Quem nunca ouviu falar de Clarice Lispector? Impossível. A ucraniana naturalizada brasileira é nacionalmente conhecida, seja por sua história acentuada na literatura e no jornalismo, seja por suas passagens e reflexões marcantes reproduzidas até os dias de hoje. Mas nem todos sabem a fundo como se deu seu trabalho na imprensa e no mercado editorial. Muitos também não possuem conhecimento da sua escrita peculiar e de como seu trabalho era desenvolvido.

Foi pensando nisso que a Editora Rocco publicou uma coleção chamada Clarice na Cabeceira, dividida em quatro livros (Jornalismo, Crônicas, Contos, Romances). Destinado aos curiosos e aficionados em Clarice, essa coleção oferta uma bárbara coletânea de memórias da escritora... um trabalho incrível e que vale a pena ser lido – inclusive, eu tive a oportunidade conferir um deles recentemente, o do jornalismo, e o recomendo demais aos interessados, porque, além de trazer muitos dos textos da autora, é recheado de curiosidades e nostalgia.

Segue abaixo a lista dos livros acompanha de suas respectivas sinopses como indicação para aqueles que ainda não conhecem, ou sabem muito pouco a respeito.


Clarice na Cabeceira: Jornalismo

Uma das maiores escritoras brasileiras, Clarice Lispector, enquanto trabalhava sua ficção, manteve intensa atuação na imprensa, para a qual escreveu cerca de cinco mil textos, entre fragmentos de ficção, crônicas e colunas femininas, para diversos jornais e revistas, e realizou mais de 100 entrevistas, a primeira delas, em 1940, com o poeta Tasso da Silveira. Organizado pela pesquisadora Aparecida Maria Nunes, Clarice na Cabeceira − Jornalismo é uma amostra dessa atividade. Com textos inéditos, a coletânea traça um panorama do jornalismo brasileiro, a partir da produção de Clarice Lispector para a imprensa.

Clarice na Cabeceira: Crônicas

Reunião de vinte textos escolhidos por convidados afeitos à obra de Clarice Lispector, Clarice na Cabeceira − Crônicas apresenta uma leitura selecionada de narrativas curtas publicadas entre 1962 e 1973, na revista Senhor e no Jornal do Brasil, e posteriormente agrupadas nos livros ''A descoberta do Mundo e ''Para Não Esquecer''. Abordando temas tão diversos quanto as memórias da infância, a vida, a morte, o amor, o ato de escrever, o silêncio, a maternidade e a indignação, as crônicas ganham sabor especial quando apresentadas por amigos e admiradores de Clarice, que compartilham o impacto da escritora e de sua obra em suas vidas, como Eduardo Portella, Ferreira Gullar, Marília Pêra, Maria Bonomi e Naum Alves de Souza, entre outros. Com organização de Teresa Montero, este livro é a oportunidade de conhecer ''perfeitos momentos da literatura brasileira moderna''. 

Clarice na Cabeceira: Contos

Este é um livro de contos selecionados por leitores. Uma seleção de contos de autora apresentados por 22 pessoas do cenário cultural, como os escritores Luis Fernando Verissimo e Rubem Fonseca, o crítico José Castelo, a cantora Maria Bethânia, as atrizes Fernanda Torres e Malu Mader, e o diretor Luiz Fernando Carvalho. Cada conto é acompanhado de um texto onde eles revelam o quanto as palavras de Clarice Lispector têm repercutido em suas vidas. "Escrevi livros que fizeram muitas pessoas me amar de longe", afirmou certa vez a autora. Clarice na Cabeceira − Contos é uma prova vida disso. 

Clarice na Cabeceira: Romances

Considerada pela crítica brasileira e estrangeira como uma das maiores escritoras do século XX, Clarice Lispector criou histórias densas, protagonizadas por personagens que são ao mesmo tempo fortes e repletos de fragilidades. Clarice na Cabeceira – Romances reúne não apenas fragmentos dessas obras, mas histórias que revelam a busca, como a autora mesma dizia, pelo que está "atrás de detrás do pensamento". Seguindo a linha dos sucessos Clarice na Cabeceira, a nova seleção traz o olhar ao mesmo tempo especializado e sensível do jornalista José Castello, organizador da coletânea, e funciona como porta de entrada para a obra de Clarice, assim como uma oportunidade de tê-la sempre à mão.


Espero que tenham gostado.
Até mais!

Oi pessoal, tudo bom? Este mês eu vim falar de um movimento literário que eu adoro (é um dos meus favoritos), o Romantismo.


Literatura em Movimento: coluna que consiste em apresentar, argumentar e discutir de forma opinativa sobre os mais variados gêneros e movimentos literários existentes.  
Escrito pela Rafa, e de periodicidade bimensal.

O Romantismo foi um movimento que nasceu na Alemanha, Itália e Inglaterra, mas que só ganhou força mesmo na França. Foi através dela que o movimentou espalhou-se pelo restante da Europa até chegar nas Américas. O Romantismo, assim como quase todos os outros períodos culturais, não prendeu-se apenas à literatura, mas estendeu-se a correntes filosóficas, as artes plásticas e até musicais.


Embora o nome Romantismo sugira amor e paixão, o movimento é muito variado em seus temas. Ele fala de nacionalismo, história, amor platônico, revolução, individualismo, religião, criação e assim por diante. Uma coisa perceptível nas obras do Romantismo, é que vários autores usavam uma história de amor para denunciar problemas da sociedade, afinal nada como uma bom enredo trágico de amor para levar a ''massa'' à leitura – aliás, essa é uma característica que ainda é bastante usada, até mesmo por autores de novelas. No entanto, nem sempre possuem o ''efeito'' desejado, como talvez fosse naquela época, às vezes por falha do autor, às vezes por falha de interpretação do público.

Na minha opinião o livro que mais representa o Romantismo é ''Os Miseráveis'' de Victor Hugo, já que o tema pode depender da interpretação de cada um. Pode parecer que se trata de um retrato da Revolução Francesa pra uns, para outros uma história em que o amor pode sobreviver a tudo, ou ainda uma história sobre o quanto o amor de mãe pode ser forte... a verdade é que o romance tem diversas histórias entrelaçadas, cada uma com uma característica do movimento. Não seria, afinal, Javert uma representação do egoísmo, e até mesmo do nacionalismo? E para quê melhor representação de revolução do que esta cena AQUI ou de amor platônico que essa AQUI?

O Romantismo no Brasil

No Brasil, o Romantismo teve sua marca de chegada após a publicação do livro de poemas ''Suspiros Poéticos e Saudades de Gonçalves de Magalhães''. Porém, meus autores favoritos são Joaquim Manuel de Macedo e José de Alencar.


Fases do Romantismo

Primeira geração: conhecida como nacionalista ou indianista, como o nome sugere. Prevalece o culto da nação nas obras, e o maior marco de tal característica é a Canção do Exílio de Gonçalves Dias.
Segunda geração: conhecida com ultrarromântica ou mal do século. Inspirada na poesia byroniana, tem como características o egoísmo e o estilo de vida boêmio, o maior representante da geração ultrarromântica foi Álvares de Azevedo.
Terceira geração: conhecida como condoreira. É voltada para o social e tem como maior representante o poeta Castro Alves.


Espero que tenham gostado.
Até mais, pessoal!

Outro dia eu estava passeando pelas páginas da seção ''folhinha'', do portal Folha de S. Paulo, e me deparei com uma manchete um tanto curiosa. Ela dizia: A história de Percy Jackson é ruim e confusa, diz garoto de 11 anos. A matéria é nada mais nada menos que uma resenha do menino Bruno Napoleão, que descreve de forma objetiva sua total insatisfação com a trama do garoto que descobriu ser filho do Deus Poseidon.

Com uma breve introdução sobre o que se trata a famosa saga que vendeu mais de um milhão de livros no Brasil (popular também por sua adaptação cinematográfica), o texto é de se admirar porque Bruno faz questão de assinalar seus principais descontentamentos durante sua leitura. Ele comenta que a história é bizarra, confusa, e que o humor de Rick Riordan, autor da série em livros, é chato e nada instigante. E, veja bem, este garoto tem apenas 11 anos.

Para os curiosos de plantão, segue o link da matéria: folha.uol.com.br/folhinha

O que mais me chamou a atenção não foi o fato do menino ter apenas 11 anos e descrever tão claramente sua opinião sobre o livro pautado. O que me impressionou foi a audácia de fazê-lo. Bruno não recomenda aos fãs da saga a leitura de sua resenha, porque prevê a reação de muitos deles (ou não). E é justamente por isso que eu estou aqui, para comentar o fato de que, infelizmente, muitas pessoas não sabem levar na esportiva uma opinião negativa sobre um livro.

''Antes de fazer alguma coisa, pense,
quando achar que já pode faze-la ,
pense novamente.'' (Pitágoras)
O que te impede, blogueiro, de comentar negativamente sobre uma leitura? Seu público leitor? A editora parceira? Não. Não deveríamos se ater a esses motivos. Devemos ser livres e opinarmos com consciência, e com respeito! Mas o que se vê, tanto na blogosfera como nas demais redes sociais, são pessoas que não aceitam a crítica negativa, e que ''surtam'' através de xingamentos e ofensas desnecessárias. 

Se eu tenho um blog, seja lá sobre qual assunto for, é porque eu desejo compartilhar a minha opinião com demais pessoas que se interessem pelo assunto abordado (pelo menos é o que subtende-se). Se você amou um livro de paixão e eu não, é seu direito, assim como é o meu, também. Cabe a nós compartilharmos nossas experiências literárias e dizermos o porquê de se ter gostado ou não... afinal, cada um possui um olhar sobre o mundo.

Eu acredito que nenhuma obra é totalizada. Sempre satisfará a alguns, e a outros não. Como tudo na vida...

Antes de concluir, gostaria de deixar bem claro que sou contra a todo e qualquer preconceito literário. Odeio ofensas! E acho ainda que ninguém deveria falar mal de determinada obra sem ao menos tê-la experimentado. Convenhamos que não é nada justo. Porém, no caso do Bruno, há a explicação do porquê Percy Jackson foi uma decepção para ele, pois houve a oportunidade de leitura e de avaliação de acordo com sua perspectiva. Qual a carga literária que esse garoto tem para dar uma opinião negativa sobre o livro? Mas também o que te impede disso? É mesmo preciso ser formado em crítica literária, ler clássicos ou estudar letras para expor sua opinião sobre uma determinada obra?

Bruno expôs sua opinião, nada mais que isso. Talvez algum fã da série tenha se sentido ofendido, mas talvez alguém tenha considerado sua opinião e pensado a respeito. Quem não concorda, seja neste ou em qualquer outro caso, deveria sentir a necessidade debater, e não de afrontar. Ofensas a troco de quê mesmo?

Por isso, caros colegas, sintam-se livres, assim como o Bruno. Exercitem seu poder de argumento e expliquem suas satisfações e descontentamentos. Sejamos mais respeitosos com a opinião do outro, e busquemos mais harmonia. E, tem mais! Não deixem de ler determinado livro que te chama à atenção por preconceito literário. Leia o que aflora o seu pensamento e o que te faz vibrar. Viva esse momento da sua vida, e lembre-se que se ao fim àquilo não foi o que você exatamente esperava, ao menos foi dada a chance de conviver com uma experiência nova que exercitará seu senso crítico e criativo. Leia, porque é isso o que importa! 


Título: O Ano de Leitura Mágica
Autor: Nina Sankovitch
Edição: 1
Editora: Leya
Páginas: 292
ISBN: 9788580442656
Nota: 4 de 5

SINOPSEVocê seria capaz de ler um livro por dia durante um ano? Essa foi a promessa que Nina Sankovitch fez a si mesma após perder a irmã mais velha para o câncer. Embora precisasse cuidar dos quatro filhos, do marido, e ainda ter que lidar com os percalços que fazem parte do cotidiano de uma grande família, Nina cria uma jornada para si mesma: ler um livro por dia durante um ano inteiro, e resenhar um por um. Nesse verdadeiro sonho literário, nossa heroína descobrirá que o ano de leitura mágica mudará tudo ao seu redor.

Comentários:

Nina Sankovitch compartilha em ''O Ano de Leitura Mágica'' sua vida em fragmentos mesclada à sua paixão pelos livros. Essa é uma história real que promete sensibilizar qualquer leitor aficionado, e posso afirmar que comigo seu propósito foi totalmente cumprido.

Nina faz parte de uma família devota à literatura, uma paixão singular que fez com que ela se remetesse a um (intenso) projeto de leitura à procura de fuga e um caminho para o mundo. Após perder para o câncer sua irmã mais velha, Anne-Marie, Nina (ela é a do meio de três irmãs) passa a repensar em sua vida, na importância de sua família, e no quanto as coisas perderam o rumo e sentido com a doença de Anne.

É no seu aniversário de 46 anos (mesma idade em que sua irmã se foi, há aproximadamente três anos), que Nina inicia sua longa jornada pelo universo literário. Sua meta consiste em ler um livro por dia, durante um ano. E, além, disso, todos os livros precisam ser resenhados e publicados em um blog... essa seria a forma ideal de compartilhar com demais leitores suas experiências literárias.

E assim se dá o desenvolvimento da narrativa. Nina nos conta como foi ter que dividir seu tempo diário entre a leitura, a escrita, os filhos (ela tem quatro meninos) e seu marido, uma rotina corrida que exigiu a abdicação de muitos outros hobbies/afazeres. Ao mesmo tempo em que ela faz isso, memórias do passado vêm à tona, seja de momentos com suas irmãs (principalmente Anne-Marie) ou com seus pais, seja de leituras passadas.

O ponto alvo do livro, definitivamente, está nas passagens maravilhosas que Nina escreve. São muitos quotes excelentes, todos repletos de nostalgia... são memórias que até parecem ser do leitor, além de trechos sobre a importância dos livros em sua vida. Sua escrita pessoal contribui para que sejamos transportados para a sua história, e para que consigamos repensar sobre nossas atitudes, nossas atividades, nossa rotina e, principalmente, nossas prioridades.

Nina precisava cumprir essa meta porque descobriu que isso a deixaria mais perto de Anne-Marie, ao mesmo tempo em que a confortaria, além de trazer novos conhecimentos, viagens, reflexões... talvez alguns não entenderiam a importância incumbida nos livros, mas o fato é que ela saiba o quanto isso era essencial para ela. Apesar das dificuldades na execução de seu projeto, o cumprimento foi um sucesso em todos os sentidos.

Outra coisa bacana é que alguns dos livros são basicamente descritos, ditos de forma marcante e o porquê. Ela ratifica a necessidade de ler livros bons (seja lá de qual tamanho for) para que não haja tempo perdido com leituras maçantes. A busca por boas histórias, bem como a seleção de obras e gêneros também são tratados ao longo do narrativa.

Uma coisa que não me agradou tanto, todavia, foi a estrutura adotada pela autora. A capitulação do livro é mediana e a escrita de Nina é bastante envolvente, mas no geral a coerência do livro é um pouco confusa. Ela vai do presente ao passado com muita facilidade, e isso às vezes incomoda no andar da leitura. Outra coisa que pode vir a enfadar o leitor é o fato dela dar muita prioridade aos fatos corriqueiros e familiares, quando muitos podem estar a procura apenas da sua vivência literária, ou buscando mais comentários sobre os livros que ela leu. Eu confesso ter esperado um pouco mais disso, sim. Mas, no geral, não acredito que esse fato tenha sido de um todo negativo.

Esse é o tipo de história que chama a atenção por sua particularidade. Ela mostra um exemplo verossimilhante de como é possível mudarmos nossas prioridades em prol de algo que desejamos conquistar. Recomendo para os amantes da leitura assídua que gostam de histórias cotidianas.