E no último post da série Literatura no Brasil iremos falar sobre a Contemporaneidade, classificada como o período (a partir de 1960) que procede as demais gerações aqui já pinceladas. Aqui, a metalinguagem, o experimentalismo formal, o engajamento social e a mistura de tendências estéticas são alguns dos traços que marcaram o início da produção contemporânea. Veremos isso agora.

Ilustração. Fonte: Google.

Poesia
A poesia tem como principais representantes os poetas Ferreira Gullar e Thiago de Melo. Foram eles os autores mais engajados no Brasil nas décadas de 1960 e 1970, no contexto do regime militar e das ditaduras latino-americanas em geral.

Nessa época, Ferreira Gullar passou a abordar temas de interesse social, como a Guerra Fria, a corrida atômica, o neocapitalismo, o Terceiro Mundo etc. Com o autoritarismo político em 1968, o autor realizou trabalhos voltados para a poesia de resistência. Além disso, tem contribuições à cultura brasileira ainda nos domínios da dramaturgia e da ensaística. Já Thiago de Mello destaca-se pelas poesias de luta contra a opressão, o amor à terra e à Amazônia, o sentimento de alteridade, a solidariedade aos oprimidos e a alegria de viver.

As últimas produções literárias em nossa literatura, da década de 1970 até o início do século XXI, não receberam ainda um estudo aprofundado por parte de historiadores e críticos literários. As razões são a falta de distanciamento histórico, e a dúvida sobre a qualidade dessa produção em virtude das condições históricas de censura. Será por isso que a poesia vem perdendo espaço desde então?

Prosa
A ficção brasileira a partir da década de 1960 traz a visão de um mundo mais complexo e fragmentado. Nesse período, a crônica passa a ser amplamente difundida em jornais e revistas, revelando autores como Jô Soares, Walcyr Carrasco, Mário Prata, dentre outros. Com isso, ela foi abandonando o caráter jornalístico e passou a se voltar ao cotidiano até penetrar na ficção.

O romance, por sua vez, desdobra-se em diferentes linhas, indo do policial ao psicológico, histórico e memorialista, dentre vários outros gêneros. Em linhas gerais, ele enriqueceu, diversificou e inovou-se por meio de abordagens mais realistas, onde temas diversos de nossa sociedade passaram a ser introduzidos com técnicas originárias da linguagem cinematográfica.

Já o conto foi submetido a radicais transformações, como, por exemplo, o enriquecimento temático proporcionado pela contribuição da literatura regionalista. Esteticamente falando, o conto passou a ser mais instantâneo e fotográfico, com episódios ricos em sugestões, flagrantes atmosféricos mais intensos e casos densos de significação humana.

Alguns importantes autores contemporâneos:
Ferreira Gullar;
Mário Faustino;
Dalton Travisan;
Rubem Fonseca;
Paulo Leminski;
João Ubaldo Ribeiro;
Luís Fernando Veríssimo;
Hilda Hilst.


Acho importante relembrarmos nossa origem literária, ainda que ela seja de difícil compreensão. É por isso que eu resolvi pincelar as nossas gerações, citar os principais autores e mencionar as obras que marcaram época. Portanto, espero sinceramente que você tenha gostado de acompanhar essa série, pois ela foi feita com muito carinho.

Se você perdeu algum post, basta conferir clicando aqui.
Até mais!

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Referência: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza. Conecte: literatura brasileira. São Paulo: Saraiva, 2011.

O penúltimo post da série Literatura no Brasil traz como foco as abordagens literárias das décadas de 1940 e 1950. Nessa época, os novos escritores não propuseram uma ruptura com o Modernismo, mas também não defendiam as propostas desse grupo. O que eles representaram, na verdade, foi uma fase de maturidade literária caracterizada por suas pesquisas em torno da linguagem.

Na foto, Lygia Fagundes Telles. Fonte: Google.

A renovação das formas de expressão literária, tanto na poesia quanto na prosa, são os traços mais marcantes da geração de 1940-50. Alguns poetas desse grupo tendiam para o estilo culto e elevado, de feição neoparnasiana, enquanto outros caminhavam na busca por uma linguagem mais sintética e precisa, dando continuidade às experiência de Drummond e Murilo Mendes.

Ainda assim, as obras mantinham certa preocupação social, e, por isso, davam continuidade até ao regionalismo. Vale destacar que durante esses anos o Brasil viveu o fim da ditadura Vargas, além de um período democrático e desenvolvimentalista, que chegaria à euforia no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961).

Várias obras significativas em prosa foram publicadas nesse período, especialmente no gênero conto e romance. Parte dessas obras são de sondagens psicológicas que já vinham sendo desenvolvidas, principalmente por Mário de Andrade e Graciliano Ramos. Pelo menos é o que se verifica nos contos e romances de Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles.

O regionalismo, bastante explorado na geração de 30, também foi retomado, mas com um tratamento renovado. Além do espaço urbano, outro objeto serviram de enfoque para autores como Rubens Braga, Carlos Heitor Cony, Dalton Trevison, dentre outros.


Confira abaixo uma lista dos principais autores da época:
Clarice Lispector, Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Décio Pignatari, Ferrreira Gullar, Mário Chamie, Mário Palmério, Osman Lins, Mário Quintana, Fernando Sabino, Rubem Braga, José J. Veiga, Otto Lara Resende, Antônio Callado e Adonias Filho.

No post que encerra o nosso ciclo de textos sobre a literatura no Brasil, iremos falar sobre a Contemporaneidade. Até lá!


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Referência: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza. Conecte: literatura brasileira. São Paulo: Saraiva, 2011.

Após a Semana da Arte Moderna – cuja importância histórica se deu pela confluência em relação às tendências de renovação que vinham ocorrendo na cultura brasileira, por conseguir chamar a atenção dos meios artísticos de todo o país, e por permitir o intercâmbio de ideias e técnicas entre artistas de diferentes áreas –, o Modernismo passou para a fase de divulgação de duas ideias, onde destacam-se a destruição e a construção. E é sobre esse período que iremos conversa hoje.

Ilustração. Fonte: Google.

A expressão modernista em nosso país contou com duas fases: a que ocorreu de 1922 a 1930, caracterizada pelas tentativas de solidificar as ideias do movimento, e a de 1930 a 1945, marcada pela consolidação dos ideais modernistas e a ruptura com a arte tradicional.

Principais características do Modernismo:
nacionalismo e urbanismo; subjetivismo; crítica ao nosso passado histórico-cultural; valorização do cotidiano;  ironia, humor e irreverência; livre associação de ideias; busca pela linguagem popular; pontuação relativa; versos livres e uso de palavras em liberdade.

De modo geral, os escritores modernistas defendiam a construção da cultura brasileira sobre as bases nacionais, além da promoção de nossas tradições culturais e da eliminação do apego a valores estrangeiros. Nessa época, várias obras, grupos, movimentos e manifestos ganharam o cenário intelectual brasileiro, deixando como principal resultado a autonomia e maturidade de nossa literatura.

Da primeira geração do Modernismo brasileiro fizeram parte os autores Oswaldo de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Alcântara Machado, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida, Ronald de Carvalho e Raul Bopp. Cada um deles possui uma história de bastante representatividade para o movimento modernista no país.

A segunda fase do Modernismo, no quesito romance, foi disseminada com a contribuição do rádio, que era o meio de comunicação de massa mais moderno da época. Em outras palavras, foi o rádio quem aproximou o país da prosa de ficção. Aí destacam-se os autores Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Érico Veríssimo e Dionélio Machado.

Os autores citados, também considerados como herdeiros do modernismo, dedicaram suas obras a realidade brasileira com a clara intenção de denúncia social e engajamento político. Problemas como miséria, ignorância, opressão nas relações de trabalho e as forças da natureza sobre o homem desprotegido são alguns dos temas que eram abordados. E isso fez o romance de 30 se tornar um dos melhores momento da ficção brasileira.

Já no quesito poesia, a segunda fase do Modernismo viveu um período onde a literatura no Brasil alargou-se e amadureceu. O principal motivo foi o fato de que já não havia necessidade de escandalizar os meios culturais acadêmicos, e, portanto, os poetas passaram a se sentir mais a vontade para criarem seus sonetos. Além disso, os temas ganharam uma abordagem em profundidade. 

Os principais temas apresentados se concentravam na religião, filosofia, história e na sociedade. E os principais poetas foram Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Vinícius de Morais, Jorge de Lima, Murilo Mendes, Mário Quintana e Manuel de Barros.

Até mais!


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Referência: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza. Conecte: literatura brasileira. São Paulo: Saraiva, 2011.

Ao período de transição do qual a literatura brasileira atravessou no início do século XX, marcado pelo sincretismo de tendências artísticas, chamamos de Pré-Modernismo. E é sobre ele que iremos falar hoje.

Pintura pré-modernista de Tarsila do Amaral. Fonte: Google.

Sem constituir um movimento literário propriamente dito, o Pré-Modernismo foi responsável por preparar a grande renovação modernista, cujo marco no Brasil foi a Semana da Arte Moderna, em 1922. Embora os autores daquela época ainda estivesse presos às expressões literárias do século anterior, algumas inovações quanto aos temas e à linguagem podem ser observadas, tais como:
  1. o interesse pela realidade brasileira: o dia a dia do brasileiro era um dos principais assuntos abordados, o que originou uma série de obras de cunho social. Dentre eles é possível destacar Canaã, de Graça Aranha, e Os Sertões, de Euclides da Cunha. Autores como Lima Barreto e Monteiro Lobato também deram fortes contribuições nesse sentido.
  2. a busca pela linguagem simples: representou um enorme passo para a renovação modernista de 1922. Lima Barreto, por exemplo, passou a escrever com mais simplicidade, ignorando assim as normas gramaticais e de estilo, o que provocou certa ira nos meios acadêmicos daquela época.
Saiba mais sobre duas importantes obras da fase pré-modernista no país. 
Os Sertões (1902)
A obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, não só conta o que se passava no sertão nordestino, como tenta explicar esse fenômeno cientificamente. Para tanto, ele possui três partes: "A Terra", que descreve o sertão geograficamente; "O Homem", que trata dos costumes do sertanejo; e "A Luta", que relata os ataques a Canudos. Isso faz o livro ser de fundo histórico e rigor científico. 
Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915)
Triste Fim de Policarpo Quaresma, escrito por Lima Barreto, fora contextualizado no fim de século XX, no Rio de Janeiro, e narra os ideais e frustrações do nacionalista fanático Policarpo Quaresma. Além de fazer uma descrição política no país no início da República, a obra traça um rico painel social e humano dos subúrbios cariocas na virada do século.

Na poesia foi o escritor Augusto dos Anjos quem se destacou, cuja única obra, Eu (1012), choca pela agressividade do vocabulário e pela visão dramática e angustiante. Seus poemas são compostos por uma linguagem considerada na época como antipoética, e seus temas principais são a prostituição, substâncias químicas, decrepitude de cadáveres, vermes, sêmen, dentre outras coisas inquietantes. 

Com sua poesia antilírica, Augusto dos Anjos deu início à discussão sobre o conceito de "boa poesia", preparando o terreno para a grande renovação modernista da segunda metade do século XX, do qual iremos falar no próximo post. Até lá!

Abraços,

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Referência: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza. Conecte: literatura brasileira. São Paulo: Saraiva, 2011.

Finalmente chegamos na fase em que a produção literária no Brasil deixou contribuições significativas para as grandes inovações que iriam ocorrer no século XX, no domínio da poesia. Estou falando do Simbolismo, cuja influência é advinda da obra de Charles Baudelaire, poeta pós-romântico considerado percursor da poesia moderna. E assim eu abro mais um post da série Literatura no Brasil.

Ilustração. Fonte: Google.
As primeiras manifestações simbolistas no Brasil já eram sentidas desde o final da década de 80 do século XIX. Apesar disso, foram as obras Missal (prosa) e Broquéis (poesia), publicadas em 1893, apontadas como o marco introdutório do movimento no país. Ambas são de autoria de Cruz e Sousa (1861-1898), considerado o maior autor simbolista do país.
Conheça algumas características do Simbolismo:
Pessimismo e dor de existir; linguagem vaga; abundância de metáforas e comparações; antimaterialismo; misticismo e religiosidade; interesse pelas profundezas da mente humana; interesse pelo noturno, mistério e morte.

Cruz e Sousa também é lembrado como um dos maiores poetas nacionais de todos os tempos. Sua obra apresenta diversidade e riqueza. De um lado, encontram-se aspectos herdados do romantismo, como o culto da noite, certo satanismo, pessimismo e morte. Do outro, há certa preocupação formal, como o gosto por sonetos, o verbalismo requintado e a força das imagens.

A trajetória da obra de Cruz e Sousa parte da dor de ser negro, em Broquéis, e chega à dor de ser homem, em Faróis e Últimos Sonetos. As características mais importantes da poesia do autor são:
  1. no plano temático: morte, transcendência espiritual, integração cósmica, mistério, sagrado, angustia, sublimação sexual, escravidão, obsessão por brilhos e pela cor branca.
  2. no plano formal: imagens surpreendentes, sonoridade das palavras, predominância de substantivos e o emprego de maiúsculas.
Confira abaixo um soneto de Cruz e Sousa:
Encarnação
Carnais, sejam carnais tantos desejos,
Carnais, sejam carnais tantos anseios,
Palpitações e frêmitos e enleios,
Das harpas da emoção tantos arpejos...

Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,
À noite, ao lugar, entumescer os seios
Lácteos, de finos azulados veios
De virgindade, de pudor, de pejos...

Sejam carnais todos os sonhos brumos
De estranhos, vagos, estrelados rumos
Onde as Visões do amor dormem geladas...

Sonhos, palpitações, desejos e ânsias
Formem, com claridades e fragrâncias,
A encarnação das lívidas Amadas!

Até o próximo post!
Abraços,

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Referência: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza. Conecte: literatura brasileira. São Paulo: Saraiva, 2011.

Para concluir o clico de informações sobre o período das expressões acentuadas no Brasil a partir de 1881, hoje iremos falar um pouco sobre o Parnasianismo. Vale lembrar que também fizeram parte dessa época o Realismo e o Naturalismo, e que ambos os três possuem tendências antirromânticas, que se entrelaçam e se influenciam mutuamente. Vamos conferir!?

Representação do Parnasianismo. Fonte: Google.

O Parnasianismo é, em linhas gerais, o novo revestido de velho. Possui inspiração clássica, e obteve bastante repercussão no Brasil após a revolução romântica, impondo novos parâmetros e valores artísticos. O movimento propôs também que a poesia fosse mais objetiva, de vocabulário elevado, racionalista e voltado para temas universais.
Principais características do Parnasianismo:
Contenção de sentimentos; presença de mitologia grego-latina; universalismo; arte pela arte ou arte sobre a arte; distanciamento de temas sociais; objetivismo.

Os adeptos ao Parnasianismo acreditavam que apoiar o modelo clássico era o mesmo que combater os exageros do romantismo, garantindo assim o equilíbrio. No entanto, a presença do clássico na poesia parnasiana não ia além de referências a personagens da mitologia, o que resultou em um toc artificial garantindo-lhe prestígio entre as camadas letradas brasileiras.

A primeira publicação considerada parnasiana foi a obra Fanfarras, em 1882, por Teófilo Dias. Mas foram os escritores Olavo Bilac (1865-1918) e Raimundo Correia (1860-1911) os que mais contribuíram para solidificar o movimento no país, bem como definir melhor as faces do projeto. Vamos conhecê-los um pouco melhor...

Olavo Bilac foi patriota, escreveu a letra do Hino à Bandeira e dedicou-se a temas de caráter histórico-nacionalista. Sua primeira publicação foi Poesias (1888), onde já demonstrava as propostas do Parnasianismo. Apesar disso, há na produção do autor poemas amorosos de forte sensualidade. Ademais, suas obras de mais destaque são: Via Láctea, Sarças de Fogo e O Caçador de Esmeraldas.

Raimundo Correia, por sua vez, teve sua poesia representada com descontração, onde verificam-se três fases: a fase romântica, com a publicação Primeiros Sonhos; a fase parnasiana, com as obras Sonfonias e Versos e Versões; e a fase pré-simbolista, cuja linguagem apresentava mais musicalidade.

No próximo post da série Literatura no Brasil nós iremos conversar sobre o Simbolismo.
Até lá!


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Referência: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza. Conecte: literatura brasileira. São Paulo: Saraiva, 2011.

Dando continuidade ao mesmo período explanado no post anterior dessa série, onde o foco foi o Realismo, hoje iremos conversar um pouquinho sobre o Naturalismo. Vale relembrar que essas expressões, somadas também ao Parnasianismo, deram início na metade do século XIX, na Europa, graças às mudanças que vinham ocorrendo nos setores filosóficos, científicos, políticos e culturais.

Ilustração. Fonte: Google.

Em paralelo ao Realismo, o romance naturalista no Brasil vinha tomando forma com o intuito de apresentar provas sobre teorias científicas a respeito do comportamento humano. Para tanto, escritores naturalistas utilizavam o conhecimento da biologia, da psicologia e da sociologia, afim de explicar casos patológicos que muitas vezes fugiam da realidade brasileira.

Apesar disso, foi o Naturalismo que, pela primeira vez, pôs o negro discriminado, o pobre, os excluídos, e os indivíduos vitimados por doenças físicas e mentais em primeiro plano. Ademais, retomou temas como o celibato, mas tudo sob a ótica científica da época.
Principais características do Naturalismo:
Linguagem simples; impessoalidade; presença de palavras regionais; descrição e narrativa lentas; objetivismo científico; despreocupação com a moral; temas de patologia social; determinismo.

No Brasil, a primeira obra naturalista publicada foi O Mulato (1881), de Aluísio Azevedo. A obra conta a história de um amor proibido entre Ana Rosa, uma jovem branca, e Raimundo, seu primo mulato. A trama alcançou tamanha popularidade, que até permitiu ao autor viver exclusivamente de literatura.

Aliás, Azevedo (1857-1913) foi a principal expressão naturalista no país. O ponto alto dos seus escritos, que se encontram principalmente em O Cortiço (1890) e Casa de Pensão (1894), é a forma como ambientes, paisagens e cenas coletivas são retratadas.

Vale salientar ainda que, além de Aluísio Azevedo, outros também merecem destaque na prosa naturalista: Rodolfo Teófilo (A Fome), Inglês de Sousa (O Missionário), Júlio Ribeiro (A Carne), e Adolfo Caminha (O Bom Crioulo).

No próximo post iremos conversar um pouquinho sobre o Parnasianismo. Embora ele esteja atrelado ao Realismo e ao Naturalismo por serem expressões de uma mesma época, talvez separá-los por postagem seja o mais ideal para que tenhamos uma melhor compreensão sobre suas características individuais. Então, até lá!

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Referência: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza. Conecte: literatura brasileira. São Paulo: Saraiva, 2011.

Semana passada não tivemos post da série 'Literatura no Brasil' porque foi o dia das mães, e elas mereceram ter uma publicação simbólica em homenagem. Mas agora é hora de retomarmos nossa programação normal. Espero que vocês estejam gostando dessa revisão sobre a nossa literatura.

Daremos continuidade falando acerca de um período que iniciou na metade do século XIX, na Europa, graças às mudanças que ocorriam nos setores filosóficos, científicos, políticos e culturais. Na literatura isso refletiu na forma de três movimentos literários: o Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo.

Ilustração. Fonte: Google.

Esse tipo de produção literária, de certa forma, nasceu no Brasil ainda no Romantismo dos anos 1860-70. Algumas tendências dessa época apontavam para uma literatura voltara para o seu tempo, o que caracterizaria o Realismo alguns anos mais tarde. 

Obras como Senhora (1875) e Lucíola (1862), do José de Alencar, por exemplo, já se distanciavam das posturas iniciais do Romantismo. Isso representou o início de um processo que culminaria uma diferente forma de sentir e ver a realidade, agora seria mais verdadeira e crítica.

Principais características do Realismo:
objetividade; linguagem culta e direta; descrições objetivas e adjetivadas; mulher não idealizada; amor e demais sentimentos subordinados aos interesses sociais; casamento como instituição falida; herói problemático; narrativa lenta; personagens trabalhados psicologicamente; universalismo.

A obra Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis, tem sido apontada como o marco inicial do Realismo no Brasil, além de se caracterizar como a segunda etapa da produção do autor. Ela o revelou como um gênio da análise psicológica, tornando-o um dos raros romancistas de interesse universal, conforme atestam as inúmeras traduções de suas obras.

Para quem não sabe, Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado inicialmente em folhetim para a Revista Brasileira, é uma autobiografia do personagem Brás, que, depois de morto, resolve escrever suas memórias numa espécie de retrospectiva. Aqui destacam-se suas aspirações à literatura e política; seus amores juvenis; sua amizade com Quincas Borda (personagem que deu vida a outro livro do autor, em 1891); seus casos amorosos; dentre outras coisas.

Outra importante obra de Machado de Assis, publicada em 1899, foi Dom Casmurro. O romance tematiza o adultério sob o olhar de seu narrador, Bentinho, que acredita ter sido traído por sua mulher, Capitu. O motivo mais explorado pela prosa literária nessa época, que seria o triângulo amoroso, fez Dom Casmurro se tornar uma narrativa ambígua, bastante discutida até hoje, que oscila entre dois principais pontos: Capitu traiu ou não Bentinho? O ideal é ler e tirar suas próprias conclusões.

Embora o Realismo, o Naturalismo e até o Parnasianismo muitas vezes se integrem ou se assimilem, só no próximo post iremos falar um pouco mais sobre o que foi o Naturalismo, e na sequência sobre o Parnasianismo. Talvez seja o mais ideal para a melhor compreensão, além do conforto na informações de cada publicação. Então, até lá!


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Referência: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza. Conecte: literatura brasileira. São Paulo: Saraiva, 2011.

Criar uma nova linguagem que identificasse os padrões mais simples da vida do novo público consumidor da época (que neste caso é a burguesia) foi tarefa do Romantismo, do qual iremos falar um pouco mais hoje. Suas principais características são: predomínio da emoção; nacionalismo; valorização da cultura popular; subjetividade; sintaxe mais brasileira; sentimentalismo; dentre outros.

Ilustração. Fonte: Google.

A Coroa portuguesa mudou-se para o Brasil em 1808 graças a invasão de Portugal por Napoleão. Isso trouxe à colônia uma série de mudanças, dentre elas a criação de escolas, a fundação de museus e bibliotecas, a instalação de tipografias e, com isso, o surgimento de uma impressa regular. Porém, só foi a partir da independência política, em 1822, que os intelectuais e artistas que aqui residiam passaram a se dedicar na criação de uma cultura brasileira com raízes históricas.

Sendo assim, o Romantismo assumiu uma face de rejeição à literatura produzida no período colonial, tendo em vista que seu desenvolvimento seguia os modelos culturais portugueses. Por isso, um dos seus traços mais marcantes é o nacionalismo, que abriu um leque de possibilidades a serem exploradas aqui, a exemplo do folclore, da língua e do próprio índio, além dos problemas que existiam naquela época.

A obra que marca o início do Romantismo é Suspiros Poéticos e Saudade (1836), de Gonçalves de Magalhães, por anunciar uma revolução literária românica. Mas, na realidade, essa fase literária vivida no país é tradicionalmente dividida em três gerações. Vale salientar que essa divisão engloba somente os autores de poesia. Os romancistas não se enquadram muito bem nesse fração por apresentarem traços característicos de mais de uma geração.

Portanto, as gerações de poetas brasileiros do Romantismo são:
  1. Primeira geração: nacionalista, indianista e religiosa. Aqui se destacam Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães.
  2. Segunda geração: conhecida como o "mal do século" por apresentar egocentrismo exacerbado, pessimismo, satanismo e atração pela morte. Seus principais autores são Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire.
  3. Terceira geração: grupo condoreiro, com poesias de cunho político e social. A maior expressão dessa geração é Castro Alves.
Contudo, o Romantismo não foi apenas poesia. Ele também contou com uma vasta produção de diferentes gêneros, além de um grande número de escritores. Eles podem ser apresentados como:
  1. na lírica: Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães, Álvares de Azevedo, Casimiro de Bareu, Fagundes Varela, Junqueira Freire, Castro Alves e Sousândrade;
  2. no romance: José de Alencar, Manuel Antônio de Almeida, Joaquim Manuel de Macedo, Bernardo Guimarães, Visconde de Taunay, Franklin Távora;
  3. no conto: Álvares de Azevedo;
  4. no teatro: Martins Pena, José de Alencar, Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias e Álvares de Azevedo.
Aqui sobre esta mesa junto ao leito
Em caixa negra dois retratos guardo.
Não os profanem indiscretas vistas.
Eu beijo-os cada noite: neste exílio
Venero-os juntos e os prefiro unidos
- Meu pai e minha mãe. - Se acaso um dia
Na minha solidão me acharem morto,
Não os abra ninguém. Sobre meu peito
Lancem-nos em meu túmulo. Mais doce
Será certo o dormir da noite negra
Tendo no peito essas imagens puras.
(Ideias Íntimas - Álvares Azevedo)

Algumas importantes obras do Romantismo brasileiro:
- Os Timbiras, de Gonçalves Dias;
- Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo;
- Espumas Flutuantes, de Castro Alves;
- Senhora, de José de Alencar;
- O Guarani, de José de Alencar;
- Iracema, de José de Alencar;
- Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida;
- A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo;
- A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães.

No próximo post da série nós iremos conhecer um pouquinho sobre o Realismo brasileiro.
Até lá!

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Referência: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza. Conecte: literatura brasileira. São Paulo: Saraiva, 2011.

O terceiro post da série "Literatura no Brasil" traz uma expressão que esteve diretamente ligado com o crescimento urbano do século XVIII nas cidades de Minas Gerais, principalmente Vila Rica (atual Ouro Preto): o Arcadismo. Suas principais características em relação ao conteúdo são o universalismo, a busca pelo equilíbrio, o antropocentrismos e ideias iluministas; quanto à forma destacam-se o vocabulário simples e direto, e o gosto pelos sonetos e decassílabos.

Ilustração. Fonte: Google.

Sobre o Arcadismo vale destacar que alguns escritores brasileiros desse século passaram a apresentar em suas obras aspectos um pouco diferentes dos prescritos pelo modelo importado de Portugal, deixando as poesias com um tom mais espontâneo e selvagem.
Aqui descanse a louca fantasia;
E o que té agora se tornava em pranto,
Se converta em afetos de alegria.

(In: Péricles Eugênio da Silva Ramos, org. Poemas de Cláudio Manoel da Costa. São Paulo: Cultrix, 1976. p. 63.)

Entre os autores árcades os principais são:
  1. na lírica: Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Silva Alvarenga;
  2. na épica: Basílio da Gama, Santa Rita Durão e Cláudio Manuel da Costa;
  3. na satírica: Tomás Antônio Gonzaga;
  4. na encomiástica: Silva Alvarenga e Alvarenga Peixoto.
Vamos conhecer alguns deles?

Cláudio Manoel da Costa (1729-1789), também conhecido pelo pseudônimo de Glauceste Satúrnio, é natural de Minas Gerais. Formou-se em Coimbra, onde se tornou advogado, administrador e escritor. Liderou o grupo de autores árcades mineiros e deu continuidade à tradição de poetas clássicos, o que fez com que sua obra se ajustasse melhor aos padrões do Arcadismo. Cláudio cultivou a poesia lírica e a épica. Na lírica, a temática em destaque era a desilusão amorosa, onde muitas vezes era apresentado o ideal da mulher inalcançável. Na épica, Cláudio escreveu Vila Rica, um poema que trata da descoberta e fundação de Vila Rica, e das revoltas locais.

Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) nasceu em Portugal, mas veio ainda menino para a Bahia, onde estudou até a juventude. Posteriormente, fez o curso de Direito em Coimbra. Voltando ao Brasil, passou a viver em Vila Rica, onde conheceu Maria Doroteia de Seixas, uma jovem que passou a ser cantada por ele com o pseudônimo de Marília. E é assim que Gonzaga inicia suas atividades literárias, apresentando uma poesia mais emotiva e espontânea, próxima e real, com feições de pura verdade. Ademais, Gonzaga cultivou poesias líricas, reunidas na obra Marília de Dirceu (esse era o pseudônimo pastoral do autor); e as satíricas, reunidas nas Cartas Chilenas que satirizavam os abusos de poder e a frágil política brasileira, além dos desmandos administrativos e morais de Luís Cunha Meneses, que governou Minas entre 1783 e 1788.

Basílio da Gama (1741-1795) nasceu em Minhas Gerais, mas só completou seus estudos em Portugal e na Itália. Aliás, foi na Itália que Basílio construiu sua carreira literária, quando conseguiu ingressar na Arcádia Romana, na qual assumiu o pseudônimo de Termindo Sipílio. Sua principal obra foi O Uruguai, considerada a melhor realização no gênero épico do Arcadismo. Seu tema é a luta de portugueses e espanhóis contra índios e jesuítas. O que mais se destacava em seus poemas é a descrição física e moral do índio, além do choque de culturas e a paisagem nacional.

Santa Rita Durão (1722-1784) foi um frei que nasceu em Minas Gerais, mas que só completou seus estudos em Portugal junto aos jesuítas, onde tornou-se teologista. Seu poema mais conhecido, Caramuru, revelava amor à pátria, e seguiu rigidamente o modelo camoniano (Camões), com mitologias cristãs e pagãs. No entanto, Caramuru é considerado um poema artificial e um retrocesso, próprio de quem leu sobre o país, mas não vivenciou o que descreveu. Isso porque Durão passou a maior parte de sua vida em Portugal.

Ademais, vale ressaltar que os principais autores do Arcadismo brasileiro, graças as ideais iluministas absorvidos fora do país, voltaram e usaram isso como base para agir contra o governo. Isso resultou na concretização da Inconfidência Mineira. E é isso. No próximo post da série iremos falar um pouco sobre o Romantismo e seus principais autores. Até lá!

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Referência: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza. Conecte: literatura brasileira. São Paulo: Saraiva, 2011.

No segundo post da série "Literatura no Brasil", iremos conversar um pouquinho sobre uma expressão conhecida desde o século XVII graças aos acontecimentos religiosos, políticos e sociais, como dualista e contraditória: o Barroco. Suas principais características são a morbidez, a oposição entre o mundo material e o mundo espiritual, o gosto por raciocínios completos, o cristianismo, dentre outros.

A influência barroca manifestou-se nas pinturas feitas em tetos e paredes de igrejas e palácios. Esse é o afresco da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto (MG), por Manuel da Costa Athayde. Fonte: Só Literatura.

Esse momento histórico é marcado por duas frentes: de um lado, o sensualismo do Renascimento; do outro, uma forte onda de religiosidade. Nessa época, os colonos portugueses que habitavam o Brasil, geralmente advogados, religiosos ou homens das letras, tinham interesse na exploração da cana-de-açucar. Foi assim que eles se tornaram os responsáveis pelo nascimento da literatura no país.

Mas a nossa realidade era bem diferente da portuguesa. Inicialmente frágil e marcada pela violência da escravidão e da perseguição aos índios, o Brasil não apresentava o luxo da aristocracia portuguesa. Apesar disso, o Barroco, que representava o homem entre o céu ao inferno e a sua dimensão carnal e espiritual, conseguiu dar seus primeiros passos por aqui.

A obra considerada o marco inicial do Barroco brasileiro é Prosopopeia (1601), de Bento Teixeira (1561-1618). Mas existem outros escritores barrocos muito importantes, sendo eles:
  1. Na poesia: Gregório de Matos, Botelho de Oliveira e Frei Itaparica;
  2. Na prosa: Pe. Antônio Vieira, Sebastião da Rocha Pita e Nuno Marques Pereira.
Os grandes destaques são Gregório de Matos e Pe. Antônio Vieira.

Gregório de  Matos (1633-1696) é o maior poeta barroco brasileiro e um dos fundadores da poesia lírica e satírica em nosso país. Matos era do tipo que afrontava os valores e a falsa moral da sociedade baiana de seu tempo. Em vida, não publicou nenhuma obra, mas seus poemas eram transmitidos oralmente até meados do século XIX (muitas vezes considerados de autoria controvérsia).

Além de superar os limites do Barroso, Gregório de Matos cultivou três vertentes de poesia lírica em nosso país: a amorosa, a filosófica e a religiosa. A amorosa é marcada pelo dualismo amoroso que nos leva a um sentimento de culpa. Na lírica destaca-se o desconcerto do mundo e às funções humanas. A religiosa, por sua vez, obedece os princípios do Barroco europeu.

Já Antônio Vieira (1608-1697) é a principal expressão do Barroco em Portugal, e sua obra pertence tanto à literatura brasileira quanto à portuguesa. Embora muito religioso, Vieira sempre focava seus sermões a serviço das causas políticas que defendia, postas em prática através da catequese. Ele pregava a índios, brancos e negros, a brasileiros, africanos e portugueses, todos igualmente.

Vieira também teve um pouco de profeta, chegando a escrever três obras com esse conteúdo: História do Futuro, Esperanças de Portugal e Clavis Prophetarum. O que o caracteriza como um escritor barroco foi a sua formação jesuíta aliada à estética barroca difundida, quando pronunciava sermões de expressões ideológicas e literárias da contrarreforma.
Temas frequentes na Literatura Barroca:
- fugacidade da vida e instabilidade das coisas;
- morte, expressão máxima da efemeridade das coisas;
- castigo, como decorrência do pecado;
- arrependimento;
- narração de cenas trágicas;
- misticismo;
- apelo à religião.


No próximo post dessa série, iremos pular certa de 150 anos até o Arcadismo brasileiro, também conhecido por Neoclassicismo europeu. Até lá!
Abraços,


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Referência: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza. Conecte: literatura brasileira. São Paulo: Saraiva, 2011.

O segundo post da série "Literatura no Brasil" trata-se dos principais marcos acerca da produção literária no Brasil-Colônia, e sobre sua primeira grande periodização: o Quinhentismo (1500). Aqui destacam-se Pero Vaz de Caminha, Pero M. Gândavo, Gabriel Soares de Sousa e José de Anchieta, como principais autores.

Representação no Quinhentismo no Brasil. Fonte: Google.

A literatura brasileira nasceu no período colonial, que, aliás, durou por mais de três séculos. Nessa época, ainda não existiam as condições básicas para o amadurecimento da literatura, uma vez que não haviam leitores ativos e/ou grupos de escritores. Além disso, o Brasil ainda não contava com uma vida cultural disseminada... tampouco gráficas ou liberdade de expressão.

Em outras palavras, é difícil precisar o momento em que a produção cultural aqui no país tornou-se independente. Por essa razão, a literatura produzida no Brasil até meados do século XVII é conhecida por manifestações literárias, que só passou a caminhar com suas próprias pernas após a independência  (1822) – e um dos motivos foi a emergência do espírito de nacionalidade.

De acordo com historiadores, o primeiro texto escrito em nosso país é a 'carta' de Pero Vaz de Caminha (escrivão português), em 1500. Ela e muitos outros textos posteriores, todos escritos em prosa, foram chamados mais tarde de literatura de informação. O objetivo era narrar e descrever as viagens ao Brasil para informar tudo que pudesse ser do interesse dos governantes portugueses.

Essa literatura quinhentista, hoje, possui apenas valor histórico. Ainda assim, deixou como herança uma leva de temas para serem explorados mais tarde por artistas brasileiros, como os índios, as belezas naturais, nossa origem, dentre outros. Segue abaixo algumas das principais produções de literatura informativa no Brasil do século XVI.
  1. a carta, de Pero Vaz de Caminha;
  2. o diário de navegação, de Pero Lopes de Sousa (1530);
  3. o tratado descritivo do Brasil, de Gabriel Soares de Sousa (1587);
  4. as cartas dos missionários jesuítas escritas nos dois primeiros séculos de catequese.
Quem também deixou muitos registros no Brasil, através de cartas, tratados, crônicas e poemas, foram os jesuítas vindos ao Brasil com a missão de catequizar os índios. Obviamente, toda essa produção está ligada à intenção catequética de seus autores. Dentre eles destaca-se o padre José de Anchieta, um espanhol que veio ao país para trabalhar com o padre Manuel da Nóbrega.

Anchieta representa parte da melhor produção literária quinhentista. Escreveu poesia religiosa, poesia épica, crônicas histórias e uma gramática tupi. Também foi autor de peças teatrais e participou da fundação das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Sua produção possui influência do modelo literário medieval, e seu alvo central era o índio. Abaixo, um trecho de "Em Deus, meu criador".

Contente assim, minha alma,
do doce amor de Deus
toda ferida,
o mundo deixa em calma,
buscando a outra vida,
na qual deseja ser
toda absorvida.


(José de Anchieta)

No próximo post da série "Literatura no Brasil", conversaremos um pouco sobre o Barroco e a sua arte indisciplinar. Até lá!
Abraços,

 
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Referência de consulta: CEREJA, William Roberto. Conecte: literatura brasileira. São Paulo: Saraiva, 2011.

Em abril, o desafio dos 12 livros para 2016 (do qual estou participando) estabelece a leitura de uma obra nacional. Achei a oportunidade excelente para iniciar um 'especial' que venho querendo por em prática há meses, acerca da literatura no Brasil.

Serão dez posts somados ao de hoje (onde farei somente uma pequena apresentação) sobre o pouco que sei em relação aos diferentes estilos literários vividos pelo país desde a época do seu descobrimento. Provavelmente, não direi nada muito diferente do abordado em aulas de literatura para o ensino médio. Ainda assim, minha intenção não é dar aulas ou fazer resumos para o vestibular.

Aqui eu irei apenas relembrar (nas próximas semanas) alguns fatos de forma bem descontraída, tanto sobre os marcos de cada período, como também acerca das principais obras e autores que consolidaram a literatura no Brasil. E assim somaremos conhecimentos, juntos.

Representação do trovadorismo. Fonte: Google.

As manifestações literárias brasileiras deram início em 1500 graças às influências da cultura portuguesa. Por essa razão, antes de conhecer cada movimento literário e suas características, convém entender um pouco sobre a literatura em Portugal até o século XVI, uma vez que ela é a nossa grande referência (não preciso dizer que foram os portugueses quem descobriram o Brasil, não é?)

Os primeiros escritos da literatura portuguesa, datados no século XII, constituem a primeira época medieval, que mais tarde passou a ser conhecida como trovadorismo. Esse nome originou-se dos poemas que eram memorizados e difundidos oralmente, sempre acompanhados de instrumentos musicais. Os autores dessas cantigas eram os trovadores, que geralmente pertenciam à nobreza ou ao clero. Nas camadas populares eram os jograis quem executavam essas canções.

As canções foram cultivadas tanto no gênero lírico quanto no satírico, e acabaram sendo organizadas em quatro tipos. No gênero lírico: cantigas de amigo e de amor; no gênero satírico: cantigas de escárnio e de maldizer. Abaixo, uma breve descrição das características de cada um:
  1. Cantigas de amigo: Apresentam normalmente ambientação rural, e linguagem e estrutura simples. O eu lírico é feminino e há predomínio da musicalidade. Aqui o amor é natural.
  2. Cantigas de amor: Prendem-se a certas convenções de linguagem e sentimentos. O eu lírico é masculino e há ascendência de ideias. O amor é cortês e existe uma forte influência provençal.
  3. Cantigas de escárnio: Volta-se para a crítica de costumes. A linguagem normalmente é carregada de ironia e ambiguidades. Mas o nome do satirizado nunca é relevado.
  4. Cantigas de maldizer: Costuma identificar o nome da pessoa satirizada e faz-lhe uma crítica direta, em forma de zombaria. A linguagem aqui é mais grosseira e por vezes até obscena. 
Por nada mais prazer posso sentir,
ou pesar, se de vós me separei.
E se não mais no mundo os sentirei,
não vejo como possam conseguir,
senhora, meus sentimentos estremar
o bem do mal, o prazer do pesar.

(Cantiga de amor: D. Dinis, rei de Portugal. In: Cantares dos trovadores galego-portugueses)

A segunda época medieval, a partir do século XV,  foi marcada pelo renascimento, onde o mundo medieval transitava para o mundo moderno. Nesse período, a literatura consolidava a prosa historiográfica e o teatro. Enquanto isso, a poesia enriquecia-se do ponto de vista formal.

Durante a vigência do renascimento, movimento sobretudo inspirado nas ideias e nos textos da cultura clássica greco-latina, a literatura produzida passou a ser conhecida como classicismo ou quinhentismo. Desse grupo, destacaram-se os autores Dante Alighieri, Petraca e Boccaccio.

Vale destacar ainda que no século XVI, onde o classicismo entrou em consonância com o contexto histórico da época (tornando-se assim o terceiro momento mais significativo da literatura portuguesa), a fé foi substituída pela razão. Ou seja, o homem passou a ser o centro de todas as coisas.

Ademais, Portugal se tornou durante o período descrito até aqui um dos países mais importantes da Europa. E quem contribuiu fortemente para traduzir esse sentimento de euforia e nacionalidade foi o poema épico Os Lusíadas, de Luís de Camões. Camões foi um estudioso da cultura clássica, e, graças às experiências que viveu, conseguiu escrever diversos poemas líricos de grande influência.

Aqui espero tomar, se não me engano,
De quem me descobriu suma vingança;
E não se acabará só nisto o dano
De vossa pertinace confiança,
Antes em vossas naus vereis cada ano,
Se é verdade o que meu juízo alcança,
Naufrágios, perdições de toda sorte,

Que o menor mal de todos seja a morte.

(Os Lusíadas)

No próximo post da série "Literatura no Brasil", daremos uma pincelada acerca da produção literária no Brasil-Colônia, e sobre sua primeira grande periodização: o Quinhentismo. Até lá!
Abraços,


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Referência: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza. Conecte: literatura brasileira. São Paulo: Saraiva, 2011.

Anotar o que você lê anualmente te dá a oportunidade de avaliar como ocorre sua variação de leitura. Gêneros, autores, vertentes literárias... é como um balanço em fim de expediente. E foi observando a minha que eu pude atestar (mais uma vez) a minha total indisposição para as leituras clássicas brasileiras. Não é preconceito, ou má vontade. Tá mais para falta de iniciativa.

É por isso que eu resolvi criar minha primeira listologia, com quatro livros nacionais a serem lidos nos próximos meses (não se trata de uma meta ou desafio, ok?). Resolvi fazer isso como uma forma de incentivo para mim mesma, dando uma chance ainda a pesquisas que até então eu não costumava realizar, onde eu busco conhecer melhor os autores e as obras famosas da época. Assim sendo, estou aqui para compartilhar com vocês minha primeira listinha (um tanto clichê) com títulos que eu possivelmente gostarei de ler.

Imagem: ilustração.
Para o primeiro livro eu não pensei muito. Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis, está na minha lista de releituras desde que saí do ensino médio. A vontade de conferir essa referência clássica, quando mais madura, vem dos polêmicos temas abordados pelo autor. O ciúme de Bentinho, a imprecisão na fidelidade de Capitu, o retrato moral da época e o caráter do narrador fizeram da história a obra-prima de Machado. Enfim, quero ter a oportunidade de ser levada mais uma vez pelas incertezas que conduz este romance.

Mar Morto (1936) é a segunda trama da lista. De autoria de Jorge Amado, o livro retrata a dura vida de pescadores em um cais, cuja única certeza que eles têm daquele lugar é que Iemanjá, mãe das águas, irá busca-los após a morte. Além de já ter recebido recomendações deste livro, meu interesse surgiu devido a proposta de uma narrativa poética que desmistifica todos os preconceitos ao redor da Iemanjá.

Por ser interessada em textos que abordem manifestações culturais e religiosas, e misticismo, resolvi acrescentar na lista o livro Tenda dos Milagres (1968), também de Jorge Amado. A trama se passa na capital da Bahia, Salvador, terra povoada por afrodescendentes. Ao que me parece, a ideia é introduzir um importante debate sobre democracia racial brasileira em meio a perseguições ao candomblé e aos capoeiristas, mostrando que a miscigenação não veio acompanhada de respeito a diversidade. Tenho a impressão que vou gostar muito desse enredo.

O Vampiro de Curitiba (1965) é o quarto e último da lista. Ambientado em Curitiba, o livro de Dalton Trevisan traz relatos do cotidiano da degradação humana através do dia-a-dia de Nelsinho, o "vampiro" propriamente dito, personagem dos quinze contos que compõe a obra. Nelsinho vive a vagar pela provinciana Curitiba atrás de suas vítimas, se mostrando um verdadeiro escravo da libertinagem e da solidão urbana. Apesar de não ter tanta aptidão por contos, gostei bastante dos temas propostos... e o clássico também foi muito recomendado pela Tati Feltrin, do Tiny Little Things, então resolvi dar uma chance.

Bom, é isso. Por favor, se você já leu algum dos livros citados, me dá sua opinião!? Se não, me recomenda algum clássico brasileiro? Vou gostar muito. E, ah! Tô adorando essa ideia de criar listas... pretendo fazer outras, e vou adorar compartilhá-las contigo. O que você acha?
Até mais!