Título: Amigas Para Sempre
Autor: Kristin Hannah
Edição: 1
Editora: Arqueiro
Páginas: 448
ISBN: 9788580412512
Nota: 5 de 5

SINOPSE: Tully Hart tinha 14 anos, era linda, alegre, popular e invejada por todos. O que ninguém poderia imaginar era o sofrimento que ela vivia dentro de casa: nunca conhecera o pai, e a mãe, uma viciada em drogas, costumava desaparecer por longos períodos, deixando a menina aos cuidados da avó. Mas a vida de Tully se transformou quando ela se mudou para a alameda dos Vaga-lumes e conheceu a garota mais legal do mundo. Kate Mularkey era inteligente e tão amorosa que logo fez Tully sentir-se parte de sua família.
Ao longo de mais de trinta anos de amizade, uma se tornou o porto seguro da outra. Tully ajudou Kate a descobrir a própria beleza e a encorajou a enfrentar seus medos. Kate, por sua vez, a ensinou a enxergar além das aparências e a fez entender que certos riscos não valem a pena. As duas juraram que seriam amigas para sempre. Essa promessa resistiu ao frenesi dos anos 1970, às reviravoltas políticas das décadas de 1980 e 1990 e às promessas do novo milênio. Até que algo acontece para abalar a confiança entre elas. Será possível perdoar uma traição de sua melhor amiga? Neste livro, Kristin Hannah nos conta uma linda história sobre duas pessoas que sabem tudo a respeito uma da outra – e que por isso mesmo podem tanto ferir quanto salvar.

Comentários:

É sempre um prazer ler as histórias de Kristin Hannah. Em cada livro lido, atesto o bom senso da autora, que parece conhecer cada vez mais sobre a vida; sobre as pessoas; sobre seus deslizes, franquezas e perseverança. É disso que em suma suas histórias tratam, e em Amigas Para Sempre não poderia ter sido diferente.

Narrado em terceira pessoa, a narrativa foca em ambas as meninas sem qualquer indício de preferência... digo isso porque me surpreendi positivamente ao notar a presença da história delas tomando forma igualmente no antes (quando Tully e Kate nem moravam no mesmo lugar), durante (quando elas se tornam amigas na pré-adolescência e seguem juntas até a faculdade), e depois (quando a vida delas tomam rumos diferentes, mas ainda permanecem unidas). A autora optou por dividir o livro em partes, ao invés de assinalar para qual ano estamos sendo levados (vale salientar que são 30 anos de história). Mesmo assim o desenvolvimento não soa confuso, e a capitulação mediana e a linguagem envolvente de Kristin contribuem muito para isso. 

No geral posso afirmar que toda a história foi muito bem construída, e que é perfeitamente possível assimilar tudo com bastante precisão, mesmo que a autora migre para os fatos de ambos os lados, durante anos. Às vezes eu tive a impressão de estar assistindo um seriado, mediante a evolução e desenrolar da história. Só que mais que um seriado, a trama parece mesmo bem verossímil, e são os cenários, personagens e demais particularidades da escrita de Kristin que tornam a história bem real.

E por falar em personagens, uma ressalva a eles, que definitivamente merecem uma notoriedade. Tully e Kate são bem diferentes... seus defeitos são acentuados, assim como o que as uniu nesse laço de amizade. Como diz a sinopse, uma ajudava a outra em suas principais fraquezas, e uma completava a outra. Mas existem outras personalidades importantes que compõem a trama, claro! A autora migra da pré-adolescência até a fase adulta das meninas, passando por elementos como família, escola, faculdade, emprego... isso faz muitas pessoas passarem pela vida delas, e as principais são desenvolvidas muito bem.

Se engana quem achar que Amigas Para Sempre é uma história bobinha e/ou infantojuvenil. Ela é carregada de emoções, erros, esperança, decepções, conquistas. É uma história de vida que nos leva a reflexão sobre o que é o amor, a amizade, sobre o que mais vale a pena em nossa vida, sobre escolhas, e sobre o perdão. Não merece/deve ser lida com muita rapidez, porque é preciso tempo para digerir os fatos; para pensar o que você faria no lugar delas. Parece clichê, mas garanto que a história sabe ser impressionante. Encanta, emociona e não te deixa sossegar.

Mesmo tendo concluído essa leitura há algumas semanas, ainda me pergunto: como Kristin conseguiu fazer uma história de mais de 30 anos de modo tão intenso e bem explicado (e ao mesmo tempo sem devaneios) em um pouco mais de quatrocentas páginas? É o poder da objetividades na narração. É o poder de falar sobre a vida de forma tão fiel e tocante. Eu gostei demais do desenvolvimento do livro, e o recomendo a todos sem medo de errar.

Trecho: 

''[...] Para ter amigas de verdade você precisa se expor. Às vezes, as pessoas vão decepcionar você, e meninas sabem ser cruéis umas com as outras, mas você não pode deixar que isso a impeça de continuar a amizade. Se você se ferir, precisa se levantar, sacudir a poeira e tentar de novo. [...]'' [P. 269]

~* ~

A Editora Arqueiro enviou aos parceiros uma lista de canções citadas ao longo do livro (em suma são sucessos dos anos 70). Por isso, para 'presentear' àqueles que adoram as canções nostálgicas da época, eu criei uma arquivo zipado com todas as músicas (são 30!!!) para download. Para acessar, basta clicar AQUI. Apreciem!

Dando continuidade ao nosso mês 'Kristin Hannah', pensei que seria interessante trazer a vocês alguns quotes dos livros da autora publicados aqui no Brasil, tendo em vista que já eu li todos eles. Porque marcar fragmentos especiais é uma coisa que todo leitor adora fazer.  (L)  Apreciem!
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Jardim de Inverno

– Perder o amor é algo terrível – Mamãe disse suavemente –, mas virar as costas para ele é insuportável. Você vai passar o resto da vida repassando isso na sua cabeça? Imaginando se se afastou cedo demais ou com facilidade demais? Ou se vai algum dia amar alguém novamente com tanta profundidade?

"Como era possível que sua vida inteira fosse destilada nessa verdade tão simples? As palavras importam. Sua vida fora definida por coisas ditas e não ditas."

''Você ficaria surpresa com o que o coração humano pode suportar."


''Não era de se espantar que as emoções estivessem nas alturas naqueles primeiros dias dourados de verão. Nas palavras do grande Sam Cooke, as mudanças estavam chegando e todos sabiam disso – sentiam sua aproximação. A maioria das crianças da ilha convivera desde o ensino fundamental, e os laços eram profundos. Agora estavam divididos, querendo tanto ficar aqui, onde a vida era familiar e segura, quanto voar para bem longe, para testar as asas que tinham acabado de se formar.''

''[...] De repente, ela se sentiu mais forte que em todos os meses passados, talvez os anos. Não sabia bem como corrigiria todos os rumos errados que tinha tomado, mas era de começar a desfazes esses erros. Um de cada vez.''


''Ver a coragem daquela mulher diante de tamanha adversidade deveria significar algo para ela. Teria surtido efeito no passado, num tempo que agora parecia distante. Agora, tudo o que queria era ficar sozinha. Queria se aconchegar nas águas escuras e mornas da autocomiseração, e foi o que fez, fechando os olhos.''

''Durante quanto tempo Michael falara para ela, só para ela? Alguns segundos? Um instante? Parece uma eternidade. Quanto tempo esperara para ouvir que ele se orgulhava dela? Sentiu seus olhos marejarem e os enxugou com impaciência.''

Amigas Para Sempre

– Nunca é bom ficar sentada esperando que alguém ou alguma coisa mude a nossa vida. É por isso que mulheres como Gloria Steinem estão queimando sutiãs e fazendo protestos em Washington.
– Para que eu possa fazer amizades?
– Para que você saiba que você pode ser o que quiser. A sua geração tem muita sorte. Vocês podem ser o que quiserem. Mas você precisa se arriscar às vezes. Se abrir para o mundo. Uma coisa wue eu posso lhe dizer com certeza é o seguinte: na vida, a gente só se arrepende do que não faz.

Por Toda a Eternidade

''Não sou mais a mulher que era. Sou como uma folha no meio do inverno, curvando-se, ficando preta, transparente e seca, com medo de um vento mais forte.''

''Mas tento. Levanto-me. Cada passo dói, mas não deixo a dor me impedir. Há uma luz lá no palco. Como um farol, ela brilha forte, me mostra o caminho desaparecer. [...]''
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Qual livro da Kristin vocês já leram?
Até mais!

Título: O Caminho Para Casa
Autor: Kristin Hannah
Edição: 1
Editora: Arqueiro
Páginas: 358
ISBN: 9788580410815
Nota: 4 de 5

SINOPSE: Durante 18 anos, Jude pôs as necessidades dos filhos em primeiro lugar, e o resultado disso é que seus gêmeos, Mia e Zach, são adolescentes felizes. Quando Lexi começa a estudar no mesmo colégio que eles, ninguém em Pine Island é mais receptivo que Jude. Lexi, uma menina com um passado de sofrimento, criada em lares adotivos temporários, rapidamente se torna a melhor amiga de Mia. E, quando Zach se apaixona por ela, os três se tornam companheiros inseparáveis.
Jude sempre fez o possível para que os filhos não se metessem em encrenca, mas o último ano do ensino médio, com suas festas e descobertas, é uma verdadeira provação. Toda vez que Mia e Zach saem de casa, ela não consegue deixar de se preocupar. Até que em uma noite de verão, seus piores pesadelos se concretizam. Então a vida dá uma guinada, levando os personagens a viver sentimentos intensos que qualquer um de nós poderia experimentar. Uma decisão muda seus destinos, e cada um deles terá que enfrentar as consequências – e encontrar um jeito de esquecer ou a coragem para perdoar.

Comentários:

Essa é a minha terceira experiência literária com Kristin Hannah, e eu posso afirmar que me sinto cada vez mais apegada com suas histórias. O Caminho Para Casa trás o que a autora sabe fazer de melhor: dramas cotidianos e familiares um tanto reflexivos, intensos e, sobretudo, emocionantes.

Nesta trama somos apresentados, a princípio, a Alexa Baill, uma moça que até os 14 anos sofrera muito com as constantes transferências de lares adotivos. Sua mãe era viciada em drogas, e, embora a vida sofrida tenha dado a menina possibilidades de seguir caminhos obscuros, Lexi era uma garota de ouro. Nos anos 2000, a assistente social responsável pelo caso dela descobre que a mesma tem uma tia-avó chamada Eva. A menina agora não estaria mais sozinha... finalmente encontrara alguém da família, e isso a assustava.

Foi graças a essa mudança que Lexi, em sua nova escola, conhece Mia Farraday, aquela que viria a ser sua melhor amiga. Mia era bastante tímida, insegura e um pouco antissocial, ao contrário do seu irmão gêmeo, Zach, o mais popular entre todos. Os gêmeos são de uma rica e bem estruturada. A mãe deles, Jude, fazia de tudo para o bem dos dois, e era até superprotetora... um exemplo de família unida pelo amor que Lexi sempre desejou ter. E teve graças a sua linda amizade com Mia.

A partir de então temos descritos vários momentos dos três durante a adolescência (e a sinopse já sugeri bastante o que eu quero dizer), até que uma fatalidade acontece para mudar a vida de todos de um jeito visceral. É aí que entram elementos como ódio, culpa, decisão, perdão, dentre outros. Garanto que são fatos que te darão motivos suficientes para não largar o livro, mas, até lá, paciência! Kristin adora descrever suas cenas de forma serena, tranquila, sem correria. É por isso que a primeira parte da narrativa se mostrou mais lenta, e, embora a trama cotidiana prenda a atenção, ela demora um pouco a engatar.

Por outro lado, trás uma bonita reflexão sobre maternidade, identidade e amor. É tão comovente - perante algumas injustiças - que te tira o sossego ao mesmo tempo em que transmite delicadeza. Trás esperança em meio a dor; te põe dos dois lados até colocar sua índole em prova. Essa é, sem dúvida, uma história que te envolve e aflora seus sentimentos por sua verossimilhança.

No geral este é um livro muito bem escrito. Com capitulações medianas, a trama é narrada em terceira pessoa trazendo descrições muito intensas sobre os personagens. Inclusive, são eles quem mais me agradaram desta vez (falando em termos estruturais). As personalidades criadas pela autora são bastante intensas e constantes, todas elas. Ninguém é deixado de lado.. é tanto, que é fácil demais demarcar seus principais defeitos e/ou qualidades. São personagens bem reais.

A leitura também trás algumas previsibilidades, mas eu não vi isso como um ponto negativo. Acredito que como um todo, essa narrativa não deve passar despercebida para quem gosta de dramas cotidianos... todo o conjunto compensa. Esse é o tipo de história que te faz ser compreensível, mesmo no incompreensível; e que te faz pensar sobre qual a importância de todos os vínculos que cultivamos (seja ele qual for) durante nossa vida. Indico!

Trecho:

''As pessoas pensam que amar é um ato de fé – falou a mãe – Às vezes, é um ato de vontade.'' [P. 322]


Não sei se vocês sabem, mas eu tenho um forte apego às histórias de Kristin Hannah. A autora tem uma sensibilidade incrível em suas criações, que em suma tratam sobre a vida, sobre os nossos atos, sobre dramas cotidianos. Kristin traz família, amor, perdão, perdas, erros, conquistas... enfim, todo o clichê da nossa existência, mas descrito de uma forma singular e bastante especial.

Pensando nisso – e no fato de que mês passado eu consegui concluir minha meta de leituras da autora – é que eu decidi fazer de maio um mês dedicado a ela. Um mês temático, na realidade, para que vocês possam conhecer um pouco mais sobre o trabalho da autora que tanto me conquistou. E por que não começar com a história dela? Vamos lá!?
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Kristin Hannah nasceu em setembro de 1960 no sul da Califórnia, e cresceu na praia brincando de castelos de areia e aprendendo surf. Quando completou oito anos de idade, sua família mudou-se para Western Washington.

Depois de trabalhar em uma agência de publicidade da moda, decidiu ir para a faculdade de direito, embora sua mãe sempre dizia: "Mas você vai ser uma escritora...". Para Kristin, essas são palavras proféticas que jamais serão esquecidas.

Em seu terceiro e último ano da faculdade de direito, sua minha mãe estava no hospital no fim de uma longa batalha contra o câncer. Foi aí que ela começou desenvolver algumas histórias... histórias clichês, era o que ela acreditava ser.

Depois da morte de sua mãe, todos aqueles pedaços de papel rabiscados que havia recolhido foram colocados em uma caixa na parte de trás do seu armário. 

Depois disso, Kristin casou e continuei praticando o direito. Quando descobriu que estava grávida, precisou ficar em repouso no leito durante cinco meses. Até o momento ela tinha lido todos os livros que tinha em casa casa... foi quando seu marido a fez lembrar do livro que tinha começado com sua mãe. Então Kristin tirou as caixas de material de pesquisa e começou a escrever. Quando seu filho nasceu, ela tinha terminado seu primeiro esboço, encontrando assim uma obsessão.

Foi assim que a autora dedicou-se à escrita por tempo integral, abandonando sua profissão anterior. O primeiro êxito surgiu em 1990, e desde então sua principal atividade é escrever. Hoje, Kristin Hannah tem publicado 19 romances, sendo que 5 deles já chegaram aqui no Brasil (O Caminho Para Casa, Jardim de Inverno, Quando Você Voltar, Amigas Para Sempre e Por toda a Eternidade).

A autora ganhou prestigiados prémios como um "Rita Award" (Romance Writers of América) em 2004 com Between Sisters, e o National Reader's Choice. Além disso, alguns dos seus livros foram considerados entre os cinco melhores do ano pela Publishers Weekly e pelo Library Journal. Suas obras, inclusive, estão traduzidas em várias línguas.

Atualmente, Kristin vive com o marido e filho na costa noroeste dos Estados Unidos.

Para conferir a bibliografia completa da autora, basta clicar AQUI.

Referências:

Espero que tenham gostado. E aguardem porque vem mais por aí!
Até logo!