Dia de resenha no Universo. Apreciem!


Título: Morte e Vida de Charlie St. Cloud
Autor: Ben Sherwood
Edição: 1
Editora:
 
Novo Conceito
Páginas: 304
ISBN:
 
9788563219183

Nota: 3 de 5 

Escrito por Ben Sherwood, Morte e Vida de Charlie St. Cloud é um livro carregado de sentimentos, denso, e reflexivo.

A história se passa em uma pacata vila de pescadores da Nova Inglaterra, onde Charlie St. Cloud cuida dos gramados e monumentos de um antigo cemitério onde seu irmão mais jovem, Sam, está enterrado. Após sobreviver ao acidente de carro que tirou a vida de seu irmão, Charlie recebe um dom extraordinário: ele consegue enxergar, conversar e até mesmo brincar com o espírito de Sam. É neste mundo místico que entra Tess Carroll, uma cativante mulher treinada para navegar sozinha ao redor do mundo em um veleiro. O destino faz com que seu barco seja apanhado por uma violenta tempestade, trazendo-a assim para a vida de Charlie. Sua bela e incomum ligação os leva a uma corrida contra o tempo e a uma escolha entre a vida e a morte, entre o passado e o futuro, e a descoberta que milagres podem acontecer se nós simplesmente abrirmos nossos corações.
Um coração dividido entre dois mundos. Esse é o dilema que Charlie vive na maior parte do livro. Dividido em trinta e sete capítulos mais um epílogo, a história é narrada em terceira pessoa através de uma linguagem bem simples e acessível. De modo geral o enredo é leve, fácil e rápido de ser lido. Distrai, mas não é tão imprevisível.

Temos em pauta um livro que, apesar de bonito e com uma premissa encantadora, não foi tão original, tampouco grandioso. Ele possui sim qualidades maravilhosas e inspiradoras, uma vez que nos remete a uma realidade ambígua, explorando bem questões como amor pelo próximo, fidelidade e lealdade, além da constância familiar. No entanto, não o achei tocante ao extremo, e nem consegui enxergar a obra magnífica e majestosa que muitos viram. Não estou desmerecendo o enredo (de forma alguma), até porque ele é bem encantador. Apenas vi Morte e Vida de Charlie St. Cloud como uma obra romântica, capaz de arrancar sorrisos e provocar pensamentos contingentes, mas que, mesmo assim, não acrescenta muito ao leitor. Todavia, nem todo livro tem a necessidade e função de mudar o mundo, e isso é fato.

O livro cumpriu a função de entreter, mas ainda acho que faltou algo mais. O fim, no entanto, é bonito, gentil e bem confortante. Inclusive, acredito que os fatos foram capazes de mostrar ao leitor que podemos encontrar nas piores perdas um motivo para viver; um motivo para ser feliz. Todos nós merecemos uma segunda chance, e temos o direito de ser bem-aventurados porque, por mais que às vezes sejamos limitados acreditando que não, a vida merece sim ser vivida. Pontos como estes abordados de uma forma tão particular na pele de personagens tão afetuosos já fazem a leitura valer apena, sem dúvida!

Indicado a todos que procuram uma leitura sensível e afável, mas, advirto, não esperem muito.

''Era manhã de segunda-feira. A semana estava apenas começando. Seus funcionários chegariam logo. Havia sepulturas para cavar. Cercas-vivas para podar. Lápides para ajustar. E, quando o expediente acabasse, seu irmão menor o estaria esperando.
Nada havia mudado. Tudo havia mudado.''
Pág.217