O papel principal do poeta é sensibilizar,
é estimular nos arremates das rimas, todo
lirismo das palavras que expressam sentimentos,
que transportam sonhos, que
excitam e nos evocam coisas belas da vida.
A inspiração primorosa do poeta abre caminhos
para os sonhos, para os devaneios.
Quantas poesias belas existem circulando ao  nosso redor!
Na música a poesia exerce um frenesi especial, de
emoções que nunca perecem.
Na simetria das estrofes descobre-se a
verve que move cabeça e coração de um poeta.  

Que nos encanta e fascina.
Pensando bem, nós que não somos poetas,
sempre vivemos remoendo poesias novas ou
antigas de queridos poetas e poetisas.
E de alguma nos apoderamos de alguma como sendo
a mais bela de todas.


Autor: Rivaldo Cavalcante


Celebremos o dia daqueles que expressaram sentimentos particulares através das palavras; daqueles que ainda exalam reflexões, e que encantam de modo singular. Pois, como dizia José Saramago, ''O poeta não será mais que memória fundida nas memórias, para que um adolescente possa dizer-nos que tem em si todos os sonhos do mundo, como se ter sonhos e declará-lo fosse primeira invenção sua. Há razões para pensar que a língua é, toda ela, obra de poesia." 

Deixe abaixo uma poesia ou poema que seja da sua preferência, ou compartilhe conosco seu poeta inspirador.  Vejam todos marcar esse dia de um jeito especial!


A poesia é a arte da linguagem humana e do gênero lírico que expressa sentimento através do ritmo e da palavra cantada. Para quem não sabe, o atrativo ganhou um dia específico em homenagem ao poeta brasileiro Antônio Frederico de Castro Alves, no dia de seu nascimento, 14 de março.



Castro Alves manifestou toda sua sensibilidade escrevendo versos de protesto contra a situação a qual os negros eram submetidos. Este seu estilo contestador o tornou conhecido como o ''Poeta dos Escravos''. Além de poesia de caráter social, o escritor também escreveu versos lírico-amorosos, de acordo com o estilo de Vítor Hugo.

Como data marcante em nossa literatura brasileira, eu não poderia deixar passar batido. Ainda somos muito reprimidos quando o assunto é este, por isso acho válido estamos sempre nos familiarizando com a nossa história literária, com os grandes poetas que a compõe, e com os poemas em si.

Para marcar simbolicamente esta data, trouxe para vocês os meus dois poemas favoritos do autor Castro Alves, que foi um foi um notável poeta de transição entre o Romantismo e o Parnasianismo.
''Oh! Bendito o que semeia
Livros ... livros à mão cheia ...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar."
_

''Não sabes, criança? 'Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.

Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.

E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!

Meu Deusl As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita.

Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
No laço de fita.

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepital
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
Teu laço de fita.''


Há algum poeta que vocês apreciam bastante? Contem-me quem é.
E viva a nossa história! Viva ao dia nacional da poesia!

Olá, pessoal!

Hoje venho com o intuito de trazer uma resenha diferente e de um autor mais que conhecido e clássico: Fernando Pessoa. Ao ler dois livros de bolso de sua autoria, resolvi fazer uma resenha de um deles e foi aí que pensei: por que não resenhar sobre poemas? Ao mesmo tempo que é pouco ou nada comum ver por aí poemas sendo aclamados ou mesmo discutidos, trouxe a proposta de reflexão acerca de trechos minuciosos e que, de alguma forma, podem despertar uma nova paixão literária em você, leitor e fazer com que o mundo de Pessoa e seus heterônimos seja ainda mais uma nova descoberta ou aprofundamento para o seu conhecimento ;)

O livro em questão é de um dos heterônimos de Pessoa, Ricardo Reis. (Ao contrário dos pseudônimos - vários nomes para uma mesma personalidade - os heterônimos constituem várias pessoas que habitam um único poeta. Cada um deles tem a sua própria biografia, sua temática poética singular e seu estilo específico.). Aí vai um trechinho da sua biografia:

Ricardo Reis nasceu em 1887 no Porto e estudou em um colégio de jesuítas. Foi médico e fixou residência no Brasil desde 1919. Reis é o heterônimo neoclássico, da métrica perfeita, da temática pagã e da consciência da passagem rápida do tempo. Entre seus temas recorrentes podemos citar o do sofrimento diante dos mistérios da vida e da morte e as relações com as suas musas, Lídia, Neera e Cloe. Segundo a avaliação de Pessoa, “Reis escreve melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado”.

Vamos à sinopse:


Este volume apresenta ao leitor todas as odes atribuídas a Reis. Também estão incluídos no livro versos e poemas anotados com pequenas alterações feitas pelo poeta, chamados de variantes, inseridos como notas de rodapé. De acordo com a biografia criada pelo próprio Pessoa, Ricardo Reis nasceu em 1887 no Porto e estudou em um colégio de jesuítas. Foi médico e fixou residência no Brasil desde 1919. Reis é o heterônimo neoclássico, da métrica perfeita, da temática pagã e da consciência da passagem rápida do tempo. Entre seus temas recorrentes podemos citar o do sofrimento diante dos mistérios da vida e da morte e as relações com as suas musas, Lídia, Neera e Cloe. Segundo a avaliação de Pessoa, “Reis escreve melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado”. 

Antes de tudo, é importante se esclarecer no que se constitui uma ode. É um modelo clássico de composição poética oriundo da Grécia Antiga. Tipo de texto cantado e acompanhado pela lira (instrumento musical). Possuidor de estrofes semelhantes pela métrica estabelecida, geralmente se compõe de quatro versos em cada estrofe, porém, não é regra geral.

"Poema lírico de forma complexa e variável, a ode caracteriza-se pelo tom elevado e sublime com que trata determinado assunto. As literaturas ocidentais modernas aproveitaram sobretudo, do ponto de vista da forma, a ode composta por três unidades estróficas, correspondentes, no desenvolvimento da idéia do poema, à estrofe, à antístrofe (cantada pelo coro, originalmente) e ao epodo (conclusão do poema). A ode comportava uma série de esquemas métricos e rítmicos, de acordo com os quais era classificada."


Obra e Estilo

As primeiras obras de Ricardo Reis foram publicadas na revista Athena (fundada por Pessoa) em 1924. Algum tempo depois foram publicadas mais oito odes na revista Presença. O restante dos poemas e prosas são de publicação póstuma.
Como Fernando Pessoa mesmo disse, Reis é o heterônimo neoclássico, da métrica perfeita, da temática pagã e da consciência da passagem rápida do tempo. Dessa forma, se acomete de algumas características em comum com Alberto Caeiro, outro heterônimo de Pessoa (bio aqui).
Com grande uso de hipérbato (figura de linguagem que consiste em trocar a ordem direta dos termos da oração (sujeito, verbo, complementos, adjuntos) ou de nomes e seus determinantes.), Reis também se mune de vocabulário extremamente erudito, preciso e com manifestação imperativa demonstrando atitude filosófica.
Podemos encontrar lemas árcades inclusos em sua obra, a exemplo do Carpe Diem (Aproveite o Dia, aproveite com intensidade o presente) e Aurea Mediocritas (Mediocridade Áurea, ou seja, valorizar as coisas cotidianas). Além disso, Reis procura aceitar calmamente o destino e opta por não viver grandes emoções, sendo uma espécie de disciplina. Faz renúncia da vida através da recusa do amor e da consciência da inutilidade do esforço de mudança, já que o destino “é força superior ao homem”.  Recusa o amor para evitar desilusões de maneira que nada modifique a serenidade e razão já estabelecidas, uma vez que tudo na vida tem um fim. 

Trechos que gostei e reservei para compartilhar com vocês:

Pequeno é o espaço que de nós separa
O que havemos de ser quando morrermos.
Não conhecemos quem será o morto
        De hoje que então acaba.
Só o passado, comum a nós e a ele,
Será indício de que a nossa alma
Persiste e como antiga ama, conta
        Histórias esquecidas…
Se pudéssemos pôr o pensamento
Com esta visão adentro de ideia
Que havemos de ter naquela hora,
        Estranhos olharíamos
O que somos, cuidando ver um outro
E o espaço temporal que hoje habitamos
Luz onde nossa alma nasceu
        Alheia antes de a termos.
 p.94

(31/1/1922)

Pequenos fragmentos da contra-capa:

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.


A realidade
Sempre é maios ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós própios.

[...]

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.


Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.


E como último legado do mestre, deixo breve texto dito por ele:

"Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: ‘Navegar é preciso, viver não é preciso’.
Quero pra mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa raça."

Bem, pessoal... Por hoje é só! Espero que tenham gostado ;)
Ótimo domingo a todos!