Caroline Salcides uma vez disse: "Toda mulher tem no seu íntimo uma magia própria de fazer acontecer, de dar um jeito, de dar o peito, dar um colo, de fazer bem feito." Mas a verdade é que muitos ainda não reconhecem a importância do papel feminino na sociedade. Ou, ainda pior, se limitam a entender sua totalidade.

Felizmente, os esforços para amenizar e, quem sabe um dia, extinguir o preconceito e a desvalorização da mulher são ditados diariamente. Além disso, o Dia Internacional da Mulher, celebrado anualmente em 8 de março, vem como modo de reafirmar que a luta não cessará. E ela está em todos os lugares, inclusive na literatura.

Portanto, para esse dia especial eu resolvi listar 5 livros que discutem questões diversas sobre o papel da mulher na diferentes áreas da vida. As tramas também abordam injustiça, empoderamento feminino e demais reflexões sobre estereótipos e liberdade. Vale conferir e levar o debate a diante.

Imagem: Google.

Mulheres, por Carol Rosetti 
Livro ilustrado por personalidades femininas e sobre como elas podem ser fortes, merecedoras de respeito e especiais, cada uma com seu jeito e estilo, independentemente de opiniões e julgamentos alheios. A proposta da autora é contar diferentes histórias que merecem ser ouvidas e representadas.

Sejamos Todos Feministas, por Chimamanda Ngozi Adichie
Discurso acerca do estereótipo que se tornou a palavra 'feminismo', e sobre o que ainda precisa ser feito para que as meninas não anulem sua personalidade somente para que sejam como os outros esperam. A liberdade dos meninos para crescer sem o título de machistas também é debatido.

Para Educar Crianças Feministas, por Chimamanda Ngozi Adichie
Manifesto com sugestões e conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, iniciando pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. Portanto, pode ser lido igualmente por homens e mulheres, pais de meninas e meninos.

O Papel de Parede Amarelo, por Charlotte Perkins Gilman
Clássico feminista que narra, em primeira pessoa, a história de uma mulher com depressão nervosa forçada ao confinamento por seu marido e médico. O livro aborda os padrões que as mulheres são obrigadas a atender frente a sociedade, o que pode acarretar em problemas diversos.

A Filha Perdida, por Elena Ferrante
Livro sobre maternidade e as consequências que isso pode ter na vida de uma mulher. Outros elementos são abordados, mas todos se ligam ao ato de ser mãe e de tudo que isso exige das mulheres, tanto em aspectos físicas quanto emocionais. Um drama pessoal que propõe quebrar barreiras e estereótipos.

Se você conhecer mais livros pertinentes ao tema, deixe-os registrados aqui nos comentários. Vamos disseminar conteúdos importantes e passíveis de discussões enriquecedoras e construtivas.

Às mulheres, parabéns pelo nosso dia!
Abraços!

O feriado prolongado de carnaval é sinônimo de várias coisas: descanso, folia, praia, viagem, maratona de séries, oscar, leitura, dentre outros. Cada um dá aos seus cinco dias livres as atividades que melhor cabe. Foi pensando nisso que eu e a Érika, do blog Relicário, decidimos nos aventurar numa maratona de leitura. O intensivão vai da sexta-feira (24) a quarta-feira de cinzas (1º de março).


Nosso propósito não é iniciar e terminar vários livros nesse período, tampouco passar todo o feriado trancafiada lendo. Queremos, apenas, adiantar algumas leituras e iniciar outras que estão encalhadas faz tempo. Portanto, a meta é individual para cada uma e o único critério é que a gente consiga ler diariamente mais que o habitual.

Para dar uma agitada, resolvemos estabelecer algumas categorias que nortearam as nossas escolhas individuais. Para nós, a ideia de separar alguns livros previamente não só nos dará um foco como também vai dinamizar a maratona como um todo. Vejamos, então, quais são essas categorias, e quais obras eu escolhi para cada uma dela.

- Um romance de época... porque a gente ama! Sem contar que é uma leitura leve.
A Caminho do Altar (Julia Quinn)

- Uma HQ... para quebrar o ritmo da leitura discursiva.
Maus (Art Spiegelman)

- Uma leitura já em andamento... para dar uma adiantada.
Os Miseráveis (Victor Hugo)

- Um livro encalhado na estante há mais de um ano... para não adiar por mais tempo.
Livre (Cheryl Strayed)

Tô super ansiosa e animada! Espero conseguir fazer tudo que eu estou planejando para esse feriadão; que seja proveitoso. E para você, desejo o mesmo! Abraços.


"A Menina Que Roubava Livros", escrito por Markus Zusak, comemora hoje sua primeira década de lançamento aqui no Brasil. Por isso, eu não poderia deixar de homenagear essa belíssima história, que roubou meu coração – e que me fez pensar, pela primeira vez, sobre a fragilidade da vida.

Imagem: Google.

Diferentes coisas me agradaram nesse livro a ponto de torná-lo o meu favorito (e a minha desculpa, naquela época, para ler mais e mais). Dentre eles estão: a originalidade da trama, narrada pela Morte e vista sob a ótica de uma criança; as teorias da Morte sobre a conduta humana, além do modo como ela se distrai acompanhando a curta existência das pessoas (vale ressaltar que, por outro lado, com tantas mortes nesse período de guerra, a ceifadora de almas teve muito trabalho a fazer); a paixão de Liesel pelas palavras, o que a fazia roubar livros, mesmo sem o domínio da leitura; o fato de não haver pressa na trama, já que tudo é desenrolado calmamente, mas sem cansar o leitor; a leveza da história ainda que em um cenário de horror; a própria temática de guerra, cujo fator sobrevivência fora destaque; a mistura singular dos elementos amizade, família e confiança; a reflexão, de forma pura, sobre a liberdade e responsabilidade que as pessoas tem em mãos, além de suas consciências; e a gama de personagens cativantes e tão bem construídos.

É por isso que A Menina Que Roubava Livros me trouxe uma experiência tão gratificante, porque, além de tudo que já foi citado, ela oferece uma história linda, mas ambientada numa época triste. Por trás de toda a pureza e simplicidade existe uma sociedade devastada por um conflito global de nações opostas que custou a vida de muitos inocentes. Esse hibridismo mexeu muito comigo... e me ganhou.
 
A mim também. Imagem: Google.

Portanto, posso afirmar que há dez anos minha vida ganhou cor, pois, através da pequena Liesel, eu pude vislumbrar a grandiosidade desse universo literário, que até então tinha sido pouco explorado por mim. Foi assim que eu entendi o que as palavras trariam para a mim, o que a leitura constante poderia me proporcionar. Sem dúvidas esse é o livro precursor da minha vida de leitora. Foi daí que tudo começou, e eu devo muito ao Zusak por isso.

Abraços!


A Filha Perdida, de Elena Ferrante, foi uma das leituras que fiz em janeiro. Como prometido no último diário de leitura, vou falar de forma bem geral o que achei da história., já que o livro tem sido bastante comentado na blogosfera e youtube afora.

Apesar de estar sendo super bem comentada, confesso que, num panorama geral, a história não me comoveu. Em partes, confesso, porque eu encontrei algo um pouco diferente do que eu esperava (as nossas expectativas realmente influenciam muito). Mas não foi só por isso.

Ao longo da leitura fui tendo a impressão que a ideia de desmistificar a maternidade através dos conflitos pessoais (e familiares) da personagem Leda, transformou-se num transtorno pessoal que deixou a narrativa cíclica e sem rumo. As coisas simplesmente não caminham e o desfecho é repentino (se essa era a intenção, ok, mas esse rumo não me ganhou).

Por outro lado, as descrições da personagem sobre seus sentimentos traz importantes reflexões acerca dos papéis que queremos desempenhar em nossas vidas. No caso da Leda, ser mãe e esposa a impedia de viver seus reais desejos. 

Isso me incomodou um pouco, pois, mesmo não sendo mãe, eu vejo esse ato como uma dádiva, um milagre da vida (o que é totalmente contrário para ela). É também uma grande responsabilidade do qual você opta por ter ou não. Temos livre arbítrio para escolher o que queremos, portanto, se você não se encaixa em determinado perfil, então porquê seguir com aquilo? Parece que a vida gosta mesmo de nos pregar peças.

Sendo assim, e apesar das ressalvas, gostei do desconforto que senti. Estar no lugar de outra pessoa que pensa diferente de você te faz olhar sob uma nova ótica e te dá novas perspectivas. Isso é criar empatia.

Além disso, Elena Ferrante tem uma escrita verdadeira, impactante e sem floreios, capaz de provocar um inquietamento em meio a pensamentos (e julgamentos) que emergem a todo instante. Considero isso como algo super positivo.

Ademais, fica a recomendação para quem curte histórias sobre o retrato da maternidade. Leia sabendo que a abordagem aqui é acerca das incertezas e as dificuldades de uma mulher em viver esse papel, o que está bem longe de ser algo mágico.

Abraços!