Autor: R. J. Palacio
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
ISBN: 9788580573015
Nota: 5 de 5
SINOPSE: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se é tão diferente. Prestes a começar o ano em um colégio de NY, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.
Comentários:
Extraordinário, escrito pela norte-americana Raquel Jaramillo Palacio, é um sick lit sensível, descontraída e ao mesmo tempo humano, pensante. É o manual do antibullying com lições inspiradoras que me fizeram abraçar a trama de um modo bem especial.
Auggie é um menino de 11 anos que nunca foi a escola. Sua educação sempre ficou sob a responsabilidade da mãe, que ensinava o garoto a base de (quase) tudo com afeto e disciplina. Mas ela sabia que chegara o momento em que Auggie precisara viver, de fato. Acontece que a deformidade em seu rosto, provido de uma síndrome genética rara, o impedia de ter uma vida normal. O susto que as pessoa levam ao vê-lo e suas expressões de horror, segundo Auggie, é o que mais incomoda, por isso ir a uma escola com pessoas 'normais' seria um verdadeiro desafio.
A temporalidade do livro diz respeito ao primeiro ano de Auggie em uma escola de verdade. A autora trabalha os principais desafios do garoto em relação as suas amizades, seu desempenho nos estudos, seus pensamentos sobre as coisas e sobre as pessoas, o modo como a família lida com ele, e, devo destacar, o modo como as outras pessoas veem a situação que Augiee vive.
A obra é dividida em diversas partes, narradas por um personagem diferente em cada (irmão do menino, os amigos mais próximos dele, o namorado da irmã, mãe, o próprio Auggie, dentre outros). Dentro dessas partes os capítulos se mostraram objetivos, claros e relativamente curtos. Embora pareça um pouco confuso, essa estrutura funcionou muito bem. Deu um toc especial a narrativa por meio de diferentes perspectivas, mostrando ao leitor não apenas o que o personagem da vez sente, mas também o que ele pensa.
Auggie é um garoto incrível, muito maduro, e se tem uma coisa que eu não senti por ele foi pena. Seus pensamentos me deixavam inspirada, com vontade de enfrentar os problemas, seguir adiante, e viver. Mas não pude deixar de notar os momentos de dificuldades, de desmotivação que ele vivia. Nem sempre é fácil lidar com com certos percalços... porém, a vida é um processo de amadurecimento, e foi isso que o livro quis mostrar, além de ensinar aos demais muitas ações de amor, amizade e companheirismo.
Gostei demais da escrita da autora, de sua linguagem, e do modo como ela construiu a narrativa. É sucinto, objetivo e profundo, ao mesmo tempo em que se mostra leve, descontraído. Os personagens também são muito bem descritos, bem reais e muito característicos. Você finalizará a leitura com a sensação de que nada ficou faltando. No geral é um livro incrível... não cheguei a favoritá-lo, mas sua sensibilidade e singularidade, além do que já foi destacado aqui, me fizeram dar nota máxima. Vale a pena!















