Título: Um Perfeito Cavalheiro (Cortesia cedida pela Editora Arqueiro)
Autor: Julia Quinn
Edição: 1
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
ISBN: 9788580412383
Nota: 4 de 5

SINOPSE: Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse parece um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, ela é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu. Uma noite, porém, ela consegue entrar às escondidas no aguardado baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhece o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois. Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível. Agora os dois precisarão lutar contra o que sentem um pelo outro ou reconsiderar as próprias crenças para terem a chance de viver um amor de conto de fadas. Nesta deliciosa releitura de Cinderela, Julia Quinn comprova mais uma vez seu talento como escritora romântica.

Comentários:

Um romances de época inspirado em um conto de fadas. Assim é Um Perfeito Cavalheiro, obra escrita por Julia Quinn, que de modo particular faz referência ao complicado romance da Cinderela, desta vez ambientada na Inglaterra em meados de 1816.

O terceiro livro da série Os Bridgertons trás como protagonista Benedict, um rapaz gentil, sonhador e cobiçado por todas as mães da temporada cujas filhas estão aptas a casar. E Sophie, a filha bastarda de um conde que nunca assumiu sua paternidade. Enquanto Benedict sempre vivera no conforto, luxo e sem demais preocupações, Sophie sempre fora maltratada por sua madrasta, que a fez de serviçal após a morte do marido.

O caminho de ambos se cruzam em um baile de máscaras da alta sociedade, mas acaba sendo interrompido porque a meia noite Sophie deve voltar às pressas, antes que alguém descobra seu suporto atrevimento. Arrebatado pelo charme e sensibilidade da moça – cujo nome era desconhecido para ele –, Benedict procura por Sophie em todos os lugares possíveis, mas a única pista que ele tem é uma luva antiga com um brasão da realiza deixada por ela.

E assim caminhamos para o desenvolvimento da trama, que em nada se mostra previsível. É muito provável que os moldes da história leve o leitor a acreditar que o enredo centrará na busca de Benedict por sua amada, mas não é bem isso que acontece. Eles se cruzam somente anos depois, e assim uma nova narrativa começa a se desenrolar. Atrevo-me a dizer que foi bastante ousado por parte da autora ter inovado tanto, e, ao contrário do que muitos disseram, em nada eu achei que este livro foi inferior aos demais, e eu vou explicá-los porquê.

Temos em pauta um enredo instigante que prende a atenção tanto pela escrita como pelo bom humor da autora, mas principalmente pelo drama empregado na medida certa, além de ter sido tão bem estruturado. Talvez o fato de nos deparamos com uma história de amor complicada devido ao conservadorismo da época (lê-se classe social) pareça um tanto clichê, mas Julia acerta demais na construção do enredo, e criação dos seus personagens, e isso com certeza é algo bastante positivo.

Sophie, apesar da infância difícil, se mostra uma moça de personalidade forte, determinada, firme e conformada com o que tem. Já Benedict parece não medir muitos esforços para conseguir o que deseja (apesar de ansiar muito). Outro clichê, mas ao mesmo tempo um impasse interessante, uma vez que, por mais que Sophie fosse apaixonada por ele, ela não sedia fácil aos seus caprichos. E eis o conflito.Talvez, acredito eu, isso implique no fato de muitos não terem curtido os mocinhos da vez.

Outra coisa que eu gostaria de mencionar em relação aos personagens é a excelente aparição de Violet Bridgerton, que ganha um espaço notório neste livro, e que surpreende com suas atitudes maternais (de emocionar). Ela, inclusive, foi uma peça fundamental para o destino deste casal. Além dela, claro, a presença da nossa ilustre Lady Whistledown – com suas crônicas sensacionais  não poderia deixar de ser citada aqui. Sua presença dá a história uma leveza e intriga ao mesmo tempo, que chega a ser genial! Só ressaltando que o desfecho desta vez fica com conta dela, com um mistério a solta. Leia e confira!

Enfim, o livro segue os padrões dos dois anteriores, e com certeza vai agradar os fãs da série, e demais interessados nessa vertente literária. Falando por mim, devo dizer que o li muito rápido (e com bastante aproveitamento), e que foi um prazer enorme me deliciar com uma narrativa mais densa, mas ao mesmo tempo cheio de amor. Julia Quinn, que tem estado em ascensão por mérito, brilhou novamente, e deixou essa leitura sedenta por mais. Indico!

Trecho:

– Você não pode se misturar à sociedade educada – continuou ela –, mas mesmo assim ousou fingir que é tão boa quanto o restante de nós indo ao baile de máscaras.
– Sim, eu ousei ir – gritou Sophie, não ligando mais para o fato de a madrasta ter, de alguma forma, descoberto seu segredo. – Ousei e ousaria de novo. Meu sangue é tão nobre quanto o seu, e meu coração é muito melhor, e...
Num instante, Sophie estava de pé, berrando com Araminta, e no seguinte estava no chão, com a mão no rosto, ardido pelo tapa que ela lhe desferira. [P. 75]




Eu leio... 
Releio... 
Aprendo e conheço. 
Faço uma viagem pelo mundo, 
Respiro fundo... 
E sou mais feliz!
(Paulo Vogt)

Ontem foi o dia mundial do livro, e pude notar que a data foi bastante comentada/celebrada tanto na blogosfera como nas redes sociais. Mas o que poucos sabem é que ontem também foi o dia do direito do autor. A data acaba por promover o prazer da leitura, a importância da publicação assídua de livros e, principalmente, a proteção dos direitos autorais.

Atesto, por meio desta simples reflexão, a importância da escrita  que nem sempre é fácil de ser desenvolvida, mas que, em suma, agrada e contribui de alguma forma para a vida de acadêmicos, leitores e demais estudiosos. Mas, principalmente, reafirmo a importância da autoria, seja de textos, frases, poemas, ou livros. Portanto, lembremos do trabalho e da dedicação dos nossos escritores... de um modo particular eles merecem nosso reconhecimento.


A título de curiosidade (e a pedido do meu namorado), eu trouxe para vocês uma pequena lista de livros polêmicos, baseado em outros inventários já existentes (obrigada pela ajuda, amor!). Além da sinopse, vocês saberão o porquê dessas obras promoverem tantos burburinhos no universo literário, mesmo após décadas de suas respectivas publicações. Afinal, a literatura não é construída somente de ficção. Vamos lá!?

Imagem: mundoestranho.abril.com.br  -  Ilustração: Renato Quirino


Mein Kampf - Adolf Hitler (1925)
Neste livro Hitler descreveu um plano racista para uma nova Alemanha, que incluía o assassinato em massa dos judeus e uma guerra contra a França e a Rússia. Hitler desejava transformar a Alemanha num novo tipo de Estado, que se alicerçasse com o conceito de raças humanas e incluísse todos os alemães que viviam fora da Alemanha, estabelecendo também o Führerprinzip – conceito do líder –, em que Hitler dita que ele deveria deter grandes poderes, estabelecendo uma ideologia universal (Weltanshauung). Esta obra foi escrita durante a estada de Hitler na prisão. 

O Príncipe - Nicolau Maquiavel (1532)
É este livro que sugere a famosa expressão ''os fins justificam os meios'', significando que não importa o que o governante faça em seus domínios desde que seja para manter-se como autoridade. Entretanto, a expressão não se encontra no texto, mas tornou-se uma interpretação tradicional do pensamento maquiavélico. Em outras palavras, a obra foi concebida como um conjunto de reflexões do autor sobre a arte de conquistar e conservar o poder em um principado. Além disso, atestam-se que este foi o livro de cabeceira de uma série de tiranos e ditadores, como Stallin, Hitler, Napoleão, dentre outros.

O Martelo das Feiticeiras - Heinrich Kramer (1486)
Este é um dos livros mais importantes da cultura ocidental, tanto para os leitores que se interessam pela história quanto para aqueles que estudam a história do pensamento e das leis. Documento fundamental do pensamento pré-cartesiano, bem como um dos mais importantes depositórios das leis que vigoravam no Estado teocrático, revela as articulações concretas entre sexualidade e poder, e por isso é uma peça única para todos aqueles que estudam a profundidade da psique humana e o funcionamento das sociedades. Durante quatro séculos este livro foi o manual oficial da Inquisição para caça às bruxas.. Levou à tortura e à morte mais de 100 mil mulheres sob o pretexto, entre outros, de "copularem com o demônio". Esse genocídio foi perpetrado na época em que formavam as sociedades modernas européias. Uma das conseqüências, apontadas pelos especialistas, foi tornar dóceis e submissos os corpos das mulheres posteriormente. Em outras palavras, este foi considerado o manual oficial da intolerância religiosa da igreja católica sob o pretexto de ''caça às bruxas''. 

Os Protocolos dos Sábios de Sião - Autor Desconhecido
Nenhuma obra despertou mais a atenção do mundo no século XX do que "Os Protocolos dos Sábios de Sião". Grandes jornais, críticos e escritores discutiram muito sobre esse livro, que contém o mais terrível e cínico plano subversivo da história. As opiniões dividem-se e confrontam-se acerca de sua autoria e autenticidade. Os judeus negam-no sob pretexto de maldosa falsificação. Os inimigos dos judeus fazem dele seu cavalo de batalha. Pensadores estudam-no com cuidado e se documentam a respeito. 
O texto tem o formato de uma ata, que teria sido redigida por uma pessoa num Congresso realizado a portas fechadas, numa assembleia em Basiléia, no ano de 1807, onde um grupo de sábios judeus e maçons teriam se reunido para estruturar um esquema de dominação mundial. Nesse evento, teriam sido formulados planos como os de usar uma nação européia como exemplo para as demais que ousassem se interpor no caminho dessa dominação, controlar o ouro e as pedras preciosas, criar uma moeda amplamente aceita que estivesse sob seu controle, confundir os ''não-escolhidos'' com números econômicos e físicos e, principalmente, criar caos e pânico tamanhos que fossem capazes de fazer com que os países criassem uma organização supranacional capaz de interferir em países rebeldes. A polêmica está no fato de que (subtende-se que) o texto era destinado a incitar o ódio racial.

A Caixa Preta de Darwin - Michael J. Behe (1996)
A teoria da evolução de Darwin é em geral aceita pelos cientistas. Contudo, desde que Watson e Crick abriram o campo da bioquímica, a ciência vem vivendo um clima de frustração, tentando conciliar as descobertas espantosas deste campo moderno com uma teoria do século XX que não pode explicá-las.
Ao argumentar contra aspectos das teorias de Darwin, este livro deu combustível para os fundamentalistas que afirmam que uma interpretação literal do Livro do Gênesis é a única forma possível de entender como a Terra foi criada. Apesar de muita contestação por parte da comunidade científica, muitos fundamentalistas ainda usam isso como uma ''fonte'' para a prova de que a evolução não é verdade.

Fontes: ahduvido.com.br

E então, vocês já conheciam esses livros?
O que acharam do conteúdo deles?

Hoje é dia de Drops Literário, e o convidado da vez é o Ronaldo Gomes, do blog Livro Sobre Livro.


Drops Literário, inspirado no Book Blogger Hop das meninas do Murphy's Library, é uma conversa de caráter transparente que tem como objetivo dinamizar as discussões que andam tomando conta da blogosfera. A intenção é fazer com que todos os nossos leitores interajam e opinem sobre.
Sem periodicidade definida.


O assunto debatido aqui é bastante propício aos blogueiros literários que sempre possuem consigo uma lista infinita de leituras a serem realizadas, como nós; e aos demais leitores assíduos e suas incansáveis metas de leitura. Convidamos você também a participar dessa discussão saudável dando o seu parecer sobre o tema. Ressalto ainda que a escolha desta abordagem foi inspirada em uma das reflexões do jornalista e editor de livros da Revista Época, Danilo Venticinque. Vamos lá!?

"As palavras pesam muito." (A Menina Que Roubava Livros)

Fran: Em um país onde leitores frequentes ainda são considerados insuficientes, muitas pessoas parecem viver de livros, sejam elas donas de blogs ou não. São leitores frenéticos e assíduos, e essa insaciável sede reflete essa realidade. As chamadas ''metas literárias'' também contribuem para o aumento significativo de leituras, e isso (parece) está se tornando cada vez mais eficaz no que diz respeito à redução da infindável lista de livros a serem lidos. Mas a preocupação de muitos estudiosos está em como essas leituras têm sido desenvolvidas, porque a ansiedade que muitos de nós possuímos para realizar tantas leituras, às vezes, atrapalha a nossa capacidade de reflexão sobre o que se está lendo. Por isso o ''como você lê importa muito mais do que quanto você lê'', pois a frase nos remete a uma reflexão sobre nossos atos enquanto leitores, para pensarmos melhor no que estamos buscando ao realizar determinadas leituras; para que nossas gratificações sejam alcançadas; para que o nosso poder de concentração e pensamento sejam aproveitados. Não deixemos de consagrar nossas leituras por conta da incansável vontade de realizar tantas outras. E eis o grande clichê: quantidade nunca foi qualidade... somos leitores porque lemos, independente do tipo de leitura, e não pela quantidade de coisas que lemos. Matutemos sobre isso.

Ronaldo: O desejo incontrolável de ler um livro atrás do outro não é dos maiores ''pecados literários''; é até uma virtude, se pensarmos direitinho. Mas como toda ação tem uma reação, as metas literárias, muitas vezes, acabam se tornando um empecilho na vida do leitor. É bem verdade que traçar metas é um modo eficaz de manter um ritmo padrão e constante nos seus ''objetivos literário'', porém, quando a importância da qualidade é ofuscada pela importância da quantidade, temos um grande problema. Ora, se o valor real de ter uma obra em mãos e lê-la é entrar em um universo paralelo e se proporcionar momentos de prazer, por que deixar a exigência de ler mais rápido sobrepujar isso?! O que precisa-se entender quando sentamos e preparamos um ''cronograma'' com nossas leituras futuras, é que estamos apenas criando uma ordem mutável das histórias que pretendemos começar e terminar, não delimitando as possibilidades que encontrarmos no meio do caminho. E o que importa de tudo isso não é ler ''mais'' ou ''menos'', é apenas saber que a cada livro lido, mesmo que num ritmo menos acelerado, estamos um passo à frente de quem ''ler só por ler''; de quem leu só para mostrar que é leitor.


E você, o que pensa sobre quantidade e qualidade de leitura?
Até mais!