Hoje é dia de Drops Literário, e o convidado da vez é o Ronaldo Gomes, do blog Livro Sobre Livro.


Drops Literário, inspirado no Book Blogger Hop das meninas do Murphy's Library, é uma conversa de caráter transparente que tem como objetivo dinamizar as discussões que andam tomando conta da blogosfera. A intenção é fazer com que todos os nossos leitores interajam e opinem sobre.
Sem periodicidade definida.


O assunto debatido aqui é bastante propício aos blogueiros literários que sempre possuem consigo uma lista infinita de leituras a serem realizadas, como nós; e aos demais leitores assíduos e suas incansáveis metas de leitura. Convidamos você também a participar dessa discussão saudável dando o seu parecer sobre o tema. Ressalto ainda que a escolha desta abordagem foi inspirada em uma das reflexões do jornalista e editor de livros da Revista Época, Danilo Venticinque. Vamos lá!?

"As palavras pesam muito." (A Menina Que Roubava Livros)

Fran: Em um país onde leitores frequentes ainda são considerados insuficientes, muitas pessoas parecem viver de livros, sejam elas donas de blogs ou não. São leitores frenéticos e assíduos, e essa insaciável sede reflete essa realidade. As chamadas ''metas literárias'' também contribuem para o aumento significativo de leituras, e isso (parece) está se tornando cada vez mais eficaz no que diz respeito à redução da infindável lista de livros a serem lidos. Mas a preocupação de muitos estudiosos está em como essas leituras têm sido desenvolvidas, porque a ansiedade que muitos de nós possuímos para realizar tantas leituras, às vezes, atrapalha a nossa capacidade de reflexão sobre o que se está lendo. Por isso o ''como você lê importa muito mais do que quanto você lê'', pois a frase nos remete a uma reflexão sobre nossos atos enquanto leitores, para pensarmos melhor no que estamos buscando ao realizar determinadas leituras; para que nossas gratificações sejam alcançadas; para que o nosso poder de concentração e pensamento sejam aproveitados. Não deixemos de consagrar nossas leituras por conta da incansável vontade de realizar tantas outras. E eis o grande clichê: quantidade nunca foi qualidade... somos leitores porque lemos, independente do tipo de leitura, e não pela quantidade de coisas que lemos. Matutemos sobre isso.

Ronaldo: O desejo incontrolável de ler um livro atrás do outro não é dos maiores ''pecados literários''; é até uma virtude, se pensarmos direitinho. Mas como toda ação tem uma reação, as metas literárias, muitas vezes, acabam se tornando um empecilho na vida do leitor. É bem verdade que traçar metas é um modo eficaz de manter um ritmo padrão e constante nos seus ''objetivos literário'', porém, quando a importância da qualidade é ofuscada pela importância da quantidade, temos um grande problema. Ora, se o valor real de ter uma obra em mãos e lê-la é entrar em um universo paralelo e se proporcionar momentos de prazer, por que deixar a exigência de ler mais rápido sobrepujar isso?! O que precisa-se entender quando sentamos e preparamos um ''cronograma'' com nossas leituras futuras, é que estamos apenas criando uma ordem mutável das histórias que pretendemos começar e terminar, não delimitando as possibilidades que encontrarmos no meio do caminho. E o que importa de tudo isso não é ler ''mais'' ou ''menos'', é apenas saber que a cada livro lido, mesmo que num ritmo menos acelerado, estamos um passo à frente de quem ''ler só por ler''; de quem leu só para mostrar que é leitor.


E você, o que pensa sobre quantidade e qualidade de leitura?
Até mais!

Título: Como Eu Era Antes de Você
Autor: Jojo Moyes
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
ISBN: 9788580573299
Nota: 5 de 5

SINOPSE: Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Trabalha como garçonete num café, um emprego que não paga muito, mas ajuda nas despesas, e namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe.
Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Tudo parece pequeno e sem graça para ele, que sabe exatamente como dar um fim a esse sentimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.

Comentários:

Como Eu Era Antes de Você me possibilitou ter uma segunda – e incrível – experiência com a escrita de Jojo Moyes, autora que tem se tornado destaque por suas narrativas intensas inclusas em dramas cotidianos.

Nesta trama, somos levados a vivenciar a complicada vida de Will Traynor, um homem bem sucedido e de boa família que por uma fatalidade do destino se tornar tetraplégico. Desde então, sua principal atividade é afastar todos aqueles que tentam ajudá-lo de algum modo, em especial sua família, que encontra dificuldades para lidar com uma série de situações.

Em paralelo a vida de Will, temos Louisa Clark, uma mulher à beira dos 27 anos que fica desempregada no momento em que sua família mais requer ajuda. Pela falta de experiência profissional (já que passara boa parte de sua vida trabalhando em um café), Lou (como costuma ser chamada) acaba encontrando muitas dificuldades para empregar-se novamente. Mediante alguns problemas familiares, ela se vê bastante pressionada a encontrar um emprego bacana que ofereça sustentabilidade financeira a todos.

E é aí que a vida de Will e Lou se cruzam. Um anúncio para uma vaga de cuidadora de um portador de necessidades especiais chega às mãos de Louisa, e, após uma entrevista nada animadora, Lou surpreende-se ao descobrir que o emprego é seu. Serão inicialmente seis meses de experiência em um trabalho que paga bem, e, apesar do contrato por tempo determinado, ela não poderia deixar essa oportunidade passar. Mas a verdade é que ela não sabia o que de fato iria enfrentar.

No início as coisas não correm nada bem. A arrogância e a amargura de Will afastava Lou de todas as formas possíveis, ao mesmo tempo em que ela precisava ficar sempre por perto, pois ele precisava de ajuda para tudo. Todavia, foi aos poucos que Louisa não só conseguiu se aproximar – respondendo a ele com o mesmo modo de tratamento que ela recebia, e com bastante naturalidade – como também, de um modo diferente, conseguiu cultivar uma relação de amizade saudável, despretensiosa e  repleta de possibilidades.

O livro trás uma narrativa alternada. Em sua maioria está sob a percepção de Louisa, e em alguns poucos capítulos na visão de outros personagens. As capitulações se apresentam na medida, com uma excelente estrutura, e composta por uma linguagem dinâmica e um humor peculiar, cotidiano. É um livro muito bem escrito e com personagens muito característicos (inclusive os secundários). Além disso, a construção da narrativa trás um processo evolutivo que não te permite sossegar, pois, apesar da temática, a essência da história é mostrada ao longo da leitura de uma forma intrigante – e realista ao mesmo tempo. É verossimilhante, com fatos reais, mas de uma forma singular. É impossível querer largar.

Um elemento que eu gostei bastante foi a forma como ambos os personagens principais, ao longo da trama, se empenharam em fazer bem para o outro, mostrando como as dificuldades podem ser enfrentadas, assim como os desejos pessoais podem ser concretizados. Toda o enredo trás uma evolução muito bacana, repleta de descobertas, sonhos e projetos, coisas que a princípio não faziam sentido para nenhum dos dois. Mas não se enganem, pois a autora consegue sair do clichê de uma forma bem particular. Portanto, espere por qualquer coisa. Esse é o tipo de história que trás várias reviravoltas à tona... um verdadeiro exemplo do que é a vida.

Como descrever o que se sente quando a história acaba te deixando sem palavras? De fato é muito difícil resenhar um livro como este (por causa dos spoilers, também)... Como Eu Era Antes de Você é intenso, reflexivo e, sobretudo, comovente. Jojo escreve com a alma, caros leitores. Ela consegue ser imprevisível no previsível. Uma autora que merece a popularidade que conquistou. Posso afirmar que passei dias pensando nessa história, em como ela se desenvolveu e, principalmente, em seu desfecho profundo, capaz de despertar sentimentos diversos que vão a depender do seu estado de espírito. Arrisco até a dizer que talvez isso contribua para sua avaliação final sobre a trama. No meu caso meu surpreendeu bastante, e é só o que posso dizer agora.

Recomendo para os que gostam de dramas cotidianos com temáticas sociais discursivas. Prepare-se, e o encare com afinco. Você não irá se arrepender.

Trecho:

[...] Parecia cansado não só por causa da doença, mas exausto com relação à vida, cansado das nossas interferências, das nossas entusiasmadas tentativas de conversar, da nossa incansável determinação em tentar melhorar as coisas para ele. Ele me suportava, mas eu tinha a sensação de que, frequentemente, queria ficar sozinho. Ele não sabia que essa era a única coisa que eu não o deixaria fazer. [Pág. 270]




No mês passado eu dediquei duas publicações à escritora americana Nina Sankovitch. Na primeira, falei um pouquinho sobre ela e sobre sua história com a leitura, algo que, inclusive, veio a impressionar muitos leitores por aqui. Na segunda, resenhei O Ano de Leitura Mágica, livro em que Nina descreve como foi consolidar a meta de ler um livro por dia, todos os dias, durante um ano.

Em paralelo a obra da autora, descobri recentemente outro título com ideia semelhante, e que me intrigou do mesmo modo. O Clube do Livro do Fim da Vida, de Will Schwalbe, também se trata de uma história real, e – coincidentemente ou não – fala sobre o poder da leitura em nossas vidas. Portanto, estou aqui para compartilha-lo com vocês como uma indicação, e peço aos que já leram suas respectivas opiniões. Vamos falar sobre livros; sobre a paixão que temos por eles.

SINOPSE: ''O que você está lendo?''. Esta é a pergunta que Will Schwalbe faz para a mãe, Mary Anne, na sala de espera do instituto do câncer Memorial Sloan-Kettering. Em 2007, ela retornou de uma viagem de ajuda humanitária ao Paquistão e ao Afeganistão doente. Meses depois, foi diagnosticada com um tipo avançado de câncer no pâncreas. Toda semana, durante dois anos, Will acompanha a mãe às sessões de quimioterapia. Nesses encontros, conversam um pouco sobre tudo, de coisas triviais como o café da máquina ao que, para eles, realmente importa: a vida e os livros que estão lendo. A lista vai do clássico ao popular, da poesia ao mistério, do fantástico ao espiritual. Eles compartilham suas esperanças e preocupações através dos livros prediletos. As conversas tornam-se um momento de profunda confiança e intimidade. Mãe e filho se redescobrem, falam de fé e coragem, de família e gratidão, além de serem constantemente lembrados do poder que os livros têm de nos reconfortar, surpreender, ensinar e dizer o que precisamos fazer com nossas vidas e com o mundo. Em O clube do livro do fim da vida, o autor faz uma declaração de amor à mãe, percorrendo a vida da corajosa e especial Mary Anne, a carreira nos anos 1960, o trabalho voluntário em países em guerra e, finalmente, o projeto de fundar uma biblioteca nômade no Afeganistão. Mesmo muito debilitada, ela não abre mão de fazer com que o tempo que lhe resta seja útil — para a família, os amigos ou uma criança necessitada do outro lado do mundo. Uma alegre e bem-humorada celebração da vida.

Pois bem, caros leitores. Parece que vivemos em um mesmo dilema: por mais que tentemos nos abrigar no universo literário, os livros e suas respectivas histórias nos levam de volta a realidade. Para os que veem a leitura como uma forma de fugir da vida, sinto informá-lo que, na realidade, esta é uma ótima forma de redescoberta.
Até mais!

Confira as novidades que a Arqueiro trouxe para nós este mês.


 Querida Sue, por Jessica Brockmole

Março de 1912: Elspeth Dunn, uma poetisa de 24 anos, nunca viu o mundo além de sua casa na remota Ilha de Skye, na Escócia. Por isso fica empolgada ao receber a primeira carta de um fã, David Graham, um estudante universitário da distante América. Os dois começam a trocar correspondências – compartilhando os segredos mais íntimos, os maiores desejos e os livros favoritos – e fazem florescer uma amizade que, com o passar do tempo, se torna amor. Porém, a Primeira Guerra Mundial toma a Europa e David se oferece como voluntário, deixando Elspeth em Skye com nada além de esperanças de que ele sobreviva.
Junho de 1940: É o início da Segunda Guerra Mundial e Margaret, filha de Elspeth, está apaixonada por um piloto da Força Aérea Real. A mãe a adverte sobre os perigos de se entregar ao amor em tempos de guerra, mas a jovem não entende por quê. Então, durante um bombardeio, uma parede de sua casa é destruída e, de dentro dela, surgem cartas amareladas pelo tempo. No dia seguinte, Elspeth parte, deixando para trás apenas uma carta datada de 1915. Com essa única pista em mãos, a jovem decide ir em busca da mãe e, nessa trajetória, também precisará descobrir o que aconteceu à família muitos anos antes.
Querida Sue é uma história envolvente contada em cartas. Com uma escrita sensível e cheia de detalhes de épocas que já se foram, Jessica Brockmole se revela uma nova e impressionante voz no mundo literário.


Mar de Rosas, por Nora Roberts

Em Mar de Rosas, segundo livro da série Quarteto de Noivas, o amor floresce junto com os primeiros botões da primavera. Emma Grant é a decoradora da Votos, empresa de organização de casamentos que fundou com suas três melhores amigas de infância – Mac, Parker e Laurel. Ela passa os dias cercada de flores, imersa em seu aroma, criando e montando arranjos e buquês. Criada em uma família tradicional e muito unida, Emma cresceu ouvindo a história de amor dos pais. Não é de espantar que tenha se tornado uma romântica inveterada, cultivando um sonho desde menina: dançar no jardim, sob a luz do luar, com seu verdadeiro amor.
Os pais de Jack se separaram quando ele era garoto, e isso lhe causou um trauma muito profundo. Ele se tornou um homem bonito e popular entre as mulheres, porém incapaz de assumir um compromisso. Quando Emma e suas três amigas fundaram a Votos, foi Jack, o melhor amigo do irmão de Parker, quem cuidou de toda a reforma para transformar a propriedade no melhor espaço para casamentos do estado. Os seis são praticamente uma família. E justamente por isso Emma e Jack nunca revelaram a atração que sentiam um pelo outro. Mas há coisas que não podem ficar escondidas para sempre.
Mar de Rosas é uma história ardente, sexy e divertida sobre as vantagens e os desafios que surgem quando uma grande amizade vira paixão.


Os Assassinos do cartão-postal, por James Patterson

Emily e Clive Spencer são felizes e recém-casados, curtindo a lua de mel em Paris, onde fizeram dois novos amigos: Sylvia e Mac Rudolph. Eles são divertidos, sexy e muito interessantes, tão interessantes que um convite para o quarto deles parece uma promessa inquestionável de uma noite louca e perfeita. Porém, Emily e Clive estão prestes a ser assassinados.
Enquanto isso, em Berlim, Jacob Kanon, um detetive da divisão de homicídios do Departamento de Polícia de Nova York, bebe vinho em seu quarto de hotel, analisando minuciosamente alguns cartões-postais. Embora pareçam inocentes, eles são mensagens enviadas por assassinos em série que andam atacando em toda a Europa, degolando jovens casais. Angustiado, Jacob persegue os criminosos de maneira obsessiva, dedicando cada minuto de sua vida à prisão dos monstros que mataram sua filha.
A quilômetros dali, em Estocolmo, a jornalista Dessie Larsson sofre em mais um dia de trabalho. Avessa à fama e ao sucesso, quer apenas levar sua vida em paz, escrever boas histórias, se recuperar do fim de um relacionamento e finalizar sua tese de doutorado.
Mas ela acaba de receber um cartão-postal...

 
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