Título: Matéria Escura*
Autor: Blake Crouch
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 352
ISBN: 9788551001226
Nota: 4,5 de 5

SINOPSE: Raptado por um homem mascarado, Jason Dessen é levado para uma usina abandonada e deixado inconsciente. Quando acorda, um estranho sorri para ele, dizendo: “Bem-vindo de volta, amigo.” Neste novo mundo, Jason leva outra vida. Sua esposa não é sua esposa, seu filho nunca nasceu e, em vez de professor numa universidade mediana, ele é um gênio da física quântica que conseguiu um feito inimaginável. Algo impossível. Será que é este seu mundo, e o outro é apenas um sonho? E, se esta não for a vida que ele sempre levou, como voltar para sua família e tudo que ele conhece?

Comentários:

Eu amo ficção-científica, mas tenho sérios problemas com leituras cheias de termos técnicos e de difícil compreensão para leigos no assunto, como eu. Por isso, acabo preferindo séries de TV e filmes do gênero, mais do que os livros, porque o recurso visual me ajuda em certos aspectos. Sem contar que quase sempre são menos complicados e entediantes.

Ainda assim, optei por encarar a leitura de Matéria Escura, porque inicialmente eu tive a impressão que, para além da ficcção, questões humanas trariam leveza à narrativa. Inclusive, a proposta é que a trama seja instigante e curiosa para os leitores do gênero, seja qual for o nível de entendimento dele. E é exatamente o que acontece. Blake Crouch não só cumpre sua ideia, facilitando para o leitor, como também deixa uma mensagem poética incrivelmente emocionante.

A trama é narrada pelo professor universitário de física quântica, Jason Dessen. Jason tem uma vida normal, relativamente boa e confortável. Mas isso só existe porque ele e sua esposa, Daniela, abdicaram do prestígio social para criarem um lar e se dedicarem à família. Esse foi o caminho que eles decidiram seguir após a descoberta de uma gravidez não programada, mas vale salientar que a história se passa quando a criança, na verdade, já é um adolescente.

Enquanto Jason tinha tudo para ser um físico renomado, Daniela poderia se tornar uma brilhante artista. Como seriam suas vidas se isso tivesse acontecido é uma dúvida que permeia sobre eles, mesmo após tantos anos. É através desse contexto que o autor insere a ficção científica à narrativa, pautando as teorias de física quântica que abrangem os multiuniversos, também conhecidos por universos paralelos.

Após ser raptado, Jason acorda em uma nova realidade, onde ele não é mais um professor, mas sim um gênio da física quântica que revolucionou a ciência. Lá ele também não é casado com Daniela, não tem filho, e não possui nenhum familiar por perto. O que aconteceu para sua realidade ter sido alterada você só vai descobrir conferindo essa narrativa eletrizante, de leitura fácil, concisa, cheia de conceitos intrigantes e repleta de reviravoltas.

Apesar dos capítulos serem maiores que o convencional, a leitura tem um ritmo frenético, assim como a viagem alucinógena que o protagonista é levado a vivenciar por conta da ganância e arrogância de um Jason que ele próprio até então desconhecia. Enfim, o enredo é brilhante e não deixa pontas soltas. Já os cenários e os personagens são bem construídos e muito verossímeis.

Somado a isso, há situações que nos fazem refletir sobre as nossas escolhas, sobre as incertezas que elas nos impõe, sobre as nuances da vida profissional e pessoal, dentre outras coisas que nos deixam à flor da pele. Portanto, recomendo demais esse thriller sci-fi. Ele faz o irreal se tornar real a ponto de te emocionar. É de superar todas as expectativas possíveis, pode acreditar.

*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca. 


Título: Nada Mais a Perder*
Autor: Jojo Moyes
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 400
ISBN: 9788580579703
Nota: 4 de 5

SINOPSE: Na juventude, Henri Lachapelle foi um cavaleiro de raro talento, entre os poucos admitidos na academia de elite do hipismo francês, o Le Cadre Noir. Contudo, reviravoltas da vida o levaram da França a Londres. Sem nunca abandonar o amor pela antiga carreira, aos trancos e barrancos, Henri ensina a neta, Sarah, a montar o cavalo Boo, na esperança de que o talento da dupla seja o passaporte para uma vida melhor e mais digna para todos. Mas novos rumos mudam mais uma vez os planos de Henri Lachapelle, e Sarah se vê entregue à própria sorte, lutando para, além de sobreviver, cuidar de Boo e manter os treinamentos.
Em paralelo temos Natasha, uma advogada especializada em representar crianças e adolescentes envolvidos com crimes ou em situação de risco. Abalada emocionalmente e em dúvidas quanto a seu futuro profissional depois de um caso terrível, Natasha ainda tem de lidar com as feridas do fim de seu casamento. Um fim, diga-se de passagem, bem inusitado, já que ela se vê forçada a morar com o charmoso futuro ex-marido enquanto esperam a venda da casa da família.
Quando Sarah cruza o caminho de Natasha, a advogada vê na menina a oportunidade de colocar a vida de volta nos trilhos e decide abrigar a adolescente sob o próprio teto. O que ela não sabe é que Sarah guarda um grande segredo que lhes trará sérias consequências.

Comentários:

O desenrolar de romances conturbados parece ser uma das especialidades de Jojo Moyes. Além disso, é comum encontrarmos em seus livros a junção de histórias paralelas, cenários diferentes e muitas reviravoltas intrigantes. Pelo menos é isso que ocorre em Nada Mais a Perder, que entra para o hall das temáticas peculiares e reflexivas propostos pela autora.  

Diferente do que nos conta a sinopse, Natasha não vê em Sarah a oportunidade de colocar a vida nos trilhos. Influenciada pelo ex-marido, Mac, ela somente é levada a ajudar a menina, num acaso. Só para você entender, Sarah aparece na vida deles acidentalmente, em um momento muito difícil de sua vida: seu avô e único parente, Henri Lachapelle, está hospitalizado em situação grave.

Mas a vida de Natasha também não está nada confortável. Mac está de volta para acelerar o processo de separação, o que significa que a casa que eles construíram juntos precisa ser vendida, para que haja a repartição dos bens. Só que essa é a mesma casa que Natasha mora atualmente. Como ele está na cidade, ela se vê obrigada a dividir o ambiente com ele até que tudo esteja resolvido.

Sarah e Natasha são o centro da história. Apesar de estarem em posições diferentes, especialmente por conta da idade, ambas têm muitos obstáculos a enfrentar. Involuntariamente, e mesmo não se entendendo muito bem, uma vai dando a outra novas situações e perspectivas que contribuem muito para a superação de seus respectivos problemas. Assim, notamos a construção do amadurecimento que elas precisam. Isso é uma consequência do difícil convívio cotidiano dessas personagens.

Além delas, Mac e Lachapelle também são extremamente importantes para a trama. Mac traz leveza no relacionamento delas, ao mesmo tempo em que precisa lidar com sentimentos constantes em relação ao divórcio; e Lachapelle contribui com sua linda história de afeto com a cavalaria, além de sua intensa vida amorosa e as consequências que isso trouxe para a sua vida. Em geral, os personagens são muito bem construídos, com personalidades bem acentuadas. São pessoas reais e críveis.

O livro tem inicialmente um ritmo lento. Além disso, existem muitas coisas sobre o universo da cavalaria que provavelmente, pra alguns, sejam irrelevantes. Sobre o ritmo, creio que a autora optou por nos preparar para uma cadência maior, já que a sequência de acontecimentos acelera bastante com o passar dos capítulos. Quanto ao excesso de informações, talvez a intenção tenha sido a de transportar o leitor para esse âmbito que é desconhecido por muitos. Até o que não faz muito sentido acaba sendo compreensível.

Vale destacar também a capacidade que a autora tem de nos dar meios de abrir a mente para entender a conduta descabida dos personagens. Após sentir certo desconforto com algumas situações, somos levados a entender os motivos, a estar no lugar daquela pessoa, a pensar como ela. Inclusive, as personalidades de Jojo tem erros e acertos como todo bom ser humano, e sentir isso através de suas palavras é ainda mais incrível - devido a realidade que ela nos impõe.

Recomendo o livro para os fã da autora. A linguagem é no padrão Jojo Moyes: precisa e visual. 
Vale a pena!

*Cortesia enviada pela Editora Intrínseca. 


"A Menina Que Roubava Livros", escrito por Markus Zusak, comemora hoje sua primeira década de lançamento aqui no Brasil. Por isso, eu não poderia deixar de homenagear essa belíssima história, que roubou meu coração – e que me fez pensar, pela primeira vez, sobre a fragilidade da vida.

Imagem: Google.

Diferentes coisas me agradaram nesse livro a ponto de torná-lo o meu favorito (e a minha desculpa, naquela época, para ler mais e mais). Dentre eles estão: a originalidade da trama, narrada pela Morte e vista sob a ótica de uma criança; as teorias da Morte sobre a conduta humana, além do modo como ela se distrai acompanhando a curta existência das pessoas (vale ressaltar que, por outro lado, com tantas mortes nesse período de guerra, a ceifadora de almas teve muito trabalho a fazer); a paixão de Liesel pelas palavras, o que a fazia roubar livros, mesmo sem o domínio da leitura; o fato de não haver pressa na trama, já que tudo é desenrolado calmamente, mas sem cansar o leitor; a leveza da história ainda que em um cenário de horror; a própria temática de guerra, cujo fator sobrevivência fora destaque; a mistura singular dos elementos amizade, família e confiança; a reflexão, de forma pura, sobre a liberdade e responsabilidade que as pessoas tem em mãos, além de suas consciências; e a gama de personagens cativantes e tão bem construídos.

É por isso que A Menina Que Roubava Livros me trouxe uma experiência tão gratificante, porque, além de tudo que já foi citado, ela oferece uma história linda, mas ambientada numa época triste. Por trás de toda a pureza e simplicidade existe uma sociedade devastada por um conflito global de nações opostas que custou a vida de muitos inocentes. Esse hibridismo mexeu muito comigo... e me ganhou.
 
A mim também. Imagem: Google.

Portanto, posso afirmar que há dez anos minha vida ganhou cor, pois, através da pequena Liesel, eu pude vislumbrar a grandiosidade desse universo literário, que até então tinha sido pouco explorado por mim. Foi assim que eu entendi o que as palavras trariam para a mim, o que a leitura constante poderia me proporcionar. Sem dúvidas esse é o livro precursor da minha vida de leitora. Foi daí que tudo começou, e eu devo muito ao Zusak por isso.

Abraços!


A Filha Perdida, de Elena Ferrante, foi uma das leituras que fiz em janeiro. Como prometido no último diário de leitura, vou falar de forma bem geral o que achei da história., já que o livro tem sido bastante comentado na blogosfera e youtube afora.

Apesar de estar sendo super bem comentada, confesso que, num panorama geral, a história não me comoveu. Em partes, confesso, porque eu encontrei algo um pouco diferente do que eu esperava (as nossas expectativas realmente influenciam muito). Mas não foi só por isso.

Ao longo da leitura fui tendo a impressão que a ideia de desmistificar a maternidade através dos conflitos pessoais (e familiares) da personagem Leda, transformou-se num transtorno pessoal que deixou a narrativa cíclica e sem rumo. As coisas simplesmente não caminham e o desfecho é repentino (se essa era a intenção, ok, mas esse rumo não me ganhou).

Por outro lado, as descrições da personagem sobre seus sentimentos traz importantes reflexões acerca dos papéis que queremos desempenhar em nossas vidas. No caso da Leda, ser mãe e esposa a impedia de viver seus reais desejos. 

Isso me incomodou um pouco, pois, mesmo não sendo mãe, eu vejo esse ato como uma dádiva, um milagre da vida (o que é totalmente contrário para ela). É também uma grande responsabilidade do qual você opta por ter ou não. Temos livre arbítrio para escolher o que queremos, portanto, se você não se encaixa em determinado perfil, então porquê seguir com aquilo? Parece que a vida gosta mesmo de nos pregar peças.

Sendo assim, e apesar das ressalvas, gostei do desconforto que senti. Estar no lugar de outra pessoa que pensa diferente de você te faz olhar sob uma nova ótica e te dá novas perspectivas. Isso é criar empatia.

Além disso, Elena Ferrante tem uma escrita verdadeira, impactante e sem floreios, capaz de provocar um inquietamento em meio a pensamentos (e julgamentos) que emergem a todo instante. Considero isso como algo super positivo.

Ademais, fica a recomendação para quem curte histórias sobre o retrato da maternidade. Leia sabendo que a abordagem aqui é acerca das incertezas e as dificuldades de uma mulher em viver esse papel, o que está bem longe de ser algo mágico.

Abraços!

Título: O Som do Amor*
Autor: Jojo Moyes
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 304
ISBN: 9788551000663
Nota: 4 de 5

SINOPSE: Matt e Laura McCarthy são obcecados pela ideia de herdar a Casa Espanhola — uma construção malcuidada e quase em ruínas no condado de Norfolk, interior da Inglaterra, que tem um valor simbólico para os moradores locais. Para atingir esse objetivo, Laura, a mando do marido, faz todas as vontades do velho Sr. Pottisworth, o proprietário. Entretanto, como o homem nunca deixou nada por escrito, quem acaba por herdar a casa é uma parente distante, Isabel Delancey.
Primeiro violino na Orquestra Sinfônica Municipal, em Londres, Isabel tinha uma vida tranquila com seus dois filhos e o marido, mas tudo virou de cabeça para baixo quando ele morreu em um acidente de carro e deixou uma grande dívida. Sua única oportunidade de recomeço é fincar moradia na Casa Espanhola — algo que o casal McCarthy vai tentar impedir a qualquer custo.

Comentários:

O Som do Amor, escrito por Jojo Moyes, é um romance sobre obsessão e manipulação. Apesar do estilo inconfundível da autora, desta vez ela apresenta uma trama que desperta repulsa do início ao fim, ao mesmo tempo em que suscita questionamentos sobre a capacidade que o ser humano tem em se autossabotar.

A Casa Espanhola, do qual classifico como um dos personagens centrais da história, é um antigo casarão cobiçado por Matt e Laura McCarthy. O casal acreditava que o Sr. Pottisworth, dono da propriedade, deixaria tudo para eles ao morrer — uma vez que eles cuidavam e faziam de tudo para o velho ranzinza (não faziam por caridade; faziam por interesse). Mas, sem um testamento, a casa acaba indo para as mãos de Isabel Delancey, parente mais próxima, que está viúva, cheia de dívidas, e com dois filhos para criar.

Vale ressaltar que a fissura de Matt pela casa nasceu quando ele ainda era muito jovem, na época em que sua família trabalhava por lá. Ele é um cara ambicioso, infiel e capaz de qualquer coisa pelo que deseja, embora finja ser um amoroso pai de família. Laura, sua esposa, preza pelas aparências e por isso acaba se tornando uma mulher submissa, tendo que aturar os maus tratos constantes do marido.

Quando Isabel chega à casa, ela se depara com uma série de problemas estruturais que precisam ser resolvidos com certa urgência. Contudo, ela não tem muito dinheiro e não sabe a quem recorrer. É assim que Matt coloca um novo plano em ação; um plano cheio de segundas intenções que podem levar Isabel ainda mais ao fundo do poço.

E por falar em Isabel, ela é a personagem ociosa que parece não ter noção das coisas. Na realidade, sua vida sempre girou em torno de suas vontades, o que agora acaba por dificultar a vida de seus filhos. Aliás, é a sua filha mais velha, Kitty, uma adolescente, que precisa tomar as rédeas de tudo, e isso inclui a vida financeira da família. Essas atitudes rendem cenas muito conflitantes e interessantes de serem observadas.

Além das personalidades já citadas, não posso deixar de mencionar os moradores da região. Eles são colocados na trama como aqueles que sabem o que está acontecendo de errado com a Isabel e a casa, mas que se limitam a alertá-la, tampouco a ajudar. Isso resulta em fatos previsíveis, mas que ajudam Isabel a ir acordando para a vida de modo que ela repense em quem confiar e no que é melhor para sua família.

O Som do Amor nos mostra dois grandes problemas da conduta humana: o fato de que o ser humano é capaz de se corromper para alcançar um objetivo, e isso pode significar passar por cima de tudo e todos se for preciso; e o quanto somos aptos a atribuir a felicidade a metas talvez inalcançáveis, como se nossa felicidade dependesse de algo exclusivamente do futuro. São assuntos que merecem ser (re)pensados.

A obra, narrada em terceira pessoa pelo ponto de vista de praticamente todos os personagens, é cheia de reviravoltas e transita do previsível ao imprevisível. A leitura é fluída, mas causa mau estar diante de tantas traições e egoísmos. E as personalidades, que não são muito cativantes (exceto a Kitty), refletem muitas imperfeições e egocentrismo.

Outras questões como o luto e o crescimento pessoal são abordadas pontualmente, ainda que de forma tímida. Mesmo que não tenha trazido nada de novo, isso deu um toc especial à narrativa, complementando-a em vários sentidos. Além disso, esses pontos contribuíram para um desfecho transformador sobre o que realmente importa em nossa vida; sobre a conduta que queremos ter para nós mesmos; e sobre o que queremos cultivar em nossos corações. Recomendo! 

*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca. 


Título: As Mil Noites*
Autor: E. K. Johnston
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
ISBN: 9788580579819
Nota: 3 de 5

SINOPSE: Clássico da literatura universal, as histórias de As mil e uma noites estão no imaginário de todos — do Oriente ao Ocidente. É impossível que alguém nunca tenha ouvido falar sobre Ali Babá e seus quarenta ladrões, ou sobre Aladim e o gênio da lâmpada. Ou sobre Sherazade, a mulher sagaz e inteligente que se casou com um homem cruel, e, por mil e uma noites, driblou a morte narrando contos de amor e ódio, medo e paixão, capazes de dobrar até mesmo um rei. Em As mil noites, a história se repete, mas com algumas diferenças… 
Quando Lo-Melkhiin chega àquela aldeia — após ter matado trezentas noivas —, a garota sabe que o rei desejará desposar a menina mais bela: sua irmã. Desesperada para salvar a irmã da morte certa, ela faz de tudo para ser levada para o palácio em seu lugar. A corte de Lo-Melkhiin é um local perigoso e cheio de beleza: intricadas estátuas com olhos assombrados habitam os jardins e fios da mais fina seda são usados para tecer vestidos elegantes. Mas a morte está à espreita, e ela olha para tudo como se fosse a última vez. Porém, uma estranha magia parece fluir entre a garota e o rei, e noite após noite Lo-Melkhiin vai até seu quarto para ouvir suas histórias; e dia após dia, ela continua viva. Encontrando poder nas histórias que conta todas as noites, suas palavras parecem ganhar vida própria. Coisas pequenas, a princípio: um vestido de seu lar, uma visão de sua irmã. Logo, ela sonha com uma magia muito mais terrível, poderosa o suficiente para salvar um rei...

Comentários:

As Mil Noites, apesar de ser mais uma releitura dos clássicos contos das mil e uma noites, traz uma trama em prosa bem diferente de sua referência, com elementos fantástico e muito mistério. E para ser ainda mais intensa, E. K. Johnston, autora da obra, apostou em descrições reais de um reino dominador, transportando o leitor para uma realidade completamente nova e até assustadora.

O rei Lo-Melkhiin teve sua essência roubada após voltar de uma caça, quando um demônio se apoderou dele para alimentar-se de sua alma. Por esse motivo, Lo-Melkhiin matou cerca de trezentas garotas antes de chegar à nossa protagonista, uma moça cujo nome não sabemos. Ela, a fim de salvar sua irmã da morte (que por sinal era a mais bonita e desejada daquele lugar), se veste de modo sensual quando o rei chega em sua aldeia, para conquistá-lo. E não é que o plano dá certo?

Assim como a trama original, a moça não morre após a primeira noite de núpcias. Um dos motivos é uma história não finalizada que ela conta ao rei de propósito... então, curioso para saber o que está por vir, ele permite que ela continue viva. E é assim que ele vai conhecendo inúmeras histórias do deserto, da família dela, da tenda de seu pai, sobre sua irmã, dentre várias outras coisas que vão da ficção à realidade.

A forma como a história é contada é muito peculiar, com características, costumes e uma linguagem bem diferente de nossa (causa certa estranheza, mas nada que comprometa nosso entendimento). Trata-se, sobre tudo, de coragem e redenção. Portanto, não espere por um romance arrebatador ou apaixonante... isso transparece de forma mínima e sem emoção alguma. E para muita gente isso pode ser frustrante.

Além disso, confesso que em alguns momentos eu me senti meio perdida na narrativa, preza à repetições que me deixavam um pouco confusa. Talvez porque o enredo, como um todo, demora um pouco a engatar; e o desfecho, em contrapartida, muito apressado. Isso foi o que mais me incomodou.

Ainda assim, gostei muito dos personagens (a principal é um pouco entediante, mas ok), especialmente de Lo-Melkhiin. Apesar de aparecer narrando o livro em poucas partes, suas descrições breve são suficientes para fazer o leitor se apegar a história dele até entender o que aconteceu afinal, e o que irá acontecer. Engraçado como às vezes tendemos a torcer pelo vilão, não é mesmo!?

Recomendo a obra para quem curte releituras originais, livros com uma cultura diferente, ou até mesmo para quem é fã de fantasia. Apesar das ressalvas citadas, me surpreendi muito com a qualidade do livro como um todo. Vale frisar ainda que a Editora fez um excelente trabalho, tanto na tradução como na diagramação e design. Maravilhoso!

*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca.


Título: O Navio das Noivas*
Autor: Jojo Moyes
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 384
ISBN: 9788580579956
Nota: 5 de 5

SINOPSE: Austrália, 1946. É terminada a Segunda Guerra Mundial, chega o momento de retomar a vida e apostar novamente no amor. Mais de seiscentas mulheres embarcam em um navio com destino a Inglaterra para encontrar os soldados ingleses com quem se casaram durante o conflito. 
Em Sydney, Austrália, quatro mulheres com personalidades fortes embarcam em uma extraordinária viagem a bordo do HMS Victoria, um porta-aviões que as levará, junto de outras noivas, armas, aeronaves e mil oficiais da Marinha, até a distante Inglaterra. As regras no navio são rígidas, mas o destino que reuniu todos ali, homens e mulheres atravessando mares, será implacável ao entrelaçar e modificar para sempre suas vidas. 
Enquanto desbravam oceanos, os antigos amores e as promessas do passado parecem memórias distantes. Ao longo da viagem de seis semanas — apesar de permeada por medos, incertezas e esperanças — amizades são formadas, mistérios são revelados, destinos são selados e o felizes para sempre de outrora não é mais a garantia do futuro que foi planejado.
Com personagens únicas e uma narrativa tocante, Jojo Moyes conta uma história inesquecível que captura perfeitamente o espírito romântico e de aventura desse período da História, destacando a bravura de inúmeras mulheres que arriscaram tudo em busca de um sonho.

Comentários:

O Navio das Noivas, de Jojo Moyes, não foi apenas inspirado na história real de sua avó. Ele também é dedicado dedicado a todas as esposas que tiveram coragem suficiente para enfrentar um oceano de incertezas, na esperança de encontrarem um futuro de plenitude ao lado de seus maridos.

Segundo a autora, a Marinha Real entrou na última etapa do repatriamento das mulheres casadas com oficiais ingleses no pós-guerra, mais precisamente em 1946. Em 2 de julho daquele ano, cerca de 655 esposas australianas embarcaram para uma viagem em um  porta-aviões chamado de HMS Victorius, para encontrar seus maridos. Elas tiveram a companhia de mais de 1.100 homens, além de 19 aviões, em uma viagem que durou quase seis semanas. E é exatamente nesse cenário que conhecemos as personagens fictícias de Jojo. Elas são: Maggie, Avice, Jean e Frances.

Maggie é uma jovem que vive em uma fazenda com o pai e seus irmãos. Ela está grávida e precisa ir ao encontro do marido, Joe, mas o receio da viagem e de deixar sua família é uma preocupação inevitável. Avice é uma moça ambiciosa que faz parte da alta sociedade, e, para realizar os seus caprichos, casou-se rapidamente com o oficial Ian. Já Jean, de apenas 16 anos, ainda não tem malícia suficiente para sobreviver em um mundo onde seu papel é ser esposa de um soldado. E, por fim, Frances, uma enfermeira extremamente discreta que guarda muitos segredos.

O livro, dividido em três partes, é narrado em terceira pessoa pelo ponto de vista das quatro noivas e de alguns fuzileiros. Apesar de dividir o foco para vários personagens, na terceira parte da trama nós descobrimos de quem realmente é a história toda. Foi um verdadeiro mistério criado por Jojo, que aliás me enganou muito bem, ao mesmo tempo em que me surpreendeu muito positivamente.

A escrita é real e cativante (mesmo que a história se desenrole devagar), e nos leva diretamente para o cotidiano dessas moças, seus medos, incertezas e esperanças. Suscita assuntos como o papel da mulher na sociedade, injustiças, honestidade, julgamento alheio, e uma série de coisas que nos fazem sentir raiva, tristeza e alegria. É uma trama de preencher o coração; de nos fazer refletir.

Até onde você iria por amor, ou até mesmo por um recomeço? Acho que esse é o maior questionamento que Jojo Moyes faz aos seus leitores através de O Navio das Noivas. E as respostas para essa pergunta são dadas de formas diferentes, por meio de personalidades distintas; algumas mais cativantes que outras, mas todas igualmente fortes.

Gostei muito do livro por diferentes motivos, mas especialmente pelo fato de trazer um pós-guerra pouco explorado na literatura estrangeira. O que prova que com esse assunto é possível criar diversas histórias especiais, comoventes e, sobretudo, impressionantes. Recomendo!

*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca.


Título: Surpreendente*
Autor: Maurício Gomyde
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 272
ISBN: 9788580578089
Nota: 3 de 5

SINOPSE: Aos 25 anos, recém-formado, Pedro está convencido de que é um sujeito muito especial, e que tem a missão de usar o cinema como instrumento para melhorar o mundo. Diagnosticado na adolescência com uma doença degenerativa que o condenaria à cegueira, ele contraria a lógica da medicina quando a perda de sua visão estaciona de forma inexplicável. Enquanto comanda o último cineclube de São Paulo e trabalha em uma videolocadora na periferia, Pedro planeja seu próximo filme - a obra que vai consagrá-lo. E, para animar as coisas, conhece a intrigante Cristal, uma ruivinha decidida, garçonete e estudante de física nuclear, que mexe com seu coração.
A perspectiva idealista de Pedro, porém, sofre sérios abalos. Atormentado por um segredo, ele parte com os amigos Fit, Mayla e Cristal numa longa viagem até Pirenópolis, Goiás, a bordo de um Opala envenenado. Com câmeras nas mãos e espírito de aventura, a equipe técnica improvisada está disposta a usar toda a sua criatividade na filmagem, feita na estrada ao sabor de encontros inesperados e de sentimentos imprevisíveis. E o jovem cineasta descobre que, quando o destino foge do script, nada supera o apoio de grandes amigos.

Comentários:

Surpreendente é o sexto romance publicado pelo autor paulista Maurício Gomyde. O livro foi lançado em 2015 pela Editora Intrínseca, e trouxe consigo muitas expectativas positivas por se tratar de uma trama jovem, com muitas referências à cultura pop, e por ter uma história aparentemente empolgante. Mas fica apenas no ‘aparentemente’ mesmo.

Nosso personagem principal é o Pedro, um rapaz de 25 anos, recém-formado em audiovisual, que sonha ganhar o maior prêmio do cinema brasileiro, o Cacau de Ouro. Enquanto esse dia não chega, ele se ocupa trabalhando em roteiros para seus futuros filmes, além de comandar o último cineclube de São Paulo e uma videolocadora localizada na periferia.

Por conta de um acidente, Pedro descobre que seu problema de visão, que até então havia estacionado, começa a se agravar de repente. Isso o deixa deprimido e bastante inseguro em relação aos seus sonhos, fazendo-o entrar numa crise que o afasta de seus amigos, de seus pais (que, aliás, estão se separando), e de todo o resto, como se nada fizesse mais sentido em sua vida.

Por insistência dos amigos, que tentam tirar Pedro dessa deprê a qualquer custo, ele resolve sair em viagem rumo a Goiás para filmar, sem compromisso, coisas que aparecem pelo caminho. Seria uma viagem para espairecer… até ele descobrir um segredo de família que o deixa ainda mais transtornado, especialmente por ter relação com a sua identidade e origem.

Maurício Gomyde escreve muito bem, o que faz a leitura ser extremamente fluida. Além disso, o livro traz inúmeras referências a músicas e filmes, o que torna tudo mais agradável. Porém, todo o resto é muito fraco: personagens sem personalidade; narrativa com vários elementos não muito bem desenvolvidos; dramatização constante e exagerada; e relacionamento adulto infantilizado. Isso sem contar que muita coisa é previsível e clichê.

Outro ponto negativo é a forma como o autor decidiu apresentar seus personagens, principalmente o Pedro. Durante toda a leitura a impressão que tive é que ele era um pré-adolescente, e não um homem de 25 anos. Tudo bem que idade não é sinônimo de maturidade, mas suas atitudes e reações me irritaram constantemente (seja em relação a cegueira, seja no relacionamento com seus amigos, seja frente ao segredo que ele descobre). Isso não me fez criar ligação alguma com ele. Aliás, por nenhum dos jovens dessa história.

De modo geral, confesso que eu esperava bem mais. Há tantos temas interessantes pincelados, mas a abordagem realmente não me agradou. O que faz Surpreendente não ser exatamente surpreendente. É apenas um entretenimento que irá despertar no leitor certos pensamentos sobre algumas questões da vida – mas essa reflexão fica por conta de cada um, pois a obra não se apropria disso. Ou ainda, um passatempo vez ou outra divertido, de leitura rápida e dinâmica.

Ainda assim, tenho a curiosidade de conferir outra trama idealizada por Gomyde. Para quem ainda não sabe, ele também escreveu Dias Melhores pra Sempre, O Mundo de Vidro, Ainda Não te Disse Nada, O Rosto que Precede o Sonho, e A Máquina de Contar Histórias. Quem quiser conferir mais sobre o seu trabalho, basta acessar www.mauriciogomyde.com.

*Resenha publicada originalmente no Portal Andar de Cima


Título: O Árabe do Futuro 2*
Autor: Riad Sattouf
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 160
ISBN: 9788580578805
Nota: 4 de 5

SINOPSE: No primeiro volume da trilogia O Árabe do Futuro, o pequeno Riad, filho de pai sírio e mãe bretã, passou os primeiros anos de sua vida dividido entre a Líbia, a Bretanha e a Síria. Nesta sequência, ele narra os choques de seu primeiro ano como aluno de uma escola síria, onde enfim aprende a ler e escrever em árabe enquanto enfrenta um ambiente rígido e violento. Ele também conhece mais a fundo a família paterna e, apesar dos cabelos louros e das semanas de férias na França com a mãe, faz todo o possível para se tornar um verdadeiro sírio e encher o pai de orgulho.
A vida no campo, a escola no pequeno vilarejo de Ter Maaleh, as incursões ao mercado negro na cidade grande, os jantares luxuosos com o parente que era general e as caminhadas nas ruínas áridas da antiga cidade de Palmira, conforme retratados no livro, são um impactante mergulho na realidade da então ditadura de Hafez Al-Assad na Síria.

Comentários:

O Árabe do Futuro, de Riad Sattouf, nada mais é do que o autorretrato de uma criança cuja infância se torna plural devido ao contato com diferentes culturas e costumes. Era para ser uma HQ divertida de ser apreciada. E até seria, se ele não mexesse tanto com o emocional do leitor.

No primeiro volume da trilogia – já resenhado por aqui – Riad ainda é muito pequeno e por isso não consegue compreender muito bem o porquê de vivenciar tradições tão desiguais, tampouco o contexto político que sei pai tanto faz questão de mencionar.

Já no segundo livro a jornada continua exatamente de onde parou, mas, no meu ponto de vista, ganha mais solidez e aborda questões mais sérias. Nele, toda a família se instala de uma vez na Síria (a trama se passa nos anos de 1984 e 1985), e assim nós iremos presenciando, junto a eles, as péssimas condições do país naquela época (aliás, hoje continua mais ou menos a mesma coisa).

Até quem tem uma noção mínima sobre a realidade do lugar não escapa de impressionar-se com os costumes, com a desigualdade, com a pobreza, com educação, com a (in)segurança, e com várias outras questões abordadas. E é com tudo isso que Riad precisa lidar, especialmente agora que ele passa a frequentar a escola para enfim começar sua alfabetização.

Vale destacar que a escola que Riad está matriculado preocupa-se mais em ensinar o Corão e o hino da Síria através de castigos muitas vezes sem motivos, do que de fato a educar os alunos orientando-os a ler e escrever. Somado a isso, o pai de Riad enfim passa a ver que seu status de doutor não tem valor algum para aquele lugar.

Não vou me alongar no contexto da trama, porque a sinopse já se encarrega de ser bem precisa nesse sentido. Mas gostaria de citar algo que se destaca fortemente aqui: o papel da mulher dentro dessa sociedade. Muita coisa interessante e problemática é explanada. A mãe de Riad, por exemplo, embora não seja oprimida pelo marido, precisa aturar certas condições que, aos poucos, vão desagradando-a. Até ela chegar ao ponto de fazer certas exigências ao marido.

Ademais, as contradições do pai frente a política e aos costumes da Síria continua sendo abordado. Ele percebe as dificuldades, mas permanece se negando a reconhecer os problemas de seu país. Tudo isso, claro, é mostrado sob o olhar de um menino, deixando tudo ainda mais interessante.

Gostei bastante da HQ como um todo, principalmente porque as questões sérias são contatas com certo humor, por um ponto de vista tecnicamente indiferente. A história vai tomando um percurso mais realista, bastante verossímil, o que é muito atrativo. As ilustrações permanecem com a mesma qualidade: traços simples, mas que nos dão uma noção bem verdadeira dos lugares.

É sempre difícil e cruel ler questões voltadas para a desigualdade, injustiça e miséria. Mas recomendo demais esse quadrinho para todos que curtem saber mais sobre outras nações, tradições e costumes de modo generalizado. Apesar de difícil, ele nos gratifica com reflexões bem interessantes.

*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca.


Título: O Árabe do Futuro*
Autor: Riad Sattouf
Edição: 2015
Editora: Intrínseca
Páginas: 160
ISBN: 9788580576931
Nota: 3,5 de 5

SINOPSE: No volume 1, Riad Sattouf, filho de pai sírio e mãe bretã, viveu uma infância peculiar. Ele tinha apenas três anos quando o pai recebeu um convite para lecionar em uma universidade da Líbia. Em Trípoli, o menino entrou em contato com uma cultura completamente distinta e precisou superar o estranhamento diante de novos costumes — experiência que se repetiria pouco depois na Síria, quando o pai foi trabalhar lá. Com o olhar inocente de uma criança, Riad oferece um importante relato sobre os contrastes entre a vida plácida na França socialista de Mitterrand e os regimes autoritários na Líbia de Kadafi e na Síria de Hafez al-Assad. A partir de suas próprias lembranças e sensações, o autor descreve como foi adaptar-se a realidades tão díspares e mostra detalhes de sua vida em família e da relação com outras crianças.

Comentários:

O relato literário em forma de graphic novel de Riad Sattouf é característico por seus traços simples, pela narrativa fluida e descontraída, e pela análise antropológica de diferentes culturas e ideologias. Trata-se de O Árabe do Futuro, uma trama divida em três volumes que veio para nos dar uma experiência de leitura descontraída e, ao mesmo tempo, desconfortante. 

A narrativa autobiográfica do autor começa em 1978 (o primeiro livro termina em 1984). Nessa época ele estava entre o segundo e o terceiro ano de idade. Antes mesmo da narrativa propriamente dita começar, Raid nos conta como seus pais se conheceram, ainda na faculdade. Ele é fruto de uma uma francesa com um sírio.

Vale destacar que o pai de Riad foi para a Europa à procura de melhores condições de estudo, já que seu sonho era se tornar doutor e, com isso, poder lecionar. Apesar disso, ele sempre se mostrara idealista e defensor da nação árabe, inclusive da educação, o que faz esse homem ser constantemente contraditório frente aos seus ideias. Detalhe que isso ocorre durante toda a história.

Assim que finalizou o doutorado o pai de Riad passou a buscar uma vaga de professor em diversas universidades... até ser aceito na Líbia como docente substituto. É assim que toda a família vai morar em outro país. Na realidade, essa é só a primeira parada, já que todos estão constantemente sujeitos à mudanças por conta do pai.

Em linhas gerais, o livro traz a visão de uma criança sobre a política, a cultura e os costumes de diferentes lugares, tudo contado com certo humor e veracidade. O menino não tem muita noção de certas coisas, como o porquê de vivenciar tradições tão desiguais. Mesmo assim ele é apático e obedece tudo que sei pai diz, e não apenas por ser uma criança, mas porque o pai é o seu herói. 

Minha nota implicou no fato de que existem muitas pinceladas políticas, e esse é o tipo de assunto que eu particularmente não me interesso tanto. Não que não seja interessante conhecer outros contextos políticos, independente da época, mas, neste caso, o fator 'gosto' falou mais alto. Para pessoas que não curtem discutir o assunto essa leitura pode soar por vezes enfadonha. 

Por outro lado, eu gostei bastante do humor ácido, das contradições, dos cenários, e, principalmente, por nos levar para uma realidade tão diferente da nossa a ponto de nos fazer refletir sobre o nosso país e a situação que estamos vivendo (quem em nada se compara a certos lugares).

Quanto as ilustrações, eu não sou uma leitora assídua de HQs e por isso não tenho tanta propriedade para comentar a respeito. Porém, eu gostei muito de tudo que vi, e achei que os traços não só se assemelham com ideia de infância como nos dão uma noção bem real dos lugares.

Recomendo aos fãs de quadrinhos, aos que curtem histórias que pautam outras nações, e a quem adora tramas sérias narradas com bom humor. Através do olhar do pequeno Riad nós iremos acompanhar uma realidade que não é comum de ser vista entre os best-sellers da vida.

*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca.


Título: Baía da Esperança*
Autor: Jojo Moyes
Edição: 3
Editora: Intrínseca
Páginas: 301
ISBN: 9788580578737
Nota: 3,5 de 5

SINOPSE: Liza nunca conseguiu fugir do passado. Mas nas praias paradisíacas da encantadora comunidade de Silver Bay ela ao menos encontrou a liberdade e a segurança que procurava, se não para ela, mas para a sua filha pequena Hannah. Isso até Mike Dormer se hospedar no hotel que Liza administra com a tia. Ele é um perfeito cavalheiro inglês, com roupas elegantes e olhar sério, porém pode significar o fim de tudo que Liza trabalhou arduamente para proteger: não apenas o negócio da família e o lugar que tanto gosta, mas principalmente a convicção de que ela nunca amaria nem seria digna de amor outra vez. 

Comentários: 

Geralmente, temos a tendência a conferir todos os trabalhos de escritores que nos surpreendem em um primeiro contato. É por isso que Jojo Moyes é uma das autoras cujos livros mais aparecem por aqui. Antes de finalizar A Última Carta de Amor eu já previa que seus demais trabalhos entrariam para a minha lista de leituras. O mais proveitoso disso é poder ir constatando seus altos e baixos.

Neste livro, Miker Dormer saiu da Inglaterra com destino à Austrália para uma missão: conhecer e analisar a comunidade de Silver Bay para a construção de um luxuoso resort. Lá ele se hospeda no antigo hotel Baía da Esperança, próximo às belas praias paradisíacas da região, onde acaba ficando até finalizar o relatório necessário.

Nesse lugar, encontramos as três personagens mais importantes da trama: Kathleen (uma senhora, proprietária do Baía da Esperança), Liza (uma mulher de vida sofrida, sobrinha de Kath) e Hannah (uma garotinha, filha de Liza). Elas representam as três gerações do hotel, que também se destaca no enredo como um personagem vivo e repleto de histórias.

De início, tudo o que importa para Mike são os resultados de sua pesquisa, sua ascensão profissional e o lucro nos negócios. Mas, aos poucos, a pacata região e seus moradores vão mostrando a ele que existem coisas ainda mais importantes que isso. E daí vocês podem imaginar o que irá acontecer... ele tentará reverter seus planos, porém, será um pouco tarde para isso. Ou será que não?

Em paralelo temos um mistério que envolve a Liza, refletido em sua cautela e tristeza constantes. Durante toda a trama o leitor é conduzido a imaginar o que de fato aconteceu em seu passado, quais segredos ela guarda, e porquê ela e a filha não podem sair da região. Só próximo ao desfecho ficamos sabendo que se trata de algo bastante perturbador, e que tem a ver com uma criança.

O livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de vários personagens. Isso não seria prejudicial se a autora não tivesse optado por alternar as capitulações excessivamente. Para mim, a leitura acabou ficando um pouco cansativa, especialmente no início, onde as descrições são um tanto exaustivas. Além disso, os personagens não conquistam facilmente (exceto a pequena Hannah), e a história, em alguns pontos, é um pouco previsível.

Outra aspecto que vale destacar é o romance. Se você pretende pegar esse livro acreditando encontrar um romance fofo e natural, como em Como Eu Era Antes de Você, ou algo mais arrebatador, como em A Garota Que Você Deixou Para Traz, pode parar. Aqui existe romance, sim. Mas esse está longe de ser mágico ou incrivelmente apaixonante, além de acabar ficando em segundo plano.

Apesar disso, a escrita de Jojo é sempre muito intensa. E o enredo, de forma geral, é cheio de momentos marcantes e não deixa a desejar. As partes finais, por exemplo, são excepcionais, embora um pouco angustiantes. Ainda assim, tem certa leveza, reflete as diversas faces do amor, e mostra que podemos seguir em frente, mesmo que às vezes alguns traumas demorem a curar.

Esse não é o melhor livro da Jojo. É até um pouco clichê. Mas, levando em consideração que essa é uma das primeiras obras da autora, eu adorei a experiência. Principalmente quando notei desde então sua evolução e amadurecimento. Portanto, esse é um livro bom para ler sem grandes expectativas. Apesar dos pesares, ele irá te surpreender! 

*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca.


Título: Simon vs. a Agenda Homo Sapiens*
Autor: Becky Albertalli
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 272
ISBN: 9788580578928
Nota: 4 de 5

SINOPSE: Simon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, o bobão da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte. Mas quando Martin começa a chantageá-lo, seu segredo poderá cair na boca de todos. Pior: sua relação com Blue poderá chegar ao fim, antes mesmo de começar.
Agora, o adolescente avesso a mudanças precisará encontrar uma forma de sair de sua zona de conforto e dar uma chance à felicidade ao lado do menino mais encantador que ele já conheceu.

Comentários:

Simon vs. a Agenda Homo Sapiens, de Becky Albertalli, é um YA que trata com bastante naturalidade a delicada tarefa de amadurecer. E esse é, basicamente, o principal intuito da trama: mostrar alguns reflexos das mudanças e dos dilemas pelos quais todos precisamos enfrentar para encontrarmos a nós mesmos. E para nos tornarmos quem nós realmente somos.

Simon é um adolescente que, assim como tantos outros, ainda não conseguiu externar para o mundo que é gay. Sair do armário parece algo complicado demais para ele, difícil de se explicar e talvez até um pouco constrangedor. Isso até um garoto misterioso Simon só sabe que ele estuda em sua escola), conhecido apenas como Blue, aparecer em sua vida e mudar um pouco o rumo das coisas.

A amizade dos garotos, apesar de virtual, vai se tornando séria e fundamental no processo de amadurecimento de ambos. Isso reflete no incentivo que um vai dando ao outro no que diz respeito a dar o próximo passo, a tentar manter a naturalidade das coisas (afinal ser gay não precisa ser um bicho de sete cabeças), a se expressar melhor com seus familiares e amigos, dentre outras coisas.

Esse vínculo vai crescendo por meio de uma série de diálogos compartilhados em meio a momentos da vida pessoal de cada um, através de e-mails anônimos para que a identidade deles não seja comprometida. Mas tudo parece estar preste a mudar quando Martin, um outro garoto da escola, acaba descobrindo a troca de mensagens entre os dois. O resultado é uma chantagem que acaba atrapalhando a confiança que Simon tenta construir para si próprio com a ajuda de Blue.

É em um clima de possíveis desavenças, de pressão psicológica e pela busca do amor perfeito, que embarcamos na complicada vida de um adolescente que só deseja ser quem ele é. Mas não é só isso. Simon vs. a Agenda Homo Sapiens também transmite, surpreendentemente, muitas coisas boas para um tema tão delicado como este. Existem ótimos exemplos de aceitação entre amigos e familiares, por exemplo, o que deixa a leitura bem incrível.

Além disso, duas outras coisas deixaram o livro bastante atrativo. A primeira delas é, sem dúvidas, o dinamismo da história. A linguagem da autora é tão boa que tudo parece muito real; e os diálogos são extremamente verossímeis. É impossível não se envolver. [...] E a segunda é o desenvolvimento dado aos personagens secundários, apesar de alguns deles se mostraram apático demais e sem muita personalidade. Vejo essa atenção como algo que deu um um tom muito mais real à obra.

Ademais, gostaria de acrescentar que, apesar de abordar um tema sério que envolvam questões como preconceito e bullying, Becky Albertalli preferiu deixar a história mais leve. Isso pode ser positivo ou negativo, e isso só depende da percepção de cada leitor.

O positivo seria porque, no meu ponto de vista, o livro nos dá certa esperança frente a um comportamento que infelizmente ainda não ocorre 100%, isto é, assuntos como esse devem ser lidados com mais respeito; as pessoas precisam ser mais respeitadas. E o negativo seria justamente por isso, porque a trama pode ser perfeitamente vista como fantasiosa demais, com fatos que na prática estão longe de ocorrer, já que ela é politicamente correta demais.

Portanto, temos em pauta um assunto difícil, ainda assim abordado de forma leve e um tanto medrosa, mas que entretém e diverte bastante. O desfecho é bem bacana, fofinho e te fará suspirar. Acredito que, como um todo, o livro conquista por ser diferente do que estamos acostumados a ler a respeito. E, ah, a identidade de Blue é desvendada, sim. Fique tranquilo(a)! 

Logo, fica aqui a recomendação. Leia e tire suas próprias conclusões.


*Cortesia cedida pela Editora Intrínseca. 


Título: Grito de Guerra da Mãe-Tigre
Autor: Amy Chua
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 240
ISBN: 9788580570465
Nota: 4 de 5

SINOPSE: As mães-tigres veem a infância como um período de treinamento. Para Sophia e Lulu, isso significa aulas de mandarim, exercícios de rapidez de raciocínio em matemática, e duas ou três horas diárias de estudo de seus instrumentos musicais (sem folga nas férias e com sessões duplas nos fins de semana). Grito de Guerra da Mãe-Tigre expõe o choque do mundo oriental e ocidental no que diz respeito à criação dos filhos. Mas é basicamente a história das expectativas de uma mãe em relação às filhas e os riscos que está disposta a enfrentar para investir no futuro de ambas.

Comentários:

Grito de Guerra da Mãe-Tigre é nada mais que um relato honesto e corajoso da própria autora, Amy Chua, sobre como é ser uma mãe radical. Por se opor de maneira drástica aos atos praticados por pais ocidentais que ela caracteriza como indulgentes, Amy tomou a decisão de criar as filhas, Sophia e Lulu, à moda chinesa. Só que levar isso a diante foi mais difícil do que ela esperava.

Amy Chua é filha de pais chineses, e por isso sempre recebera uma educação rígida. Além disso, viveu tempo suficiente nos Estados Unidos para acreditar que o modo ocidental de criar os filhos não os prepara suficientemente para o futuro. Foi assim que, ao constituir uma família, ela decidiu que daria aos seus filhos uma educação semelhante a que recebeu.

Em outras palavras, você precisa ter em mente que: 1) os deveres escolares são sempre prioritários; 2) um A- é uma nota ruim; 3) seus filhos devem estar dois anos à frente dos colegas de turma em matemática; 4) os filhos jamais devem ser elogiados em público; 5) se seu filho algum dia discordar de um professor ou treinador, sempre tome partido do professor ou do treinador; 6) as únicas atividades que seus filhos deveriam ter permissão de praticar são aquelas em que pudessem ganhar uma medalha; 7) essa medalha deve ser de ouro.

E não para por aí. O método chinês de criação também proíbe as crianças de dormirem na casa de amigos, de aceitarem convites para brincar; de ver televisão; de jogar no computador; de escolher atividades extracurriculares; dentre outras coisas. Parece um tanto chocante, eu sei. No entanto, de acordo com a Mãe-Tigre, esse é um mal necessário. E para provar isso ela explica os pontos positivos dessa (in)contestável educação.

Mas, o livro não é apenas isso. Ele é, na realidade, sua biografia. Um diário repleto de emoções e relatos honestos sobre como funciona o estilo chinês de criação, além do choque de culturas ao fazê-lo nos Estados Unidos. É por vezes difícil acompanhar o comportamento da mãe frente às filhas, bem como é doloroso vê-la enfrentar as dificuldades de manter suas crenças.

Sem dúvidas, uma história conflitante. Não nego que em alguns pontos me senti aflita por Sophia e Lulu, com tantas obrigações e preocupações sem receberem em troca ao menos uma palavra de carinho, ou incentivo. Ainda assim, não consegui sentir raiva de Amy, tampouco julgá-la por sua escolhas, ou pela forma. Seus relatos são tão sincera, que a única coisa que eu queria é que elas se entendessem e que se adequassem da melhor forma possível.

Ademais, gostaria de acrescentar que eu acredito numa educação com respeito e responsabilidades. Precisamos ter a noção de que, ao ensinar, tentamos fazer o certo ao nosso modo. Quando não conseguimos, continuamos tentando, mas sem criar bloqueios. Em contrapartida, eu também acredito que muito do que nos tornamos no futuro, em parte, provém do que nós somos e da nossa índole. Falo isso porque, apesar das revoltas, as filhas de Amy não se tornaram adolescentes "malucas".

Eu recomendo o livro para quem curte biografias, histórias sobre educação, ou relatos sobre diferentes culturas. Amy foi bastante corajosa em contar sua vida (de forma bem descontraída e com uma excelente escrita, inclusive), e em se expor desta maneira... até porque, ela sabe bem que muita gente não concordaria com suas ações – e a julgaria por isso. Mas ela acredita ter um propósito, e ela quer que você pelo menos tente entendê-lo. Vale muito a pena!


A convite da Editora Intrínseca, estou aqui para contar a vocês quais foram os três livros dentre a leva de títulos apresentados na 5ª Turnê Intrínseca que mais me chamaram a atenção, e o porquê. 

Eu achei a proposta maravilhosa, pois, como eu mesma disse no post que escrevi sobre o evento, o mais legal de tudo foi poder conhecer melhor alguns livros que normalmente eu nem pensaria em ler.

No evento, as obras foram apresentadas por categoria – ficção, não ficção e literatura jovem. Sendo assim, escolhi um título de cada para alargar minha wishlist. Vejamos então quais são.


NÃO FICÇÃO: É Isso o Que Eu Faço, de Lynsey Addario
A história da própria autora começa quando ele ainda tentava se estabelecer no fotojornalismo, na época em que os atentados de 11 de Setembro sacudiram o mundo. Por ser um dos poucos profissionais da época com alguma experiência no Afeganistão, ela foi chamada para voltar ao Oriente Médio e cobrir a invasão americana. Foi quando fez a escolha de abrir mão do conforto e da previsibilidade a fim de correr o mundo com sua câmera confrontando as mais duras verdades. 
A obra ganhou minha atenção por dois principais motivos. Primeiro, ela mostrar uma personalidade real apaixonada por sua profissão, que optou por ir à procura do que ela realmente acreditava ser importante. E, segundo, porque promete expor a violenta cultura existente contra a mulher em meio aos relatos de Lynseu, inclusive sobre o seu próprio sequestro durante a guerra civil, na Líbia. Eu, particularmente, aprecio muito essas histórias, pelos exemplos, pelas reflexões e pela realidade no qual ela nos impõe. Por que se arriscar tanto? O que ela precisou enfrentar? Será que ela conseguiu superar tudo rapidamente? Quais lições tirou a partir dessa experiência? Tudo isso eu pretendo descobrir com a leitura desse livro.

FICÇÃO: Eu Sou o Peregrino, de Terry Hayes
Na trama, Peregrino é o codinome de um homem com tantas identidades, que ele mesmo mal consegue lembrar seu verdadeiro nome. Adotado ainda jovem por uma família rica, ele se tornou um importante profissional da espionagem. Sua próxima missão é desvendar uma conspiração arquitetada para efetuar um crime terrível contra a humanidade, envolvendo uma série assassinatos brutais.
Fiquei bastante curiosa por se tratar de espionagem, e eu simplesmente adoro essa temática! Além disso, achei a história do personagem principal muito curiosa: de onde vem Peregrino? Como ele chegou até a espionagem? Ele trabalha para quem? De que forma ele irá solucionar os crimes que compõem a conspiração? Detalhe que não há um padrão, aparentemente. Sim, porque além de terem uma execução diferenciada, as barbaridades ocorreram em lugares distintos, como Arábia Saudita, Síria e Manhattan (leia a sinopse para saber mais). Estou intrigada e preciso saber mais.

JUVENIL: Simon vs. a Agenda Homo Sapiens, de Becky Albertalli
A narrativa nos apresenta Simon, um garoto gay de dezesseis anos. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Só que ele não contava que Martin, o bobão da escola, iria chantageá-lo ao descobrir sua troca de e-mails com Blue, pseudônimo de um garoto misterioso que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte.
Já ouvi muitos comentários positivos sobre esse livro. E, somado a isso, sinto que estou precisando ler uma história que trate questões relacionadas aos dilemas que vivemos na adolescência, amadurecimento, e sobre o tão esperado encontro pessoal com quem realmente somos. Na turnê, fiquei sabendo que essa história tem tudo isso e muito mais! Tem humor, é delicado e traz tudo com muita naturalidade. Pronto, agora não resta dúvidas! Preciso conferir.


Essas foram as surpresas que a Turnê Intrínseca me trouxe. Foi realmente muito bom saber um pouco mais sobre essas tramas. Agora eu gostaria de saber quais foram os livros que mais chamaram a atenção de vocês durante as suas respectivas turnês, ou se curtiram algum dos títulos citados aqui. Deixem nos comentários abaixo.
Abraços,

Título: Uma Vida no Escuro
Autor: Anna Lyndsey
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Páginas: 248
ISBN: 9788580578829
Nota: 4 de 5

SINOPSE: Com uma carreira consolidada e um apartamento recém-comprado em Londres, parecia que a única preocupação de Anna Lyndsey seria a manutenção de seu padrão de vida. No entanto, o que começou como um desconforto diante da tela do computador revelou-se uma grave sensibilidade a qualquer fonte de luz. Em pouco tempo, trabalhar tornou-se inviável, e mesmo atividades corriqueiras passaram a causar dores lancinantes. Conforme os sintomas foram se agravando, ela precisou abrir mão de qualquer plano futuro.

Comentários:

Anna Lyndsey é o pseudônimo de uma jovem funcionária pública, que, graças a uma doença rara, precisou levar uma vida aparentemente impossível. Uma Vida no Escuro é o seu relato para o mundo, sobre o seu quadro médico e sobre a forma como ela conduz seus dias na escuridão.

Tudo começou em 2005, quando a autora percebeu ter certa sensibilidade à luz, especialmente a da tela do computador. Notando uma piora, reflexo de manchas avermelhadas e muita ardência em seu rosto, Anna procurou um médico para investigar o problema. Após uma série de consultas frustradas, ela enfim descobriu estar com dermatite seborreica fotossensível.

O tratamento que supostamente ajudaria foi um fracasso. Na realidade, acabou agravando ainda mais seu quadro clínico, fazendo com que todo seu corpo acabasse respondendo também a hipersensibilidade. Isso a levou a viver confinada em meio a escuridão total, até chegar ao ponto de ter que deixar o emprego e abdicar sua vida social.

No geral, a obra traz um relato honesto de Anna sobre seus dias na escuridão. Ela comenta todo o processo de adaptação a sua nova rotina, suas descobertas sobre os níveis de sensibilidade à luz que ela adquire com o tempo, seus meios de distração e, especialmente, seus pensamentos e anseios em relação a sua nova vida. 

Anna fala ainda como as pessoas lidam com o seu problema (amigos, familiares e namorado), e de que forma ela precisa conviver com isso (lê-se compressão – ou a falta dela – e possíveis afastamentos por parte de alguns). Assuntos como depressão e suicídio também são abordados (não é de se admirar que uma pessoa nessa condição pense sobre essas coisas).

Esse livro nada mais é do que uma autobiografia, que se destaca por ser peculiar em sua escrita, além de muito clara. Isso sem contar na estrutura das capitulações, que me chamaram muita atenção desde os títulos. Não há uma cronologia exata, mas tudo vai sendo relatado a medida em que a autora vê necessidade. Ademais, diálogos e quadro explicativos que ilustram os pensamento da autora também compõem o livro. Mas nada é confuso ou desconexo.

Os relatos de Anna fazem o leitor se perguntar o que faria a vida continuar valendo a pena. No entando, e apesar de tudo, ela nos mostra meios de afastar os pensamentos deprimentes através de suas descobertas e pequenas conquistas. É por meio do contato com o mundo externo restrito à família, ao namorado e às raras visitas, que ela aprende a valorizar mesmo com sua sensibilidade.

Eu recomendo o livro para quem gosta de autobiografias; ou para quem procura histórias diferentes, de pessoas não tão conhecidas, mas que possuem muita importância para o mundo através de suas histórias de vida. Vale muito a pena também para os curiosos e/ou interessados no assunto. Esse é um livro impactante e real, sobre novas perspectivas e resistência. Indico!


O primeiro unboxing do canal será de um livro maravilhoso lançado pela Editora Intrínseca no segundo semestre do ano passado. Estou falando de S., o incrível quebra-cabeça literário criado por JJ Abrams e Doug Dorst.

Para quem não sabe, eu tenho um forte apreço por JJ Abrams. Simplesmente porque ele criou e produziu as minhas séries de TV favoritas. Isso mesmo que você está pensando! LOST, ALIAS e FRINGE (sem contar a que está sendo exibida atualmente, Person of Interest)... por muitos anos esses seriados foram minhas grandes fixações.

Quando eu soube que ele estava envolvido em um projeto literário, fiquei transtornada. É típico do JJ criar coisas foram do comum, sem cronologia ou com uma gama nada convencional de personagens protagonistas... tinha certeza que com um livro não seria diferente.

Depois de esperar por uma média de 2 anos, para que toda a adaptação necessária para o português pudesse ser feita, eis a Intrínseca nos presenteia com o intrigante S. Ainda assim, precisei esperar mais alguns meses para adquirir o meu. Em partes por conta do preço, devo admitir. 

De início ele começou a ser vendido por R$99,90. Na realidade, esse é o preço que ele possui em tabela, mas os valores costumam oscilar de loja para loja. Eu consegui comprá-lo por R$63, em uma promoção na Saraiva On-line. Sei que isso causa aversão para muitos, mas garanto a vocês que o livro vale cada centavo.

E para provar isso, resolvi gravar um unboxing do livro mostrando alguns detalhes de como ele é por dentro. Sei que no youtube existem diversos vídeos semelhantes, mas esta é a minha experiência e eu queria muito compartilhar isso com vocês. Portanto, espero que curtam a ideia!


Estou muito feliz por ter adquirido o S., e estou super ansiosa pela leitura (que, aliás, não tarda a acontecer). Vocês ainda vão ler muitas coisas sobre este livro por aqui... aguardem!!!
Um abraço,