Título: Eu Sou o Mensageiro
Autor: Markus Zusak
Edição: 2007
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
ISBN: 9788598078298
Nota: 5 de 5
SINOPSE: Ed Kennedy leva uma vida medíocre, sem arroubos. Trabalha, joga cartas com cúmplices do tédio, apaixona-se por uma amiga que dorme com todos os vizinhos do subúrbio e divide apartamento com um cão velho. O pai alcoólatra morreu há pouco; a mãe parece desprezá-lo.
Certo dia, ele impede um assalto a banco e é celebrizado pela mídia. O ato heróico tem conseqüência. Logo depois, Ed recebe enigmáticas cartas de baralho pelo correio: uma seqüência de ases de ouros, paus, espadas, copas, cada qual contendo uma série de endereços ou charadas a serem decifradas. Após certa hesitação, rende-se ao desafio. Misteriosamente levado ao encontro de pessoas em dificuldades, devassa dramas íntimos que podem ser resolvidos por ele. Uma mulher é estuprada diariamente pelo marido, enquanto uma senhora de 82 anos afoga-se em solidão, à espera do companheiro, morto há mais de meio século.
A ele parece caber o papel do eleito, do salvador. Convencido disso, segue instruções e se perde entre ficções de estranhos e sua própria, embaçada, realidade. A certa altura pergunta-se: "Eu sou real?" Markus Zusak cria um personagem comovente capaz de confrontar o mistério e, por meio da solidariedade, empreender um épico que o levará ao centro de sua própria existência.
Comentários:
Eu Sou o Mensageiro narra a história de Ed Kennedy, um patético taxista de 19 anos que leva uma vida de fracassos e incompetências. Ele mesmo se compara a Bob Dylan, Joana D'arc e Salvador Dalí, que aos 19 já tinham seus nomes reconhecidos mundo afora. Desmotivado, Ed possui um amor não correspondido por Audrey, sua melhor amiga. É um zero à esquerda em matéria de sexo, perdeu o pai recentemente, morto por alcoolismo, e é desprezado pela mãe. Tem dois ''grandes amigos'': um é pão-duro e reclamão, Marv, e o outro é a desmotivação em pessoa, Ritchie. Vive em uma casinha alugada com seu velho e fedorento cão, o Porteiro. Enfim, Ed é um derrotado, e possui a vida que ninguém gostaria de ter.
"Estou sempre me perguntando e aí, Ed, o que você fez de útil nesses 19 anos de vida? A resposta é simples: porra nenhuma."
A história se inicia com um assalto à banco, onde aparentemente Ed é o herói, pois ele impede que o pior aconteça. Após ter seus 15 minutos de fama – ele é engrandecido pela mídia –, o destino lhe reserva uma curiosa surpresa: ao chegar em casa, recebe a primeira de uma série de cartas de baralho. Quatro ases e um coringa com endereços de pessoas ou charadas. Agora resta tentar decifrar o que aquilo significa.
Através dessas cartas anônimas, Ed se vê diante de pessoas com uma situação de vida nada satisfatória, de carência e de perigo, fazendo com que ele se sinta na obrigação de ajudá-las. Isso faz dele uma espécie de mensageiro da justiça e esperança.
Com o desenrolar da trama, sua vida ganha um novo sentido e significado. O rapaz percebe, aos poucos, que tem mais recursos e poderes interiores do que imagina. Ed acaba mudando a vida de pessoas bem diferentes, fazendo com que sua vida ganhe também um novo sentido.
O final é surpreendente e traz uma mensagem maravilhosa! Na verdade, toda a obra carrega uma mensagem especial.
''Minhas pernas dão um duro danado pra levantar e me arrastar adiante. Meus pés parecem que estão cravando na terra. Respiro o mais fundo possível, mas tem um muro na minha garganta. Meus pulmões estão famintos. Dentro de mim, sento o ar subindo o muro pra descer até eles, mas não é o suficiente. Ainda assim, continuo correndo. Eu preciso.''
Assim como os demais trabalhos de Markus Zusak, esse não poderia ser diferente: é excêntrico. Toda a obra é dotada de uma linguagem impressionante, irreverente, sem qualquer tipo de frescura. Possui humor, emoção, cenas fortes, mas também verdadeiras lições de vida, proporcionando uma leitura prazerosa com muitas emoções a cada capítulo.
Em outras palavras, Zusak mostra, através do Ed, uma comovente e fascinante análise da necessidade de participar da vida de alguém de forma significativa, e de valorizar as riquezas que podemos ofereceu ao outro. Momentos de superação fazem o leitor refletir sobre o que é realmente importante, e como às vezes um ato simples pode fazer a diferença, tornando nós mesmos pessoas melhores. Recomendo!