Título: O Velho e o Mar
Autor: Ernest Hemingway
Edição: 55
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 128
ISBN: 8528607593
Nota: 3 de 5
SINOPSE: Essa é a história de um homem que convive com a solidão do alto-mar, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e sua inabalável confiança na vida. Esse é o fio do enredo - fio tenso como o que prende na ponta da linha o grande peixe que acaba de ser pescado - com o qual Hemingway arma uma das mais belas obras da literatura contemporânea. Há 84 dias que Santiago, um velho pescador, não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um salão, ou seja, um azarento da pior espécie. Mas Santiago possui têmpera de aço, acredita em si mesmo, e parte sozinho para o mar alto munido da certeza de que, desta vez, será bem- sucedido no seu trabalho.
Comentários:
Escrevo esta resenha – mais simples e objetiva das quais vocês estão acostumados a ver por aqui – com grande precaução, afinal, o livro pautado nada mais é do que um clássico renomado da literatura inglesa. Isso significa que tenho uma enorme responsabilidade em mãos, mas por não ser uma leitora assídua de clássicos universais, às vezes não me sinto apta o bastante para falar sobre. Entretanto, gosto de sempre dar chance à obras de tamanha notoriedade que sejam do meu interesse, pois sou totalmente adepta aos mais variados gêneros literários, e gosto de experimentar de tudo um pouco. Então vamos lá... serei clara e franca.
Qualificado para o Prêmio Nobel de Literatura de 1954, O Velho e o Mar é uma das obras de ficção mais famosas do escritor Ernest Hemingway. Publicado em 1952, o romance vem sendo alvo de muitas críticas divergentes até hoje, trazendo uma grande ambiguidade no quesito apreciação.
O personagem principal chama-se Santiago. Apesar de ser um velho pescador bastante experiente, está há três meses sem conseguir pescar um peixe sequer. Sua fonte de motivação para não desistir da façanha é o menino Manolin, que por conta de uma proibição dos pais, deixa de acompanhá-lo em suas aventuras no mar. Em uma manhã de pescaria, porém, Santiago consegue encontrar um peixe de tamanho descomunal, que oferece muita resistência a princípio, arrastando sua a canoa para cada vez mais longe. Esse duelo entre o peixe e o velho o fez enfrentar várias situações perigosas, mas ele não ia desistir até matar e amarrar o peixe à sua canoa. Não tão fácil.
A trama – narrada em terceira pessoa – gira basicamente em torno desse acontecimento. A história é corrida (sem divisão de capítulos), e o livro oferece uma série de imagens que o ilustra bem. Um fato interessante é que o velho dialoga muito consigo mesmo enquanto está no mar, pensando principalmente na falta em que o garoto faz. Inclusive, antes do clímax do texto, vemos uma aproximação muito grande dos dois quando o autor nos mostra (em sua criação/percepção) a vida simples e sofrida de Santiago. Além de não ter ninguém morando com ele, o mesmo passava fome e dorme em um amontoado de jornais. Mas o garoto supre essa falta, e ao longo do enredo isso é perceptível.
Outra curiosidade é que, para mim, a trama foi pouco previsível. Apesar de bastante centralizada, eu me aventurei sem saber muito que o esperar, e da mesma forma que isso me satisfez, também me decepcionou. Achei incrível a forma como o autor lidou com uma pessoa de idade mais avançada, e uma criança. A relação deles me emocionou, e me fez pensar que dificilmente gestos assim (com pessoas apenas conhecidas ou próximas) são verossímeis. Foi de uma simplicidade e doçura belíssimas. Porém, eu esperava um pouco mais desse elemento como um todo, pois ideia do texto acabou sendo focada na superação da pescaria e no rompimento do orgulho próprio.
Talvez O Velho e o Mar não tenha atendido minhas expectativas justamente porque eu desejei algo que foi pouco evidenciado, mas que me encantou mesmo assim. Embora a leitura seja rápida e de fácil entendimento, não fluiu com tanta sede justamente por focar demais em um fato que não me instigou tanto: a luta do velho pelo alcance do peixe. Todavia, a experiência literária me ofereceu valores especiais e que eu com certeza não esquecerei.
Recomendo o livro para quem procura um clássico que reflete sobre superação, angústias e desafios. Mas se você prefere narrativas com grandes reviravoltas e uma trama mais elaborada, cheia de fatos que se reproduzem, talvez essa não seja uma boa opção.
– O que é que você trás aí? – perguntou.
– O jantar – respondeu o garoto. Vamos comer.
– Não tenho fome.
– Mas você precisa comer. Não pode ir à pesca sem comer.
– Já comi – murmurou o velho, levantando-se e dobrando o jornal. Depois começou a dobrar também a manta.
– Ponha a manta nas costas – disse o garoto –. E fique sabendo que, enquanto eu for vivo, você não irá à pesca sem comer.
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