Da esquerda para a direita: Tayara, Suzane e Thamares.
O Clube do Livro de Sergipe, onde participo como organizadora, realizou no mês passado um concurso literário intitulado de Repasse Literário. A nossa ideia foi sortear três leitores locais (dentre aqueles que participam frenquentemente dos nossos encontros e que mostraram interesse) para a realização da leitura de um título escolhido, por votação, entre todos os leitores presentes no evento. Funciona como um book-tour, mas com uma diferença: após a leitura, os sorteados têm que escrever sobre a trama, como uma resenha, dando sua opinião. A mais bem votada entre os organizadores do clube terá seu texto publicado em nossos blogs, e ainda ficará com o livro de brinde. O intuito é incentiva a leitura e escrita de forma conjunta.

Ontem foi o dia de divulgarmos a vencedora. O livro escolhido foi Extraordinário, escrito pela Raquel J Palacio, e as três sorteadas na primeira rodada do repasse foram a Tayara Chagas, a Thamares Pimentel e a Suzane Oliveira. Quem levou a melhor nessa foi a Suzane, mas foi muito difícil escolher apenas uma resenha... todos estavam muito bem escritas. Além disso, foi gratificante ver que todas curtiram bastante a história.

Enfim, sem mais delongas, vamos aos comentários da Suzane.  :D   Parabéns!!!!
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''Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil." 
(Dr. Wayne W. Dyer)

Fora do comum. Diferente. Admirável, espantoso, incrível. Excepcional. Esses são alguns sinônimos para a palavra “Extraordinário” e podemos classificar o livro de mesmo nome, da autora R. J. Palacio, com esse adjetivo. Este é o seu livro de estréia e difunde uma linda mensagem pelo mundo.

Iniciei a leitura como parte do processo ''Repasse Literário'', realizado pelo Clube do Livro Saraiva – Se, e devo admitir que se não fosse por isso, provavelmente não o leria. Sim, eu fujo das sinopses mais 'tristes'.

Surpreendi-me com a leitura desde as primeiras linhas, a partir daí foi paixão a primeira lida! A leitura é simples, mas interessante, flui tão fácil quanto respirar, quando se vê, estamos quase passando do ponto de ônibus onde deveríamos descer (rsrs).

August Pullman tem 10 anos, nasceu com uma síndrome genética que deformou seu rosto, por conseqüência, passou por mais de 20 cirurgias para tentar reconstruí-lo, o resultado dessas cirurgias? Não vou descrever minha aparência. Não importa o que você esteja pensando, provavelmente é pior (p.11). Assim, somos apresentados a rotina da vida de Auggie (apelido familiar), desde o seu nascimento até seu primeiro ano na escola.

O livro é dividido em 8 partes, narrado por 6 personagens que possuem maior relevância, duas delas pelo nosso personagem principal. Há uma grande vantagem em ter mais de um narrador: conseguimos ter a visão geral dos fatos, além disso, nos envolve na trama como um todo e não nos cansa. Dentre essas partes, uma chamou-me atenção, ela é narrada por Justin namorado da irmã do August - e não possui a diferenciação de letras maiúsculas/minúsculas ou travessões para marcar os diálogos. Inicialmente, achei que fosse um erro de revisão da edição, mas analisando o livro como um todo notei que era proposital, que talvez houvesse algo implícito nessa desorganização, quem sabe caracterizar o Justin: seria ele desatento? Ou incapaz de diferenciar as coisas, as pessoas? Sobre o assunto, Palacio diz: as pessoas me perguntaram por que coloquei a parte do Justin em minúsculas. tudo que posso dizer é que ele é o tipo de cara que usa minúsculas, ressalto que essa afirmação também foi feita em minúsculo.

O que eu achei da obra? Eu simplesmente fiquei encantada, a ponto de desejar que a autora desse continuação, e por que não mostrar o Auggie jovem/adulto? É inocência acreditar que as pessoas não são cruéis, que a perfeição não é uma regra a qual tentamos seguir, mostrar como o personagem está enquanto adulto pode ser muito bom. Por fim, só resta dizer que super-recomendo a leitura!

Por Suzane Oliveira
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Extraordinário também foi resenhado por mim aqui no blog. Quem quiser conferir, basta clicar AQUI.  Espero que tenham curtido. Até mais!

Título: Os Segredos de Colin Brigderton (cortesia cedida pela Editora Arqueiro)
Autor: Julia Quinn
Edição: 2014
Editora: Arqueiro
Páginas: 336
ISBN: 9788580413076
Nota: 5 de 5

SINOPSE: Há muitos anos Penelope Featherington frequenta a casa dos Bridgertons. E há muitos anos alimenta uma paixão secreta por Colin, irmão de sua melhor amiga e um dos solteiros mais encantadores e arredios de Londres. Quando ele retorna de uma de suas longas viagens ao exterior, Penelope descobre seu maior segredo por acaso. Ele, por sua vez, também tem uma surpresa: Penelope se transformou, de uma jovem sem graça ignorada por toda a alta sociedade, numa mulher dona de um senso de humor afiado e de uma beleza incomum. Ao deparar com tamanha mudança, Colin, que sempre a enxergara apenas como uma divertida companhia ocasional, começa a querer passar cada vez mais tempo a seu lado. Quando os dois trocam o primeiro beijo, ele não entende como nunca pôde ver o que sempre esteve bem à sua frente. No entanto, quando fica sabendo que ela guarda um segredo ainda maior que o seu, precisa decidir se Penelope é sua maior ameaça ou a promessa de um final feliz. 

Comentários

Os Segredos de Colin Bridgerton é o quarto livro da série Os Bridgertons, escrito por Julia Quinn. Uma continuação que veio reafirmar o sucesso editorial da trama. É divertido, doce, repleto de fofocas e segredos, e cheio de amor. É como os anteriores, mas com algumas particularidades especiais.

Como todos já devem saber, em cada livro é relatado o desenrolar do romance de um Bridgerton. Neste, o nosso protagonista é o Colin, que decidiu ser um solteirão viajante. Com 33 anos e sem muitos feitos, Colin está de volta para uma nova temporada em Londres, onde sua adorável mãe, Lady Violet, não medirá esforços para encontrar o seu par ideal. Em paralelo temos Penelope Featherington, a moça mais ignorada pela sociedade londrina. 

Aos 28 anos, Penelope nunca recebera um pedido de casamento, e, como se não bastasse, era somente conhecida pela péssima - e corriqueira - escolha de suas vestimentas. Todavia, era sua amizade com Eloise, irmã de Colin, que a fazia uma quase Bridgerton; alguém de valor para a família (e para ela mesma). Isso viabilizou a descoberta do seu amor por Colin, mas ele só a vê como uma amiga, talvez até como uma irmã, o que, inclusive, nos proporciona ótimas cenas de humor temperadas com paixão.

Desta vez, porém, não temos como enfoque apenas o romance acrescido aos conflitos pessoais dos personagens principais. Agora, intrigas serviram de estopim para que a sociedade Londrina fosse tomada por mexericos e fofocas. Tudo isso porque Lady Danbury desafiou todos a descobrir a verdadeira identidade de Lady Whistledown, e em troca será oferecida uma recompensa de mil libras. Quem se arrisca? Para quem ainda não sabe, L. W. é uma famosa colunista da alta sociedade conhecida por suas metáforas e críticas dadas sem o menos pudor, doa a quem doer. Por isso, todas as atenções se voltam para este (grande) mistério.

O livro é muito bem escrito, com uma linguagem agradabilíssima, e com um humor incrível. O desenvolvimento é bastante coerente, e não te deixará sossegar. Os personagens também são maravilhosos, principalmente Penelope, que se destaca por sua história singular: menina rica, mas de beleza ofuscada. O que ninguém sabia, até então, é o quão inteligente ela é; seus pensamentos, desejos, vontades. Uma verdadeira lady.

No geral, esta leitura foi uma grata surpresa! Se tornou a minha favorito dentre os já lançados até agora (mesmo que o meu casal favorito ainda seja Darphne e Simon)... talvez por estarmos lidando com um casal mais maduro; pela relação próxima que eles já tinham; e com certeza pelos segredos e conflitos pessoais de ambos, que para mim foram os mais instigantes até o mesmo. E, claro, porque a sacada de desvendar a maior observadora de Londres foi uma cartada de mestre. Embora fique aquela sensação: L. W. sendo descoberta, como ficarão os relatos dos bailes daqui por diante? 

Aos leitores que acompanham a série, preparem-se para algumas mudanças. Para aqueles que optarem por lê-lo sem ter conferido os demais, talvez ficarão meio descolados (no que diz respeito a quem era Penelope e L. W.), mas ainda assim vale muito a pena. A trama é excelente! Eu não diria impactante, mas é em todo empolgante. Você vai rir, vai matutar e, com certeza, se apaixonar! Já quero o próximo título pra ontem. Apenas.

Confira minhas impressões sobre os livros anteriores:
O Duque e Eu (Livro I)
O Visconde Que Me Amava (Livro II)
Um Perfeito Cavalheiro (Livro III)
 


Olá, leitores! Tudo jóia?

A nossa autora parceira, Selène d'Aquitaine, está cheia de novidade. A trilogia Annastria (temos os dois primeiros livros resenhados aqui no blog!), escrita por ela, recebeu uma nova edição pela Editora Ícone. 

As capas ficaram ainda mais lindas que as anteriores.  *-*

Segundo a escritora, a Trilogia Annástria começou a ser escrita em 2010, mas somente foi finalizada em outubro de 2013. A trama é centrada no reino de Annástria, que durante muitos anos desfrutou da posição de 'dimensão mais elevada', mas que teve seu império abalado a ponto de desmoronar. Nele temos as Deusas Memória e Satine, que nunca tiveram um bom relacionamento. Antigas lembranças as incomodam, e marcas do passado colaboraram para que cada uma tomasse um rumo diferente. 

A queda de Annástria tem efeitos sobre as outras dimensões, e a situação piora quando Strauss, filho de Memória e Zolum, apaixona-se por uma mortal na mesma época que seu irmão mais velho, Rorek, tem seu amor não correspondido pela feiticeira Angelina. Enfurecido, Rorek alia-se a Satine e declara ódio a Annástria.

O filho de Strauss e Serenite é a única esperança de Annástria não ser dominada pelas Trevas. Ainda recém-nascido, as asas do príncipe Darin são cortadas e espalhadas pelos ares. Acontece que elas representam muito mais do que a divindade do príncipe, pois recuperar cada pena é fundamental para salvar o reino.

Há muitas pessoas envolvidas na missão de salvar Annástria: deuses, guias, feiticeiras, guerreiros, monstros e seres humanos. Paixões intensas abalam amizades e revivem lembranças dolorosas que a muito tempo estavam esquecidas; destinos são traçados sem que os envolvidos tenham consciência; dúvidas são abafadas ou simplesmente ignoradas durante muito tempo. Alguns se questionam se vale a pena salvar Annástria, e até onde uma lembrança pode ser mais importante do que as vidas de todos que estão comprometidos com os mais polêmicos e decisivos momentos da história deste reino.

Passados que muitos querem ocultar; maldições que separam famílias; vidas anteriores que ocultam lembranças dolorosas; amizades postas à prova; e obsessão por controle não afeta apenas os mortais. Deuses, guias e protetores sabem que não estão imunes aos sentimentos que sofrem os seres mortais. Tudo isso e muito mais vocês encontrarão nos três livros que dividem a série.

Confira abaixo o que já foi resenhado aqui no blog:

Tumblr:

Blog:

Para comprar direto com a editora, basta clicar AQUI.


É isso aí, pessoal!
Até a próxima!


De um lado é possível encontrar tradições teóricas em que prevalecem a imposição do erudito. Do outro, a acepção do popular, também definida como a cultura feita pelo povo e apreciada por ele. São essas constantes disputas existentes entre os gêneros tradicionais e massivos, independente do fenômeno, que refletem uma sociedade convergente. O desafio aqui, logo, é adaptar a compreensão sobre esses conceitos.

A cultura pop é uma construção e reprodução de modelos de referência da cultura erudita. Todavia, há uma forte resistência por parte dos elitistas conservadores, que criticam essas manifestações e os enquadram como uma subcultura; como uma cultura inferior. Assim, muitas dessas diversidades e expressões culturais não se tornam legítimas, tampouco respeitadas.

Talvez isso seja justificado pela experiência estética, que é a principal característica que difere esses dois elementos. A literatura de massa (também conhecida através do modelo best-sellers), por exemplo, sofre sérias restrições quanto a sua qualidade. Neste caso, críticos literários e leitores elitistas enquadram essa leitura como acrítica, de gratificações momentâneas, e feitas apenas para o lazer. 

Esses mesmo críticos fecham os olhos para uma realidade eminente: são justamente esses livros, essa subliteratura, os responsáveis pela difusão do hábito da leitura e, consequentemente, do impulso no mercado literário atual. Além disso, eles também se tornaram uma importante ferramenta na formação de novos leitores. Por isso, ao condenarem livros populares, e falando igualmente em um contexto mais geral, esses críticos contribuem para reforçar a imagem da cultura como um prazer sofisticado. Mas a realidade é que o mundo não é composto somente por uma elite intelectual e letrada.

Vale salientar ainda que o grande responsável pela massificação do fenômeno pop é a comunicação de massa, que atua na representação da sociedade, na padronização do comportamento social, e na influência dos modos de vida. São os meios de comunicação que proporcionam a criação de novos padrões culturais adaptados a modelos anteriores. Ou seja, a convergência provém da revitalização do primitivo com base no interesse da juventude em tempos modernos.

Portanto, a cultura pop é um gênero em mutação, que provém de referências primárias, mas que ganha uma identidade própria, com regras, formas e técnicas; com uma estética jovem. Não adianta afirmar que todas as novas expressões são representações equivocadas de uma cultura consagrada, pois estamos vivendo um momento oportuno à transformação dos gêneros, onde a cultura popular brasileira e qualquer outro modelo cultural podem se tornar culturas híbridas. E estas definitivamente merecem a atenção de estudiosos que se disponham a aceitar as transformações da sociedade contemporânea.