"Siga seus instintos. É aí que a verdadeira sabedoria se manifesta." 
(Oprah Winfrey)

Nina Sankovitch
Neste dia especial, gostaria de poder homenagear uma infinidade de personalidades femininas, seja àquelas que amo, ou as guerreiras que me inspiram a cada dia, ou ainda as personagens cativantes que conheci em universos paralelos (com o mundo cinematográfico, literário, das séries de TV, etc). Mas decidi ceder espaço neste dia internacional da mulher à americana Nina Sankovitch, atualmente com 51 anos.

Para quem não sabe, Nina é uma escritora famosa por sua história singular com a leitura. Após perder sua irmã mais velha para o câncer, Nina percebeu que precisaria de terapia para superar sua perda, e decidiu que seria através dos livros que ela encontraria seu caminho no mundo. Foi aí que surgiu a ideia de ler um livro por dia, durante um ano. E tem mais! Cada livro seria resenhado e publicado diariamente em um blog criado para que ela pudesse compartilhar com os demais suas experiências de leitura. Na época, Nina já era casada e tinha quatro filhos.

Sua maratona de leitura iniciou em 28 de outubro de 2008, em seu 46º aniversário (mesma idade em que sua irmã morreu, há praticamente três anos dessa data). Parte dessa história encontra-se no livro ''O Ano de Leitura Mágica'' (minha leitura atual, inclusive). Nele, ela é narradora, personagem e autora. Um história que nos mostra um exemplo verossimilhante de como é possível mudarmos nossas prioridades em prol de algo que desejamos conquistar (frisando, claro, que ela teve total apoio da família para desenvolver esse projeto de leitura); um exemplo de que é possível conciliarmos nossas atividades (neste caso, Nina tinha que lidar com os filhos, com o marido, com o fato de ser dona de casa, e ainda ter tempo para dedicar-se a intensiva leitura); um exemplo de que tudo na vida requer que algumas coisas sejam abdicadas, ao mesmo tempo em que devemos crer que para tudo existe um propósito. 

Nossa personagem precisou abandonar velhas distrações, passou a ver menos as amigas e demais conhecidos, e abandonou antigos hobbies para poder ler mais durante um ano inteiro. Sua história me chamou tanto a atenção, que eu não pude deixar de prestar essa homenagem simples, de modo que meu desejo é que outros se inspirem na história dela para realizem seus desejos e metas pessoais.

Quem quiser saber mais sobre a Nina (sua história com a leitura, a perda da irmã, sua trajetória literária e demais curiosidades), fica a indicação do livro (mais comentários a respeito em breve!), ou então acesse o blog da autora. Ah, ela também tá no twitter! Links abaixo:


Um feliz dia internacional da mulher a todas vocês!!! Que este dia promova, acima de tudo, uma reflexão justa sobre o papel da mulher na sociedade, suas lutas e conquistas. E que venham mais batalhas! Até mais!

Todo mundo sabe da importância que a leitura tem o cultivo da autonomia de pensamento, e as bibliotecas são ótimos espaços para a difusão de informação. Mas nem todos costumam frequentar esses espaços, seja por hábito, por falta de oportunidade ou pela carência de bibliotecas em sua cidade. 

Vale ressaltar também que grande parte dos leitores prefere adquirir determinado título para si ao invés de pegar emprestado em um local público como este. Mas não podemos negar é que esses espaços ainda são considerados por muitos essenciais para o cumprimento das metas de aprendizagem, pois além de facilitar o acesso ao conhecimento, proporcionam ainda toda a concentração necessária para uma leitura agradável, além do incentivo e o contato com inúmeros livros. Saliento ainda que as bibliotecas são patrimônios culturais inspiradores, e que sua importância vai além do conceito que já temos em mente.

Aqui no Brasil existem algumas bibliotecas reconhecidas por sua (própria) história e importância no universo do conhecimento. Uma delas é a Real Gabinete Português de Leitura, considerada uma das 30 bibliotecas mais famosas do mundo. Ela localiza-se no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Apesar de surgir em 1837 através de um grupo de imigrantes portugueses, o Gabinete só começou a ser projetado de fato no ano de 1880 por Dom Pedro II e a Princesa Isabel. A inauguração oficial foi em 10 de setembro de 1887.

Fonte: google imagens.

A biblioteca do Real Gabinete é notória porque possui a maior coleção de obras portuguesas fora de Portugal. Entre os mais de 300 000 volumes, nacionais e estrangeiros, encontram-se obras raras, como um exemplar da edição "princeps" de Os Lusíadas de Camões (1572), além de expor uma belíssima coleção de pinturas de seu país de inspiração. Todos os dias é estimado uma média de cento e cinquenta visitantes. 

Mas nem só de flores viveu a instituição. A década de 50 foi de grandes dificuldades financeiras para a biblioteca. Segundo registros histórico, os ''Gabinetes de Leitura'' nunca eram lembrados pela maioria dos benfeitores. As suas despesas eram rateadas pelas diretorias, e só muito depois o governo português, na época do antigo regime, concedeu subsídios para amenizar a crise que ameaçava a instituição. 
''Foi preciso mudar a sistemática anterior em vários sentidos: primeiro, para dar mais dinamismo às suas atividades, criou-se em 1969, na gestão do Presidente António Pedro Martins Rodrigues, o Centro de Estudos, onde passaram a ser ministrados sistematicamente cursos e conferências a cargo de professores universitários. [...] Depois fizeram-se as campanhas financeiras para resgatar o Real Gabinete da situação de penúria e dar-lhe meios para subsistir. Nos anos mais recentes o seu quadro social, antes constituído só de portugueses, passou a receber cidadãos de outros países de língua portuguesa e, a esta altura, várias empresas brasileiras  como por exemplo o Banco Itaú que financiou todo o processo de informatização da biblioteca  já contribuem para o desenvolvimento do Real Gabinete, a formação do centro de multimídia cultural, o restauro do edifício, etc''. (COSTA, A. Gomes da. Catedral da Cultura Portuguesa. Disponível em: <http://www.realgabinete.com.br>. Acesso em: 5 de março de 2014)
E outras entidades, como a própria Biblioteca Nacional, além de empresas portuguesas, vem permitindo ao Real Gabinete o desenvolvimento de outras atividades, como a recuperação de obras raras danificadas pelo tempo por meio da restauração, por exemplo. Além disso, a biblioteca é responsável por editar a revista Convergência Lusíada (de periodicidade semestral), contribuindo ainda como a organização de cursos sobre Literatura, Língua Portuguesa, História, Antropologia e Artes, destinados principalmente a estudantes universitários. 

No atual mundo convergente, parece que as bibliotecas precisam se reinventar para chamar a atenção. Um espaço que, na realidade, deveria ser notado com mais afinco. Portanto, fica a dica para àqueles que gostam de visitar lugares históricos. Para os que são da cidade do RJ, esta é uma ótima pedida. Para os que não são, como eu, que tal buscarmos em nossa cidade algum ambiente de leitura para conhecermos sua história (e luta pela disseminação de ideias)? Afinal, as bibliotecas foram as grandes incentivadores na difusão de leitura e conhecimento em nosso país.

Algumas informações:
Localiza-se na rua Luís de Camões, 30. Centro - Rio de Janeiro - RJ
Telefone: (21) 2221-3138 
E-mail: gabinete@realgabinete.com.br 
Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas.


Referências:

Confira as novidades para este mês da nossa parceira, a  Editora Arqueiro!


As Mentiras de Locke Lamora, por Scott Lynch

O Espinho é uma figura lendária: um espadachim imbatível, um especialista em roubos vultosos, um fantasma que atravessa paredes. Metade da excêntrica cidade de Camorr acredita que ele seja um defensor dos pobres, enquanto o restante o considera apenas uma invencionice ridícula. Franzino, azarado no amor e sem nenhuma habilidade com a espada, Locke Lamora é o homem por trás do fabuloso Espinho, cujas façanhas alcançaram uma fama indesejada. Ele de fato rouba dos ricos (de quem mais valeria a pena roubar?), mas os pobres não veem nem a cor do dinheiro conquistado com os golpes, que vai todo para os bolsos de Locke e de seus comparsas: os Nobres Vigaristas. O único lar do astuto grupo é o submundo da antiquíssimo Camorr, que começa a ser assolado por um misterioso assassino com poder de superar até mesmo o Espinho. Matando líderes de gangues, ele instaura uma guerra clandestina e ameaça mergulhar a cidade em um banho de sangue. Preso em uma armadilha sinistra, Locke e seus amigos terão sua lealdade e inteligência testadas ao máximo e precisarão lutar para sobreviver.


Uma Carta de Amor, por Nicholas Sparks

Há três anos, a colunista Theresa Osborne se divorciou do marido após ter sido traída por ele. Desde então, não acredita no amor e não se envolveu seriamente com ninguém. Convencida pela chefe de que precisa de um tempo para si, resolve passar férias em Cape Cod. Durante a semana de folga, depois de terminar sua corrida matinal na praia, Theresa encontra uma garrafa arrolhada com uma folha de papel enrolada dentro. Ao abri-la, descobre uma mensagem que começa assim: ''Minha adorada Catherine, sinto a sua falta, querida, como sempre, mas hoje está sendo especialmente difícil porque o oceano tem cantado para mim, e a canção é a da nossa vida juntos.'' Comovida pelo texto apaixonado, Theresa decide encontrar seu misterioso autor, que assina apenas ''Garrett''. Após uma incansável busca, durante a qual descobre novas cartas que mexem cada vez mais com seus sentimentos, Theresa vai procurá-lo em uma cidade litorânea da Carolina do Norte. Quando o conhece, ela descobre que há três anos Garrett chora por seu amor perdido, mas também percebe que ele pode estar pronto para se entregar a uma nova história. E, para sua própria surpresa, ela também. Unidos pelo acaso, Theresa e Garrett estão prestes a viver uma história comovente que reflete nossa profunda esperança de encontrar alguém e sermos felizes para sempre. 


Confira também os lançamentos das Editoras Sextante e Saída de Emergência Brasil.  ;)


Título: O Visconde Que Me Amava (Cortesia cedida pela Editora Arqueiro)
Autor: Julia Quinn
Edição: 1
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
ISBN: 9788580411973 
Nota: 4 de 5

SINOPSE: A temporada de bailes e festas de 1814 acaba de começar em Londres. Como de costume, as mães ambiciosas já estão ávidas por encontrar um marido adequado para suas filhas. Ao que tudo indica, o solteiro mais cobiçado do ano será Anthony Bridgerton, um visconde charmoso, elegante e muito rico que, contrariando as probabilidades, resolve dar um basta na rotina de libertino e arranjar uma noiva. Logo ele decide que Edwina Sheffield, a debutante mais linda da estação, é a candidata ideal. Mas, para levá-la ao altar, primeiro terá que convencer Kate, a irmã mais velha da jovem, de que merece se casar com ela. Não será uma tarefa fácil, porque Kate não acredita que ex-libertinos possam se transformar em bons maridos e não deixará Edwina cair nas garras dele. Enquanto faz de tudo para afastá-lo da irmã, Kate descobre que o visconde devasso é também um homem honesto e gentil. Ao mesmo tempo, Anthony começa a sonhar com ela, apesar de achá-la a criatura mais intrometida e irritante que já pisou nos salões de Londres. Aos poucos, os dois percebem que essa centelha de desejo pode ser mais do que uma simples atração.

Comentários:

''Se existe uma temática que vicia, são os romances históricos.'' Sofisticado, doce, com belíssimos cenários e um humor inteligente incontestável. Assim é O Visconde Que Me Amava, o segundo livro da série Os Brigdertons, de Julia Quinn

Desta vez temos como protagonista o primogênito da família, Anthony Bridgerton, que enfim decidiu se casar mesmo prometendo a si mesmo não sentir amor pela bela moça escolhida. Seus propósitos estão relacionados com o fato dele acreditar que não viverá muito tempo, já que seu pai os deixou muito cedo. Anthony tinha uma afeição singular pelo pai, e sua falta é algo que o inquieta até hoje.

Em meio aos bailes da alta temporada, Edwina Sheffield torna-se sua mais forte candidata. A jovem, também órfã de pai, mora com a mãe e a meia-irmã mais velha, Kate. As duas são tão amigas, que Edwina sempre leva em consideração os conselhos da irmã, mesmo ela ainda sendo solteira e inexperiente – e ainda assim extremamente inteligente; nada manipulável. Isso é levado tão a sério, que todos os pretendentes da mais nova tentam agradar Kate a qualquer custo para obterem êxito no cortejo.

Logo, eis que o mais novo interessado em Edwina – e o mais cotado entre todas as mães cujas filhas estão na idade de se casar – é desaprovado por Kate devido a sua (má) fama de libertino. Como se não bastasse, em todas as festas que ambos estão, Anthony faz questão de ser implicante a ponto de atiçar ainda mais a antipatia da moça. Mas a verdade é que Kate se esquece de prestar mais atenção em si mesma para o bem da irmã, e acaba não percebendo que toda essa vontade de tomar partido por Edwina poderia se transformar em uma forma de se envolver demais com o homem que ela decidiu odiar.

Tanto O Duque e Eu como O Visconde Que Me Amava possuem o mesmo segmento, com características semelhantes (tanto na estrutura da narrativa como em termos técnicos, a exemplo de suas capitulações, sempre medianas e com ótimos ganchos), mas seus respectivos desenvolvimentos são bem diferentes; uma evolução muito agradável, inclusive. Isso me satisfez bastante porque, diferente do livro anterior, neste eu não sabia muito o que esperar, ou o que encontraria exatamente no desfecho. Algumas coisas são óbvias, claro, e essa é uma características própria do tema, mas no geral houve um desenrolar que amadureceu muito a cada capítulos.

Por exemplo: ambos os protagonistas possuem um trauma de infância, e isso é trabalhado de forma tímida ao longo do livro, mas igualmente essencial para a evolução do casal. Essas fraquezas e medos se tornaram o ponto chave para a aproximação de ambos, fazendo com que eles se conhecessem melhor e, a princípio, se tornassem amigos. Mas, como se não bastasse, as coisas tendem a tomar um rumo diferente... bem, como diria Lady Whistledown (sim, as maravilhosas crônicas da desconhecida continua!), ''sempre há um escândalo numa reunião em uma casa de campo'' (p. 165).

Uma coisa que gosto muito é a forma como Julia Quinn nos remete a vida dos personagens, e principalmente o modo como eles são apresentados. Nenhum é deixado de lá, ou simplesmente esquecido. É tanto, que nosso querido primeiro casal, Daphne e Simon Basset, dão o ar da graça neste volume... de forma bem descontraída, inclusive. O fato da série estar voltada para os irmãos Brigdertons também contribui para isso, mas é a Julia quem decide como essas personalidades se desenvolverão, e isso está sendo muito bem levado adiante.

Para os curiosos de plantão, observo ainda que minha preferência está no casal do livro anterior. Na realidade, aspectos diferentes me agradaram em ambos os casais. A química de Daphne e Simon (até o momento) é sem igual, e por isso as cenas deles foram mais envolventes para mim. Em compensarão, a construção do romance de Kate e Anthony foi mais verossimilhante, evoluindo aos poucos a medida que ambos se aproximavam. São um pouco diferentes, e certamente quem leu ambos os livros deve ter notado esse aspecto díspar de grau de envolvimento.

Essa é uma história gostosa de ser lida, que com certeza irá agradar aos fãs dos romances clássicos. Eu adorei a nova experiência, e indico com muito gosto. [...] Mal posso esperar pela continuação, intitulado de Um Perfeito Cavalheiro. O que será que Lady Whistledown tem para nos contar acerca do casal da vez?

Trecho:

''Por um momento inteiro, Kate manteve-se em silêncio. Era verdade, ela não se sentia disposta a gostar daquele homem. Com certeza não permitiria que ele cortejasse Edwina. Não acreditava. Não acreditava nem por um segundo que ex-libertinos dessem bons maridos. Nem tinha certeza de que poderia existir um ex-libertino, para começo de conversa.'' [P. 41]