Título: O Caminho Para Casa
Autor: Kristin Hannah
Edição: 1
Editora: Arqueiro
Páginas: 358
ISBN: 9788580410815
Nota: 4 de 5
SINOPSE: Durante 18 anos, Jude pôs as necessidades dos filhos em primeiro lugar, e o resultado disso é que seus gêmeos, Mia e Zach, são adolescentes felizes. Quando Lexi começa a estudar no mesmo colégio que eles, ninguém em Pine Island é mais receptivo que Jude. Lexi, uma menina com um passado de sofrimento, criada em lares adotivos temporários, rapidamente se torna a melhor amiga de Mia. E, quando Zach se apaixona por ela, os três se tornam companheiros inseparáveis.
Jude sempre fez o possível para que os filhos não se metessem em encrenca, mas o último ano do ensino médio, com suas festas e descobertas, é uma verdadeira provação. Toda vez que Mia e Zach saem de casa, ela não consegue deixar de se preocupar. Até que em uma noite de verão, seus piores pesadelos se concretizam. Então a vida dá uma guinada, levando os personagens a viver sentimentos intensos que qualquer um de nós poderia experimentar. Uma decisão muda seus destinos, e cada um deles terá que enfrentar as consequências – e encontrar um jeito de esquecer ou a coragem para perdoar.
Comentários:
Essa é a minha terceira experiência literária com
Kristin Hannah, e eu posso afirmar que me sinto cada vez mais apegada com suas histórias.
O Caminho Para Casa trás o que a autora sabe fazer de melhor: dramas cotidianos e familiares um tanto reflexivos, intensos e, sobretudo, emocionantes.
Nesta trama somos apresentados, a princípio, a Alexa Baill, uma moça que até os 14 anos sofrera muito com as constantes transferências de lares adotivos. Sua mãe era viciada em drogas, e, embora a vida sofrida tenha dado a menina possibilidades de seguir caminhos obscuros, Lexi era uma garota de ouro. Nos anos 2000, a assistente social responsável pelo caso dela descobre que a mesma tem uma tia-avó chamada Eva. A menina agora não estaria mais sozinha... finalmente encontrara alguém da família, e isso a assustava.
Foi graças a essa mudança que Lexi, em sua nova escola, conhece Mia Farraday, aquela que viria a ser sua melhor amiga. Mia era bastante tímida, insegura e um pouco antissocial, ao contrário do seu irmão gêmeo, Zach, o mais popular entre todos. Os gêmeos são de uma rica e bem estruturada. A mãe deles, Jude, fazia de tudo para o bem dos dois, e era até superprotetora... um exemplo de família unida pelo amor que Lexi sempre desejou ter. E teve graças a sua linda amizade com Mia.
A partir de então temos descritos vários momentos dos três durante a adolescência (e a sinopse já sugeri bastante o que eu quero dizer), até que uma fatalidade acontece para mudar a vida de todos de um jeito visceral. É aí que entram elementos como ódio, culpa, decisão, perdão, dentre outros. Garanto que são fatos que te darão motivos suficientes para não largar o livro, mas, até lá, paciência! Kristin adora descrever suas cenas de forma serena, tranquila, sem correria. É por isso que a primeira parte da narrativa se mostrou mais lenta, e, embora a trama cotidiana prenda a atenção, ela demora um pouco a engatar.
Por outro lado, trás uma bonita reflexão sobre maternidade,
identidade e amor. É tão comovente - perante algumas injustiças - que te tira o sossego ao mesmo tempo em que transmite
delicadeza. Trás esperança em meio a dor; te põe dos dois lados até colocar sua índole em prova. Essa é, sem dúvida, uma história que te envolve e aflora seus sentimentos por sua verossimilhança.
No geral este é um livro muito bem escrito. Com capitulações medianas, a trama é narrada em terceira pessoa trazendo descrições muito intensas sobre os personagens. Inclusive, são eles quem mais me agradaram desta vez (falando em termos estruturais). As personalidades criadas pela autora são bastante intensas e constantes, todas elas. Ninguém é deixado de lado.. é tanto, que é fácil demais demarcar seus principais defeitos e/ou qualidades. São personagens bem reais.
A leitura também trás algumas previsibilidades, mas eu não vi isso como um ponto negativo. Acredito que como um todo, essa narrativa não deve passar despercebida para quem gosta de dramas cotidianos... todo o conjunto compensa. Esse é o tipo de história que te faz ser compreensível, mesmo no incompreensível; e que te faz pensar sobre qual a importância de todos os vínculos que cultivamos (seja ele qual for) durante nossa vida. Indico!
Trecho:
''As pessoas pensam que amar é um ato de fé – falou a mãe – Às vezes, é um ato de vontade.'' [P. 322]