Olá, pessoal!  \õ/ Como vão todos?

A citação de você se refere a um trecho inspirador extraído de um dos meus livros favoritos: Eu Sou o Mensageiro, do Markus Zusak. Inclusive, temos uma resenha dupla da obra publicada aqui no blog, feita por nós (Isa e eu).  
Quem quiser conferir é só clicar aqui.

Na passagem que se segue, observamos o quanto o protagonista se sente arrasado e derrotado, sem grandes perspectivas de vida ou motivação. Porém, notamos também que, apesar de todas as dificuldades, Ed tentar ir mais à frente, fazendo o seu melhor, e mostrando ao modo dele o quanto é capaz de mudar o mundo. O seu mundo. Ele nos mostra que um ato simples pode fazer a diferença, basta querer.  ;)  Apreciem!

~*~

''Quando estou colocando a torradeira no lugar, vejo minha imagem refletida nela – apesar da sujeirinha. O negócio chega a doer nos olhos. É neste momento que eu rapidamente vejo a natureza lamentável de minha vida. Esta garota que eu não consigo conquistar. Estas mensagens que eu me sinto incapaz de entregar... Mas então vejo meus olhos ficarem mais determinados. Vejo uma versão futura de mim mesma voltando à Rua Henry pra visitar o padre Thomas O’Reilly. Vou colocar minha jaquetinha velha e suja, sem um tostão no bolso e nenhum cigarro, igualzinho à última vez. Só que da próxima vez pretendo chegar à porta da frente.''

Pág. 126

Imagem: Google.
Markus Frank Zusak, filho de pai austríaco e mãe alemã e o mais novo de 4 filhos, nasceu em Sydney, em 1975, onde vive até hoje com sua esposa e filha. Tem cinco livros publicados, dos quais "Eu Sou o Mensageiro" e "A Menina que Roubava Livros" foram os de maior prodígio e sucesso mundiais.

Zusak decidiu escrever "A Menina que Roubava Livros" a partir da experiência dos pais durante o nazismo, ouvindo histórias acerca da Alemanha neste período, sobre o bombardeio de Munique e sobre os judeus marchando pela pequena cidade alemã de sua mãe. Diante disso, ele sempre soube que essa era uma história que ele gostaria de contar.

Para tanto, realizou ampla pesquisa sobre o tema na própria Alemanha, checando informações em Munique e visitando o campo de concentração de Dachau. Algumas histórias da ficção são recordações de infância da mãe.

"Nós temos a imagem de marchas de garotos em filas, de 'Heil Hitlers' e a idéia de que todos na Alemanha estavam nisso juntos. Mas ainda havia crianças rebeldes e pessoas que não seguiam as regras, e pessoas que esconderam judeus e outras pessoas em suas casas. Então, eis outro lado da Alemanha Nazista", disse Zusak numa entrevista para o The Sydney Morning Herald.

A ideia para escrever "Eu Sou o Mensageiro" surgiu quando estava em um parque de Sydney lanchando e notou um aviso de estacionamento permitido por apenas 15 minutos na frente de um banco, e pensou: "Quinze minutos não é muito tempo. Toda vez que vou ao banco passo mais tempo que isso. E se você está em um banco durante o assalto e seu carro está na área de estacionamento com permissão para 15 minutos? Como fazer para tirar o carro e evitar uma multa?" É exatamente isso que acontece no início do livro.

Aos 30 anos, Zusak já se firmara como um dos mais inovadores e poéticos romancistas dos dias de hoje. Com a publicação de "A Menina que Roubava Livros", ele foi batizado como um "fenômeno literário" por críticos australianos e norte-americanos. A partir de então, foi consagrado internacionalmente, liderando as listas de livros mais vendidos do jornal The New York Times e de vários veículos da mídia brasileira.

Zusak é o autor vencedor do prêmio de quatro livros para jovens: The Underdog, Fighting Ruben Wolfe, Getting the Girl, Eu Sou o Mensageiro (I am the Messenger), sendo este último o que lhe rendeu os prêmios de Livro Jovem do Ano, da Publisher Weekly, e Livro do Ano para Leitores Mais Velhos, concedido pelo Conselho Australiano de Livros Infantis.

"Sempre tive histórias na minha cabeça, e comecei a escrevê-las".
(Markus Zusak)

Bibliografia:
  • Bridge of Clay (2009);
  • The Book Thief (2006);
  • Getting the Girl (2003);
  • I am The Messenger (2002);
  • Fighting Ruben Wolfe (2001);
  • When Dogs Cry (2001);
  • The Underdog (1999).

Postagem escrita por Isabella Colmanetti.


Título: Eu Sou o Mensageiro
Autor: Markus Zusak
Edição: 2007
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
ISBN: 9788598078298
Nota: 5 de 5

SINOPSE: Ed Kennedy leva uma vida medíocre, sem arroubos. Trabalha, joga cartas com cúmplices do tédio, apaixona-se por uma amiga que dorme com todos os vizinhos do subúrbio e divide apartamento com um cão velho. O pai alcoólatra morreu há pouco; a mãe parece desprezá-lo.
Certo dia, ele impede um assalto a banco e é celebrizado pela mídia. O ato heróico tem conseqüência. Logo depois, Ed recebe enigmáticas cartas de baralho pelo correio: uma seqüência de ases de ouros, paus, espadas, copas, cada qual contendo uma série de endereços ou charadas a serem decifradas. Após certa hesitação, rende-se ao desafio. Misteriosamente levado ao encontro de pessoas em dificuldades, devassa dramas íntimos que podem ser resolvidos por ele. Uma mulher é estuprada diariamente pelo marido, enquanto uma senhora de 82 anos afoga-se em solidão, à espera do companheiro, morto há mais de meio século.
A ele parece caber o papel do eleito, do salvador. Convencido disso, segue instruções e se perde entre ficções de estranhos e sua própria, embaçada, realidade. A certa altura pergunta-se: "Eu sou real?" Markus Zusak cria um personagem comovente capaz de confrontar o mistério e, por meio da solidariedade, empreender um épico que o levará ao centro de sua própria existência.

Comentários:

Eu Sou o Mensageiro narra a história de Ed Kennedy, um patético taxista de 19 anos que leva uma vida de fracassos e incompetências. Ele mesmo se compara a Bob Dylan, Joana D'arc e Salvador Dalí, que aos 19 já tinham seus nomes reconhecidos mundo afora. Desmotivado, Ed possui um amor não correspondido por Audrey, sua melhor amiga. É um zero à esquerda em matéria de sexo, perdeu o pai recentemente, morto por alcoolismo, e é desprezado pela mãe. Tem dois ''grandes amigos'': um é pão-duro e reclamão, Marv, e o outro é a desmotivação em pessoa, Ritchie. Vive em uma casinha alugada com seu velho e fedorento cão, o Porteiro. Enfim, Ed é um derrotado, e possui a vida que ninguém gostaria de ter.

"Estou sempre me perguntando e aí, Ed, o que você fez de útil nesses 19 anos de vida? A resposta é simples: porra nenhuma."

A história se inicia com um assalto à banco, onde aparentemente Ed é o herói, pois ele impede que o pior aconteça. Após ter seus 15 minutos de fama – ele é engrandecido pela mídia –, o destino lhe reserva uma curiosa surpresa: ao chegar em casa, recebe a primeira de uma série de cartas de baralho. Quatro ases e um coringa com endereços de pessoas ou charadas. Agora resta tentar decifrar o que aquilo significa.

Através dessas cartas anônimas, Ed se vê diante de pessoas com uma situação de vida nada satisfatória, de carência e de perigo, fazendo com que ele se sinta na obrigação de ajudá-las. Isso faz dele uma espécie de mensageiro da justiça e esperança.

Com o desenrolar da trama, sua vida ganha um novo sentido e significado. O rapaz percebe, aos poucos, que tem mais recursos e poderes interiores do que imagina. Ed acaba mudando a vida de pessoas bem diferentes, fazendo com que sua vida ganhe também um novo sentido. 

O final é surpreendente e traz uma mensagem maravilhosa! Na verdade, toda a obra carrega uma mensagem especial.

''Minhas pernas dão um duro danado pra levantar e me arrastar adiante. Meus pés parecem que estão cravando na terra. Respiro o mais fundo possível, mas tem um muro na minha garganta. Meus pulmões estão famintos. Dentro de mim, sento o ar subindo o muro pra descer até eles, mas não é o suficiente. Ainda assim, continuo correndo. Eu preciso.''

Assim como os demais trabalhos de Markus Zusak, esse não poderia ser diferente: é excêntrico. Toda a obra é dotada de uma linguagem impressionante, irreverente, sem qualquer tipo de frescura. Possui humor, emoção, cenas fortes, mas também verdadeiras lições de vida, proporcionando uma leitura prazerosa com muitas emoções a cada capítulo.

Em outras palavras, Zusak mostra, através do Ed, uma comovente e fascinante análise da necessidade de participar da vida de alguém de forma significativa, e de valorizar as riquezas que podemos ofereceu ao outro. Momentos de superação fazem o leitor refletir sobre o que é realmente importante, e como às vezes um ato simples pode fazer a diferença, tornando nós mesmos pessoas melhores. Recomendo!