Título: Mar da Tranquilidade
Autor: Katja Millay
Edição: 1/2014
Editora: Arqueiro
Páginas: 368
ISBN: 9788580413250
Nota: 3,5 de 5

SINOPSE: Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele.
A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida. À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer.

Comentários:

Mar da Tranquilidade, de Katja Millay, chegou até mim através da parceria do blog com a Editora Arqueiro. Foi aquele tipo de solicitação feita por conta do título, que, graças ao seu caráter intrigante - assim como a capa -, me conquistou. E foi essa fixação pelo diferente que me fez encarar a leitura sem saber nada em absoluto sobre o que se tratava.

Nastya teve a vida virada pelo avesso por um motivo que o leitor só irá descobrir de fato próximo ao desfecho da trama (durante o enredo algumas pequenas pistas são deixadas para traz...). Por esse motivo, ela decide mudar de cidade, para de falar de forma involuntária e vive se escondendo em segredos e pensamentos nas quais ela não sabe como lidar. Josh, por sua vez, é inteligente e introspectivo. Ainda muito jovem, perde toda a família para as nuances da vida, se tornando responsável por seus atos antes mesmo da maioridade. Isso faz dele uma pessoa antissocial, cujo trauma afasta sua necessidade de se relacionar com outras pessoas.

É nesse contexto (de privar-se do mundo) que os dois se cruzam. De modo inconsciente, Nastya passa a frequentar a casa de Josh de forma despretensiosa, desencadeando uma série de situações em meio a erros e acertos, capazes de alterar o futuro um do outro por meio de um romance intenso, frágil e incrivelmente natural.

Inicialmente, a trama flui de forma lenta, e em parte isso se deve a 'greve de silêncio' de Nastya. Como o livro é narrado na visão dos personagens principais (de forma alternada), toda vez que ela é a narradora, seus pensamentos e possíveis diálogos são descritos de forma minimalista. O clímax também demora a suscitar porque a história evolui a passos de tartaruga, às vezes dando a impressão de estarmos sempre no mesmo ponto x da questão. 

Além disso, desde os primeiros capítulos as ambíguas atitudes de Nastya me incomodaram um pouco. Apesar de característica, a personagem tem um trauma que não deixa ser revelado, o que a priva de falar, mas ainda assim ela não tem dificuldades de se relacionar com Josh, o mocinho (quase) perfeito que provavelmente irá ajuda-la. Além disso, os dois passam a maior parte da história para engatarem em diálogos interessantes. Sinceramente, isso não foi algo expressivo, e deixou a história meio arrastada. 

Em contrapartida, e mesmo com o tom apático da autora proporcionado através do envolvimento emocional do leitor por meio do tratamento psicológico dos personagens, a escrita de  Katja Millay é agradável, fazendo das dúvidas e incertezas deixadas pela história a nossa principalmente sede no caminhar da leitura. Gostaria de salientar ainda que a autora criou personagens vivos, interessantes, e deu ao enredo em geral fatos muito naturais e verossímeis. Isso, definitivamente, é um dos fatores positivos e mais notáveis da trama.

Portanto, recomendo o livro. Infelizmente ele não foi de todo incrível para mim, como para a maioria dos leitores, mas com certeza me proporcionou momentos intensos em meio a personagens imperfeitos, que deixaram uma marca de complexidade e erros, e que me fez refletir sobre a vida através de acontecimentos humanos. Falando por experiência própria, apesar dos altos e baixos, a leitura valeu muito a pena.



Anotar o que você lê anualmente te dá a oportunidade de avaliar como ocorre sua variação de leitura. Gêneros, autores, vertentes literárias... é como um balanço em fim de expediente. E foi observando a minha que eu pude atestar (mais uma vez) a minha total indisposição para as leituras clássicas brasileiras. Não é preconceito, ou má vontade. Tá mais para falta de iniciativa.

É por isso que eu resolvi criar minha primeira listologia, com quatro livros nacionais a serem lidos nos próximos meses (não se trata de uma meta ou desafio, ok?). Resolvi fazer isso como uma forma de incentivo para mim mesma, dando uma chance ainda a pesquisas que até então eu não costumava realizar, onde eu busco conhecer melhor os autores e as obras famosas da época. Assim sendo, estou aqui para compartilhar com vocês minha primeira listinha (um tanto clichê) com títulos que eu possivelmente gostarei de ler.

Imagem: ilustração.
Para o primeiro livro eu não pensei muito. Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis, está na minha lista de releituras desde que saí do ensino médio. A vontade de conferir essa referência clássica, quando mais madura, vem dos polêmicos temas abordados pelo autor. O ciúme de Bentinho, a imprecisão na fidelidade de Capitu, o retrato moral da época e o caráter do narrador fizeram da história a obra-prima de Machado. Enfim, quero ter a oportunidade de ser levada mais uma vez pelas incertezas que conduz este romance.

Mar Morto (1936) é a segunda trama da lista. De autoria de Jorge Amado, o livro retrata a dura vida de pescadores em um cais, cuja única certeza que eles têm daquele lugar é que Iemanjá, mãe das águas, irá busca-los após a morte. Além de já ter recebido recomendações deste livro, meu interesse surgiu devido a proposta de uma narrativa poética que desmistifica todos os preconceitos ao redor da Iemanjá.

Por ser interessada em textos que abordem manifestações culturais e religiosas, e misticismo, resolvi acrescentar na lista o livro Tenda dos Milagres (1968), também de Jorge Amado. A trama se passa na capital da Bahia, Salvador, terra povoada por afrodescendentes. Ao que me parece, a ideia é introduzir um importante debate sobre democracia racial brasileira em meio a perseguições ao candomblé e aos capoeiristas, mostrando que a miscigenação não veio acompanhada de respeito a diversidade. Tenho a impressão que vou gostar muito desse enredo.

O Vampiro de Curitiba (1965) é o quarto e último da lista. Ambientado em Curitiba, o livro de Dalton Trevisan traz relatos do cotidiano da degradação humana através do dia-a-dia de Nelsinho, o "vampiro" propriamente dito, personagem dos quinze contos que compõe a obra. Nelsinho vive a vagar pela provinciana Curitiba atrás de suas vítimas, se mostrando um verdadeiro escravo da libertinagem e da solidão urbana. Apesar de não ter tanta aptidão por contos, gostei bastante dos temas propostos... e o clássico também foi muito recomendado pela Tati Feltrin, do Tiny Little Things, então resolvi dar uma chance.

Bom, é isso. Por favor, se você já leu algum dos livros citados, me dá sua opinião!? Se não, me recomenda algum clássico brasileiro? Vou gostar muito. E, ah! Tô adorando essa ideia de criar listas... pretendo fazer outras, e vou adorar compartilhá-las contigo. O que você acha?
Até mais!

Selène d'Aquitaine, nossa autora parceria, topou fazer uma entrevista comigo. Nela, conversamos um pouco sobre sua relação com a escrita, e sobre seus livros publicados no mercado editorial. Dois deles, inclusive, já foram resenhados aqui no blog (confira AQUI). A autora, que escreve desde pequena, já superou muitos obstáculos no decorrer da vida, e foram seus livros que ajudaram-na a superar um câncer.

"Além de escritora, posso considerar que sou um milagre: já sobrevivi a três cirurgias de risco, e também sobrevivi a um raríssimo (e grave)  câncer no ano de 2011, entre outras desventuras em série. Apesar de tudo, estou viva e sempre muito determinada, batalhadora e guerreira!" – Selène d’Aquitaine


Abaixo, nossa singela conversa. Confira!

Universo Literário: Adriana (ou seria Selène?), você escreve desde os 15 anos. Como exatamente você se descobriu na escrita literária?
Selène d'Aquitaine: Eu sempre gostei muito de escrever, desde pequena. Quando criança, eu inventava histórias para as minhas bonecas, gostava do resultado, quando as lia em voz alta e passava horas imaginando novas aventuras para os meus personagens favoritos. Nossa, eu adorava desenhar e criar historinhas! Conforme fui crescendo, a ideia de me tornar escritora foi pouco a pouco ganhando forma, até que finalmente, aos 15 anos, decidi arriscar a publicar um livro. Escrever é minha paixão!

UL: E por que Selène d'Aquitaine? De onde surgiu esse nome?
Sd'A: Gosto do mistério que envolve os nomes artísticos. Eu queria um nome diferente e que combinasse comigo. Gostou muito de "Selène", pois é um nome ligado a lua, e eu amo escrever de noite junto com a minha gatinha! Emfim, escolhi um nome francês, pois gosto da sonoridade desta língua. É uma língua bela e dona de uma história muito interessante.

UL: O gênero fantasia, no qual seus livros se enquadram, está relacionado à sua preferência literária?
Sd'A: Sim, eu sou fã de Literatura Fantástica! É um gênero literário muito rico e que exige muita criatividade. A fantasia mexe com o imaginário e leva os leitores aos mais incríveis e estranhos lugares. Desde história suaves às mais tenebrosas, a fantasia é polêmica, mágica, inteligente, libertadora e desafiadora! Acredito que essa literatura precisa e merece ser melhor valorizada e estudada pelo âmbito acadêmico, aliás. Há muito para ser explorado e analisado.

UL: Como a leitura se insere em sua paixão pela escrita? Quais são suas inspirações neste ramo?
Sd'A: Como a grande maioria dos escritores, eu amo ler. Leio um pouquinho de tudo. Sou muito fã do C.S Lewis e do Phillip Pullman, escritores ousados, habilidosos e muito criativos. Também sou leitora de Harry Potter e já sonhei com a tão querida carta de Hogwarts. Curto também os romances históricos do Ken Follet, contos do Cortázar e a poesia do Ferreira Gullar. Gosta muito do Egar Allan Poe, alguns textos do Machado de Assis e tenho um carinho especial pelos contos fantástico que Graciliano Ramos escreveu na juventude.

UL: Como é ministrado seu tempo para escrever? Você costuma realizar pesquisas nesse meio tempo?
Sd'A: Eu ando com um caderninho na bolsa para fazer anotações. Fico atenta ao mundo ao meu redor em busca de inspiração. Leio bastante para as minhas pesquisas, busco livros e estudos que possam me ajudar, e aproveito as aulas e o que aprendo na faculdade. Minha pouca experiência de vida e conversas que troco com as pessoas também me ajudam a escrever. Anoto o que acho interessante nas minhas pesquisas e estudo a melhor forma de utilizá-las nas minhas histórias.

UL: Quanto tempo levou para a Trilogia Annástria ser escrita, e o que você espera com o lançamento do desfecho da trama?
Sd'A: "Annástria e o Príncipe dos Deuses" levou em torno de um ano e meio para ficar pronto. Já o terceiro volume, "Annástria e o Arquivo das Memórias", levou quase dois anos, pois nesse meio tempo eu fiquei bem doente e acabei atrasando a escrita. Eu espero que meus leitores gostem muito do desfecho da minha história e que compreendam o que realmente aconteceu com Annástria. Assim como em "Annástria e os Sete Escolhidos", o terceiro livro conta com a narrativa de vários personagens e muitas revelações.

UL: E os teus outros livros? Poderia nos contar um pouco sobre eles, e por que deveríamos lê-los?
Sd'A: "Diário de Rabiscos" é a história de uma menina que precisa aprender a superar um problema de saúde difícil, e a aprender a se adaptar com isso. Eu o escrevi quando eu ainda era uma criança de 15 anos. Inclusive, esse livro está esgotado na editora. Já p meu conto de fadas "O Jardim das Rosas Negras" é a história de uma fada filha de um demônio. Tenho um carinho especial por esse livro, pois é a minha primeira história de fantasia publicada. Escrevi esse livro em uma época em que eu ainda estava no colegial sonhando com a minha entrada na faculdade. Foi o meu primeiro passo como "Selène d'Aquitaine", então os leitores podem ver como eu era antes de escrever Annástria. Muitos levam um susto! "O Jardim das Rosas Negras" é uma história suave em contraste com a Trilogia Annástria, que é cheia de tensões e uma dura realidade que os personagens precisam enfrentar.

UL: Quais foram as principais dificuldades enfrentadas para a publicação dos seus livros? E como foi a receptividade por parte das editoras?
Sd'A: Quando eu comecei a publicar eu era uma criança, então, naquela época, ser muito nova acabou me atrapalhando um pouco. Quando eu tinha 15 anos, as barreiras para um autor iniciante realizar suas publicações eram ainda maiores. As editoras recusaram meus livros, mas me incentivavam a continuar escrevendo. Hoje contamos com a facilidade de publicar pela Amazon, por exemplo, em livro digital, e isso está ajudando muitos iniciantes a darem os primeiros passos.

UL: Com a finalização da Trilogia Annástria, há algum novo enredo sendo preparado atualmente?
Sd'A: Sim, estou escrevendo livros novos e espero publicá-los em breve! Estou escrevendo um livro diferente do que fiz para a Trilogia Annástria. Estou amando muito fazê-lo... seus personagens estão ganhando forma e vida. Por enquanto, eu não posso revelar detalhes, mas quero compartilhar essa nova história no momento certo com meus colegas escritores e leitores.

UL: Qual a maior gratificação de ter se tornado uma escritora?
Sd'A: A maior gratificação é poder compartilhar o meu universo com outras pessoas, e permitir que meus personagens conquistem corações, despertem emoções e vivam além das páginas do livro. É maravilho ver os leitores se envolvendo com o que escrevo! Fico muito feliz quando algum leitor me fala que a minha história o emocionou e o fez gostar ainda mais de ler. Livros são capazes de mudar vidas, são capazes de nos fazer pensar, conhecer novos mundos, novas ideias e passar a adiante uma mensagem bacana.

UL: Gostaria de deixar alguma mensagem para os leitores do blog?
Sd'A: Busquem sempre uma nova história para ler e deixem suas mentes abertas para que possam conhecer mundos diferentes daqueles que estão acostumados. Se deem a oportunidade, mesmo aquelas que chamamos de "clássicas"e que já fizeram muitos torcer o nariz. Leiam histórias escritas em outras épocas, leiam autores de opiniões divergentes, livros de criança, romances, suspense, histórias de vida... enfim,  sejam livres!


Confira os contatos da autora:
- Blog:  selenedaquitaine.com
- Facebook: facebook.com/selenedaquitaine
- Twitter: @escritoraselene
- Instagram: escritoraselene
- Tumblr: annastrianos.tumblr.com


É sempre muito especial celebrarmos datas como esta, onde encerramos ciclos importantes ao mesmo tempo em que traçamos novas metas e desafios para seguir em frente. E é com muita satisfação que eu estou aqui hoje, para solenizar, mesmo que de modo simplório, meus 4 (primeiros) anos de blogueira literária.

Quando criei o Universo Literário jamais imaginei que ele teria um espaço considerável em minha rotina. Isso porque minha vida virtual anterior ao UL se alimentava de fases. Flogão, vibeflog, fake, fotolog, tumblr, wordpress e, claro, várias redes sociais. Diferentes plataformas que me serviam como uma válvula de espace para ter uma comunicação indireta; uma forma livre de expressão através das coisas novas que eu produzia na internet. E assim eu fui migrando... até que em 2011 decidi me tornar blogueira. Foram meses de concepções e indecisões, pensando se daria certo ''viver'' essa nova etapa virtual.

Acontece que de irrealidade o blog não tem nada. Nele eu não fui apenas capaz de desenvolver meu hábito de leitura, fiz novos amigos leitores (inclusive aqui na minha cidade), ampliei minha capacidade – e criatividade –, e venho, aos poucos, aprimorando minha escrita. No âmbito da blogosfera literária você aprende, adquire conhecimento sobre assuntos que te interessam, conhece coisas novas e se diverte. Enfim, percebi que estava vivendo além do virtual.

Ser blogueira é o máximo!
Claro que nem tudo é tão simples. Às vezes vem o desânimo, a falta de tempo, a rotina maluca e a carência de novas ideias. Às vezes você quer fazer mais, tornar-se grande e revolucionar de um modo singular, mas nem sempre consegue, porque estando sozinha(o) as coisas tendem a caminhar um pouco mais devagar. Mas, no fim, o que vale é o desempenho, esforço e dedicação. É saber que existe um grupo de pessoas, mesmo que pequeno, que prestigia seu trabalho, que te incentiva e que torce por você. Isso sim parece surreal... mas é fato, e é o máximo!

Excepcionalmente, outras atividades também importantes fazem com que a minha dedicação se torne despretensiosa, motivo que me leva a questionamentos ainda sem conclusão –  e que por vezes gera um certo desanimo, confesso. No entanto, acredito que questionar-se em relação ao seu trabalho, a tudo aquilo que você se propõe a fazer, é algo positivo. Serve de empenho e estímulo para que nos aproximemos dos nossos reais objetivos; daquilo que acreditamos.

E hoje, 4 anos após o início de um trabalho carregado de amor (acima de tudo), eu posso dizer que estou feliz. Feliz por tudo que conquistei, pelas amizades e parcerias que fiz, e pelo carinho que recebo diariamente das pessoas que me acompanham. Dar de cara com esses frutos me fazem querer seguir em frente; me fazem querer mais Universo Literário, mais leituras, mais compartilhamento de ideias. E é isso que teremos! É o que eu pretendo.

4 anooossss!  *------*
Quero agradecer a todos... aos autores parceiros, pela oportunidade, as Editora Arqueiro, Sextante e Saída de Emergência Brasil, pela confiança e enorme presteza, e a todos os meus colegas leitores, blogueiros e não blogueiros. Enfim, a todos que colaboraram direta e indiretamente para a concretização desses 4 anos de blog. Eu não estaria aqui se não fosse o carinho e a atenção de vocês.

Obrigada, e parabéns ao Universo Literário!