''Literatura em Movimento day!'' :D
Literatura em Movimento: coluna que consiste em apresentar, argumentar e discutir de forma opinativa sobre os mais variados gêneros e movimentos literários existentes.
Será ofertada mensalmente pela Rafa.
Se tem um gênero literário que anda ''bombando'' ultimamente são as distopias. Pra quem não sabe, distopias é o contrário de utopias, que também podem ser conhecida por anti-utópicos. Enquanto as utopias mostram uma sociedade ideal, ou perfeita, as distopias mostram uma sociedade em que o povo é fortemente oprimido por um governo totalitário e tirano.
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| Foto: Ilustração. |
Geralmente, os enredos distópicos se passam no futuro, no entanto, eles mostram de uma forma crítica, e até ''pesada', os problemas da nossa sociedade atual, como o consumismo exacerbado, a ditadura da beleza ao uso das matérias primas, e a semiescravidão que os países capitalistas fazem nas nações subdesenvolvidas, assim como o próprio descaso da população rica em relação aos mais pobres. Eu vejo que os autores de distopias querem mostrar aos leitores – em especial aos jovens – que se não acordarmos para os nossos problemas, talvez o mundo acabe do jeito que eles apresentam nos livros.
Como comecei falando, o gênero está fazendo bastante sucesso ultimamente no âmbito literáruo, embora ele não seja exatamente atual (dependendo do que vocês considerem ''atual'', é claro). O primeiro livro com traços de distopia é ''A Máquina do Tempo'', de H. G. Wells. O ano? 1895. Depois vieram ''Admirável Mundo Novo'', de Aldous Huxley (1932), ''A Revolução dos Bichos'' (1945), de George Orwell, ''Fahrenheit 451'' (1953), de Ray Bradbury, dentre outros. Das distopias atuais eu posso citar Jogos Vorazes, Feios, Delírio, Destino e Divergente.
Embora eu goste bastante de distopias, e do modo como os autores colocam (ou tentam colocar) informalmente falando para que galera possa pensar a respeito, eu tive a oportunidade de observar em vários fandoms que muitas pessoas estão lendo certos livros só porque estão fazendo sucesso, e não tentam sequer entender as mensagens que os autores estão buscando transmitir. Há alguns fãs que demonstram até certa alienação para com alguns livros, o que é realmente uma pena. Concluo que não adianta ler o livro sem que possa ser capaz de interpreta-lo.
Abaixo, alguns distópicos clássicos, e atuais:
Fahrenheit 451: Definitivamente, o melhor distópico que eu li. Na obra, os livros são proibidos, e devem ser queimados. Enquanto isso as pessoas valorizam televisores enormes, que podem dialogar com elas como se fossem da família... te lembra alguma coisa? De fato, o livro nos mostra uma inversão de valores, que vemos muito frequentemente na nossa sociedade, e, aliás, uma coisa que eu me esqueci de citar no texto, é que muitos dos livros distópicos clássicos praticamente previram coisas que acontecem nos dias atuais.
1984: Esse eu vi apenas o filme, embora este tenha sido capaz de mexer muito comigo. Como sempre, o livro (no meu caso, o filme) nos apresenta uma sociedade opressora em que é proibido pensar. Tudo (músicas, livros, programas) é completamente fabricado, e quem age de forma suspeita é torturado. Mais uma vez é apresentada a nossa sociedade, no entanto, as coisas em 1984 são mais brutais, por falta de uma palavra melhor.
Jogos Vorazes: Foi a primeira distopia que eu li, e preciso admitir que sou fã de carteirinha da série. A protagonista Katniss vive na sociedade opressora de Panem, em que, como punição por tê-los desafiado, a Capital manda todo ano 24 jovens (2 de cada distrito) para uma espécie de reality show em que eles precisam se matar até que só sobre um deles.
Feios: Se passa num mundo onde ter a aparência ''normal'' é ser feio, e as pessoas precisam passar por plásticas para viverem em sociedade. Embora eu ainda não tenha lido o livro, creio que nos apresenta perfeitamente a nossa sociedade, em que várias pessoas têm a ilusão de que só são bonitas quando atingem o padrão de beleza imposto pela mídia.
Delírio e Destino: Os dois livros falam de uma sociedade em que amar é proibido. Nos dois casos, as pessoas devem se casar com a pessoa estabelecida pelo governo, e nos dois casos as protagonistas se rebelam contra o governo justamente por amar.
E vocês, já leram alguma distopia?
Até o mês que vem!
Rafaela Lopes








