Muitas pessoas já comentaram aqui acerca da carência de um Clube do Livro no estado que residem. Carência que dá asas a frustração, afinal, qual leitor não adoraria fazer parte de um projetos assim?  

Um Clube do Livro pode ser caracterizado como um encontro de leitores afim de promover o incentivo à leitura. É mediado por um grupo pequeno de pessoas, cuja atividade é, diante de um público aberto, levantar questões sobre um conjunto de obras de um determinado tema. Isso permite não somente uma discussão sobre os livros e o gênero pautado, como também leva os demais leitores a compartilharem suas opiniões.

Eu já me senti assim várias vezes, pois, até pouco tempo, Sergipe fora um estado totalmente desfavorecido no que diz respeito aos grandes eventos literários que tanto acontecem em outros lugares, como em São Paulo e no Rio de Janeiro. Felizmente, parece que estamos entrando na agenda das editoras... além da realização de vários encontros para leitores em parceria com elas (na qual inclusive trabalhei como organizadora), muitos eventos estão chegando por aqui. Uma grande conquista, é verdade. Mas até isso acontecer, tivemos que trabalhar muito!

Tudo começou com o skoob (me refiro a minha experiência... podem haver outros grupos aqui que contribuíram igualmente para a melhora deste cenário em Sergipe que eu não conheça). A vontade de querer conhecer e trocar ideias com outros aficionados por livros me fizeram conhecer outras pessoas por meio de encontros esporádicos, sem nenhuma pretensão, apenas para conversar (sim, eu conheci muita gente boa graças ao skoob!). Depois, com a já existente disseminação de conteúdo nas redes, resolvemos tornar os nossos encontros algo mais formal, afim de abrir espaço para outros leitores sergipanos que até então não conhecíamos.

Para alguns, fazer parte da blogosfera era uma vantagem, para outros, os que não conheciam a fundo essa realidade, foi um desafio. Corremos atrás de parceiros (isso inclui local, editoras, autores, dentre outros), recebemos alguns nãos, vibramos com o acolhimento da Livraria Saraiva, por vezes tiramos do nosso bolso o que nos era possível para agradar nosso público com brindes, nos estressamos, nos desentendemos, nos movemos mesmo quando nossas vidas estavam uma loucura, e muito mais! Tudo para elaborarmos algo bacana que fizesse com que as outras pessoas pensem: poxa, eu quero estar aqui mais vezes. Ou: caramba, eu quero fazer algo parecido. Por último, e não menos importante, conhecemos muita gente, muitos leitores apaixonados que, junto a nós, viveu a ideia de fazer parte de um Clube do Livro. Tudo isso por amor; por querer propagar a ideia de que ler faz bem para a alma.

Como vocês podem ver, montar um projeto assim dá trabalho (e olha que eu não falei nem um quarto da metade do como esse trabalho funciona). Mas nada é impossível. Eu, antes, me sentia frustrada, como muitos de vocês se sentem, mas foi a minha disposição, somada com a de outros, que permitiu fazer a diferença. Mesmo que mínima, tenho certeza que foi notável.

Foto ilustrativa: Evento de Jogos Vorazes realizado em novembro de 2013.

A partir deste ano eu não faço mais parte da organização do Clube do Livro de Sergipe. Às vezes, somos levados a tomar algumas decisões, e eu resolvi dar vez a outras atividades que no momento atendem melhor a minha rotina. Não que o CDL não seja uma algo importante, apenas acabou não se tornando mais uma prioridade. Eu tenho minhas razões, mas elas não convém no momento... posso dizer apenas que tudo na vida, baseado nas suas experiências, vai, aos poucos, buscando um novo rumo (o que não significa que eu deixarei de acompanhar um trabalho que provavelmente deve continuar).

Bom, esse é um desabafo pouco sólido daquela que acreditou. E eu gostaria que vocês acreditassem, também. Não se acomodem, não esperem! Corram atrás daquilo que vocês desejam! Se unam entre amigos, montem o Clube do Livro de vocês (virtual ou pessoal), e façam a diferença. Lembre-se: as coisas só vão para frente com esforço, dedicação e muito diálogo (isso é imprescindível!). Claro, não será fácil, mas são as dificuldades que nos movem. Tenham a disposição de viver essa delícia de experiência. Porque olhar para trás e recordar coisas boas fazem qualquer estresse e frustração ter valido a pena.

Despeço-me dizendo aos que tanto comentaram nos posts relacionados ao Clube do Livro publicados neste Universo, que vocês têm o meu total incentivo e apoio. Quem quiser conversar melhor a respeito, estarei à disposição! Ou quem preferir que eu escreva mais posts específicos com essa tema, com dicas talvez, deixa nos comentários... eu ficarei feliz em atendê-los. Um forte abraço!



Título: Cadê Você Bernadette?
Autor: Maria Semple
Edição: 1/2013
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 376
ISBN: 9788535922936
Nota: 4,5 de 5

SINOPSE: Bernadette Fox é notável. Aos olhos de seu marido, um guru tecnológico da Microsoft e rock star do mundo nerd, ela se torna mais maníaca a cada dia; para as demais mães da Galer Street, escola liberal frequentada pela elite de Seattle, ela só causa desgosto; os especialistas em design ainda a consideram uma gênia da arquitetura sustentável; e Bee, sua filha de quinze anos, acha que tem a melhor mãe do mundo.
Até que Bernadette desaparece do mapa. Tudo começa quando Bee mostra seu boletim (impecável) e reivindica a prometida recompensa: uma viagem de família à Antártida. Mas para Bernadette, que ojeriza a Seattle e às pessoas em geral, uma viagem ao extremo sul do planeta é uma perspectiva um tanto problemática. 
Para encontrar sua mãe, Bee compila e-mails, documentos oficiais e correspondências secretas, buscando entender quem é essa mulher que ela acreditava conhecer tão bem e o motivo de seu desaparecimento. Sem sentimentalismos, mas com muita empatia, Cadê você, Bernadette? trata do amor incondicional de uma filha por sua mãe imperfeita.

Comentários:

Cadê Você Bernadette?, escrito pela romancista Maria Semple, é um livro extremamente peculiar! Particularmente falando, sua narrativa incomum me proporcionou uma nova experiência de leitura; uma experiência que acabou indo além, e que me agradou em vários sentidos. E é bom estar aqui para contar a vocês em que sentido minhas expectativas foram gratificadas.

Bernadette Fox tem sérios problemas com as pessoas; ela faz qualquer coisa para evitá-las. Quando sua filha, Bee, a pede de presente uma viagem (em família) para a Antártida, inicia-se uma saga de acontecimentos, trapalhadas e maus entendidos que fazem da nossa protagonista uma anti-heroína... tudo porquê Bernadette é uma antissocial assumida.

Esses incidentes, por sua vez, levam ao seu desaparecimento, e é junto a Bee que, aos poucos, vamos descobrindo o que realmente aconteceu. A menina, com um incrível instinto de detetive, vai unindo vários documentos que nos dão a chance de juntar os fatos que ocorreram antes, durante e depois do sumiço de Bernadette. Em resumo trata-se de um livro dentro de um livro, proposta que acabou deixando a narrativa mais descritiva... e incrivelmente instigante.

Maria Semple criou um enredo singular: múltiplos gêneros (cartas, e-mails, SMS, boletins do FBI, diálogos, palestras, etc), fatos reais em meio ao irreal, personagens secundários que são destaques (e inclusive fundamentais para que haja a devida compreensão sobre a personagem principal) e muito sentimentalismo. Tudo isso desenvolvido sob forte humor. A autora foi muito criativa e ousada, pois mesmo com uma narrativa tão rica, ela conseguiu ser coerente do início ao fim.

Uma das coisas mais legais que a trama nos passa é a intensa relação de mãe e filha que Bernadette e Bee compartilham – uma devoção que nos faz torcer por elas. Outra lição retirada neste livro é que maus entendidos e falta de comunicação podem nos colocar em muitas ciladas... Bernadette passou por muita coisa complicada, e parte delas se deve às suas trapalhadas e confusões.

Infelizmente, como nenhuma obra é totalizada, eu não curti muito a resolução do desaparecimento. Sinceramente, achei tudo muito fantasioso e improvável. Além disso, confesso que achei algumas partes um pouco monótonas (a obra é dividida em oito), mesmo que sejam fundamentais. Claro que toda a obra compensa, até porque o desfecho (capítulo final) traz uma sensação de missão cumprida – além da obra ser muito bem inscrita.

Por essas e outras eu super recomendo o livro. Não se trata de uma história de mulherzinha. Você vai se envolver, vai rir, vai se tornar um(a) tiete de Bernadette, vai idolatrar a autora por sua genialidade e vai querer reler essa trama mais vezes. Pois é. Um verdadeiro e delicioso quebra-cabeça que todo mundo deveria conhecer.

A leitura deste livro é resultado do projeto 'Leitura Compartilhada', em parceria com o Clóvis Marcelo (De Frente Com os Livros) e a Érika (Relicário). Confira no vídeo abaixo mais algumas considerações sobre a história pautada, e saiba mais sobre nosso o projeto. Em abril voltaremos com mais uma edição, desta vez sobre Eleanor e Park, de Rainbow Rowell.




No vídeo de hoje eu repondo a "tag da minha vida", recomendada pela Gabriela Cerutti, do blog Constantes e Variáveis. A brincadeira, que consiste em falar sobre as coisas que mais marcaram/marcam nossas vidas, foi criada pelo Filipe Laia, do Books Ever.

Regras gerais:
- Responder todos os itens.
- Ilustrar ou não fica a critério do blogueiro.
- Indicar 3 pessoas para responder.
- Colocar este parágrafo de regras em seu post.


 

Resenhas citadas no vídeo:
- O Caçador de Pipas (Khaled Hosseini): migre.me/oVWgV
- A Ascensão do Governador (Robert Kirkman e Jay Bonansinga): migre.me/oVWjL
- O Caminho Para Woordbury (Robert Kirkman e Jay Bonansinga): migre.me/oVWlM
- O Duque e Eu (Julia Quinn): migre.me/oVWqe
- O Visconde Que Me Amava (Julia Quinn): migre.me/oVWqM
- Um Perfeito Cavalheiro (Julia Quinn): migre.me/oVWrn
- Os Segredos de Colin Bridgerton (Julia Quinn): migre.me/oVWsf

Não farei indicações. Ao invés disso, sinta-se tageado, ou responda nos comentários qual o livro/séries/filmes que mais te marcou!
Até mais!


A indicação de hoje é destinada para todos que amam guiar sua vida de forma planejada, assim como eu; ou para aqueles que buscam ter mais controle em suas atividades diárias. Porque ser organizado faz bem

Título: Vida Organizada
Autor: Thaís Godinho
Edição: 2014
Editora: Gente
Páginas: 224
ISBN: 9788573129717

SINOPSE: Thais Godinho acredita que a organização é o segredo para que possamos viver uma vida coerente com o que somos e, para isso, criou a máxima definitiva para o método que pode permitir que você alcance seus objetivos. Assim, a autora mostra diversas possibilidades para que você consiga fazer o que deve fazer em todas as áreas da sua vida: casa, trabalho, família, de modo que você nunca perca de vista o que realmente importa. Pare de se afogar em uma rotina que não lhe traz satisfação e que parece ser uma sucessão infinita de metas que você não consegue cumprir. Chegou o momento de respirar fundo e tomar uma decisão muito importante: ser uma pessoa organizada a partir de hoje!

Eu não sou do tipo psicótica, que leva uma vida cronometrada desde a hora de acordar até a hora de dormir. Mas se tem uma coisa que eu odeio é perder tempo. Percebendo isso, resolvi pesquisar acerca de métodos simples de organização para que eu pudesse ter uma vida, no mínimo, mais confortável. 

Foi nesse meio percurso que conheci o blog da Thaís (há mais ou menos dois anos). A princípio eu não era uma leitora assídua, confesso, mas vez ou outra eu dava uma checada nas dicas que mais se ajustavam com a minha realidade. Quando percebi, já havia criado uma admiração singular pela autora. Afinal, quem não quer ter a chance de tocar seus projetos em meio as mil atividades que ocasionalmente já acumulamos? Eu sim.

Embora eu tenha me tornado desde 2011 (quando entrei para a faculdade e criei o blog) uma pessoa mais centrada, notei que ainda tinha muito a aprender – e por isso decidi comprar este livro. Não sou (exatamente) uma dona de casa, ou mãe, mas como a grande maioria tenho várias atividades que norteiam minha vida... algumas mais importantes, outras nem tanto, e quando não se tem a noção do que é de fato uma prioridade, sua vida pode virar uma bola de neve.

E é justamente isso que o livro da Thaís propõe, que você entenda de que modo podemos definir nossas prioridades, e quais ferramentas podemos utilizar para otimizar nosso dia-a-dia. Diferente de muitos títulos do gênero, Vida Organizada não oferece uma fórmula pré-fabricada. A autora, através de uma linguagem bem simplista, ajuda o leitor a se descobrir e a criar sua própria rotina. Tudo isso por meio de vários exercícios legais, que nos levam a pensar sobre nossos hábitos, nossas tarefas e nossos sonhos. Logo, esse é o tipo de livro que precisa sempre ser relido, tipo um manual.

Me identifico com a Thaís porque, assim como ela, acredito que nossa vida deve ser levada com coerência. Claro que não devemos viver demais o futuro, mas planejar algumas coisas para realizarmos daqui (ou dentre) a cinco anos, por exemplo, é algo que eu quero para mim. E suas listas (eu também amo listas, Thaís!) e exemplos que fizeram ver que esse é um exercício de vida saudável.

Vida Organizada traz oito capítulos (1- Por onde começar quando tudo está um caos?; 2- Como alcançar nossos objetivos?; 3- Pausa para começar a destralhar!; 4- Começando a criar rotinas; 5- Agenda, compromisso e tarefas: manual do usuário; 6- Casa em ordem, mente sã; 7- Como destralhar sua checklist do trabalho; 8- 1,2,3: é só começar) bem legais que com certeza irão te ajudar a otimizar seu tempo e a pensar mais em você, em seus sonhos e em como você quer levar vida adiante. Mas lembre-se: ter uma vida organizada só depende de você!

Recomendo!