O Velho e o Mar é um livro que trás como essência a luta pela sobrevivência através de uma constante disputa do homem contra a natureza. Além disso, Ernest Hemingway destaca a importância da nossa experiência enquanto seres humanos, e a perseverança que devemos carregar conosco ao longo de nossa jornada.

Ilustração do livro.

Confira abaixo alguns trechos marcantes do livro... apreciem!




''A vela fora remendada em vários pontos com velhos sacos de farinha e, assim, enrolada, parecia a bandeira de uma derrota permanente.''

''Tudo que nele existia era velho, como exceção dos olhos, que eram da cor do mar, alegres e indomáveis.''
 
''Pessoas da minha vida nunca deveriam estar sozinha'', pensou. ''Mas é inevitável...''.

''Falam do mar como de um adversário, de um sítio ou mesmo de um inimigo. Mas o velho pescador pensa sempre no mar no feminino e como se fosse uma coisa que desse ou não desse grandes favores, e se o mar fizesse coisas selvagens ou cruéis era só porque não podia evitá-lo. 'A lua afeta o mar tal como afeta as mulheres', pensou o velho.''


Aproveitando a deixa da última resenha, trago à vocês um pouquinho sobre a vida do escritor Ernest Hemingway a título de curiosidade para os interessados. Por que tanto sucesso, afinal?


"A sabedoria dos velhos é um grande engano. Eles não se tornam mais sábios, mas sim mais prudentes."


Ernest Miller Hemingway nasceu no ano de 1899, em Oak Park, Illinois (EUA). Filho de um médico da zona rural, cresceu em contato com um ambiente pobre e rude, que conheceu ao acompanhar o trabalho do pai na região. Esse ambiente foi descrito em seu livro de contos In Our Time (1925).

A vida e a obra de Hemingway tem intensa relação com a Espanha, país onde viveu por quatro anos. Uma breve passagem, mas marcante para um escritor americano que estabeleceu uma relação emotiva e ideológica com os espanhóis. Em Pamplona, meados do século XX, fascinado pelas touradas, a ponto de tornar-se um toureiro amador, transporta essa experiência para o livro O Sol Também Se Levanta (1926). 

Ainda muito jovem, decidiu ir à Europa pela primeira vez, quando a Grande Guerran assombrava o mundo (1918). Hemingway havia terminado o segundo grau em Oak Park e trabalhado como jornalista no Kansas City Star. Tentou alistar-se, mas foi preterido por ter um problema na visão. Decidido a ir à guerra, conseguiu uma vaga de motorista de ambulância na Cruz Vermelha. Na Itália, apaixonou-se pela enfermeira Agnes Von Kurowsky, sua inspiração na criação da heroína de Adeus às Armas (1929) – a inglesa Catherine Barkley. Atingido por uma bomba, retornou para Oak Park que, depois do que viu na Itália, tornou-se monótona demais.

Trabalhou como correspondente de guerra em Madrid durante a Guerra Civil Espanhola. A experiência como jornalista do North American Newspaper Alliance, não o hesitou em se aliar às forças republicanas contra o fascismo , tema do livro Por Quem os Sinos Dobram (1940), considerada sua obra-prima. Ao fim da Segunda Guerra Mundial se instalou em Cuba. 
Levando uma vida turbulenta, Hemingway casou-se quatro vezes, além de vários relacionamentos românticos. Em 1952 publicou "O Velho e o Mar", com o qual ganhou o prêmio Pulitzer(1953).2 Foi laureado com o Nobel de Literatura de 1954.

Ao longo da vida do escritor, o tema suicídio aparece em escritos, cartas e conversas com muita frequência. Seu pai suicidou-se em 1929 por problemas financeiros e de saúde. Sua mãe, Grace, dona de casa e professora de canto e ópera, o atormentava com a sua personalidade dominadora. Ela enviou-lhe pelo correio a pistola com a qual o seu pai havia se matado. O escritor, atônito, não sabia se ela queria que ele repetisse o ato do pai ou que guardasse a arma como lembrança.Aos 61 anos e enfrentando problemas de hipertensão, diabetes, depressão e perda de memória, Hemingway decidiu-se pela primeira alternativa.

Todas os personagens deste escritor se defrontaram com o problema da "evidência trágica" do fim. A vida inteira jogou com a morte, até que, na manhã de 2 de julho de 1961, em Ketchum, Idaho, tomou um fuzil de caça e disparou contra si mesmo. O autor encontra-se sepultado em Ketchum Cemetery, Condado de Blaine, Idaho, nos Estados Unidos.


Bibliografia

Romances
  • As Torrentes da Primavera (1925);
  • O Sol Também Se Levanta(1926);
  • Adeus às Armas (1929);
  • Ter e Não Ter (1937);
  • Por Quem os Sinos Dobram (1940);
  • Do Outro Lado do Rio e Entre as Árvores (1950);
  • O Velho e o Mar (1952);
  • Aventuras de um Homem Jovem (1962);
  • As Ilhas da Corrente (1970);
  • O Jardim do Éden (1986).




Título: O Velho e o Mar
Autor: Ernest Hemingway
Edição: 55
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 128
ISBN: 8528607593
Nota: 3 de 5

SINOPSE: Essa é a história de um homem que convive com a solidão do alto-mar, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e sua inabalável confiança na vida. Esse é o fio do enredo - fio tenso como o que prende na ponta da linha o grande peixe que acaba de ser pescado - com o qual Hemingway arma uma das mais belas obras da literatura contemporânea. Há 84 dias que Santiago, um velho pescador, não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um salão, ou seja, um azarento da pior espécie. Mas Santiago possui têmpera de aço, acredita em si mesmo, e parte sozinho para o mar alto munido da certeza de que, desta vez, será bem- sucedido no seu trabalho.

Comentários:

Escrevo esta resenha – mais simples e objetiva das quais vocês estão acostumados a ver por aqui – com grande precaução, afinal, o livro pautado nada mais é do que um clássico renomado da literatura inglesa. Isso significa que tenho uma enorme responsabilidade em mãos, mas por não ser uma leitora assídua de clássicos universais, às vezes não me sinto apta o bastante para falar sobre. Entretanto, gosto de sempre dar chance à obras de tamanha notoriedade que sejam do meu interesse, pois sou totalmente adepta aos mais variados gêneros literários, e gosto de experimentar de tudo um pouco. Então vamos lá... serei clara e franca.

Qualificado para o Prêmio Nobel de Literatura de 1954, O Velho e o Mar é uma das obras de ficção mais famosas do escritor Ernest Hemingway. Publicado em 1952, o romance vem sendo alvo de muitas críticas divergentes até hoje, trazendo uma grande ambiguidade no quesito apreciação.

O personagem principal chama-se Santiago. Apesar de ser um velho pescador bastante experiente, está há três meses sem conseguir pescar um peixe sequer. Sua fonte de motivação para não desistir da façanha é o menino Manolin, que por conta de uma proibição dos pais, deixa de acompanhá-lo em suas aventuras no mar. Em uma manhã de pescaria, porém, Santiago consegue encontrar um peixe de tamanho descomunal, que oferece muita resistência a princípio, arrastando sua a canoa para cada vez mais longe. Esse duelo entre o peixe e o velho o fez enfrentar várias situações perigosas, mas ele não ia desistir até matar e amarrar o peixe à sua canoa. Não tão fácil.

A trama – narrada em terceira pessoa – gira basicamente em torno desse acontecimento. A história é corrida (sem divisão de capítulos), e o livro oferece uma série de imagens que o ilustra bem. Um fato interessante é que o velho dialoga muito consigo mesmo enquanto está no mar, pensando principalmente na falta em que o garoto faz. Inclusive, antes do clímax do texto, vemos uma aproximação muito grande dos dois quando o autor nos mostra (em sua criação/percepção) a vida simples e sofrida de Santiago. Além de não ter ninguém morando com ele, o mesmo passava fome e dorme em um amontoado de jornais. Mas o garoto supre essa falta, e ao longo do enredo isso é perceptível.

Outra curiosidade é que, para mim, a trama foi pouco previsível. Apesar de bastante centralizada, eu me aventurei sem saber muito que o esperar, e da mesma forma que isso me satisfez, também me decepcionou. Achei incrível a forma como o autor lidou com uma pessoa de idade mais avançada, e uma criança. A relação deles me emocionou, e me fez pensar que dificilmente gestos assim (com pessoas apenas conhecidas ou próximas) são verossímeis. Foi de uma simplicidade e doçura belíssimas. Porém, eu esperava um pouco mais desse elemento como um todo, pois ideia do texto acabou sendo focada na superação da pescaria e no rompimento do orgulho próprio.

Talvez O Velho e o Mar não tenha atendido minhas expectativas justamente porque eu desejei algo que foi pouco evidenciado, mas que me encantou mesmo assim. Embora a leitura seja rápida e de fácil entendimento, não fluiu com tanta sede justamente por focar demais em um fato que não me instigou tanto: a luta do velho pelo alcance do peixe. Todavia, a experiência literária me ofereceu valores especiais e que eu com certeza não esquecerei. 

Recomendo o livro para quem procura um clássico que reflete sobre superação, angústias e desafios. Mas se você prefere narrativas com grandes reviravoltas e uma trama mais elaborada, cheia de fatos que se reproduzem, talvez essa não seja uma boa opção.


– O que é que você trás aí? – perguntou.
– O jantar – respondeu o garoto. Vamos comer.
– Não tenho fome.
– Mas você precisa comer. Não pode ir à pesca sem comer.
– Já comi – murmurou o velho, levantando-se e dobrando o jornal. Depois começou a dobrar também a manta.
– Ponha a manta nas costas – disse o garoto –. E fique sabendo que, enquanto eu for vivo, você não irá à pesca sem comer.

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