Graças a parceria do blog com Bento de Luca, e mediante ao book tour promovido por eles (Marcelo Siqueira e Gustavo Almeida), vos apresento com muito gosto a resenha do primeiro livro do autor publicado oficialmente. Apreciem!


Título: O Príncipe Gato e a Ampulheta do Tempo
Autor: Bento de Luca
Edição: 1
Editora:
 
Novos Talentos da Literatura Brasileira (Novo Século)

Páginas: 304
ISBN:
 9788576796015 
Nota: 4 de 5 


Tanto faz, não, gato. Estamos lidando com uma magia além de nossas compreensões, pode acreditar. Um encantamento poderosíssimo emana da Ampulheta do Tempo.
Pág. 122

Criativo, angustiante e por vezes engraçado, O Príncipe Gato e a Ampulheta do Tempo, escrito por Bento de Luca, retrata um enredo recheado de mistérios, magia e muita esperança.



O livro nos conta a história de um felino que, através de um Buraco de Minhoca — túnel dimensional que interliga dois mundos — localizado no Parque do Trianon, São Paulo, surge em nosso mundo movido por uma única e importantíssima missão: a busca por uma lendária ampulheta. Escondida em algum local inóspito da cidade, a relíquia é a única capaz de salvar Marshmallow, terra do Príncipe Gato, que está à beira da destruição. No entanto, parece que ele não foi o único a atravessar o portal. Seres malignos irromperam das barreiras e logo declararam uma caçada voraz, com objetivos mais sombrios... e, além de seus perseguidores, o Gato luta contra seu maior inimigo: o Tempo. É preciso encontrar este objeto antes que seja tarde e que seu mundo esteja para sempre perdido. Contudo, ele não estará sozinho nesta empreitada, e poderá contar com a ajuda de seus fiéis companheiros. É aí que surge Hugo, um homem que, graça ao fato de ter visto o gato subitamente em uma livraria da cidade, acaba se inserindo na história/caçada sem ao menos desejar ajuda-lo.

Começo a introduzir meus comentários sobre o livro falando um pouco acerca dos personagens. Acredito, inclusive, que estes são os mais evidentes em termos de importância em todo o livro. Digo isso porque você dificilmente encontrará em uma história (qualquer) um príncipe que seja gato e que tenha a personalidade deste. Ele não é do estilo certinho, tampouco extremamente paciente e bonzinho. Muito característico, bem singular e difícil de ser esquecido, assim é o Príncipe Gato. Hugo, por sua vez, é um homem como outro qualquer, mas torna-se impossível não se identificar com ele de um modo especial. O diálogo de ambos no início da história é algo épico (não vejo outra palavra que defina isso), afinal, em que mundo um gato é capaz de falar com um homem e tentar convencê-lo a ajuda-lo com algo? Ah! Não posso me esquecer de citar também o grande Eleanor, o ratinho poliglota mais astuto que já conheci (literaturamente falando). Ele é um encanto, e sua esperteza é cativante. 


Estes são os principais, claro, mas há outros personagens também muito importantes que são agregados aos poucos no enredo, de forma moderada. Há os vilões – os que querem acabar com Marshmallow – e há os entes queridos do trio protagonista da história, que se tornam parte do livro graças as eventuais citações e lembranças deles.


A obra é narrada em primeira pessoa na perspectiva do personagem da vez. No início do capítulo somos informados qual será a individualidade que dará continuidade a narrativa, e os destaques, claro, são o Hugo, o Príncipe Gato e o Eleanor. A linguagem é leve e a leitura flui com muita facilidade. Confesso, inclusive, que adorei as pitadas de ironia e sarcasmo que os autores introduziram a história. Ela acaba se tonando muito instigante e engraçada, e até as situações mais cômicas se tornam possíveis graças aos diálogos muito bem elaborados. Outra coisa na qual não posso deixar de destacar, e que muito me maravilhou, são as expressões em italiano, francês e até alemão que o Eleanor diz. Todas, evidentemente, são traduzidas no fim da página. Isso se tornou característico do personagem, e de muito agrado também, devo admitir.


Gostaria de destacar ainda a ambientação na qual a história se passa. São Paulo é a cidade escolhida pelos autores, e muito bem colocada e apresentada, diga-se de passagem. Uma descrição viva e muito bem colocada. A impressão no ato de ler é de pura realidade, nos arremetendo a ela. É uma verdadeira jogada que vai do real ao imaginário, e a mescla soou em perfeita harmonia em grande parte da obra.


O Príncipe Gato e a Ampulheta do Tempo nos oferta um enredo surreal, interessante e extremamente criativo. As expressões, os diálogos e o universo criado por Bento de Luca possuem uma particularidade única. É o tipo de história leve que acaba permutando por completo com a ação e a aventura em um percurso normal, inevitável. É engraçado e divertido de ser lido e apreciado, e quando você menos percebe, a leitura finaliza. Vi o final se concluir de forma bem passiva, assim como presenciei momentos bem 'morninhos' em meio a narrativa, no entanto, bem espantada, me peguei matutando sobre o que vem por aí.


Dotado de um acerco de características, o livro é indicado a todos que procuram uma história divertida, original e levemente sentimental, pois, meus caros, eu garanto, vocês não irão encontrar um lugar igual à Marshmallow. Não mesmo. 


E que venha a continuação da trilogia... 



- Escute, Hugo - disse ele -, tudo tem seu tempo debaixo do céu, tudo tem sua ocasião própria. Há tempo de nascer e de morrer; tempo de plantar e tempo de colher; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de largar; tempo de guerra e tempo de paz. O cálculo de Deus é exato. Talvez o que esteja procurando não seja uma ampulheta. Como medir a transitoriedade da vida? Como medir esse tempo imaginário que nós vivemos? Talvez seja melhor deixar acontecer...
Págs. 68 e 69