: se os conteúdos dos blogs literários orientam a decisão de leitura do receptor, ou se o mesmo consome ou adquire livros após a exposição dos meios. As respostas mostraram que a maioria dos entrevistados refletem acerca do conteúdo, que, graças ao seu teor, é considerado relevante o bastante a ponto de provocar, na maioria das vezes, o consumo frequente das obras. Mas há também quem alegue não consumir com afinco, mesmo após a exposição. Para estes, as gratificações dizem respeito apenas para o consumo de informações.

Concluímos, portanto, que esses blogs são cada vez mais visados por leitores assíduos, porque, além de servir como divulgadores de produtos literários – já que a leitura também está relacionada ao consumo –, contribui com o hábito da leitura através de um diálogo constante em torno de livros que vão dos famosos clássicos aos lançamentos modernos. Em outras palavras, a manutenção desse espaço online é feita por fãs e acessada pelo público-alvo de boa parte do que se é oferecido.
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Saliento que o nosso artigo original – desenvolvido através de um trabalho acadêmico para o curso de Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe – está melhor detalhado, e que por isso é enorme. Por questões de espaço tentamos resumir ao máximo as informações para repassarmos o essencial a vocês, mas será um prazer esclarecer quaisquer dúvidas que possam surgir. Gostaríamos ainda de agradecer a todos que participaram da nossa pesquisa. Sem vocês isso não seria possível. Até mais!



O Drops Literário, inicialmente, tinha como proposta a interação conjunta – de toda a equipe do Universo  em uma única postagem. E deu certo! Quem conferiu os dois primeiros posts da coluna viu que a ideia funcionou. Mas, a partir de agora, todos os drops terão (além da minha participação) a colaboração de algum convidado, seja blogueiro ou leitor amigo. A concepção continua a mesma: atingir a todos e dinamizar nossas publicações.


Drops Literário, inspirado no Book Blogger Hop das meninas do Murphy's Library, é uma conversa de caráter transparente que tem como objetivo dinamizar as discussões que andam tomando conta da blogosfera. A intenção é fazer com que todos os nossos leitores interajam e opinem sobre
Sem periodicidade definida.


E a nossa primeira convidada é a Gabriela, do blog Constantes & Variáveis. Foi ela, inclusive, quem propôs o tema dessa conversa. Portamos, aqui estamos para falar um pouquinho sobre as narrativas da ficção literária que trazem como cenário algum momento marcante da história do mundo. Essa é a nossa opinião, e, com ela, algumas breves indicações de obras da literatura estrangeira. Confira!

Cena do filme ''A Menina Que Roubava Livros'', inspirado na obra do autor Markus Zusak.

Fran: Eu particularmente gosto bastante de enredos que trazem como pano de fundo momentos históricos que de fato aconteceram. Isso me dá a oportunidade de escolher por qual época eu irei me aventurar, e eu acabo sempre selecionando aqueles que mais me instigam. Não posso deixar de ressaltar que, claro, essas tramas se sustentam entre uma narrativa histórica e literária, onde o real coopera com a ficção. Assim, nós acabamos tendo em mãos um emaranhado de informações e uma teia de comunicação ampla. Acho que, a depender dos elementos fictícios, essas narrativas só vem a acrescentar... eu as vejo como uma excelente oportunidade de interpretação/explicação do espaço social que um dia marcou a nossa história.

Gabi: A sensação que tenho é de que esse tipo de literatura nos permite ter uma visão melhor de uma época em que não vivemos. Quando você apenas lê fatos e dados em um livro de História, por exemplo, parece algo distante da nossa realidade e por vezes até monótono. Mas se você tem uma história fictícia entrelaçada, parece algo vivo. Você pode até pensar "talvez meus antepassados tenham vivido uma situação semelhante". Foi mais ou menos o que senti lendo A Menina que Roubava Livros, já que a 1ª e a 2ª Guerra levaram muitos europeus a buscar uma nova vida no continente americano, e eu sou descendente dessas gerações que passaram por dificuldades que sequer sonhamos.

Fran: Das leituras que li dentro dessa vertente, posso citar A Vida em Tons de Cinza e O Menino do Pijama Listrado. Ambos, apesar da ideia distinta de desenvolvimento, também se passam na Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial. É um fato que parece instigar a todos, mesmo para aqueles que não curtem muito estudar História. Logo, se aventurar por essas narrativas é uma ótima pedida de aprendizado... e uma forma de vivenciarmos o horror da época, também. Além desses, há outro estilos de obras que nos levam por culturas e sociedades diferentes, a exemplos dos romances históricos. Neles podemos presenciar os costumes de séculos passados; figurinos deslumbrantes; cenários requintados; música impactante em bailes de alta temporada; e uma exorbitante riqueza. É uma overdose cultural, histórica e educativa.

Gabi: Além da obra de Zusak que citei, li Tudo Abaixo do Céu, da espanhola Matilde Asensi. A história se passa na China durante a década de 1920, e contém uma trama cheia de aventura intricada com a cultura e História chinesa. Além disso, conta com um epílogo que acompanha os personagens até os tempos atuais. Então além de um viagem no tempo foi uma jornada pela História Mundial. Até livros mais contemporâneos podem se encaixar nesse contexto, como no caso de Querido John, de Nicholas Sparks. Nesse livro o protagonista é um soldado americano na Guerra do Iraque, e apesar desse marco não ser o foco principal, acaba mostrando momentos do cotidiano desta. O que mais gosto nos livros desse gênero é realmente a oportunidade de acompanhar a vivência de pessoas comuns durantes os períodos que marcaram a história. Como a população lutava para sobreviver enquanto grandes líderes (fossem que fossem) só se importavam com o poder. É só escolher o fato ou a época, e você é transportado para lá.


E você, o que acha das historias reais na ficção literária? Queremos saber a sua opinião!
Até mais!

Olá! É tão bom estar de volta!!!  *-*

Para a primeira postagem de 2014, eu escolhi um livro que abrirá o que eu chamo de 'Temporada Cowboy'. Separei vários livros dessa temática e espero consegui resenhar todos por aqui. Aceito indicações, também.


Literatura de Banca consiste na indicação de livros que, por muitos, são 
vistos como ruins. A recomendação será feita em formato argumentativo,
e terá uma frequência bimensal, publicada pela Luana.


Livro: A Aposta Perfeita
Autor: Jule McBride
Editora: Nova Cultural
Páginas: 123

A história envolve Jonathan West, um cowboy do Oeste que está passando por momentos de solidão, e, Roxana, uma cantora de Heavy Metal que sai de Los Angeles, e acaba compra uma das propriedades de Jonathan.

Um dos amigos de Jonathan o desafia a ficar com Roxana, em troca da fazenda que ele sempre quis. Darla, irmã de Jonathan, informa que Roxana está precisando de uma governanta, e então Jonathan resolve se travestir de senhora para, assim, conseguir entrar na casa da cantora, uma vez que esta não quer ver homens nem pintados de ouro.

Jonathan se apresenta, então, como se fosse a mãe de um amigo, que está sumida há muitos anos, e que todos acreditam estar morta. Após conquistar a confiança de Roxana, e ser contratado como governanta, Jonathan passa-se por Wyatt, homem que ele ajuda a se curar do alcoolismo, para se aproximar da bela mulher. A história toda se complica quando Roxana se apaixona por Wyatt (Jonathan), e se apega à Luise (Jonathan). O que acontecerá quando ela descobrir toda a farsa? Jonathan conseguirá levar a aposta até o fim? 

É um bom livro, e assim como a maioria desses que eu resenho para vocês, é bem rápido e fácil de ler. E o final é tão fofo! Haha. *-*

Até a próxima!

Título: O Duque e Eu (Cortesia cedida pela Editora Arqueiro)
Autor: Julia Quinn
Edição: 1
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
ISBN: 9788580411461 
Nota: 4 de 5

SINOPSE: Simon Basset, o irresistível duque de Hastings, acaba de retornar a Londres depois de seis anos viajando pelo mundo. Rico, bonito e solteiro, ele é um prato cheio para as mães da alta sociedade que só pensam em arrumar um bom partido para suas filhas. Simon, porém, tem o firme propósito de nunca se casar. Assim, para se livrar das garras dessas mulheres, precisa de um plano infalível. É quando entra em cena Daphne Bridgerton, a irmã mais nova de seu melhor amigo. Apesar de espirituosa e dona de uma personalidade marcante, todos os homens que se interessam por ela são velhos demais, pouco inteligentes ou destituídos de qualquer tipo de charme. E os que têm potencial para ser bons maridos só a veem como uma boa amiga. A ideia de Simon é fingir que a corteja. Dessa forma, de uma tacada só, ele conseguirá afastar as jovens obcecadas por um marido e atrairá vários pretendentes para Daphne, afinal, se um duque está interessado nela, a jovem deve ter mais atrativos do que aparenta. Mas, à medida que a farsa dos dois se desenrola, o sorriso malicioso e os olhos cheios de desejo de Simon tornam cada vez mais difícil para Daphne lembrar que tudo não passa de fingimento. Agora ela precisa fazer o impossível para não se apaixonar por esse conquistador inveterado que tem aversão a tudo o que ela mais quer na vida. 

Comentários:

O Duque e Eu é o primeiro livro da série Os Bridgertons, escrito por Julia Quinn. Como gênero, podemos enquadrá-lo como um romance de época caracterizado pelas particularidades dessa vertente literária: romances impossíveis do século passado (ou nem tão impossíveis assim); figurinos deslumbrantes; cenários requintados; música impactante em bailes de alta temporada; e uma exorbitante riqueza.

Darphne e Simon se conheceram na chamada ''temporada'' da belíssima Londres, época em que bailes são promovidos com o intuito das moças solteiras com idade para se casar serem apresentadas aos moços solteiros. A primeira Bridgerton a ter um romance na série de Julia sempre fora muito a frente de sua época, astuta e decidida. Já o duque de Hastings é um rapaz rico, sedutor, mas com sério traumas de infância, já que crescera sem o afeto dos pais.

A trama é característica porque, no geral, foi muito bem construída: linguagem excelente, capitulação mediana, ótimos ganchos e passagens, e narrado em terceira pessoa com a visão dos dois personagens centrais. A história ganhou vida porque a escrita da autora é tão dinâmica, que a impressão é que estamos observando cada cena com precisão. Outra fator verossimilhante são os personagens, que conquistam por suas personalidades fortes. Todos são muito notórios, principalmente a mãe de Darphne, Violet, e o irmão dela e melhor amigo de Simon, Anthony. Se apresentaram com o comportamento da época, e, ao mesmo tempo, com um tom descontraído e característico.

Uma das coisas que me agradou foi a forma como a escritora decidiu iniciar os capítulos do livro, todos por meio de crônicas de uma coluna social de fofocas da época. Elas são escritas por uma Lady que mostra saber de tudo que se passa entre as notáveis famílias londrinas, mas, aparentemente, ninguém a conhece. O mais bacana é que essas notas dão uma breve indicação do que encontraremos a seguir. A ideia deu tão certo, que o epílogo termina com a mesma pessoa escrevendo uma nova ''notícia'' para a sociedade, deixando uma ponta solta para o que estaria por vir. Muito bom!

Gostaria de destacar um outro ponto bacana do livro. Apesar da história centrar na família Bridgertons, no prólogo da trama temos de forma resumida a história do Simon, desde o seu nascimento. Sua infância o marcou, e não foi de uma forma totalmente positiva. É a partir daí que passamos a entender mais ou menos o porquê dele prometer a si mesmo que jamais casaria. A autora faz esse relato de forma objetiva, sem devaneios, mas igualmente bem explicado.

Apesar de previsível e um pouco clichê – pois de fato a fórmula de estruturação da trama transpareceu ser repetitiva (dentro dessa vertente literária) –, a história mostra ser inteligência e com ótimas tiradas de humor no desenrolar dos fatos. Com isso, Julia Quinn consegue prender o leitor. Confesso também  que, mesmo acreditando que este romance não duraria muito, acabei sedendo e torcendo muito pelo casal protagonista.

Assim, eu indico o livro aos aspirantes dos romances clássicos, principalmente aos que estão se aventurando no gênero pela primeira vez. Essa será uma excelente forma de conhecer essa descontraída e deliciosa vertente recheada de amor, paixão e muitas conquistas. 

Trecho:

– Anthony, você deve saber que essa é uma das coisas mais tolas que já disse. O duque pode ter sido um libertino, e imagino que ainda possa ser, mas ele jamais me seduziria. Nem que fosse apenas pelo fato de eu ser sua irmã. (Pag. 123)