Eu leio... 
Releio... 
Aprendo e conheço. 
Faço uma viagem pelo mundo, 
Respiro fundo... 
E sou mais feliz!
(Paulo Vogt)

Ontem foi o dia mundial do livro, e pude notar que a data foi bastante comentada/celebrada tanto na blogosfera como nas redes sociais. Mas o que poucos sabem é que ontem também foi o dia do direito do autor. A data acaba por promover o prazer da leitura, a importância da publicação assídua de livros e, principalmente, a proteção dos direitos autorais.

Atesto, por meio desta simples reflexão, a importância da escrita  que nem sempre é fácil de ser desenvolvida, mas que, em suma, agrada e contribui de alguma forma para a vida de acadêmicos, leitores e demais estudiosos. Mas, principalmente, reafirmo a importância da autoria, seja de textos, frases, poemas, ou livros. Portanto, lembremos do trabalho e da dedicação dos nossos escritores... de um modo particular eles merecem nosso reconhecimento.


A título de curiosidade (e a pedido do meu namorado), eu trouxe para vocês uma pequena lista de livros polêmicos, baseado em outros inventários já existentes (obrigada pela ajuda, amor!). Além da sinopse, vocês saberão o porquê dessas obras promoverem tantos burburinhos no universo literário, mesmo após décadas de suas respectivas publicações. Afinal, a literatura não é construída somente de ficção. Vamos lá!?

Imagem: mundoestranho.abril.com.br  -  Ilustração: Renato Quirino


Mein Kampf - Adolf Hitler (1925)
Neste livro Hitler descreveu um plano racista para uma nova Alemanha, que incluía o assassinato em massa dos judeus e uma guerra contra a França e a Rússia. Hitler desejava transformar a Alemanha num novo tipo de Estado, que se alicerçasse com o conceito de raças humanas e incluísse todos os alemães que viviam fora da Alemanha, estabelecendo também o Führerprinzip – conceito do líder –, em que Hitler dita que ele deveria deter grandes poderes, estabelecendo uma ideologia universal (Weltanshauung). Esta obra foi escrita durante a estada de Hitler na prisão. 

O Príncipe - Nicolau Maquiavel (1532)
É este livro que sugere a famosa expressão ''os fins justificam os meios'', significando que não importa o que o governante faça em seus domínios desde que seja para manter-se como autoridade. Entretanto, a expressão não se encontra no texto, mas tornou-se uma interpretação tradicional do pensamento maquiavélico. Em outras palavras, a obra foi concebida como um conjunto de reflexões do autor sobre a arte de conquistar e conservar o poder em um principado. Além disso, atestam-se que este foi o livro de cabeceira de uma série de tiranos e ditadores, como Stallin, Hitler, Napoleão, dentre outros.

O Martelo das Feiticeiras - Heinrich Kramer (1486)
Este é um dos livros mais importantes da cultura ocidental, tanto para os leitores que se interessam pela história quanto para aqueles que estudam a história do pensamento e das leis. Documento fundamental do pensamento pré-cartesiano, bem como um dos mais importantes depositórios das leis que vigoravam no Estado teocrático, revela as articulações concretas entre sexualidade e poder, e por isso é uma peça única para todos aqueles que estudam a profundidade da psique humana e o funcionamento das sociedades. Durante quatro séculos este livro foi o manual oficial da Inquisição para caça às bruxas.. Levou à tortura e à morte mais de 100 mil mulheres sob o pretexto, entre outros, de "copularem com o demônio". Esse genocídio foi perpetrado na época em que formavam as sociedades modernas européias. Uma das conseqüências, apontadas pelos especialistas, foi tornar dóceis e submissos os corpos das mulheres posteriormente. Em outras palavras, este foi considerado o manual oficial da intolerância religiosa da igreja católica sob o pretexto de ''caça às bruxas''. 

Os Protocolos dos Sábios de Sião - Autor Desconhecido
Nenhuma obra despertou mais a atenção do mundo no século XX do que "Os Protocolos dos Sábios de Sião". Grandes jornais, críticos e escritores discutiram muito sobre esse livro, que contém o mais terrível e cínico plano subversivo da história. As opiniões dividem-se e confrontam-se acerca de sua autoria e autenticidade. Os judeus negam-no sob pretexto de maldosa falsificação. Os inimigos dos judeus fazem dele seu cavalo de batalha. Pensadores estudam-no com cuidado e se documentam a respeito. 
O texto tem o formato de uma ata, que teria sido redigida por uma pessoa num Congresso realizado a portas fechadas, numa assembleia em Basiléia, no ano de 1807, onde um grupo de sábios judeus e maçons teriam se reunido para estruturar um esquema de dominação mundial. Nesse evento, teriam sido formulados planos como os de usar uma nação européia como exemplo para as demais que ousassem se interpor no caminho dessa dominação, controlar o ouro e as pedras preciosas, criar uma moeda amplamente aceita que estivesse sob seu controle, confundir os ''não-escolhidos'' com números econômicos e físicos e, principalmente, criar caos e pânico tamanhos que fossem capazes de fazer com que os países criassem uma organização supranacional capaz de interferir em países rebeldes. A polêmica está no fato de que (subtende-se que) o texto era destinado a incitar o ódio racial.

A Caixa Preta de Darwin - Michael J. Behe (1996)
A teoria da evolução de Darwin é em geral aceita pelos cientistas. Contudo, desde que Watson e Crick abriram o campo da bioquímica, a ciência vem vivendo um clima de frustração, tentando conciliar as descobertas espantosas deste campo moderno com uma teoria do século XX que não pode explicá-las.
Ao argumentar contra aspectos das teorias de Darwin, este livro deu combustível para os fundamentalistas que afirmam que uma interpretação literal do Livro do Gênesis é a única forma possível de entender como a Terra foi criada. Apesar de muita contestação por parte da comunidade científica, muitos fundamentalistas ainda usam isso como uma ''fonte'' para a prova de que a evolução não é verdade.

Fontes: ahduvido.com.br

E então, vocês já conheciam esses livros?
O que acharam do conteúdo deles?

Hoje é dia de Drops Literário, e o convidado da vez é o Ronaldo Gomes, do blog Livro Sobre Livro.


Drops Literário, inspirado no Book Blogger Hop das meninas do Murphy's Library, é uma conversa de caráter transparente que tem como objetivo dinamizar as discussões que andam tomando conta da blogosfera. A intenção é fazer com que todos os nossos leitores interajam e opinem sobre.
Sem periodicidade definida.


O assunto debatido aqui é bastante propício aos blogueiros literários que sempre possuem consigo uma lista infinita de leituras a serem realizadas, como nós; e aos demais leitores assíduos e suas incansáveis metas de leitura. Convidamos você também a participar dessa discussão saudável dando o seu parecer sobre o tema. Ressalto ainda que a escolha desta abordagem foi inspirada em uma das reflexões do jornalista e editor de livros da Revista Época, Danilo Venticinque. Vamos lá!?

"As palavras pesam muito." (A Menina Que Roubava Livros)

Fran: Em um país onde leitores frequentes ainda são considerados insuficientes, muitas pessoas parecem viver de livros, sejam elas donas de blogs ou não. São leitores frenéticos e assíduos, e essa insaciável sede reflete essa realidade. As chamadas ''metas literárias'' também contribuem para o aumento significativo de leituras, e isso (parece) está se tornando cada vez mais eficaz no que diz respeito à redução da infindável lista de livros a serem lidos. Mas a preocupação de muitos estudiosos está em como essas leituras têm sido desenvolvidas, porque a ansiedade que muitos de nós possuímos para realizar tantas leituras, às vezes, atrapalha a nossa capacidade de reflexão sobre o que se está lendo. Por isso o ''como você lê importa muito mais do que quanto você lê'', pois a frase nos remete a uma reflexão sobre nossos atos enquanto leitores, para pensarmos melhor no que estamos buscando ao realizar determinadas leituras; para que nossas gratificações sejam alcançadas; para que o nosso poder de concentração e pensamento sejam aproveitados. Não deixemos de consagrar nossas leituras por conta da incansável vontade de realizar tantas outras. E eis o grande clichê: quantidade nunca foi qualidade... somos leitores porque lemos, independente do tipo de leitura, e não pela quantidade de coisas que lemos. Matutemos sobre isso.

Ronaldo: O desejo incontrolável de ler um livro atrás do outro não é dos maiores ''pecados literários''; é até uma virtude, se pensarmos direitinho. Mas como toda ação tem uma reação, as metas literárias, muitas vezes, acabam se tornando um empecilho na vida do leitor. É bem verdade que traçar metas é um modo eficaz de manter um ritmo padrão e constante nos seus ''objetivos literário'', porém, quando a importância da qualidade é ofuscada pela importância da quantidade, temos um grande problema. Ora, se o valor real de ter uma obra em mãos e lê-la é entrar em um universo paralelo e se proporcionar momentos de prazer, por que deixar a exigência de ler mais rápido sobrepujar isso?! O que precisa-se entender quando sentamos e preparamos um ''cronograma'' com nossas leituras futuras, é que estamos apenas criando uma ordem mutável das histórias que pretendemos começar e terminar, não delimitando as possibilidades que encontrarmos no meio do caminho. E o que importa de tudo isso não é ler ''mais'' ou ''menos'', é apenas saber que a cada livro lido, mesmo que num ritmo menos acelerado, estamos um passo à frente de quem ''ler só por ler''; de quem leu só para mostrar que é leitor.


E você, o que pensa sobre quantidade e qualidade de leitura?
Até mais!

Título: Como Eu Era Antes de Você
Autor: Jojo Moyes
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
ISBN: 9788580573299
Nota: 5 de 5

SINOPSE: Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Trabalha como garçonete num café, um emprego que não paga muito, mas ajuda nas despesas, e namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe.
Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Tudo parece pequeno e sem graça para ele, que sabe exatamente como dar um fim a esse sentimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.

Comentários:

Como Eu Era Antes de Você me possibilitou ter uma segunda – e incrível – experiência com a escrita de Jojo Moyes, autora que tem se tornado destaque por suas narrativas intensas inclusas em dramas cotidianos.

Nesta trama, somos levados a vivenciar a complicada vida de Will Traynor, um homem bem sucedido e de boa família que por uma fatalidade do destino se tornar tetraplégico. Desde então, sua principal atividade é afastar todos aqueles que tentam ajudá-lo de algum modo, em especial sua família, que encontra dificuldades para lidar com uma série de situações.

Em paralelo a vida de Will, temos Louisa Clark, uma mulher à beira dos 27 anos que fica desempregada no momento em que sua família mais requer ajuda. Pela falta de experiência profissional (já que passara boa parte de sua vida trabalhando em um café), Lou (como costuma ser chamada) acaba encontrando muitas dificuldades para empregar-se novamente. Mediante alguns problemas familiares, ela se vê bastante pressionada a encontrar um emprego bacana que ofereça sustentabilidade financeira a todos.

E é aí que a vida de Will e Lou se cruzam. Um anúncio para uma vaga de cuidadora de um portador de necessidades especiais chega às mãos de Louisa, e, após uma entrevista nada animadora, Lou surpreende-se ao descobrir que o emprego é seu. Serão inicialmente seis meses de experiência em um trabalho que paga bem, e, apesar do contrato por tempo determinado, ela não poderia deixar essa oportunidade passar. Mas a verdade é que ela não sabia o que de fato iria enfrentar.

No início as coisas não correm nada bem. A arrogância e a amargura de Will afastava Lou de todas as formas possíveis, ao mesmo tempo em que ela precisava ficar sempre por perto, pois ele precisava de ajuda para tudo. Todavia, foi aos poucos que Louisa não só conseguiu se aproximar – respondendo a ele com o mesmo modo de tratamento que ela recebia, e com bastante naturalidade – como também, de um modo diferente, conseguiu cultivar uma relação de amizade saudável, despretensiosa e  repleta de possibilidades.

O livro trás uma narrativa alternada. Em sua maioria está sob a percepção de Louisa, e em alguns poucos capítulos na visão de outros personagens. As capitulações se apresentam na medida, com uma excelente estrutura, e composta por uma linguagem dinâmica e um humor peculiar, cotidiano. É um livro muito bem escrito e com personagens muito característicos (inclusive os secundários). Além disso, a construção da narrativa trás um processo evolutivo que não te permite sossegar, pois, apesar da temática, a essência da história é mostrada ao longo da leitura de uma forma intrigante – e realista ao mesmo tempo. É verossimilhante, com fatos reais, mas de uma forma singular. É impossível querer largar.

Um elemento que eu gostei bastante foi a forma como ambos os personagens principais, ao longo da trama, se empenharam em fazer bem para o outro, mostrando como as dificuldades podem ser enfrentadas, assim como os desejos pessoais podem ser concretizados. Toda o enredo trás uma evolução muito bacana, repleta de descobertas, sonhos e projetos, coisas que a princípio não faziam sentido para nenhum dos dois. Mas não se enganem, pois a autora consegue sair do clichê de uma forma bem particular. Portanto, espere por qualquer coisa. Esse é o tipo de história que trás várias reviravoltas à tona... um verdadeiro exemplo do que é a vida.

Como descrever o que se sente quando a história acaba te deixando sem palavras? De fato é muito difícil resenhar um livro como este (por causa dos spoilers, também)... Como Eu Era Antes de Você é intenso, reflexivo e, sobretudo, comovente. Jojo escreve com a alma, caros leitores. Ela consegue ser imprevisível no previsível. Uma autora que merece a popularidade que conquistou. Posso afirmar que passei dias pensando nessa história, em como ela se desenvolveu e, principalmente, em seu desfecho profundo, capaz de despertar sentimentos diversos que vão a depender do seu estado de espírito. Arrisco até a dizer que talvez isso contribua para sua avaliação final sobre a trama. No meu caso meu surpreendeu bastante, e é só o que posso dizer agora.

Recomendo para os que gostam de dramas cotidianos com temáticas sociais discursivas. Prepare-se, e o encare com afinco. Você não irá se arrepender.

Trecho:

[...] Parecia cansado não só por causa da doença, mas exausto com relação à vida, cansado das nossas interferências, das nossas entusiasmadas tentativas de conversar, da nossa incansável determinação em tentar melhorar as coisas para ele. Ele me suportava, mas eu tinha a sensação de que, frequentemente, queria ficar sozinho. Ele não sabia que essa era a única coisa que eu não o deixaria fazer. [Pág. 270]