Estamos dando início hoje a um novo projeto no Universo Literário. Este consiste em vídeos mensais acerca de clássicos ou livros antigos que merecem ser lidos por várias gerações. Este é um espaço para uma vertente literária pouco explorada no blog, mas igualmente interessante. A depender da repercussão, e a medida que o nosso canal for se expandindo (finalmente temos um, hein!), novidades irão surgindo, portanto, fique ligado! A proposta é interagir com vocês de um modo diferente e ainda mais dinâmico.

O Vlog Literário marca a minha volta para a família UL, desta vez como colunista. Aguardo os comentários de vocês sobre meu primeiro vídeo, de críticas a opiniões. Será tudo muito bem-vindo!





Resenhas citadas no vídeo:



Título: O Pequeno Príncipe (Le Petit Prince)
Autor: Antoine de Saint-Exupéry
Edição: 48ª
Editora: AGIR
Páginas: 94
ISBN: 9788522005239
Nota: 4 de 5

Sob o título original de “Le Petit Prince”, Antoine de Saint-Exupéry nos remete a uma narrativa pura e rica em ensinamentos em tom de fábula. Sua publicação, dada originalmente em 1943 nos Estados Unidos por motivos de exílio do escritor, teve sua edição francesa apenas em 1945, pela Librairie Gallimard.

Esta singela história com 27 capítulos, reflete os valores da amizade, do desapego, do amor ao próximo e na capacidade de poder doar-se ao outro: uma mensagem de paz em tempos de guerra. Mensagem dedicada às crianças, por toda a sua pureza, mas por que não dedicado também aos adultos? Afinal, nunca é tarde para atrair para si lições como essas... É exatamente isso que o livro propõe.

“Livro de criança? Com certeza.
Livro de adulto também, pois todo homem traz dentro de si o menino que foi.”
(Contracapa)
A narrativa é repleta de personagens que nos levam a reflexão por meio de metáforas: o rei, o geógrafo, a raposa (personagem mais conhecida), o contador, o bêbado, a rosa... Dá-se início quando o pequeno avião do principezinho o deixa em pleno deserto do Saara. Depois de adormecer nas areias, é acordado por uma criança que lhe pede um desenho de um carneiro. “É ai que começa o relato das fantasias e sonhos de uma criança, como tantas outras, que questionam com pureza e ingenuidade as coisas mais simples da vida.” Vivendo em um asteroide, inicia sua jornada por 7 planetas (contando a Terra), onde o Príncipe se deparou com as mais variadas criaturas, algumas tristes, solitárias ou até mesmo egoístas. Essa viagem só começou pelo fato da desilusão com sua rosa, achando que ela era egoísta e boba. Percebeu então, com sua experiência, que haviam mais rosas como a dele, mas que a dele, por ser dele, era única e especial. Percebemos então o valor da amizade e do amor expresso, posto que existem pessoas e pessoas, mas ninguém pode ser tão especial quanto o seu amigo, quanto uma pessoa que se ama muito.


“- Criar laços?
- Exatamente – disse a raposa – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti.  E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...”
(Pág. 66)
A raposa representa um antagonismo: no mundo real, é considerada um bicho traiçoeiro. Na história, é o ser que mais nos remete a valores e ensinamentos. Prova de que nem todos são como parecem ser...

É necessário que se perceba cada lição por detrás dos fatos. Descobre-se um verdadeiro mundo mais leal e puro, dotado somente de boas ações. Na leitura, nos enveredamos a algo que penetra no fundo da alma e do coração, reflexivo e altamente delicado... Encontramos “raposas” durante a nossa vida e às vezes não percebemos, mas certo é que elas sempre deixam um pouco de si dentro de nós.

Segredinho da raposa revelado ao principezinho: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”
(Pág.70)
"Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para fazê-lo feliz quando a contempla."

Estamos lidando com uma fábula sobre amizade, solidariedade e desapego, onde a junção das pequenas histórias contadas acomete à realidade. Acontece que a realidade propriamente dita está longe de ser casta, e é por isso que o livro nos propõe uma conjectura maior sobre o valor das pequenas coisas da vida, como amar o próximo, ou dar valor a uma grande amizade e ao que realmente importa, por exemplo. Em outras palavras, a obra quer transmitir os sentimentos existentes dentro do coração de cada ser humano, que muitas vezes estão ocultos, onde, na maioria das ocasiões, não deixamos transparecer em meio aos afazeres do dia a dia.

A obra é possuidora de uma linguagem de fácil entendimento. Os capítulos são curtos, e há ilustrações por toda a parte. É sublime, triste, mas carregado de emoções. Possui passagens e trechos maravilhosos, donos de uma forma cativante que não há como explicar, apenas... só sabe quem sente. Arrisque-se nesta viagem da mente! Garantimos que ela deixará marcas em você, principalmente em seu coração.

Olá, blogueiros e leitores queridos!

Bem, na última postagem eu trouxe algumas indicações acerca da literatura francesa e fiquei muito contente ao receber comentários tão positivos! :D

Ainda me utilizando desse assunto e já que indiquei como leitura "O Pequeno Príncipe", por que não uma biografia do autor? Bem, vamos descobrir todo sua obra e sua vida... Quem sabe alguns de vocês não se interessam também pelas outras histórias deste tão aclamado autor?! ;)

Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry (UFA!) nasceu a 29 de junho de 1900 em Lyon na França e faleceu a 31 de julho de 1944 na região do Mar Mediterrâneo. Era o terceiro filho de um casal de condes, uma família nobre, porém empobrecida. 
Inicialmente estudou no colégio jesuíta de Notre-Dame de Saint-Croix, todavia, no primeiro ano da Primeira Guerra Mundial, se transfere juntamente com seu irmão François para o colégio dos Maristas, na Suíça. 
Obteve licença de piloto em 1922, durante o serviço militar, e quatro anos depois ingressou na aviação pela companhia Latécoère.
Publicou seu primeiro livro, Correio do Sul, em 1929, na época em que ajudou a implantar rotas de correio aéreo na África, América do Sul e no Atlântico Sul.

Na década de 1930, trabalhou como piloto de provas, adido de publicidade para a companhia aérea Air France e repórter do Paris-Soir. Na Segunda Guerra Mundial, apesar das deficiências físicas causadas por alguns acidentes aéreos, Saint-Exupéry serviu na aviação aliada. Com a queda da França em poder dos nazistas, fugiu para os Estados Unidos. Nesse período é que escreveu "O Pequeno Príncipe". 

Em 1943, voltou à força aérea no norte da África e morreu em missão, em 31 de julho de 1944.

Por hoje é isso, pessoal!

Um beijo e bom domingo a todos! ;) 

Olá, pessoal!

Hoje eu vim com mais uma indicação, só que desta vez, diferente. Quis trazer uma espécie de lista de livros da literatura francesa.
Sou muito suspeita pra indicar, pois, pra quem não sabe, estou prestando vestibular para o curso de Letras e pretendo fazer como língua o francês, que pra mim é uma linda língua e recheada de ótimas obras!
A literatura francesa é uma das mais influentes de todo o mundo. Foi lá que começaram a surgir as grandes escolas de literatura e de onde provém escritores como Victor Hugo, Paul Valéry, Gustave Flaubert, Marcel Proust e meu amado Albert Camus (biografia dele aqui).


Bem, vamos aos livros? Separei três para vocês ;)


O Estrangeiro - Albert Camus

"Hoje morreu a minha mãe. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo:
'Sua mãe falecida: Enterro amanhã. Sentidos pêsames'.
Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem."
- Um dos clássicos do meu autor preferido (com resenha aqui), O Estrangeiro fez com que Camus ganhasse o prêmio Nobel de Literatura em 1957.
Com uma história simples e ao mesmo tempo crítica, consegue se tornar um clássico também para quem lê.



Madame Bovary - Gustave Flaubert


"...A loucura assaltava-a, teve medo e chegou a controlar-se, mas confusamente, é verdade; pois não lembrava a causa de seu horrível estado, isto é, a questão do dinheiro. Sofria somente em seu amor e sentia sua alma abandoná-la com aquela lembrança, como os feridos, ao agonizar, sentem a existência esvair-se por sua chaga que sangra."
O romance de Gustave Flaubert foi a obra que deu origem ao Realismo e que é baseada em fatos da vida real. A história retrata a infidelidade de Emma para com Charles Bovary, seu marido, sendo esse o motivo que levou o autor a condenação por insultar a moral e os costumes da época. Uma narrativa tão bem aclamada durante gerações merece nossa conferida ;)

O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry

"—Tu és ainda para mim um garoto igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim ÚNICO no mundo. E eu serei para ti única no mundo..."
Esse clássico não poderia faltar! "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"... É com essa frase que o livro ganhou o mundo, com tradução para diversas línguas e conquistando a todos os públicos com lições maravilhosas e passagens sensacionais! Leitura mais que recomendada e obrigatória :D

E aí, galera? O que acharam das indicações?

Grande abraço aos leitores queridos ;)

Olá, pessoal!

Trago a resenha de O Menino do Dedo Verde, clássico da literatura infanto-juvenil (que não deixa de ser um clássico para os adultos!). Considerado por mim um dos meus livros preferidos, acho incrível como Maurice Druon consegue ser tão abrangente em críticas e reflexões de forma tão sutil e tão bela. O reli pela terceira vez e cá estou reformulando a resenha também! 


Título: O Menino do Dedo Verde (Tistou Les Pouces Verts)
Autor: Maurice Druon (Tradução de D. Marcos Barbosa)
Edição: 57ª
Editora: José Olympio
Páginas: 149
ISBN: 85-03-00137-3


"Tistu é um nome esquisito, que a gente não acha em calendário algum, 
nem do nosso país nem dos outros. Não existe um São Tistu.
Mas havia, no entanto, um menino a quem todos chamavam Tistu... 
E é preciso explicá-lo." [...] (p. 5)


O Menino do Dedo Verde (Tistou Les Pouces Verts, título original em francês), único romance infantil de Maurice Druon, não é apenas um clássico da literatura infantil universal. Segundo Dom Marcos Barbosa, tradutor do livro para o português, "certas obras não transcendem apenas as fronteiras dos países, mas também as fronteiras das idades". É uma obra-prima cheia de humor e poesia, que narra o processo de educação de um menino que busca entender o mundo em que vive e que vai deixando suas impressões digitais por onde passa.

Na cinzenta cidade de Mirapólvora é onde mora Tistu, em uma grande casa, a Casa-que-Brilha. Juntamente com ele, moram o Sr. Papai, Dona Mamãe e o seu querido pônei, Ginástico. Eles são ricos e o Sr. Papai é o proprietário da  fábrica de canhões da cidade. Quando Tistu chegou à idade de ir à escola, Sr. Papai recebia reclamações constantes dos professores de que seu filho só dormia nas aulas. Ao perceber que Tistu não aprendia as lições, seu pai resolve fazer com que seu filho aprenda as coisas vivenciando-as e, então, ele passa a ter aulas com o jardineiro Sr. Bigode e com o gerente da fábrica de canhões, o Sr. Trovões.

Em sua primeira aula de jardinagem, Sr. Bigode descobre um dom fantástico em Tistu: o menino tem o dedo verde e, com isso, tem o poder de fazer nascer flores onde ele encostar o seu dedo! Porém, "o polegar verde é invisível. A coisa se passa dentro da pele: é o que se chama um talento oculto"  (p. 39). Sendo assim, os dois mantêm este segredo e o jardineiro passa a ser conselheiro de Tistu.

Quando começa a ter aulas na fábrica de canhões com o Sr. Trovões, Tistu vê o lado triste do mundo: miséria, prisão, guerra, hospital. Resolve, dessa forma, alegrar os ambientes com seu dom especial. A partir deste dia, a vida em Mirapólvora começa a mudar...

O livro começa com uma crítica já às ideias pré-fabricadas que temos no mundo, pois, muitas vezes, ''as pessoas grandes não sabem mesmo o nosso nome, como também não sabem, por mais que o pretendam, de onde foi que viemos, por que estamos aqui e o que devemos fazer nesse mundo'' (p. 6).

Na terceira releitura, pude perceber mais a fundo outras críticas sociais no romance: críticas ao sistema de educação, ao sistema carcerário, à segregação social, à prisão dos animais, à motivação por detrás das guerras, ao capitalismo... Druon nos remete à uma metáfora surreal em cada situação, conseguindo também usar muito bem a simplicidade. O dom de Tistu passa a mudar o pensamento e comportamento das pessoas, o que antes parecia algo rígido, imutável.

Tistu é uma criança sensível, com senso de justiça, inocente e que nos permite pensar e aceitar a esperança e o otimismo como chaves para um mundo melhor. Também mostra o quanto vivemos cercados pelo comodismo de cada dia: ''A gente se habitua a tudo, mesmo às coisas mais estranhas'' (p. 65).

Mais do que recomendada essa leitura para crianças, jovens e adultos, sem dúvidas é um livro para eternas releituras, para cada época da vida, para reavivar as reflexões e as esperanças.

Com a leitura de O Menino do Dedo Verde, podemos fazer um paralelo ao clássico de Antoine de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe. Enquanto o último pertence a uma mitologia e é efêmero, O Menino do Dedo Verde está preso às situações frequentes, num aspecto sociológico, que envolvem nosso mundo. Tistu é alguém com a de missão de despoluir, humanizar e introduzir o lirismo no cotidiano, já que desaprendemos a vê-lo.

Incrivelmente apaixonante como O Pequeno Príncipe, sua mensagem é mais urgente e original. Como sugere a crônica de Nogueira Moutinho nas orelhas do livro: "Cremos estar presenciando o retorno do Pequeno Príncipe: como nas fábulas antigas, se disfarça de Tistu, para só revelar sua verdadeira identidade aos que como ele possuem um polegar verde."


"As pessoas grandes têm a mania de querer, a qualquer preço explicar o inexplicável. Ficam irritadas com tudo que as surpreende. E logo que acontece no mundo algo novo, obstinam-se em querer provar que essa coisa nova se parece com outra que já conheciam há muito tempo." (p. 59)

(Nota: Excelente!)